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Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 1 Colégio Militar Antônio Messias ESTUDOS AMAPAENSES E AMAZÔNICOS - EAA 6º ano Prof. Msc. ROSINAI AMANAJÁS PENA MACAPÁ-AP, 2018 Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 2 Colégio Militar Antônio Messias ESTUDOS AMAPAENSES E AMAZÔNICOS - EAA Prof. Msc. ROSINAI AMANAJÁS PENA Tarumã - Amadeu Cavalcante Minha história é que nem uma história de um moço que se encantou, se encantou... Nas águas do rio Calçoene virou pau madeira de amor e eu fui parar noutro rio atrás do meu grande amor nas águas do Araguari meu coração se encantou É um rio encantado o Araguari, o Araguari, o Araguari é um rio do passado o Araguari, o Araguari, o Araguari Vou contar pra você essa história de um moço que se encantou, se encantou Vou contar pra você essa glória, de ser pau madeira de amor Tarumã, Tarumã e a gente subia o rio Tarumã, Tarumã se agente morreu foi de amor Tarumã, Tarumã e a gente descia o rio Tarumã, Tarumã o rio que nos separou A educação com disciplina! Historiador, Bacharelado e Licenciatura Plena (UNIFAP), Pós-graduação em Historia do Brasil (Faculdades Integradas de Jacarepaguá, FIJ-RJ) e Mestrado em Desenvolvimento Regional (MDR-UNIFAP). Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 3 ÍNDICE CONTEÚDOS POR SÉRIE 6º ANO - eixo temático (Amazônia e Amapá do período pré colonial ao século XVIII): conceitos fundamentais, características gerais da região, a presença indígena e a chegada dos portugueses 1º BIMESTRE - Conceitos fundamentais.............................01 - Amazônia: conceito, porque estudar a Amazônia?.............01 - localização geográfica da Amazônia e origem do nome Amazônia.................................................................................01 - o que é Amazônia internacional?.........................................01 - Rio Amazonas e Grão-Pará...................................................02 - Espaço geográfico amazônico (floresta amazônica)..........02 - Origem do nome Amazônia: a lenda das guerreiras amazonas ...............................................................................02 - texto complementar: Transformando a Amazônia com o trabalho...................................................................................03 - Os povos indigenas da amazonia legal: uma história novinha com mais de 10 mil anos..........................................04 - Arqueologia ..........................................................................05 - texto complementar: Arqueologia na Amazónia...............05 - Indigenas, muitos indigenas................................................06 E os indigenas hoje?................................................................06 - Programa de indio?...............................................................07 2º BIMESTRE - O Amapá no período pré colonial - Em busca de nosssa identidade...........................................08 - O Brasil pré-cabralino: nossos povos indígenas antes da chegada dos portugueses......................................................08 - Texto complemetar: viver como índio................................09 - As comunidades indígenas hoje: waiãpi, Galibi do oiapoque, Galibi Marworno, Karipuna e Palikur......................................11 - Enfim, os portugueses chegaram.........................................13 - Afinal, a amazônia pertencia aos portugueses, aos espanhois ou a nenhum dos dois?..........................................13 - Os Fortes................................................................................14 - Dividir para governar.............................................................14 - As primeiras navegaçoes.......................................................15 - Os primeiros contatos dos navegadores europeus nas terras amapaense....................................................................15 - - Os primeiros contatos dos navegadores europeus com os índios do amapá .....................................................................16 - O Amapá como possessão espanhola..................................17 - O Amapá como possessão portuguesa................................18 - A exploração econômica das terras amapaenses durante a colonização..............................................................................18 3º BIMESTRE - O Amapá na época da exploração colonial - A expansão marítima e comercial........................................19 - O processo de Lusitaçao na Amazonia................................20 - A fundação de aldeamentos................................................20 - A repartição de índios ..........................................................20 - interesses religiosos e econômicos das missões.................21 - Texto complementar: escravidão indígena ........................22 - A chegada dos europeus......................................................23 - o período colonial.................................................................24 - Amapá recebe os primeiros colonos....................................25 - Chegam os colonos de açores..............................................25 - Marroquinos em Mazagão...................................................25 - Tucujus, os primeiros habitantes?........................................26 - Indigenas do Amapá: Karipuna, Palikur, Galibi e Galibi Marworno................................................................................27 - O grão-Pará no período pré-pombalino...............................29 - Da Ocupação Espiritual à ocupação Laica (não eclesiática) do Grão-Pará:..........................................................................29 -Texto complementar: Os índios Catequizados e as Aldeias de Repartição. Os descimentos: as aldeias de repartição...........................................................................31 4º BIMESTRE - Características gerais da ocupação do Amapá colonial -O Amapá no contexto de expansão marítima europeia......31 - A capitania do cabo norte: uma capitania hereditária........32 - As experiências no cabo norte antes da fundação de Macapá....................................................................................32 - A presença estrangeira na costa setentrional do grão-pará...........................................................................33 - Sobre a política de fortificações...........................................33 - A Fortaleza de São José de Macapá.....................................35 - Caracteristicas da Fortaleza São José de Macapá...............36 - Texto complementar: Fortaleza São José de Macapá durante a Republica................................................................37 - Tratados e acordos na definição da fronteira setentrional da Amazônia...........................................................................38 - O tratado de Utrecht............................................................38 - O tratado de Madrid.............................................................39 - A distribuição da força de trabalho: nativos e imigrantes..39 - A fundação da vila de são José de Macapá: Colônia agrícola ou militar?................................................................................40 - Fundação da cidade de Macapá...........................................43 - Amapá, uma conquista espanhola?.....................................43 - Colonos plantadores de arroz: a rizicultura no delta do Amazonas...............................................................................44 ColégioMilitar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 2 6º ANO: Amazônia e Amapá do período pré-colonial ao século XVIII: conceitos fundamentais, características gerais da região, a presença indígena e a chegada dos portugueses Principais idéias e abordagens - Importância e significado da Amazônia e sua formação histórica - a floresta Amazônica e sua ocupação humana. - O modo de vida indígena e os estudos antropológicos - A chegada dos europeus: os portugueses saem na frente - Os primeiros passos da ocupação do espaço amapaense 1º BIMESTRE: a importância da Amazônia legal Por que estudar a Amazônia? (fonte: Wikipédia) A Amazônia é uma região na América do Sul, definida pela bacia do rio Amazonas e coberta em grande parte por floresta tropical (também chamada de Floresta Equatorial da Amazônia ou Hiléia Amazônica). A bacia hidrográfica da Amazônia tem muitos afluentes importantes tais como o rio Negro, Tapajós e Madeira, sendo que o rio principal é o Amazonas, que outros países antes de adentrar em terras brasileiras. O rio Amazonas nasce na cordilheira dos Andes e estende-se por nove países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Gu iana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. É considerado o rio mais volumoso do mundo. No Brasil, para efeitos de governo e economia, a Amazônia é delimitada por uma área chamada "Amazônia Legal" definida a partir da criação da SUDAM (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), em 1966. É chamado também de Amazônia o bioma que, no Brasil, ocupa 49,29% do território, sendo o maior bioma terrestre do país. Uma área de seis milhões de hectares no centro de sua bacia hidrográfica, incluindo o Parque nacional do Jaú, foi considerada pela UNESCO, em 2000 (com extensão em 2003), Patrimônio da Humanidade. 1 - VAMOS PENSAR UM POUCO: responda no caderno, por que devemos estudar a Amazônia? Localização geográfica da Amazônia (Wikipédia) Amazônia Legal é o nome atribuído pelo governo brasileiro a uma determinada área da Floresta Amazônica, pertencente ao Brasil, e que abrange nove Estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e parte dos estados de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. A área corresponde a aproximadamente 5.217.423 km2, cerca de 61% do território brasileiro. 2 - Um desafio: a população da Amazônia é de 12,32% em relação ao Brasil. A Amazônia é muito povoada? Explique. Foi com a finalidade de melhor planejamento e execução de projetos econômicos na região delimitada, que através da Lei n° 1806, de 06 de janeiro de 1953, o governo de Getúlio Vargas decretou a criação da Amazônia Legal (antes denominada Hiléia Amazônica). Simultaneamente, foi criada uma organização responsável pelas iniciativas de promoção dessa região, atualmente designada Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). O governo federal, reunindo regiões de idênticos problemas econômicos, políticos e sociais, com o intuito de melhor planejar o desenvolvimento social e econômico da região amazônica, instituiu o conceito de "Amazônia legal". A atual área de abrangência da Amazônia Legal corresponde à totalidade dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e parte dos estados do Mato Grosso, Maranhão (a oeste do meridiano de 44º de longitude oeste) e Goiás, perfazendo uma superfície de aproximadamente 5.217.423 quilômetros quadrados correspondente a cerca de 61% do território brasileiro. Sua população, entretanto, corresponde a 12,32% do total de habitantes do Brasil. 3 - Responda no caderno: por que foi criado o conceito de Amazônia legal? O que é Amazônia Internacional? (Wikipédia) A Amazônia Internacional é um termo que se utiliza para fazer referência à região norte da América do Sul, onde está localizada a Floresta Amazônica, que abrange uma área total de 7 milhões de km2. Essa região é também conhecida por Selva Amazônica, Floresta Equatorial da Amazônia ou Floresta Pluvial. A maior parte da Amazônia Internacional está localizada em território brasileiro, compreendendo 60% do total, denominada pelo governo brasileiro de Amazônia Legal. A Amazônia Internacional se estende por nove países: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. A floresta tropical da Amazônia é uma das maiores do mundo. Tem clima quente e úmido, com chuvas abundantes. O período chuvoso tem a duração http://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A9rica_do_Sul http://pt.wikipedia.org/wiki/Bacia_do_rio_Amazonas http://pt.wikipedia.org/wiki/Floresta_tropical http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Amazonas http://pt.wikipedia.org/wiki/Bol%C3%ADvia http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil http://pt.wikipedia.org/wiki/Col%C3%B4mbia http://pt.wikipedia.org/wiki/Equador http://pt.wikipedia.org/wiki/Guiana http://pt.wikipedia.org/wiki/Guiana_Francesa http://pt.wikipedia.org/wiki/Guiana_Francesa http://pt.wikipedia.org/wiki/Guiana_Francesa http://pt.wikipedia.org/wiki/Peru http://pt.wikipedia.org/wiki/Suriname http://pt.wikipedia.org/wiki/Venezuela http://pt.wikipedia.org/wiki/Amaz%C3%B4nia_Legal http://pt.wikipedia.org/wiki/SUDAM http://pt.wikipedia.org/wiki/SUDAM http://pt.wikipedia.org/wiki/SUDAM http://pt.wikipedia.org/wiki/1966 http://pt.wikipedia.org/wiki/Bioma http://pt.wikipedia.org/wiki/Hectare http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_nacional_do_Ja%C3%BA http://pt.wikipedia.org/wiki/UNESCO http://pt.wikipedia.org/wiki/2000 http://pt.wikipedia.org/wiki/2003 http://pt.wikipedia.org/wiki/Patrim%C3%B4nio_da_Humanidade https://pt.wikipedia.org/wiki/Governo_do_Brasil https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_social https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_social https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_social https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_econ%C3%B4mico https://pt.wikipedia.org/wiki/Acre https://pt.wikipedia.org/wiki/Amap%C3%A1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Amazonas https://pt.wikipedia.org/wiki/Par%C3%A1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Rond%C3%B4nia https://pt.wikipedia.org/wiki/Roraima https://pt.wikipedia.org/wiki/Tocantins https://pt.wikipedia.org/wiki/Mato_Grosso https://pt.wikipedia.org/wiki/Mato_Grosso https://pt.wikipedia.org/wiki/Mato_Grosso https://pt.wikipedia.org/wiki/Maranh%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Goi%C3%A1s https://pt.wikipedia.org/wiki/Superf%C3%ADcie Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 3 de seis meses. A biodiversidade de fauna e a flora contribui de forma significativa para a biodiversidade brasileira e mundial. A região da Amazônia Internacional compreende a maior Bacia Hidrográfica do mundo. Formada pelo rio Amazonas e seus afluentes. 4 - Responda: qual a mais marcante característica da Amazônia internacional? Rio Amazonas e Grão-Pará (fonte: Wikipédia) O Rio Amazonas é um grande rio sul-americano que nasce na Cordilheira dos Andes, no lago Lauri ou Lauricocha, no Peru e deságua no Oceano Atlântico, junto à Ilha de Marajó, no Brasil. Por muito tempo, acreditou-se que o Rio Amazonas fosse o rio mais caudaloso do mundo e o segundo em comprimento, porém pesquisas recentes o apontam também como o rio mais longo do mundo. É o rio com a maior bacia hidrográfica do mundo, ultrapassando os 7 milhões de quilômetros quadrados, grande parte deles de selva tropical. Hoje a Amazônia é conhecida como região norte, mas no seu passado colonial era denominada Grão-Pará que chegou a ser gerenciada por uma companhia comercial (companhia geral de comercio do grão Pará e Maranhão), vejamos: A Província do Grão-Pará, que à época era comumente chamada de Pará (do tupi-guarani, rio-mar ou rio grande), foi uma unidade administrativa do final do período colonial e do período imperial brasileiro, originada das capitanias do Grão-Pará e do Rio Negro. Existiu de 1821 a 1889. Os portugueses inicialmente chamaram o territóriode "Terra de Feliz Lusitânia", logo substituído por Grão-Pará, para finalmente, se tornar apenas Pará no ano de 1889. 5 - VAMOS PRATICAR: apresente caracteristicas do rio Amazonas, como parte de um bioma. Espaço geográfico amazônico (Floresta Amazônica) O extrativismo vegetal é uma das principais atividades econômicas da Amazônia Legal. Grandes empresas, nacionais e internacionais, utilizam as matérias-primas provenientes dessa região, na fabricação dos seus produtos. O Estado do Pará destaca-se por ser o maior produtor mundial do açaí, fruto nativo da região amazônica. A Amazônia é a maior floresta tropical úmida do mundo com uma área aproximada de 4,5 milhões de km2 (Sioli, 1990), abrangendo no território brasileiro os estados do Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Amapá, Rondônia, norte do Mato Grosso e oeste do Maranhão. Além do Brasil a Floresta Amazônica se estende pelos países vizinhos da Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia e Peru. A Amazônia está localizada no norte da América do Sul, sendo esta região cortada pelo rio Amazonas, que nasce no Peru, na Cordilheira dos Andes e deságua no oceano Atlântico, depois de cruzar todo o norte do país, tendo aproximadamente 6.570 km de comprimento(Ab‘Saber, 2005). A região abriga o sistema fluvial mais extenso e de maior massa líquida da Terra, formando a Bacia Amazônica, que tem uma área calculada em mais de 7 milhões de km2 (Sioli, 1990). 6 - VAMOS APROFUNDAR O TEMA: procure informações sobre o dominio morfoclimatico amazônico e copie no seu caderno. Origem do nome Amazônia O explorador espanhol Francisco de Orellana, em 1542, relatou em sua expedição, ter sido atacado por mulheres nuas que usavam arco e flecha, no rio Amazonas, Orellana então as chamou de amazonas, fazendo referência também a mitologia grega, onde as mulheres não aceitavam homens em suas tribos, dando origem ao nome de floresta amazônica. Em 1541, o aventureiro e explorador espanhol, Francisco de Orellana foi o primeiro navegador a completar o trecho desde os Andes até o Oceano Atlântico. A cada região que a expedição passava, deparava-se com encantos e surpresas. Navegavam pelo Mar Dulce (nome dado ao Rio Amazonas por Vicente Yáñez Pinzon). O explorador Pinzon, que participou da primeira expedição de Cristovam Colombo, descobrindo em 1492 a América, não navegou por completo o Rio Amazonas. No momento que Orellana vislumbrava uma das mais encantadoras paisagens, foi surpreendido com um fulminante ataque por uma tribo de mulheres às margens do Rio Nhamundá, que lançavam flechas e dardos de zarabatanas, aprisionando Orellana. Houve confronto e mortes, flechas voam contra os barcos, acertando inclusive nosso cronista que morreria caolho. Porém a comitiva de Orellana, depois de perder a metade da tripulação no confronto, conseguiu fugir levando alguns índios aprisionados. Estes índios, que serviam às mulheres, foram longamente interrogados, relatando os costumes, o modo de vida daquela tribo e as tradições das guerreiras. Informou também que existiam setenta aldeias das valentes índias ao longo do Rio Nhamundá. Rio de Las Amazonas (Rio das Amazonas) foi assim batizado por Orellana, comparando com as Amazonas da mitologia grega. Hoje, o Rio Amazonas, o maior rio do mundo, é referência do planeta Terra, e o mito das Amazonas continua vivo nas nossas lembranças culturais. As índias Amazonas, guerreiras do Nhamundá, eram altas, esbeltas, formosas, ágeis e corajosas. https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Amazonas https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio https://pt.wikipedia.org/wiki/Cordilheira_dos_Andes https://pt.wikipedia.org/wiki/Peru https://pt.wikipedia.org/wiki/Oceano_Atl%C3%A2ntico https://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_de_Maraj%C3%B3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil https://pt.wikipedia.org/wiki/Caudal https://pt.wikipedia.org/wiki/Selva_tropical https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil_Colonial https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil_imp%C3%A9rio https://pt.wikipedia.org/wiki/Capitania_do_Gr%C3%A3o-Par%C3%A1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Capitania_do_Rio_Negro https://pt.wikipedia.org/wiki/1821 https://pt.wikipedia.org/wiki/1889 https://pt.wikipedia.org/wiki/Feliz_Lusit%C3%A2nia https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_do_Par%C3%A1 Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 4 Moravam em casas edificadas em pedra, com portas e portões resistentes, tais como fortalezas. Manuseavam com extrema habilidade o arco e a flecha, protegendo seu povo com muita coragem e determinação. Não tinham maridos e viviam isoladas de homens. Raptavam machos nas tribos vizinhas para acasalamento, ficando com estes trabalhando em serviços pesados, até terem certeza de que estavam prenhas. Os filhos do sexo masculino ficavam em suas companhias durante o período de amamentação, sendo levados posteriormente para a aldeia do pai. Ficavam com as filhas fêmeas, as quais eram educadas no regime das Amazonas. Desde criança, o seio do lado direito das meninas era atrofiado com queima e outros processos que elas desenvolveram, para facilitar o manuseio do arco e flecha. Montavam em potros bravos, amansavam cavalos do mato com destreza para as lidas diárias e fiscalização dos seus territórios. Elas mantinham suas aldeias com muito trabalho e garimpagem de ouro e prata. A Lua era a Deusa e protetora das Amazonas. O dia de lua cheia era intensamente festejado, com danças, cânticos e oferendas. As filhas de Jaci coroavam-se de flores e, num ritual místico, antes da lua atingir o ponto mais alto, conduziam potes com perfumes e derramavam no lago como gesto de purificação. Consideravam o lago como sagrado e espelho da lua. Quando a lua atingia o ponto mais alto no espaço, elas festejavam e mergulhavam no fundo do lago, trazendo um barro esverdeado. Moldavam essa argila, dando formas variadas, entre elas: rãs, peixes e tartarugas. A escultura tornava-se um amuleto, com interessantes formas, muito resistente, denominado muiraquitã. Penduravam no pescoço, certas da energia contra moléstias, desgraças e influências negativas. FAZENDO VOCE APRENDE MAIS 7 - como se originou a expressão Amazônia? 8 – quem atribuiu esse nome aorio amazonas? 9 – como era o regime das amazonas, segundo a mitologia? leitura complementar: Transformando a amazônia com o trabalho Vamos começar este capítulo de um modo diferente. A proposta é a seguinte: feche os olhos. Pode parecer um pouco estranho um texto de livro pedir para não vermos nada. Afinal, livros foram feitos para serem vistos, explorados com os olhos. Mas não se assuste: feche os olhos e preste atenção nos barulhos ao seu redor. Consegue identificá- los? Que barulhos você está ouvindo? Sabe de onde eles vêm? Como eles se formam? Há sons mais altos e outros mais baixos? Parecem mais próximos ou mais distantes? E o silêncio? E possível ouvir o silêncio? Quando tudo parece silencioso, será que está tudo parado mesmo, como se nada estivesse acontecendo? Você pode ouvir? Você tem algum colega que não pode ouvir? Se tiver, ele provavelmente poderá sentir as vibrações que o som emite. Pergunte a ele como é isso. Sabia que quem não pode ouvir ou falar também pode fazer sons com seu corpo? Assim como quem não pode ver é capaz de perceber os movimentos e mudanças à sua volta. A natureza, em suas diferentes manifestações, provoca sons que podem perturbar nossos ouvidos ou soar como uma música suave. Em nosso pla- neta, tudo está em permanente movimento e isso produz os mais variados sons. Mesmo quando estamos parados, existe em nós uma grande quantidade de movimentos realizados dentro do nosso corpo. Vamos imaginar alguns desses movimentos? Ainda de olhos fechados, tente identificar o que está funcionando dentro do seu corpo. Se você en- costar seu ouvido no tórax do seu colega,escutará o coração dele batendo. A respiração, por exemplo, acontece todo o tempo, mas na maioria das vezes nem faz barulho. Cada vez que respiramos, o ar se modifica e nós também nos modificamos. Tudo o que fazemos, com barulhos que podemos ouvir ou não, modifica o mundo e a nós mesmos. A natureza, fazendo barulho ou não, também está em permanente movimento, mudando sempre. Aquilo que às vezes parece uma simples manifestação da natureza pode provocar um som bastante significativo. Um pequenino beija-flor pode conduzir sementes ou microrganismos de um lugar para outro e, com isso, modificar a paisagem. Não parece fazer barulho, mas faz. Os barulhos que as pessoas produzem são os mesmos que a natureza produz? Quais sons nós produzimos que a natureza não é capaz nem de imitar? E o contrário? Parece complicado, mas não é. Por exemplo, você já ouviu a chuva cair? O barulho que ela faz quando cai na terra é o mesmo que ela faz quando cai em um telhado? Esse barulho não existia antes de as telhas serem criadas. Para cada tipo de telha que inventamos, o barulho da chuva muda. Porém, o som das gotas caindo na terra nunca mudou. Animais também fazem barulho para se comunicarem: o latido do cão, o miado do gato, o relinchar do cavalo... Esses sons são os mesmos há milhares de anos. Mas será que nós, seres humanos, nos comunicamos do mesmo jeito ao longo da \ Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 5 História? Há milhares de anos, desenvolvemos a capacidade de falar. Dependendo de onde e de como vivemos, a língua falada muda e hoje existem inúmeros idiomas diferentes e recursos para nos comunicarmos. Mas você sabia que até mesmo a Língua Portuguesa falada no Brasil sofreu alterações? Existem muitas palavras usadas hoje em dia que seus avós nem sequer sabiam que existiam. Agora abra novamente os olhos, escute bem e veja com calma o que acontece ao seu redor. Aqui onde vivemos, já ocorreram e continuam ocorrendo ações e movimentos o tempo todo. Com isso, a natureza e a sociedade também vão se modificando todo o tempo. As mudanças provocadas pela ação humana são diferentes das provocadas pela natureza. Além de agir por instinto, como os outros animais, nós também somos capazes de planejar nossas ações, decidindo fazer uma coisa ou outra, de acordo com nossas necessidades, capacidades e interesses. Isso é o que chamamos de trabalho: transformar a natureza de maneira planejada, intencional, porque queremos ou precisamos. Construir casas com telhas que inventamos e produzimos é trabalho humano. Na Amazónia, muitas coisas mudaram durante o longo tempo de ocupação humana e de exploração das riquezas da natureza por meio do trabalho das pessoas. De olhos bem abertos, observe à sua volta e veja o quanto já transformamos o mundo em que vivemos, quanta coisa a natureza nos deu e o quanto já fizemos com tudo isso. Algumas mudanças vieram para melhorar nossa vida e outras, nem tanto. O que vamos estudar neste livro é um pouco disso tudo: o lugar em que vivemos, como e por que ele se modifica, como nós o modificamos e como essas mudanças acabam mudando nosso jeito de viver também. Com o auxílio da Geografia, entenderemos a Amazônia e como transformamos nosso lugar e nós mesmos. Com a ajuda da História, compreen- deremos como isso tem acontecido ao longo dos tempos. E com tudo isso, esvendai nossa arte e cultura, que fazem de nós um povo único e diferente ao mesmo tempo. Tudo isso está bem junto e misturado, pois a história que acontece ao longo dos tempos ocorre em um espaço, em um lugar - no nosso caso, na Amazónia -, e acaba por aparecer nas nossas formas de contar, cantar, desenhar, pintar, dançar, cozinhar, conversar, trabalhar e lembrar histórias. COMPREENDENDO O TEXTO 10 - 0 que nós temos em comum com os outros animais? 11 - 0 que temos de diferente dos outros animais? 12 - De acordo com o texto, o que é trabalho? 13 - 0 que a Geografia estuda? 14 - que a História estuda?será que é possível estudar a história e a geografia da Amazónia em um só livro? Por quê? 15 - Os outros animais tambem podem transformar a natureza? Como? UMA HISTÓRIA NOVINHA COM MAIS DE 10 MIL ANOS O título deste capítulo já não é tão estranho para você, certo? Porque agora você já sabe que as novidades podem ser de hoje cedo, podem ter 10 mil anos ou muito mais... Pode parecer estranho, mas sabia que a notícia que veremos agora fica mais nova a cada dia que passa, justamente por ser mais antiga? Isso é simples, quer ver? A história da Amazónia se inicia quando as primeiras pessoas começaram a ocupar essa região, procurando alimento, água e lugar para morar. Isso foi há muito tempo, muito antes de existir Belém, Manaus, Macapá, Rio Branco, Porto Velho, Boa Vista, Cuiabá, Palmas, São Luís, ou qualquer outra cidade da Amazónia. Estamos falando de grupos humanos nómades. Não se preocupe se você não sabe o que são grupos nómades, afinal, a proposta do livro é ensinar assuntos novos, certo? Nómades são grupos humanos que não têm lugar fixo para morar e, por não se aterem à criação de animais ou ao cultivo de plantas, migram para outros lugares em busca de alimento. Isso ocorria, pelo menos, há mais de 12 mil anos, embora na atualidade ainda existam grupos nómades. Depois de um tempo, quando os humanos aprenderam a trabalhar a terra e com a criação de animais resolveram estabelecer-se na região. Afinal, não havia mais a necessidade de procurar por alimentos e migrar de uma região a outra. Assim, os grupos nómades se transformaram em grupos sedentários. Muitas são as pesquisas sobre esses grupos humanos antigos, mas muito ainda precisamos saber. Quanto mais a ciência avança, mais vamos descobrindo coisas antigas e inventando novas formas de pesquisar e guardar o que descobrimos. Já sabemos, por exemplo, que eram grupos coletores e caçadores que aprenderam a retirar da floresta o que precisavam para sobreviver, mas sem destruí-la. Esses grupos humanos não só aprenderam a Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 6 conviver com a floresta, mas também a transformá-la em sua casa. Ainda hoje, quem mora na Amazónia sabe que a floresta é nossa casa, ou melhor, que nossa casa está na floresta. Vivemos cercados por ela e dela ainda tiramos nosso sustento. Pelas águas de nossos rios levamos e trazemos quase tudo de que precisamos para viver. O passado está presente Muito do que esses homens primitivos fizeram e a forma como conviviam com a floresta podem ser conhecidos se prestarmos atenção nas marcas que eles deixaram. Por exemplo, os cientistas que estudam esses grupos humanos analisam as pinturas rupestres, que eram feitas, por exemplo, nas paredes das cavernas usadas como abrigo. Nesse tipo de arte, está re- presentado o modo de vida do grupo e como este lidava com a natureza. Analisando as pinturas deixadas nas paredes das cavernas, podemos saber como eram as caçadas, os rituais, as armas, os medos que enfrentavam. As pinturas, os objetos, os fósseis e os achados arqueológicos são como ―espelhos do passado‖ podem revelar como esses grupos antigos viviam. Por exemplo, analisando as cerâmicas deixadas pelos homens antigos em seus acampamentos, podemos entender quais conhecimentos eles tinham da natureza, quais caminhos fizeram, por onde andaram. Com testes feitos em laboratórios, já é possível até saber a idade aproximada de materiais orgânico como fósseis. A arqueologia A arqueologia é a ciência que estuda os povos que já desapareceram. E um trabalho delicado, caro e demorado. Delicado porque é preciso ter muito cuidado para juntar as peças, que são muito antigas e, portanto, frágeis. Os arqueólogos, quando identificam algo que pode ser uma fonte de informações sobre os homens antigos, por menor que seja, demarcam o solo que passaa ser um sítio arqueológico. Quando é necessário e possível, fazem camadas de escavação cada vez mais profundas. Quanto mais profunda é a camada, mais antiga é a descoberta. E os arqueólogos não retiram as peças de qualquer jeito: é preciso usar um pincel para afastar a terra em volta dos achados. Isso pode levar dias, meses... Você já imaginou quanta paciência e dedicação eles precisam ter para ficar varrendo o solo do sítio arqueológico com um pincel? Ê também demorado porque o arqueólogo precisa saber muito sobre cada povo, cada grupo humano, seus hábitos de alimentação, seus costumes de moradia, sua cultura. Quanto mais estuda, melhor entende os objetos e fósseis encontrados em sua pesquisa. Além disso, não é fácil localizar esse material que, em geral, está enterrado ou é descoberto em cavernas usadas como abrigo pelos homens e mulheres que viveram há milhares de anos. Só para descobrir se uma determinada região pode ser fonte de informação dá muito trabalho e, às vezes, os pesquisadores passam anos examinando uma mesma região. Por ser uma atividade tão delicada e de- morada, esse tipo de pesquisa acaba sendo caro. Uma vez que os pesquisadores fazem disso o seu trabalho e, como todos os seres humanos, desde os mais antigos, precisam sobreviver do seu trabalho. Manter acampa- mentos e aparelhos para escavações requer investimento, em que o lucro é o conhecimento de nossos antepassados. Mas, de outro lado, também é fascinante. Já pensou? Reconstruir a vida de um passado bem antigo, recolhendo e interpretando seus vestígios... FAZENDO VOCÊ APRENDE: 16 - como é possivel reescrever parte da historia primitiva da amazonia, mesmo tao distante no tempo? 17–que aspectos da vida passada os arquelogos buscam compreender? 18 – ainda existem homens nomades hoje? 19 – identifique o sentido da expressão como “espelhos do passado” 20 – descreva etapas do trabalho do arqueologo; TEXTO COMPLEMENTAR Arqueologia na Amazônia Muitos estudiosos se dedicam à pesquisa sobre a ocupação inicial do lugar que hoje chamamos de Amazónia. Entre esses estudiosos, podemos citar a professora Anna Roosevelt, que, em 1996, coordenou uma pesquisa na região de Pedra Pintada, em Monte Alegre, perto de Santarém, no Pará. Ela e sua equipe encontraram pontas de lanças e cacos de cerâmica de mais de 6 mil anos. As cerâmicas, que têm sido encontradas ao longo das margens dos grandes rios da Amazónia, indicam um possível cultivo de plantas, principalmente a mandioca e a pupunha, através da técnica da coi-vara. Aos poucos, deu-se início à agricultura e ao sedentarismo. No Amazonas, machados de pedra polida ou lascada evidenciam a presença humana intensa. Isso sem falar na cerâmica marajoara, fruto do trabalho dos indígenas da Ilha de Marajó, também no Pará, e que é conhecida no mundo todo. No Maranhão, os sambaquis, montes de conchas e outros materiais orgânicos, serviram como túmulos para os primeiros grupos humanos Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 7 dos quais se tem registro no estado. Estudar esses achados maranhenses, como os de Pindaí e Maiobinha, identificados ainda no começo do século XX, nos ajuda a compreender a ocupação da Amazónia. Os pesquisadores retiram as peças e, por meio delas, reconstroem a história desses antigos habitantes. No Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Rondonópolis, no Mato Grosso, há mais de 30 anos, pesquisadores investigam a presença humana na Cidade de Pedra, um monumental acervo a céu aberto. No Acre, as figuras geométricas imensas descobertas após o desmatamento são outras marcas da presença humana na região. No alto do Monte Roraima, a pintura deixada nas pedras marca a passagem dos indígenas Macuxi. Porém, por mais fascinantes que sejam essas descobertas, tudo isso corre perigo. Ao longo dos anos, muita cerâmica foi retirada dos aterros por exploradores que não tinham informação e, muitas vezes, visavam apenas a interesses comerciais. As pinturas rupestres têm sido destruídas em razão de vários fatores: por meio da agricultura, da construção de grandes hidrelé-tricas e de tantos outros feitos do nosso tempo. Essas interferências têm colocado em risco as formas de registro do passado. Se não cuidarmos desse patrimônio, nossa história poderá ser apagada. COMPREENDENDO O TEXTO 21 - Você é nômade ou sedentário? Justifique sua resposta 22 - Por que os primeiros grupos humanos eram nômades? 23 - Como é o trabalho dos arqueólogos? 24 - pesquise na internet e identifique quais caminhos os grupos humanos poderiam ter feito até chegarem ao continente americano. 25 - Nós também estamos deixando nossas marcas. Observe o lugar em que você mora e descubra qual é a marca mais antiga que pode ser encontrada. 26 - Pense nas pessoas que, por alguma razão, não sabem ler nem escrever. Elas também deixam suas marcas? Como? Justifique. 27 – agricultura é uma atividade mais adequada aos nômades ou sedentários? INDÍGENAS, MUITOS INDÍGENAS Ao longo de todos esses anos, os primeiros grupos humanos que ocuparam a Amazónia foram se multiplicando, transformando a natureza e se transformando também. Com o tempo, tornaram-se numerosos e diversos. Hoje, muitos grupos que estavam aqui há milhares de anos antes da chegada dos colonizadores europeus nem existem mais. Por que isso aconteceu? Onde estão os indígenas que ocupavam a floresta, as margens dos rios? Como eles conseguem sobreviver, hoje, sem serem nómades? Tudo de que eles precisam é encontrado dentro das áreas que hoje estão demarcadas? Essa história vem de longe e vale a pena ser lembrada. Olhando à nossa volta, fica difícil acreditar que, há pouco mais de 500 anos, eles eram os únicos habitantes da atual Amazónia Legal - e que eram tantos. No Brasil inteiro, havia entre 2 e 4 milhões de indígenas antes dos europeus chegarem por aqui. Então, por que a população dos povos indígenas, em vez de aumentar, diminuiu e, em muitos casos, desapareceu? E os indígenas hoje? Segundo o Instituto Socio ambiental (ISA), hoje, em todo o Brasil, os indígenas são quase 900 mil pessoas, sendo que cerca de 600 mil estão vivendo em áreas rurais e quase 300 mil estão espalhados pelas cidades. No mundo todo, são 5 mil povos indígenas, agrupando 350 milhões de pessoas. Há 40 anos, no Brasil, eles não chegavam a 100 mil pessoas e vários estudiosos acreditavam que os grupos indígenas brasileiros seriam extintos. A população indígena remanescente, junto com muitos movimentos sociais, órgãos públicos e estudiosos, tem travado uma luta constante em defesa de sua cultura e isso tem dado resultado. Muitas pessoas, hoje (ao contrário do que ocorria há algumas décadas), lutam pela defesa de sua identidade indígena e isso se tornou uma questão nacional. Mesmo assim, ainda há muito a se fazer para manter vivas essas populações e sua cultura. Entre os mais de 230 povos indígenas que vivem em território brasileiro, sete tem menos de 40 pessoas. Ou seja, correm ainda risco de desaparecer. No Brasil, a maioria dos indígenas - cerca de 500 mil pessoas, organizadas em quase 180 grupos - está na Amazónia Legal e isso revela o tamanho da responsabilidade de todos nós, especialmente de quem governa o país e os estados da região, na preservação da vida e da cultura dos povos indígenas brasileiros. Antes dos portugueses chegarem aqui, os indígenas eram mesmo muito mais numerosos, mas, para descobrir o que houve com os vários povos que aqui viviam, teremos de voltar um pouco no tempo. Voltando ao começo Primeiro, vamos falar de quem chegou primeiro: milhares de indígenas, organizados em centenas de grupos, falando centenas de iialetos, ocuparam áreas Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 8 que hoje chamamos de Pará, Amazonas, Rondônia,Roraima, Amapá, Tocantins, Acre, Maranhão ou Mato Grosso, ou seja, os estados que formam a Amazónia Legal. Muito tempo depois, por volta do ano 1500, chegaram os europeus. Os indígenas que ocupavam essa região se organizavam em grupos que viviam em terra firme ou nas várzeas. Eles já conheciam a agricultura e plantavam parte de seus alimentos, principalmente a mandioca, além de ainda continuarem retirando da mata a maior parte do que precisavam para viver. DESAFIO: 28 –diferencie os grupos indigenas da amazonia primitiva que era de terra firme e os da varzea; 29 – qual o principal objetivo dos portugueses ao atacar as tribos indigenas na amazonia? Os povos que viviam em terra firme eram menores, organizados em grupos de aproximadamente 100 pessoas; já os que viviam nas várzeas, ou seja, nas margens dos rios, eram mais numerosos. Como a ocupação colonial ocorreu a partir dos rios, os indígenas foram os primeiros a ser escravizados e, muitas vezes, extintos. Assim, em menos de 200 anos, foram dizimados grandes grupos indígenas da Amazónia, como os Tupinambás, os Aruãs, os Tapajós e os Omáguas. Mais uma vez, vamos descobrindo que a história da Amazónia Legal é bem mais antiga do que parece. Quem nasce ou mora nessa região vê a presença indígena em tudo que faz, come, veste, canta, dança, brinca, joga, fala e escuta. Isso porque essa presença é parte da nossa origem, da nossa vida, do que somos. Desde que chegaram ao Brasil, os colonizadores europeus promoveram ataques contínuos contra os indígenas com a finalidade de prendê-los e vendê-los como escravos. Havia até gente especializada em capturá-los, dizendo que eram "caçadores de indígenas". COMPREENDENDO O TEXTO 30 - que são as Terras Indígenas (Tis)? 31 - Com a ajuda de um dicionário, pesquise o significado destas palavras: Pecuaristas demarcação Constituição 32. Por que a maior parte das Terras Indígenas se localiza na Amazónia Legal? 33 - As Terras Indígenas ocupam aproximadamente 13% do território nacional. Você acha que é muita terra para uma população tão pequena? 34 - – Para os indigenas, as terras em que vivem estao divididas em estados, paises ou municipios? Explique 35 - o que sao indigenas isolados? Eles ainda existem na Amazonia legal? PROGRAMA DE INDIO? Você já ouviu a expressão "programa de índio"? Pensando bem, essas e outras formas preconceituosas de se referir aos indígenas são expressões típicas de pessoas que se julgam superiores aos indígenas e desconhecem completamente a sabedoria e a riqueza da cultura das nações indígenas. Cada etnia tem seu jeito de pensar e de representar o mundo, de pro-duzir sua sobrevivência, de lidar com a natureza e com as outras pessoas. Você sabe o que é etnia? DESAFIO: 36 - procure informaçoes sobre a expressao programa de indio e diga por que tem o sentido de uma expressao preconceituosa? Quando um povo tem sua própria cultura, língua e identidade, dizemos que ele compõe uma etnia. Não existe só um povo indígena, mas vários, formando sociedades distintas umas das outras. Por isso, dizemos que o povo Araweté forma uma etnia; os Munduruku, outra etnia; os Pa-rakanã, outra, e assim por diante. Dessa forma, o modo de vida dos povos indígenas varia de etnia para etnia e depende muito do lugar onde se vive. Alguns moram perto dos rios; outros, nas florestas; outros, ainda, em regiões com pouca vegetação. Na Amazónia Legal, há cerca de 80 etnias espalhadas pelos nove estados. As maiores etnias indígenas da Amazónia são os Tikuna, com mais de 46 mil pessoas vivendo no Amazonas e ainda resistindo à ação de madeireiros e mine-radores em seu território. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a etnia com maior população em uma única Terra Indígena é a Ianomâmi, com cerca de 25,7 mil pessoas vivendo no Amazonas e em Roraima. A Amazónia Legal concentra cerca de 80 etnias. Cada uma delas tem sua língua, seus costumes, sua maneira de se relacionar com o ambiente onde vive. Cada um desses grupos tem seu modo de ver e transformar o mundo, entender a vida e a natureza de uma maneira própria. De outro lado, há povos como os Akuntsu, em Rondônia, com apenas cinco pessoas; ou os Juma, também em Rondônia, com quatro pessoas. Hoje, a maioria dos indígenas são mulheres, porém, entre os que vivem no campo, a maioria são homens. Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 9 Há algumas semelhanças entre as etnias indígenas que vivem no Brasil. Por exemplo, em aldeia indígena, todos trabalham: os homens derrubam uma parte das matas para construir casas para morar e preparam a terra para plantação, além de caçar, pescar e participar das atividades guerreiras. As mulheres plantam, colhem e cuidam das crianças. Todos trabalham e tudo o que é produzido é dividido entre eles. Os indígenas retiram da natureza tudo o que precisam para viver. Eles sabem que dependem dela e por isso a protegem. O trabalho não visa ao lucro, mas, sim, ao equilíbrio com a natureza e os diversos grupos. O preconceito contra indígenas não se refere somente à expressão "programa de índio". Também é comum ouvir pessoas falando que eles são preguiçosos, mas eles plantam, colhem, caçam e pescam sem a ajuda dos equipamentos que outras sociedades têm à disposição. As crianças indígenas também trabalham e ajudam a manter a aldeia. As meninas ajudam a cuidar dos mais novos, e os meninos auxiliam na caça, acompanhando os mais velhos. Trata-se de uma sociedade funcional. Os indígenas têm muito com suas crianças. Em várias etnias, os adultos só conversam agachados com as crianças. Agindo assim, eles demonstram o respeito que têm por elas e não usam sua altura para controlá-las e mostrar superioridade. Não existem crianças indígenas abandonadas, por mais dificuldades que seu povo esteja passando. Ao longo da história dos povos indígenas, muito de seu jeito de viver, de educar, de tratar a natureza, de trabalhar tem sofrido grandes mudanças. Os indígenas que conseguiram sobreviver ao longo do tempo nem sempre conseguiram manter seu jeito antigo de ser e de viver. ATIVIDADE 37 - Explique, com suas palavras, o que é etnia. 38 - Você já ouviu comentários preconceituosos sobre os indígenas? Agora que você conhece um pouco mais sobre eles, o que você diria a quem manifestasse preconceito contra os indígenas? 39 – por que os indígenas protegem tanto a natureza? 40 – descubra o sentido da expressão sociedade funcional; ALÉM DA LENDA - O Caipora O Caipora é o protetor de animais e plantas da floresta. Sua atividade consiste em espantar os animais para que os caçadores não os matem. Quando encontra um caçador no mato, o Caipora começa a andar sem rumo até que o caça¬dor se perca na floresta, não encontrando mais o caminho de volta para casa. O Caipora possui o corpo todo coberto de pelos e é muito rápido, razão pela qual o homem não consegue alcançá-lo. Anda sempre montado em um porco-do- mato e galopa pela floresta cumprindo sua missão. Costuma, também, para desnortear os caçadores, emitir um assobio que causa arrepios de pavor a todos aqueles que o escutam. Seu nome significa "habitante do mato". Em algumas regiões do Brasil, o Caipora é também conhecido por Curupira. PARATURISMO. Site oficial de turismo do estado do Pará. 41.Você já tinha ouvido falar no Caipora ou Curupira? 42.Qual é, segundo a lenda, o trabalho do Caipora? 43.Você sabe que o Caipora é uma lenda e não vai resolver os problemas ambientais da Amazônia. 44. Mas se fosse real, o que você poderia fazer para ajudá-lo nessa missão? 2º BIMESTRE - O Amapá no período pré colonial Em busca da nossa identidade Estamos iniciando, neste ano, uma interessante viagem que começa num passado distante até chegar aosdias atuais do nosso Amapá. Uma incrível jornada feita por índios, conquistadores, aventureiros, trabalhadores escravos retirados à força da sua terra e pessoas que, como você e seus colegas, participam da cons¬trução da nossa história. No carnaval de 2008, a Escola de Samba Beija- Flor de Nilópolis, do Rio de Janeiro, em homenagem aos 250 anos da fundação da cidade de Macapá, mostrou, em seu desfile, a história de nossa terra e os costumes de muitas expedições e povos que cruzaram a linha do equador, contribuindo, assim, para a formação cultural do nosso estado. O Brasil pré-cabralino: nossos povos indígenas antes da chegada dos portugueses Quando os primeiros portugueses chegaram às terras brasileiras, há mais de 500 anos, uma variedade grande de povos indígenas já vivia por aqui. A maioria dos pesquisadores que estuda o nosso passado afirma que existiam entre 4 a 5 milhões de índios habitando as terras que, mais tarde, seriam chamadas de Brasil. O modo de vida dos nossos primeiros habitantes era muito variado, mas, de forma geral, sobreviviam da caça, da pesca, da coleta e do cultivo de mandioca (macaxeira), milho, amenoim, cará, batata-doce e outros vegetais. Ape sar de muitos desses povos já conhecerem a agricultura, a maioria era seminômade, isto é, quando o solo tornava-se infértil e a caça Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 10 reduzida, migravam para outras regiões em busca de melhores condições de sobrevivência. Ja Nas comunidades indígenas que já existiam na região neste período, o trabalho, de forma geral, era comunitário, pois tudo que era produzido, caçado, pescado ou colhido era dividido entre os membros da co munidade. A divisão do trabalho era estabelecida da seguinte forma: cabiam às mulheres as tarefas do cultivo, cuidar das crianças, cozinhar, fazer as bebidas e o artesanato. Aos homens, eram reservadas as tarefas que exigiam maior esforço físico como a derrubada da floresta para o cultivo, a produção de armas e canoas, a construção de ocas, a caça, a pesca e, quando necessário, a guerra. Cada aldeia possuía um chefe que era respeitado por todos em virtude de conhecer as tradições do povo. Apesar de ser uma autoridade respeitada, suas decisões dependiam da aprovação de um conselho formado por todos os índios adultos da comunidade. Havia, também, um líder religioso muito respeitado pela comunidade, pois era o intermediário entre os homens e o mundo sobrenatural. Era ele que organizava as festas religiosas, os rituais fúnebres e intercedia pela proteção dos guerreiros durante as guerras. Além disso, dominava, como ninguém, os conhecimentos curativos das plantas da floresta, fazendo, também, o papel de curandeiro (aquele que cura). Tarefa 1: 1 - Tendo como referência as informações do capítulo, escreva, no caderno, como eram divididas as tarefas entre homens e mulheres indígenas na maioria das tribos. 2 - Deforma geral, quais as principais diferenças entre o trabalho das mulheres indígenas na época da chegada dos colonizadores europeus com o das mulheres brasileiras na atualidade. Procure ter, como referência atual, as mulheres mais próximas de você: mãe, irmã, parentes de forma geral, professoras, etc. 3 - Agora, reflita sobre como está dividido o trabalho entre homens e mulheres na sociedade brasileira atual. Eles têm os mesmos direitos? Eles podem desenvolver os mesmos tipos de trabalho? Faça um comen-tário sobre isso. TAREFA 2: MOMEMTO DE INVESTIGAR 5 - Conforme você pôde perceber, os chefes indígenas sempre tomam suas principais decisões após consultar um conselho, formado pelos índios adultos da comunidade. 6 - Na sua escola, existe um conselho escolar? Caso exista, entreviste alguém que dele participa (professor, coordenador pedagógico, diretor, etc.) para saber como funciona. Em seguida, registre, em seu caderno, quais são os aspectos semelhantes entre esse conselho e os conselhos indígenas. 7 - . São inúmeros os casos de "trabalho comunitário" na nossa sociedade. Um dos melhores exemplos é o "mutirão". Faça uma pesquisa sobre como funciona um mutirão. 8 - P roduza um texto comparando a forma de trabalho comunitário dos indígenas com o mutirão da nossa sociedade atual. TEXTO COMPLEMENTAR – VIVER C0MO ÍNDIO "A terra não era de um dono só. A terra era de toda comunidade. É na terra que a gente planta a nossa roça. A terra dá toda fruta do campo, dá toda fruta do mato. O mato não pode acabar. Por isso, nós não cortamos pau à toa. Nós só cortamos pau precisando fazer casa, precisando fazer fogo; precisando fazer canoa, precisando fazer pinguela, precisando fazer arco. Só quando é preciso! Nós também não matamos os bichos à toa. Só matamos a caça para comer. A roça também não é de um dono só. Ninguém faz uma roça sozinho. Ninguém come as coisas da roça sozinho. As coisas da roça A gente sempre divide com os parentes. Divide com quem está precisando. A caça também não é de um dono só. Quando alguém mata um bicho para comer, ele não come sozinho. Ele sempre divide. Quando mata peixe, divide. Quando faz comida, divide. Quando faz bebida, divide, sempre divide. Hoje a nossa vida ficou diferente. Hoje nós compramos coisas. Hoje nós vendemos coisas. — Coisa comprada, a gente também divide? — Dinheiro, a gente também divide?" CIMI História dos povos indígenas: 500 anos de luta no Brasil. 3 ed. Petrópolis: Vozes, 1986. p. 12-40. (Adaptado) ATIVIDADE SOBRE TEXTO COMPLEMENTAR VIVER COMO INDIO 9. Após a leitura do texto "Viver como índio", elabore, em seu caderno, uma lista com cinco características do modo de vida dos índios que, para você, são diferentes do modo de vida do homem urbano (que vive nas cidades) na atualidade. 10. Após selecionar as características solicitadas na questão 1, justifique como são essas Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 11 diferenças entre as duas culturas (indígena e urbana). 11. A seguir, pense sobre as diferenças encontradas por todos. 12. A seguir, voce deverá criar uma história em quadrinhos que melhor ilus-tre a opinião da equipe sobre as diferenças encontradas. Todos os grupos deverão apresentar a ilustração e comentá-la para a turma. TAREFA: Para interagir com o tema Você já estudou sobre os descobrimentos e os povos indígenas e deve lembrar-se das principais características culturais desses povos quando os portugueses chegaram aqui. 13 - Discuta com seu colega e, depois, escreva um comentário fazendo uma comparação do modo de vestir dos índios antigamente e nos dias de hoje. Você poderá utilizar, como referência, alguma reportagem ou documentário a que tenha assistido sobre uma comunidade indígena do Amapá ou outras regiões do País. 14. Em sua opinião, os indígenas, hoje, alimentam-se da mesma maneira que o texto "Viver como índio" descreve? Por quê? Para comparar a alimentação indígena de ontem e hoje, observe o seguinte texto: A maioria das comunidades indígenas que habita o nosso estado, principalmente aquelas mais distantes dos centros urbanos, continua, ainda hoje, a utilizar, predominantemente, os produtos naturais tais como mandioca, batata, milho, arroz, banana, além de frutos e raízes extraídos da floresta, formando uma culinária própria e diversificada. A carne é consumida de acordo com a tradição, ou seja, predomina, ainda, a caça e a pesca embora algumas aldeias já façam uso da criação de animais como galinhas e porcos. A alimentação dos nossos índios caracteriza- se pela utilização de farinha em diversas receitas como a tapioca e, também, pelo próprio preparo dessa farinha, que deriva da mandioca, realizado pelas índias. Muito raramente, são utilizados ingredientes como o leite e o óleo nas bases da alimentação indígena. Nas terras amapaenses, a invasão de várias reservasde povos indígenas, sobretudo daquelas não demarcadas, por garimpeiros, madeireiros e criadores de gado gera conflitos queafetam, profundamente, as sociedades indígenas. Portanto, muitas dessas comunidades indígenas se organizaram para solucionar essa questão e conseguiram preservar suas terras e grande parte de seus costumes. TAREFA: 15 - Observe o texto abaixo e, em seguida, produza um comentário sobre o assunto. No panorama da devastação social e ambiental, que atinge a maioria das áreas indígenas no país, a atual situação dos Waiãpi no Amapá representa um caso privilegiado. Eles expulsaram todos os invasores de sua terra, que eles mesmos demarcaram numa extensão de 603.000 hectares e que foi homologada em maio de 1996. Hoje, buscam alternativas de desenvolvimento que garantam sua autonomia cultural e seus direitos à exploração exclusiva dos recursos de sua terra. Neste processo, criaram um conselho de aldeias, o APINA. A experiência de gestão das atividades de produção e comercialização empreendidas pelas diferentes aldeias por parte do APINA vem aumentando significativamente atualmente. Nas festas de caxiri, as famílias de várias aldeias se reencontram para compartilhar de um acervo cultural que os Waiãpi têm preservado e fortalecido ao longo desses últimos vinte anos de "contato". É importante demarcar? Demarcar é uma forma de regularizar as terras indígenas e é de fundamental importância para a sobrevivência física e cultural dos vários povos indígenas. Ao assegurar o direito da terra, estamos assegurando, também, sua subsistência, garantindo seu espaço cultural e preservando suas tradições. Não dá para esquecer que, ao defendermos territórios indígenas, estamos garantindo a preservação do imenso patrimônio biológico para toda a humanidade. 16 - Dê sua opiniao sobre a importancia da demarcaçao de terras indigenas 17 - Como se organizavam os povos indígenas do Amapá antes da chegada dos portugueses Como vimos anteriormente, quando os primeiros portugueses aqui chegaram, não encontraram uma terra sem dono. Pelo contrário, existiam milhões de habitantes, organizados em diversas nações indígenas, com uma cultura riquíssima, variada e, certamente, bem diferente da cultura dos portugueses que, aqui, chegaram há mais de 500 anos. Portanto, é importante saber um pouco dos índios que viviam no nosso atual estado do Amapá milhares de anos atrás. Prepare-se, pois nossa viagem no tempo está apenas começando. A partir de meados do século XIX, vários estudiosos (naturalistas e arqueólogos) passaram a estudar sinais da presença de populações primitivas (sítios arqueológicos) em várias regiões que hoje fazem parte do estado do Amapá. Atual-mente, são registrados mais de 70 sítios arqueológicos concentrados nas regiões do Amapá, Calçoene, rio Jari, Macapá, Mazagão e rio Oiapoque que, juntos, correspondem a quatro fases do povoamento do Amapá antes da chegada dos europeus Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 12 conquistadores. As fases são: Aruã, Maracá, Mazagão e Aristé/Cunani. A fase Aristé/Cunani foi a mais antiga e duradoura, iniciando-se por volta do século III e desaparecendo no início do século XVIII, junto com as demais fases, a partir do con-tato com os colonizadores europeus. Esses colonizadores influenciaram a cultura de grupos indígenas que vivem, atualmente, no nosso estado: os Palikur, os Galibi e os Karipuna. Achados arqueológicos recentes nas regiões de Cunani (município de Calçoene) e Maracá (município de Mazagão), principalmente artefatos de cerâmica (bandejas, taças, pratos, moringas, jarros, vasos e urnas funerárias antropo-morfas e zoomorfas), comprovam a existência de culturas com estilos de vida sofisticados e inovadores em arte e tecnologia. O talento artístico das civilizações Maracá e Cunani está sendo estudado, atualmente, por diversos pesquisadores. Muitas novidades, com certeza, ainda serão descobertas por aqueles que se esforçam para explicar o nosso passado (historiadores, arqueólogos, antropólogos, naturalistas, etc). UM DESAFIO PARA PESQUISAR: 18. Achados arqueológicos comprovam a existência de povos com culturas e estilos de vida sofisticados e tecnologicamente avançados. O que teria interrompido esse processo de desenvolvimento? As comunidades indígenas amapaenses hoje Espalhadas por grande parte do território amapaense, as comunidades indígenas que vivem no nosso estado estão concentradas nos seguintes grupos prin-ipais: Waiãpi, Galibi do Oiapoque, Galibi Marworno, Karipuna do Amapá e Kalipur. Conheça cada uma dessas comunidades: WAIÃPI Grupo indígena originário da região do baixo rio Xingu que migrou há cerca de um século para as áreas das cabeceiras e afluentes dos rios Jari, Amapari e Oiapoque, ocupando, assim, áreas dos territórios do Amapá e da Guiana Francesa. Por ocuparem uma área extensa e rica em recursos naturais, os waiãpis tiveram muitos problemas com invasores em suas terras (caçadores e garimpeiros) e, recentemente, com empresas de mineração atraídas por importantes jazidas de manganês, cassiterita, ouro e tântalo. A construção da rodovia Perimetral Norte (BR- 210) também foi um importante fator que contribuiu para a presença de invasores em suas terras. Sua principal produção é a mandioca brava, a partir da qual são produzidos a farinha, o beiju, a tapioca, o tucupi e o caxiri. Outros produtos como milho, banana, cará, batata-doce, amendoim, feijão e abacaxi completam a alimentação. A vida religiosa está sempre relacionada à natureza. Rituais como a festa do milho, a festa do mel e a dança do peixe comprovam a importância da natureza na vida desse povo da floresta. Atualmente, os waiãpis vivem, basicamente, da agricultura, utilizando técnicas tradicionais de queima e coivara em um sistema de mutirão denominado pusiró. GALIBI DO OIAPOQUE Provenientes da região de Maná, na Guiana Francesa, os índios galibis migraram para a região do Oiapoque e, atualmente, consideram-se brasileiros, embora a maior parte do grupo tenha permanecido no território da Guiana Francesa. O idioma falado é uma mistura de língua nativa (galibi) com a creoula-patois, comum aos habitantes da Guiana Francesa Vivem da agricultura (mandioca, cará, batata, macaxeira, banana, abacaxi, milho e maracujá). A caça e a pesca completam a base da alimentação. Um aspecto interessante na vida desse povo e 0 cuidado especial nas suas atividades de caça, pesca e derrubada de árvores. Acreditam que tudo na natureza tem dono - os animais e as plantas - e, quando precisam utilizar de tais elementos da floresta, tomam vários cuidados para não desrespeitá-la. GALIBI MARWORNO A maior parte desta comunidade indígena vive, atualmente, no Vale do Rio Uaçá, no município de Oiapoque, no norte do estado do Amapá. Os galibis se definem como um povo "misturado e unido", pois a comunidade se formou no século XVII a partir de antigas missões jesuíticas da Guiana Francesa e grupos indígenas foragidos de caçadores de escravos como os maraons e os aruãs. As atividades de subsistência, caça, pesca e agricultura, variam de acordo com a época do ano (estações). Apesar de o trabalho ser coletivo, cada família vende a sua produção individualmente no comércio local de Oiapoque e Saint Georges, na Guiana Francesa, e o principal produto é a farinha de mandioca. Os galibis também sao hábeis construtores de canoas, que sao por eles vendidas em toda a região do oiapoque, cassiporé e saint georges. KARIPUNA DO AMAPÁ Os karipunas dividem-se em 21 aldeias, formadas, em sua maio¬ria, às margens do rio Curipi, afluente do rio Uaçá, no norte do estado do Amapá. É uma região do baixo rio Oiapoque, nas proximidades do Cabo Orange, área de fronteira do Brasil com a Guiana Francesa. Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc.Rosinai Amanajás. 13 Habitam uma área de pesca abundante, onde são encontradas várias espécies de peixe como trai-rões, piramutabas, jejus, piranhas, aruanãs, acarás, tucunarés e pirarucus. É, também, uma região de caça abundante como veados, antas, pacas, cotias, guaribas, macacos, caititus e quatis. Organizados em grandes mutirões, vivem do plantio, da caça e da pesca. As principais aldeias (Açaizal, Espírito Santo, Santa Isabel e Manga) são as mais organizadas e es- truturadas, possuindo capela, casa de festa, escola, enfermaria e campo de futebol. Como agricultores, os karipunas têm uma importante participação na economia das cidades vizinhas fornecendo, regularmente, produtos como: farinha, goma de tapioca, tucupi e frutas. PALIKUR Os primeiros registros históricos sobre os palikures datam do início do século XVI, ao norte da foz do rio Amazonas. Em meados do século XVII, migraram para o norte, rumo ao interior, estabelecen- do-se entre o litoral e a região de campos alagados da bacia do rio Uaçá. Durante vários séculos, os palikures mantiveram contato com exploradores europeus (franceses, ingleses e holandeses) na região, levando os portugueses a persegui-los como inimigos exterminando milhares deles. Os palikures são hábeis pescadores; eles utilizam tanto o anzol e unha, quanto zagais e arcos e flechas nessa atividade. Dedicam-se, também, à coleta de ovos de tracajá, jacaré e camaleoa. Durante o verão, os palikures procuram os melhores locais para fazer as roças de plantação de banana, abacaxi, pimenta-de-cheiro, cará, como também da mandioca-brava para produzir farinha, a base da alimentação de toda a região do Oiapoque, lugar onde se vende parte do que produzem. MÃOS À OBRA: 19 - Que contribuiçõesculturais indígenas são visíveis, atualmente, na sociedade amapaense nos seguintes aspectos: a) Vestuário b) Alimentação c) Música d) Artesanato 20. "As lembranças dos índios brasileiros nos permitem reconstruir a história de um povo que vive no Brasil desde muito antes da chegada dos portugueses." De acordo com essa afirmativa e com a leitura sobre as principais comuni-dades indígenas amapaenses hoje, responda: 21) Quais os meios que as comunidades indígenas amapaenses, atualmente, utilizam para garantira sua sobrevivência? 22) Que alimentos os portugueses adotaram dos povos indígenas na época da colonização e que existem até hoje? 23) Você e sua família consomem algum alimento ou prato de origem indígena? Faça, no caderno, uma relação desses alimentos e pratos. 24) O contato das comunidades indígenas amapaenses com povos não indígenas da região (garimpeiros, pescadores, caçadores, madeireiros, etc.) provocou, e continua provocando, várias mudan¬ças em sua cultura. Retire, do texto, três dessas mudanças e exponha para seus colegas. 25) Represente, por meio de desenhos, esses habitantes do Brasil em dois momentos: antigamente e hoje. A representação deve estar associada à forma de sobrevivência económica (agricultura, caça, pesca, comércio, etc.) 26) Portugueses e índios começaram a conviver, apesar de suas culturas serem bem diferentes. Com as afirmações a seguir, crie uma tabela de cada povo de acordo com sua cultura. Registre-a no caderno. • Não matam bichos sem que haja necessidade de sobrevivência física ou de alimentação. • Matam os bichos para vender a pele. • O rei é o líder do povo. • O cacique é o líder da tribo. • Compram (comercializam) mercadorias para satisfazer a necessidade de comer e de vestir. • Pescam e caçam para comer. • Confeccionam canoas, vestimentas, etc. • Cortam árvores com fins lucrativos. • Cortam árvores somente quando necessitam da madeira para a sobrevivência da comunidade. • O trabalho é coletivo, pois o objetivo maior é a sobrevivência de toda a comunidade. 27. Quais os alimentos comuns entre as tribos que se localizam na região do Amapá? 28. Dos alimentos de origem indígena, quais são comuns encontrarmos em nossas mesas? 29. Com base nas leituras e trabalhos realizados, indique três aspectos da alimentação e da divisão de tarefas entre os índios antes da chegada dos "brancos." 30. Indique alguns aspectos no modo de viver e de se organizar que os indígenas aprenderam com a cultura dos portugueses. VOCÊ SABIA? 0 Amapá é o primeiro estado brasileiro a ter as terras indígenas demarcadas! Tal fato somente foi possível graças à mobilização das próprias Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 14 organizações indígenas locais e à pressão de grupos políticos locais junto ao Governo Federal. ENFIM, CHEGARAM OS PORTUGUESES Agora vamos viajar para outra parte do mundo: o continente europeu, há pouco mais de 500 anos. Na época da qual estamos falando, um pouco antes de 1500, o Brasil ainda não era um país, mas Portugal e Espanha, sim. Os europeus, incluindo portugueses e espanhóis, construíram grandes cidades e estabeleceram diversas formas de governo. Também inventaram modos de produzir alimentos em grande quantidade e elaboram importantes obras de arte; desenvolveram sua capacidade de entender e mudar o mundo por meio da filosofia e da ciência; construíram meios de transporte mais rápidos; elaboraram medicamentos. Enfim, um jeito de viver, pensar e trabalhar bem diferente do que havia, na mesma época, por aqui, nas terras que formariam o território brasileiro. Navegando e comerciando No século XV, os produtos mais ibiçadt na Europa (cravo, canela, pimenta) estavam nas chamadas índias Orientais. E era para lá que os europeus, com suas embarcações viajavam por meses em busca das tão apreciadas especiarias. Isso deu início à era das Grandes Navegações, outro grande marco para a humanidade. Cristóvão Colombo, Pedro Alvares Cabral e Vasco da Gama foram os maiores navegadores do período Por que os europeus desejavam as especiarias? Naquela época, não existia energia elétrica. Por isso, para conservar os alimentos por mais tempo, principalmente as carnes, eram essenciais temperos como o sal e a pimenta. Os portugueses chegaram às terras do Brasil oficialmente a partir de 1500. O pau-brasil foi a primeira matéria-prima aqui explorada e levada para Portugal. Dessa árvore, era extraído um corante vermelho próprio para tingir móveis e roupas. O rio Amazonas também foi de grande importância, já que dava acesso fluvial a muitos outros lugares, sobretudo o interior do recém-descoberto continente. Além disso, a região que hoje chamamos de Amazónia Legal despertou interesse em razão de suas chamadas drogas do sertão (urucum, guaraná, gergelim, anil, cacau, baunilha, noz de pixurim, pau-cravo, salsaparrilha, castanha-do-brasil, pimentas), entre outras riquezas da floresta, que acabaram substituindo as que vinham das índias. Além dos portugueses, outros europeus também desejavam obter tais riquezas dessa terra tão antiga para os indígenas e tão nova para eles. O Tratado de Tordesilhas, de 1494, dividiu as terras recém-conquistadas entre portugueses e espanhóis. Por esse acordo, a Espanha ficava com a maior parte da América, com acesso às terras pelos oceanos Pacífico e Atlântico. Para os portugueses, a terra era bem menor e o acesso ocorria somente pelo Atlântico. No mapa ao lado você poderá ver que quase tudo o que hoje chamamos de Amazónia Legal estava nas mãos dos espanhóis. Os portugueses logo perceberam que precisavam ocupar, ou pelo menos vigiar bem, a região, pois, além dos espanhóis, também franceses, ingleses e holandeses estavam almejando as terras da América do Sul e suas riquezas. Os franceses, por exemplo, ocuparam São Luís, no atual estado do Maranhão, e lá instalaram a França Equinocial, em 1612, depois tomada pelos portugueses. A ocupação colonial da Amazónia modificava a geografia do lugar. A floresta era a mesma, o rio era omesmo, mas o modo como os seres humanos a dividiam e ocupavam dependia dos interesses e do modo de vida de cada nação. Ao longo dos anos, até mesmo o Tratado de Tordesilhas foi sendo modificado em razão das diversas ocupações europeias promovidas por aqui. FAZENDO VOCÊ APRENDE MAIS: 31 - que levou os europeus a se aventurar e dar início às Grandes Navegações? 32 - que eram as especiarias e por que eram tão importantes? 33. Quais especiarias fazem parte do seu dia a dia? 34- que foi o Tratado de Tordesilhas? 35 Você sabe quantos anos estão contidos em um século? E em uma década? E em um milénio? 36. O ano 2000 pertence a qual século? E o ano 1450? AFINAL, A AMAZÔNIA PERTENCIA AOS PORTUGUESES, AOS ESPANHOIS OU A NENHUM DOS DOIS? Já sabemos que uma terra com tantas riquezas naturais como a Amazónia não despertou interesse só dos portugueses. Franceses, ingleses e holandeses também queriam ter acesso a essa grande fonte de especiarias ou drogas do sertão. Já sabemos, também, que foi por meio do Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 entre Portugal e Espanha, que a América foi dividida entre esses dois reinos, os pioneiros na expansão marítima. Nessa época, a pirataria era, muitas vezes, financiada pelos reis dos países que não tinham sido beneficiados com a partilha das terras na América Colonial. Os piratas ou corsários assaltavam os navios Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 15 portugueses e espanhóis, saqueando-os, e levavam a madeira e as drogas do sertão para os franceses, ingleses e holandeses. Às vezes, a disputa pelas riquezas americanas ocorria na terra e no mar. Os Fortes Para organizar a retirada dessas riquezas da floresta, os europeus construíram quartéis, chamados de fortes, que serviam para proteger as terras contra ocupações estrangeiras, e armazéns, chamados de feitorias. O Forte do Presépio, por exemplo, deu origem à cidade de Belém. A Amazónia guarda ainda muitos desses testemunhos da ocupação colonial, e recebe pessoas do mundo todo para conhecer essa história, até hoje incrustada na geografia amazônica. A maioria dos fortes erguidos por ordem de holandeses, ingleses e franceses foi destruída pelos portugueses, na luta pelo controle no Norte da colónia. Esse é o caso dos Fortes de Orange e Nassau, construídos entre 1599 e 1600 pelos holandeses, na região do Xingu. Ainda preservado e aberto para visitas, o Forte de Nossa Senhora de Nazaré de Alcoçaba foi construído às margens do rio Tocantins, onde hoje está a cidade de Tucuruí, no Pará. Também foram construídos os fortes ingleses, ao longo da região do Oiapoque, como o Forte de Torrego, às margens do rio Tauregue, no Amapá. Perto da capital do Amapá, encontra-se a Fortaleza de São José do Macapá, de 1764. Também no Amapá, encontra-se o Forte de Santo Antônio do( Macapá, na margem esquerda do rio Amazonas, mas que não pode- mos mais visitar. Os franceses construíram o Forte de São Luís, que deu origem à atual capital do Maranhão. Ainda existem algumas ruínas do Forte de São Marcos, tantas vezes destruído e reconstruído e, hoje, o que restou não está conservado. Em Rondônia, está o Real Forte Príncipe da Beira, na divisa com a Bolívia, no município de Costa Marques, às margens do rio Guaporé, uma construção portuguesa. Em Roraima, foi construído e destruído o Forte de São Joaquim do Rio Branco. Em Mato Grosso, algumas fortificações, como as do Barão do Melgaço, não resistiram ao tempo e aos combates durante o Brasil Império. No Amazonas, entre outros tantos construídos e destruídos, há o Forte de São Francisco Xavier de Tabatinga e o Forte de São José da Barra do Rio Negro, este último localizado na margem esquerda do rio Negro e que deu origem à cidade de Manaus, antes chamada de Barra do Rio Negro. Os espanhóis estavam mais interessados na prata que haviam en-contrado na América do Sul e na América Central, em lugares que hoje estão países como o Peru e o México, por exemplo. Entre Portugal e Espanha, essa disputa ficou parcialmente resolvida em 1750, quando da assinatura de um novo tratado, o Tratado de Madri. A partir desse tratado, os portugueses foram, aos poucos, adentrando o território pertencente aos espanhóis e ocupando boa parte do território que hoje chamamos de Brasil. Dividir para governar Outra estratégia usada pelos portugueses para garantir o controle sobre os territórios ocupados durante a colonização foi dividir o imenso território sob seu domínio. Em 1621, o governo português mandou separar os atuais estados do Pará, Maranhão, Ceará e Piauí e transformou essas áreas em outro estado, vizinho do Estado do Brasil, que ficou sendo chamado Estado do Maranhão, tendo como capital São Luís. Esse novo estado, mesmo permanecendo colônia de Portugal, contava com uma administração própria, e os impostos eram enviados diretamente para Portugal. Em 1755, o governo português criou a Companhia Geral do Grão-Pará a fim de exercer um controle maior sobre a retirada e a comercialização dos produtos da floresta. Em 1772, Portugal dividiu ainda mais sua colônia na América e separou o Grão-Pará em dois estados: o Estado do Grão-Pará e Rio Negro, com capital em Belém, e o Estado do Maranhão e Piauí, com capital em São Luís. Em 1775, foi criada a Capitania de São José do Rio Negro, que hoje forma Amazonas e Roraima. Essa situação só começou a mudar quando o Brasil declarou sua independência política de Portugal, em 1822. COMPREENDENDO O TEXTO 37. Quais países queriam explorar as riquezas da América mesmo não fazendo parte do Tratado de Tordesilhas? 38. 0 que eram os piratas e corsários e qual a relação deles com a exploração das colônias na América? 39. Você já assistiu a filmes sobre piratas? Como eles agiam? 40. 0 que eram os Fortes e para que foram construídos? 41. Antes do Tratado de Madri ser estabelecido, o lugar onde você vive estava sob a administração de portugueses ou de espanhóis? As primeiras navegações pelo novo mundo Até o final do século XV, os europeus, ainda, desconheciam a maior parte das terras e dos povos do Planeta. Durante os séculos XV e XVI, comerciantes e exploradores, financiados, principalmente, pelos reis de Portugal e Espanha, viajaram pelos oceanos Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 16 desconhecidos em busca de riquezas, em especial, ouro e especiarias. Na Europa, na época das Grandes Navegações, as especiarias eram produtos muito cobiçados pelos comerciantes, pois eram bastante apreciadas, principalmente, na culinária, pois ajudavam a conservar e a disfarçar o cheiro e o gosto de alimentos velhos. Produtos como o cravo-da-índia, o gengibre, a nozmoscada, a canela e a pimenta-do-reino eram encontrados em regiões conhecidas como índias Orientais, no continente asiático, que ficavam muito distante da Europa. Foi, principalmente, a busca por essas especiarias e pelo ouro em terras distantes que levou os europeus, nos séculos XV e XVI, a se aventurarem pelos mares distantes. Podemos, então, dizer que a expansão marítima europeia dos séculos XV e XVI foi, acima de tudo, motivada por interesses económicos. E foram esses mesmos interesses que possibilitaram o contato entre os europeus e os povos que habitavam terras, até então, por eles desconhecidas, o que inclui o continente que, mais tarde, seria chamado de América. Grande parte das características económicas, sociais, culturais, políticas e religiosas das atuais nações americanas, incluindo o nosso Brasil, é o resultado direto e indireto desta grande aventura europeia pela busca por riquezas em terras distantes. A trajetória histórica do estado do Amapá, também, está inserida nesse contexto. Mas vamos deixar para as próximas unidades os estudos de comoisso ocorreu. Vamos, por enquanto, continuar falando um pouco mais sobre esta grande aventura europeia dos séculos XV e XVI, denominada "Grandes Navegações". As dificuldades encontradas por esses comerciantes e aventureiros eram enormes, pois os instrumentos de orientação e as embarcações eram bem diferentes dos utilizados em nossos dias. Além disso, como os navegantes tinham pouco, ou nenhum, conhecimento dos mares que estavam navegando, a inse¬gurança e o medo eram comuns. Muitas lendas sobre monstros terríveis, sereias e ondas gigantescas, que diziam existir nos mares distantes, contribuíram, ainda mais, para tornar as viagens marítimas uma grande aventura para a época. Somente com o aperfeiçoamento de novos instrumentos de orientação, como a bússola e o astrolábio e a invenção da caravela — uma embarcação mais leve e espaçosa do que as conhecidas na época — é que os europeus, principalmente, os portugueses e espanhóis, tiveram a segurança mínima necessária para viagens tão distantes. É importante, no entanto, reforçar que, apesar de todo o risco e insegurança que essas viagens ofereciam, a possibilidade dos enormes lucros, conquistados pelo comércio de especiarias ou por outras riquezas encontradas em terras distantes (principalmente o ouro), tornavam as grandes navegações da época um empreendimen¬to extremamente atrativo e que acabou estimulando a participação de diversos setores da sociedade, principalmente dos comerciantes. Durante os vários dias e meses nas embarcações, sem contato com a terra, a vida dos marinheiros era muito difícil. Os alimentos frescos estragavam logo nos primeiros dias restando, apenas, carne salgada, peixe seco, biscoito (tão duro quanto o casco do navio), vinagre e vinho. A água potável era utilizada com cautela, pois, se acabasse, teriam que esperar vários dias até chover ou encontrar terra firme. Dentro das embarcações, viajava uma tripulação composta por diversos especialistas necessários àquele tipo de expedição. Além do capitão, era importantíssimo o trabalho de pilotos e cartógrafos que indicava a direção correta para navegar; carpinteiros e marinheiros cuidavam das velas e dos mastros do navio mantendo-os em bom estado e consertando-os caso necessário. O tanoeiro era o responsável pela conservação e distribuição dos alimentos e da água. Sempre havia, também, um escrivão que, diariamente, anotava tudo o que acontecia durante as viagens. O trabalho dos escrivães foi muito importante para que os historiadores pudessem ter uma visão mais detalhada sobre o dia a dia das viagens marítimas e do encontro com os povos que habitavam as terras que seriam, mais tarde, conquistadas pelos europeus. OS PRIMEIROS NAVEGANTES EUROPEUS NAS TERRAS AMAPAENSES As terras que, hoje, fazem parte do estado do Amapá foram frequentadas por vários navegantes europeus, antes mesmo da chegada oficial da expedição de Pedro Álvares Cabral em 22 de abril de 1500. Como Portugal e Espanha foram as nações pioneiras nas grandes navegações, a disputa pelas rotas marítimas e pelas terras encontradas no continente, que hoje é chamado de América, poderia acabar provocando uma guerra entre esses dois reinos europeus. Para a Espanha, era importante garantir a posse do novo continente encontrado pelo navegante Cristóvão Colombo em 1492. Para Portugal, era importante garantir a rota, iniciada no século XV, para alcançar o caminho marítimo para as índias navegando pela costa africana. Para evitar tal confronto, portugueses e espanhóis realizaram alguns acordos de divisão do continente, tendo o papa como juiz. Após várias tentativas, os dois reinos assinaram, em 1494, o Tratado de Tordesilhas, que dividia, por meio de uma linha imaginária, as terras do continente americano entre portugueses e espanhóis. Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 17 Repare, nos mapas, as terras que, hoje, pertencem ao estado do Amapá, segundo as orientações do Tratado de Tordesilhas, pertenciam à Espanha. Para melhor conhecer seus domínios territoriais, o governo espanhol organizou algumas expedições ao litoral do Amapá. No ano de 1499, o navegante Américo Vespúcio, a serviço da Espanha, percorreu o litoral amapaense navegando, provavelmente, na foz do rio Amazonas entre inúmeras ilhas que, hoje, pertencem aos atuais municípios de Macapá, Santana e Mazagão. Outro navegante espanhol que, esteve frequentando as águas amapaenses foi Vicente Yánez Pinzón. Em janeiro de 1500, ele percorreu o atual rio Oiapoque, no norte do Amapá, e a foz do rio Amazonas. Encantado com o volume de água que o rio Amazonas despeja no oceano Atlântico, Vicente Pinzón denomi-nou-o de Mar Dulce (Mar Doce). Tudo indica que um navegante português, também, tenha navegado em águas amapaenses antes da expedição oficial de Pedro Álvares Cabral: o navegador Duarte Pacheco Pereira. Entre novembro e dezembro de 1498, esse navegante português desembarcou em um ponto do litoral norte do País, entre os atuais estados do Pará e Maranhão, iniciando uma expedição pela costa norte até a ilha de Marajó e a foz do rio Amazonas. Apesar da presença de algumas expedições importantes no litoral amapaense, tanto portuguesas quanto espanholas, a região, inicialmente, não despertou uma atenção maior desses exploradores europeus mais preocupados com o ouro fácil e abundante encontrado em outras regiões do continente americano e com o lucrativo comércio de especiarias na região das índias Orientais. FAZENDO VOCE APRENDE: 42 - Os europeus financiavam as grandes navegações em busca de outras terras, riquezas e a fim de comercializar mercadorias trazidas das índias conforme o que você já estudou até aqui. Por que os portugueses e espanhóis não se interessaram, de imediato, pelas terras amapaenses? 43 - Que especiarias, eram trazidas das índias Orientais e comercializadas pelos europeus? Em seu caderno, escreva sobre elas e para o que serviam naquela época. APROFUNDANDO O TEMA: 44 - Para saber mais, procureoutras informações sobre o Tratado de Tordesilhas, tais como: nações envolvidas, o papel da Igreja Católica no tratado e o posicionamento de outras nações sobre a decisão da Igreja. 45 - Em sua casa, investigue quais são as especiarias utilizadas e para que servem. A importância das especiarias de hoje é a mesma da época das Grandes Navegações? Justifique sua resposta. FAZENDO UM DEBATE Com a turma dividida em três grupos, vamos organizar um debate sobre o Tratado de Tordesilhas seguindo as etapas: • Cada grupo defenderá um dos seguintes povos afetados pelo Tratado de Tordesilhas que dividiu o continente americano: o primeiro grupo representará os portugueses, o segundo grupo representará os espanhóis e o terceiro grupo representará os índios americanos. O professor poderá organizar um sorteio para a escolha dos grupos. • Com os grupos definidos, é o momento de cada um organizar argu-mentos para defender quem tinha direito à posse e à exploração do continente americano de acordo com seus interesses: os portugueses, os espanhóis ou os índios. • Após a elaboração dos argumentos, é o momento de debater: o professor deverá organizar a turma em círculo e controlar o momento de cada um defender seus argumentos. • Terminado o debate, cada aluno deverá elaborar um relatório no caderno sobre suas conclusões das discussões surgidas. 46 - . Observe UM mapa das capitanias hereditárias e responda: 47 - Na atual divisão política do mapa do Brasil, quais estados correspon-dem às antigas capitanias? 48 - Quem escolhia os donatários das capitanias? 49 - E, hoje, quem escolhe o governador do estado? Como isso acon-tece? 50 - O administrador de toda a Colónia, chamado de governador-geral, também era indicado pelo rei português. Como é escolhidoo presi-dente da República hoje? Os primeiros contatos dos europeus com os povos indígenas da região do Amapá Como vimos anteriormente, de acordo com o Tratado de Tordesilhas, a região que, hoje, compreende o território amapaense fazia parte do governo espanhol. É sempre importante lembrar que a afirmação de que as terras amapaenses, inicialmente, pertenciam à Espanha, era uma verdade apenas considerada pelos europeus conquistadores. Para os milhares de índios que habitavam a região, os europeus não passavam de um povo invasor, interessados apenas em explorar as Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 18 riquezas que a terra oferecia e a escravizar os povos que nela habitavam há milhares de anos. Sendo assim, os índios resistiram, ao máximo, às invasões de suas terras, mas foram, aos poucos, dominados devido aos seguintes fatores: • a falta de resistência do índio às doenças trazidas pelos europeus. O sarampo, a catapora, o tifo, a varíola e a gripe mataram milhares de índios; • a superioridade das armas que os europeus utilizavam (mosquetes, canhões, espadas, etc.) em relação aos armamentos rudimentares dos índios (lança, arco e flecha, machadinha, etc). Os índios que não conseguiram fugir dos conquistadores, mas sobreviveram ao massacre, acabaram sendo catequizados pelos padres jesuítas. Aos poucos, os povos indígenas acabaram sendo influenciados pela cultura e religião europeia, modificando bastante os seus costumes. INTERAGIR COM O TEMA: O Tratado de Tordesilhas preservou os interesses das coroas espanho¬la e portuguesa definindo-se, a partir daí, os dois ciclos de expansão. E os donos da terra, os índios, como foram tratados? Participaram das decisões, puderam opinar, foram beneficiados? Dê a sua opinião. "... um povo invasor, interessado apenas em explorar as riquezas que a terra oferecia e a escravizar os povos..." Para você, essa imagem do índio em relação ao europeu tinha fundamento? Justifique sua resposta. TAREFA: faça mais 51 - Como você leu no texto anterior, quando o Brasil foi colonizado por Portugal, as terras brasileiras não eram divididas, como hoje, em estados. Os índios eram os donos das terras. 52 - Observando UM MAPA, a qual país as terras amapaenses pertenciam inicialmente? Por meio de que tratado isso aconteceu? 53 - Que tipos de doenças os indígenas amapaenses contraíram com a chegada dos europeus na região? 54 - Compare os tipos de armas citadas no texto e comente por que os europeus dominaram, facilmente, os povos que aqui já viviam. SOBRE 0 DESCOBRIMENTO Em depoimento feito por um Yanomami, que fala sobre a vinda dos brancos que "atravessaram as águas e vieram em nossa direção", o indígena diz que os brancos são criativos, mas não têm sabedoria, pois não valorizam a história de seus antepassados. Os brancos afirmam "nós descobrimos a terra do Brasil", ignorando a existência de outros povos antes de sua chegada. "Nós, os habitantes das florestas, habitamos aqui há longuíssimo tempo, desde que Omama nos criou". No começo das coisas, aqui só havia habitantes da floresta. Na realidade, a região que hoje é o Brasil já era habitada por vários povos há milénios, muito antes da chegada dos europeus. Os povos indígenas, como os Makuxi, os Wapixana, os Waiwasi, os Waimiri-atroari, os Xavante, os Caiapó, os Guarani, os Tupinambá, os Aymoré, os Tupi e tantos outros povos grandiosos, entendem o indígena como o dono legítimo dessas terras. Para eles, os brancos não podem mais mentir para si mesmos, pois as terras que encontraram já estavam habitadas. Fonte de pesquisa: Tradução de Bruce Albert do depoimento de um indígena Yanomami, 1998. Responda: 55 - o que significa a frase: “atravessaram as aguas em nossa direçao” 56 – o texto cita a palavra OMAMA. A quem se refere? O Amapá como possessão espanhola A primeira tentativa europeia de explorar as terras amapaenses foi em 1544 quando o rei da Espanha, Carlos V, autorizou o navegante Francisco Orellana a explorar uma imensa área que foi denominada de Adelantado da Nueva Andaluzia, primeiro nome dado às terras que, mais tarde, seriam denominadas Amapá. Apesar de ter recebido a responsabilidade de iniciar a conquista das novas terras em nome do governo espanhol, sua expedição acabou naufragando e provocou a morte da tripulação. O fracasso da expedição de Francisco Orellana fez com que o governo espanhol perdesse o interesse pela região. Com o local abandonado pelos espanhóis, Portugal decidiu enviar uma expedição para explorar a região e, em 1553, Luís de Melo e Silva percorreu o litoral amapaense até a região das Guianas, mas acabou, também, fracassando, pois foi surpreendido e morto pelos índios da região. Entre 1580 e 1640, os reinos português e espanhol tornaram-se um só (União Ibérica), pois, com a morte do rei de Portugal (Dom Sebastião), a Espanha assumiu o controle de Portugal e todas as suas colónias, incluindo o Brasil. Para garantir o domínio e a exploração da Amazónia, os espanhóis construíram, em 1616, o Forte do Presépio, que daria origem à cidade de Belém, atual capital do estado do Pará. Nas terras amapaenses, muitas nações inimigas da Espanha tentaram assumir o controle da região. Os ingleses, por exemplo, chegaram a construir várias fortificações como Torrego e Cumaú. Os holandeses, também, chegaram a construir fortificações em Gurupá e na área onde seria, mais tarde, a cidade de Macapá, Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 19 mas foram expulsos pelos colonizadores espanhóis e portugueses. PARA INTERAGIR COM O TEMA Segundo o texto que você acabou de ler, qual o primeiro nome dado às terras amapaenses pelos espanhóis? 57 - . Você já ouviu falar da região da Andaluzia na Espanha? É possível que a nova terra tenha recebido o nome da região espanhola? Faça uma pesquisa na internet e tire as suas conclusões. 58 - por que, depois de ter tido o primeiro contato com as terras amapaenses, os espanhois permitiram que os portugueses ocupassem a terra? Momento de investigar: 59 - pesquise sobre a regiao de ANDALUZIA e verifique se ha alguma semelhança com a regiao do amapá? O Amapá como possessão portuguesa Em 1640, Portugal volta a ser uma nação independente da Espanha e a região do Amapá foi anexada à Capitania do Grão-Pará. Em 1687, foi construída a Fortaleza de Santo Antonio de Macapá sobre as ruínas do antigo Forte de Cumaú para confirmar a presença portuguesa na região e afastar possíveis inimigos. As disputas pelas terras amapaenses, agora, seriam travadas entre França e Portugal. A presença francesa na Amazónia já existia desde 1605, na região da atual Guiana Francesa. Porém, no final do século XVII, os franceses travaram vários confrontos com os portugueses pela disputa das terras amapaenses. Para evitar conflitos maiores, franceses e portugueses assinam, em 1713, o Tratado de Utrecht que determinava que o rio Oiapoque marcaria a fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa, mas, como veremos a seguir, tal tratado jamais foi respeitado pelos franceses. A EXPLORAÇÃO ECONÔMICA DAS TERRAS AMAPAENSES DURANTE A COLONIZAÇÃO Como as primeiras expedições europeias espanholas não obtiveram nenhum sinal de ouro ou outro metal valioso na região, a exploração económica foi direcionada aos produtos da floresta, denominados, na época, de "drogas do sertão". Eram plantas (frutos, raízes e sementes) encontradas na floresta, utilizadas como medicamentos, temperos e conservantes de alimentos. Os principais produtos eram: urucum, canela, castanha-do-pará, guaraná e cacau. Muitas delas possuí¬am as mesmas propriedades das especiarias asiáticas (lembre-se de que já as estudamos) muito valorizadas na Europa. Logo no início da colonização, várias missõesreligiosas da Igreja Católica, representadas pela Companhia de Jesus, estabeleceram-se na região. Os jesuítas h convenciam os índios a abandonar suas aldeias e se agrupar nas missões com o objetivo de convertê-los ao Cristianismo. Para convencê-los, os missionários eram ajudados por alguns índios que já haviam sido convencidos e convertidos. Para muitos índios, a mudança | para as missões religiosas também era uma questão de sobrevivência, protegendo-se, dessa forma, do ataque de colonos ávidos por mão de obra escrava. As missões religiosas tornaram-se uma fonte de renda altamente lucrativa através do extrativismo vegetal de especiarias e drogas aromáticas, as chamadas "drogas do sertão". No setor agropecuário, as missões jesuíticas também se destacaram. Cultivavam cana-de-açúcar, café e algodão, além de possuírem aproximadamente 150 mil cabeças de gado, concentrados, principalmente, nas fazendas da Ilha do Marajó. Os desentendimentos entre jesuítas e colonos que pretendiam usar os índios como mão de obra escrava foram constantes nesta época. Para os missionários jesuítas, cabia aos religiosos a organização do trabalho indígena a partir do aldeamento, contrariando, assim, os interesses dos colonos que queriam escravizá-los. Os privilégios económicos concedidos aos religiosos e as divergências sobre o uso do trabalho indígena levou a inúmeros conflitos entre colonos e jesuítas na época. A partir da segunda metade do século XVIII, o governo português resolveu intervir diretamente na região através do seu representante: o Marquês de Pombal. Para Pombal, a defesa eficaz da região dependia da sua efetiva ocupação. Como a presença de colonos portugueses na região era extremamente pequena, ocorreu a ideia de transformar o índio em colono, surgindo, então, a "Doutrina do Índio- Cidadão", que estabeleceu as seguintes medidas: • Proibir a escravização indígena. • Livrar os índios da submissão às ordens religiosas. • Reconhecer nos índios os direitos de cidadãos portugueses. • Tornar obrigatório o ensino da língua portuguesa, proibindo o uso do nheehgatu, que era a língua geral amazônica. • Transformar os índios em agricultores e reconhecer-lhes o direito à propriedade de terras, devido a sua resistência em trabalhar como assalariado dos colonos. • Transformar em vilas as aldeias mais populosas. Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 20 • Incentivar os casamentos mistos entre brancos e indígenas. • Reconhecer a necessidade da religião como meio civilizador dos índios, apesar do fim do poder missionário sobre as aldeias e da expulsão dos jesuítas. • Colocar em prática a execução da política pombalina na Amazônia com a nomeação do governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado. Com as medidas adotadas pelo Marquês de Pombal, a exploração económica da Amazónia tornou- se mais eficien¬te, estimulando o surgimento de várias vilas, que se transformaram mais tarde em importantes cidades. Somente no final do século XIX, foi descoberto ouro no norte do Amapá, no atual município de Calçoene, que acabou aumentando as rivalidades entre os brasileiros e os franceses pelo controle da região como veremos adiante. Atividade: Para interagir com o tema 60 - - Os produtos da floresta explorados pelos europeus nas terras amapaen-ses eram conhecidos por "drogas do sertão". 61 - 2 - Explique o porquê desse nome.Segundo o texto, quais eram os produtos chamados de "drogas do sertão"? 62 - Para que os europeus extraíam esses produtos das florestas? Atividade – vamos investigar 63 - Procure informações na biblioteca, nos livros, na internet sobre a presença das missões jesuítas em sua cidade e relate se ficaram vestígios dessa presença. 64 - O garimpo de Lourenço, em Calçoene, era explorado pela mineradora Novo Astro. Hoje, os garimpeiros dessa empresa que ficaram na região fundaram uma associação para a exploração de ouro. Pesquise, em jornais locais ou na internet, quais os maiores desafios que eles enfrentam. Atividade – mãos à obra 65 - O texto nos fala que os índios, mesmo não sendo escravizados, tiveram seus costumes e cultura modificados pela influência dos jesuítas. SOBRE essa questão produza um texto dando sua opinião a respeito da exploração das riquezas amapaenses pelos homens colonizadores europeus. 3º BIMESTRE - O Amapá na época da exploração colonial A EXPANSÃO MARÍTIMA E COMERCIAL No início do século XV, portanto ainda no final da Idade Média, começou na Europa um processo de expansão comercial e marítima envolvendo países como Portugal, Espanha, Holanda, França e Inglaterra, interessados em ampliar o comércio nacional em direção à Ásia e a África. CAUSAS: Dentre as causas que motivaram a expansão podemos destacar: a) A busca de um caminho marítimo para a compra das especiarias asiáticas; b) A escassez de metais preciosos na Europa; c) A ascensão da burguesia e sua aliança com a realeza absolutista;; d) O aprimoramento das técnicas de navegação, especialmente com a Escola de Sagres; ENFOQUE GERAL - A necessidade de encontrar um caminho marítimo para as índias, local onde se encontravam as fontes fornecedoras de especiarias, produtos como pimenta, açúcar, seda, porcelana, tapetes, alho, cominho... - Naquele momento (séc. XV e XVI), a produção artesanal da Europa havia se desenvolvido muito. Como a capacidade de produção crescera muito acima da capacidade de consumo interno, ela passou a necessitar de novos mercados para o escoamento de seus produtos. - Outro fator importante da expansão comercial marítima foi a escassez de ouro e prata, há muito esgotado nas jazidas européias. Por serem utilizados na cunhagem de moedas, eram fundamentais para dinamizar as relações comerciais e fortalecer os Estados Modernos. - A descoberta de um novo caminho marítimo para as Índias significava para as burguesias mercantis européias o acesso direto às fontes produtoras de especiarias e a possibilidade de se livrar do monopólio que as cidades italianas, principalmente Veneza e Gênova, exerciam sobre o comércio desses produtos na Europa. - Outro importante fator da expansão marítima foi o aprimoramento de aparelhos de orientação náutica como a bússola e o astrolábio, e a invenção da caravela, um navio mais fácil de manobrar e mais veloz em mares abertos do que as antigas galeras. - Finalmente, a aliança entre o rei e a burguesia também contribuiu de maneira decisiva para a expansão, já que o sucesso de qualquer empreendimento dependia em grande parte, da força política de um Estado centralizado e do capital da rica burguesia mercantil. RESPONDA NO CADERNO 1 – por que os europeus lançaram-se em busca de uma aventura marítima? Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 21 2 – quais os fatores que contribuíram para o sucesso das grandes navegações? 3 – o que eram as especiarias? 4 - hoje em dia usamos algumas dessas especiarias. Quais? Em que atividades? O PROCESSO DE LUSITAÇÃO, OCUPAÇÃO E EXPLORAÇÃO DA AMAZÔNIA BRASILEIRA Para compreendermos o processo de ocupação da Amazônia devemos levar em consideração os seguintes elementos: os povos primitivos da região; a Lusitação a partir de fatores econômicos, políticos, sociais e culturais; a presença da Igreja Católica no trato e liberação da mão de obra indígena necessária; o conflito entre índios e brancos; o diretório pombalino e política indigenista; e a tentativa mercantilista de implementar a agricultura na Amazônia. LUSITAÇÃO: expressão que indica a ação colonizadora dos lusitanos ou portugueses pelo vale amazônico. Uma região inicialmente espanhola que posteriormente se tornou lusitana. A Amazônia, segundo a professora Neide Gondim, ―não foi descoberta, sequer foi construída;na realidade, a invenção da Amazônia se dá a partir da construção da índia, fabricada pela historiografia greco- romana, pelo relato dos peregrinos, missionários, viajantes e comerciantes‖. A Amazônia foi fruto do imaginário e simbolismo europeu associado à realidade local. A colonização da Amazônia politicamente vai de 1600 a 1823 é assim dividida: 1600 a 1700 a expulsão de invasores estrangeiros; de 1700 a 1755 estabelecimento de missões jesuíticas; de 1755 a 1798 criação do sistema de diretorias de índios; de 1798 a 1823 a crise do sistema colonial. A FUNDAÇÃO DE ALDEAMENTOS: As missões jesuíticas foram a primeira forma de ocupação da Amazônia. Os padres jesuítas tinham planos de divulgar a religião católica no Brasil. Consideravam-se ―soldados da religião‖, com a missão de conquistar índios e colonos, convertendo-os ao catolicismo. A arma utilizada para essa conquista era a catequização, o ensino da doutrina cristã. A partir do século XVII, os jesuítas avançaram pelo sertão e fundaram aldeamentos, chamados missões ou reduções. Estes, por sua vez, consistiram num grande projeto pedagógico para alterar a cultura indígena. Sobre a ocupação da Amazônia A prof. Cecília Maria Chaves Brito Bastos assim definiu a integração da Amazônia: “o processo de colonização da Amazônia caracterizou-se pela organização da produção extrativa e como principal força de trabalho, a indígena. A região oriental da Amazônia centralizou as primeiras expedições européias organizadas dentro de propósitos mercantis. Desde o início do século XVI, encontraram os portugueses condições para assegurar a colonização. Somente mais tarde, surgem interesses voltados para a região ocidental, quando do projeto agrícola implementado pelo Diretório”. Responda: 5 – que tipo de economia os portugueses utilizavam no início da ocupação da Amazônia? 6 – por que foi mais viável utilizar o indígena como Mao de obra na exploração da Amazônia? Repartição e índios aldeados: quais as características desses processos? Escapavam da escravidão, embora não do trabalho obrigatório, todos aqueles índios que aceitassem abandonar suas aldeias de origem e desistissem do seu modo de vida tradicional, sem oferecer resistência armada. Esses índios, considerados "índios de pazes" ou "índios amigos", eram catequizados, batizados e aldeados em outras áreas, de onde eram periodicamente retirados para prestarem serviço aos colonizadores. Ao sistema colonial, não interessava a dispersão dos índios em aldeias autônomas, espalhadas ao longo do litoral, mas a sua concentração em espaços localizados próximos aos núcleos produtivos sob o controle dos portugueses. Tratava-se de criar "celeiros" de mão-de- obra, de onde pudessem ser retirados os índios necessários para o trabalho e para a guerra. Essa foi uma necessidade sentida desde os primeiros momentos, conforme atestam diferentes documentos. FAZENDO VOCÊ APRENDE MAIS 7 – quais os planos dos padres jesuítas em relação ao novo mundo recém descoberto? 8 – por que alguns índios não eram escravizados, enquantos outros acabavam tornando- se cativos? INTERESSES RELIGIOSOS E ECONÔMICOS DAS MISSÕES: As ações dos missionários na região amazônica era regulamentada pelo regimento das missões (documento que dava amplos poderes aos jesuítas), estabelecido por Portugal em 1686, com o objetivo de regulamentar a ocupação através do cristianismo. Segundo FARAGE ―pelo regimento é reforçado o controle dos missionários no âmbito dos aldeamentos, com a atribuição do poder não só espiritual, mas político e temporal das missões. Nestas não poderiam Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 22 residir brancos ou mamelucos, nem entrar sem licenças oficiais‖. Sobre a pedagogia dos Jesuítas “Ensinam-lhes os padres todos os dias pela manhã a doutrina, em geral, e lhes dizem missa, para os que quiserem ouvir antes de irem para suas roças; depois disso ficam os meninos na escola, onde aprender ler e escrever, contar e outros bons costumes, pertencentes à política cristã; à tarde tem outra doutrina particular a gente que toma o Santíssimo Sacramento (...) Os padres incitam sempre os índios a que façam sempre suas roças e mais mantimentos, para que, se for necessário, ajudem com eles aos portugueses (pois) muitos portugueses comem das aldeias, por onde se pode dizer que os padres da companhia (de Jesus) são pais dos índios, assim das almas como dos corpos” Responda: 9 – que tipo de ensinamento os índios recebiam dos jesuítas? 10 – quais os objetivos da ação dos jesuítas na Amazônia? As missões foram utilizadas pelos jesuítas para a catequese e a exploração do trabalho indígena. Nas missões os índios aprendiam a doutrina católica e os costumes da cultura européia. Além disso, os jesuítas faziam os índios trabalharem na extração de riquezas naturais, conhecidos como negócio ou drogas do sertão (guaraná, cravo, pimenta, castanha, baunilha, plantas aromáticas e medicinais). Com a venda obtida deste garimpo vegetal, os jesuítas obtinham grandes lucros. Desafio: 11 - Procure informações sobre o conceito de bandeirantes, e por que eles tinham preferência por atacar as missões jesuíticas As missões jesuítas eram o alvo predileto do ataque de bandeirantes, pois aí encontravam o índio ―ladino‖, isto é, com sua cultura modificada e com conhecimento de ofícios que interessavam ao comprador de escravos. Houve também muitos conflitos entre jesuítas e colonos. Os colonos queriam a escravização dos índios, enquanto os jesuítas eram contra e os ―defendiam‖. Sobre o conceito de guerra justa Sobre o conceito de guerra justa, o prof. João Renôr Ferreira de Carvalho assim se expressou: “O conceito de guerra justa entre os ideólogos de Portugal foi inspirado e extraído da doutrina dos santos padres da Igreja Católica. Os santos padres em repetidas ocasiões justificaram teologicamente a guerra empreendida pelos princípios católicos. Esses teólogos eclesiásticos afirmavam que a guerra justa não era má em si mesma. Entre os defensores e justificadores da guerra justa encontramos Tertuliano, Santo Ambrósio, São Gregório de Tours, São Bernardo...” As missões religiosas tiveram maior eficácia que os colonos por terem utilizado, além da coerção física e econômica, práticas ideológicas de adaptação cultural sobre o indígena. Os jesuítas utilizavam-se do conceito marxista de ideologia, que consiste em distorcer a realidade com o objetivo de obter algum tipo de vantagem. Assim, quando o jesuíta afirmava que o índio não possuía alma e que era obrigação do europeu salvar o indígena, o objetivo era tão somente facilitar a dominação. Com o estabelecimento do Regimento das Missões, em 1686 (com vinte e quatro parágrafos) a organização do trabalho indígena foi regulado, reforçando-se 0 controle dos missionários. Este Regimento deu aos religiosos (principalmente aos Jesuítas) autoridade temporal, política e espiritual sobre todas as aldeias, estabelecendo maior controle sobre a força de trabalho indígena. Desta forma, "suas missões tornaram-se centro de suprimento de Mao de obra para os moradores, no mais das vezes em franco descumprimento das exigências legais e, também os missionários individualmente se engajaram no comercio regional, inclusive no tráfico clandestino de escravos índios" (FARAGE, 1991, p.33). Em decorrência das queixas constantes dos moradores, encampadas pelo Estado, fixou-se em 1689, a permissão para aldeamento dos índios por particulares e não apenas pelas missões religiosas. Fora dos aspectos formais da arregimentação da força de trabalho indígena - escravização - , 0 apressamento clandestino ou contrabando foi uma constante no período colonial na Amazônia. A escravização c1andestina foi maior que a efetuada pelas tropas deresgate oficiais e tropas de guerra em conjunto (Idem, 30). Tal política não contemplada pela legislação fez do exame de legitimidade dos cativeiros de índios uma verdadeira "falácia" . Atividade: 12 – que poder o regimento das missões deu aos padres? 13 – que tipo de relação existia entre os padres e os indígenas? 14 – os indígenas eram escravizados? Isso era permitido pelo regimento das missões? Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 23 15 – o comercio de índios escravos era lucrativo. Os padres vendiam índios como escravos? Retire uma frase do texto que justifique sua resposta QUAL, então, o regime de trabalho em que devemos enquadrar os índios nesse momento histórico? Trata-se do regime de servidão, pois o trabalho para jesuítas ou colonos, apesar de remunerado, aliás muito mal, era compulsório e os índios não tinham nem mesmo escolha de para quem trabalhar. Lembre-se: As missões serviram como organizadoras e reprodutoras da força de trabalho indígena na Amazônia, contribuindo para a efetivação da colonização mercantilista na região. O índio ―selvagem‖, através da catequese, era convertido em ―gentio‖, ou seja, civilizado. ATIVIDADE: fazendo você Aprende mais 16 – qual a importância das missões para a conquista do vale amazônico? 17 – como os jesuítas utilizavam o trabalho dos indígenas para efetivar a exploração econômica da Amazônia? 18 – para facilitar a evangelização, os jesuítas agrupavam os indígenas. Como era feito isso? 19 – o que eram aldeamentos? 20 – os bandeirante e jesuítas tinham um mesmo objetivo quanto aos índios. Qual? 21 - os índios de pazes eram repartidos. Com qual objetivo? 22 – os indígenas que não aceitavam trabalhar recebiam que tipo de tratamento? 23 – por que os europeus lançaram-se nas grandes descobertas marítimas? 24 – a chegada dos europeus trouxe conseqüências para os indígenas. Cite algumas 25 – por que os jesuítas eram denominados soldados da religião? Qual seu papel nas grandes navegações? Aprofundando o tema: 26 - Pesquise e escreva no caderno o sentido das seguintes expressões: trabalho escravo, trabalho compulsório e servidão 27 - Pesquise e escreva no caderno por que os bandeirantes atacavam os aldeamentos? ESCRAVIZAÇÃO INDIGENA E TRABALHO COMPULSÓRIO – CECÍLIA BRITO No primeiro momento da colonização, as missões religiosas tem um papel importante, enquanto organizadoras e reprodutoras de força de trabalho do nativo na região. Para tanto, desenvolveram dois tipos de relação de produção que coexistiram e predominaram na Amazônia no século XVII e primeira metade do século XVIII: índios escravizados e índios livres. Diversas leis e regimentos, cartas regias e bulas papais, pouco conseguiram no sentido de conter os colonos e caçadores de índios, seja com o intuito de obter a mao de obra para suas lavoura e serviços, seja com objetivo de praticar rendoso tráfico. Segundo Beozzo, nota-se um "movimento pendular" quase constante na hist6ria da legislação (BEOZZO, 1983, p. I 9-20). A legislação delineou duas modalidades de escravização: seriam escravos legítimos os índios aprisionados em guerra justa e aqueles obtidos através de resgate (FARAGE, 1991, p.26). A resolução satisfat6ria do problema da falta de mão de obra foi feita através da guerra justa com a aprovação regia, que permitiu 0 cativeiro licito dos índios prisioneiros e, resolveu de quebra, 0 problema de escravizar índios injustamente cativos (BEOZZO: 1983: I 5). Sendo assim, a legislação da escravidão dos indígenas apreendidos em guerra justa, por autoridade da Coroa e governadores, ou travadas em legitima defesa contra 0 ataque de tribos antrop6fagas recebeu apoio na Carta Regia de 1570. Com a lei de 1680, foi proibida toda e qualquer modalidade de escravização indígena, determinando-se 0 tratamento dos índios aprisionados em guerras com os portugueses como os prisioneiros de guerra na Europa. lei a lei de 1688, retomou as diretrizes da lei de 1655, estabelecendo que: 1) a guerra justa defensiva se aplicaria em caso de invasão dos índios aos estabelecimentos portugueses ou quando os índios impedissem a livre circulação dos missionários e colonos e 2) a guerra justa ofensiva, quando houvesse temor de ataque por parte do índios (Idem, 1991, p.28). As tropas de resgate eram realizadas a fim de comercializar com tribo5aliadas, ara arregimentação da mão e obra escrava- consolidaram-se enquanto método de obtenção desses índios.. Referiam-se basicamente a compra e venda pelos portugueses, de prisioneiros de guerra entre as nações indígenas, entre os quais se incluíam os chamados "índios presos a corda", em referencia a corda que os tupi atavam ao pescoço dos destinados a devoração (Ibidem:28). Portugal e Espanha - introduzem regime de trabalho nos territórios da America sob seu controle, formalizando vínculos a sistemas produtivos complementares. A mita e a escravidão indígena foram as formas de explora«ao do trabalho Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 24 que se destacavam nesse concebido como outra forma compuls6ria de trabalho, que garantia a exploração de índios aldeados livres, obrigados pela legislação a trabalhar, mediante pagamento de salários, tanto para colonos como para a pr6pria Coroa (ALMEIDA, 1988, p.113). Esta forma de trabalho compuls6rio dos índios aldeados através de descimentos, aplicados aos índios ditos "livres", era regulado pela legislação de 10.09.1611. Os chamados descimentos - ditos livres - foram regulados por legislação: de 10.09.1611. Este sistema foi viabilizado pelo próprio missionário, ou por seus representantes (brancos), ou por índios ja aldeados (considerados índios mansos), os quais as vezes persuadiam aldeias inteiras a descerem ou se deslocarem de seu territ6rio de origem para os aldeamentos. Farage afirma que existia uma certa tipologia para os aldeamentos religiosos: 1) aldeias dos servil(os das ordens religiosas (renda revestida para a ordem, complementando 0 que lhes era fornecido pelo Estado); 2) aldeias de servil(o real (índios aldeados utilizados somente para 0 servil(o do Estado) e, 3) aldeias de repartição (índios destinados aos moradores). Ao lado destes três tip os de distribuição da mao de obra, existia ainda os que iam para as missões afastadas dos núcleos urbanos, mas que gozavam de certa autonomia de produção a esquema de distribuição dos índios descidos foi fonte de graves e constantes atritos entre moradores, Igreja e Estado, pois a prioridade sempre cabia as ordens religiosas - os Jesuítas - que detinham 0 poder de decisão quanto a escravização e controle do trabalho dos índios aldeados, estando a frente da luta política quanto ao destino da produção indígena. Sendo assim os particulares tinham apenas vinte por cento da força de trabalho do período. A mita fazia parte dos denominados repartimento de índios, a sujeição era imposta a partir do trabalho temporário dos indígenas, os quais deveriam regressar a sua comunidade conforme período determinado, mediante pagamento de salário. 0 objetivo desta imposição sempre visava 0 lucro (CARDOSO, 1985, p.?, 46- 51). Na segunda metade do século XVIII, 0 Estado do Grão-Pará e Maranhão, tornou-se 0 alvo principal das reformas feitas por Portugal, fato posterior ao tratado de Madrid que definiu as posses espanholas e portuguesas na America. 0 processo de implantação dessas reformas articulou- se através de varias medidas que formaram um elo de uma mesma corrente: criação da Companhia Geral do Comercio do Grão-Pará e Maranhão (1755). Atividade sobre o texto acima: 28) Após a leitura do texto acima, caracterize as formas de trabalho implementados na Amazônia 29) diferencie trabalho escravo de trabalho compulsório; 30) como ocorria a escravização ilegal dos indígenas? 31) como ocorriam os descimentos?32) quais eram os índios considerados livres? 33) onde trabalhavam os índios livres? 34) como ocorriam as guerras justas? Qual o argumento usado para combater indígenas? 35) quais os tipos de aldeamentos existiam na Amazônia colonial? Chegada dos europeus Vicente Yáñez Pinzón, em fevereiro de 1500. Daniel de La Touche, Senhor de la Ravardière Em sua obra "A Descoberta da Guiana", o navegador e explorador britânico Sir Walter Raleigh descreveu uma "Província da Amapaia" como uma terra "maravilhosa e rica em ouro", povoada por indígenas chamados "anebas" que teriam presenteado o espanhol Antonio de Berreo com várias jóias daquele metal: "A Província da Amapaia é um terreno muito plano e pantanoso próximo ao rio; e por causa da água barrenta que se espraia em pequenas ramificações por entre a terra úmida, lá crescem vermes e serpentes venenosas. (...) Berreo esperava que a Guiana fosse mil milhas mais próxima do que calhou de ser ao final; por meios dos quais suportaram tanta carência e tanta fome, oprimidos com doenças dolorosas, e todas as desgraças que se pode imaginar, perguntei àqueles na Guiana que haviam viajado pela Amapaia, como sobreviveram com aquela água parda ou rubra quando andaram por lá; e disseram-me que após o sol estar no meio do céu, eles costumavam encher seus potes e pás com aquela água, mas antes disso ou até o crepúsculo era perigosa de beber e, à noite, forte veneno." Responda no caderno: 36 – que impressão o autor do texto acima teve sobre a província da amapaia? Raleigh narra ainda como o rival espanhol tentou sair da região para tomar a cidade mítica de Eldorado (que então se acreditava ficar na Guiana) e não conseguiu, barrado pelo que seria hoje chamada de Serra Tumucumaque: "Desta província Berreo se apressou em sair tão logo a primavera e o início do verão aparecera, e buscou sua entrada nas fronteiras do Orinoco pelo lado sul; mas lá havia uma cordilheira de montanhas tão altas e impenetráveis, que ele não pôde por modo algum marchar sobre elas (...); e mais, para sua desvantagem, os caciques e reis da Amapaia haviam dado saber de seu propósito aos guianeses, e que ele Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 25 queria saquear e conquistar o império, por esperar sua tão grande abundância e quantidade de ouro. Ele passou pelas desembocaduras de vários grandes rios que caem no Orinoco tanto do norte quanto do sul, que evito listar, por enfado, e porque são mais prazerosos de descrever do que de ler." Embora várias destas características sejam condizentes com o território do Amapá, no entanto a interpretação da historiografia oficial situa esta terra de "Amapaia" junto ao vale do rio Orinoco, no leste da Venezuela. O período colonial Durante a Dinastia Filipina (1580-1640), estabelecida a presença portuguesa em Belém do Pará a partir de 1616, iniciou-se a luta pela ocupação e posse da bacia amazônica, que perdurou cerca de meio século pelas armas, e mais de dois séculos pela diplomacia. Em 1619, Manuel de Souza d'Eça foi designado para servir na Capitania do Pará, no Estado do Maranhão, por três anos. As suas funções incluíam a "(...) expulsão do inimigo do Cabo do Norte, e mais descobrimentos (...)", para o que requeria homens, armas e equipamentos diversos. O memorial que apresentou a respeito, detalha a situação estratégica da embocadoura do rio Amazonas à época, descrevendo as atividades estrangeiras e sugerindo as providências mais urgentes a serem tomadas pela Coroa. O Aviso de 4 de novembro de 1621 do Conselho da Regência de Portugal, recomendava que se tomassem as medidas necessárias com o fim de povoar e fortificar a costa que se estendia do Brasil a São Tomé da Guyana e bocas do [rio] Drago [na Venezuela], e os rios daquela costa. Finalmente, a partir de 1623, Luiz Aranha de Vasconcelos e Bento Maciel Parente, tendo como subordinados Francisco de Medina, Pedro Teixeira e Ayres de Souza Chichorro, com forças recrutadas em Lisboa, no Recife, em São Luís do Maranhão e Belém do Pará, apoiadas por mais de mil índios flecheiros mobilizados pelo frade franciscano Cristóvão de São José, atacaram e destruíram posições inglesas e neerlandesas ao longo da embocadoura do rio Amazonas, na ilha de Gurupá e na ilha dos Tocujus. Como conseqüência, seis fidalgos ingleses foram mortos, os fortes neerlandeses de Muturu e Nassau foram destruídos, centenas de combatentes mortos ou capturados, provisões, armas, munições e escravos da Guiné foram apresados, e um navio neerlandês afundado. Dois anos mais tarde, em 1625, Pedro da Costa Favela, Jerônimo de Albuquerque e Pedro Teixeira, com destacamentos de Belém e Gurupá, reforçados por algumas centenas de indígenas chefiados pelo franciscano Frei Antônio de Merciana, destruíram novos estabelecimentos na costa do Macapá e no rio Xingú. O Macapá era a designação genérica da região compreendida entre a foz do rio Paru e a margem esquerda da foz do rio Amazonas, abrangendo quatro províncias de indígenas ali aldeados por missionários franciscanos, entre elas a chamada Província dos Tocujus. Em 1637, o Rei Felipe IV de Espanha e III de Portugal concedeu a donataria da Capitania do Cabo Norte a Bento Maciel Parente. A doação foi registrada no livro Segundo da Provedoria do Pará. Até meados do século XVII foram registrados choques entre portugueses, neerlandeses e britânicos no delta do Amazonas e na Capitania do Cabo Norte. No século XVIII, a França reivindicou a posse da região do Cabo Norte, e embora o Tratado de Utrecht (1713) tenha estabelecido os limites entre o Estado do Maranhão e a Guiana francesa, estes não foram respeitados pelos franceses: o problema da posse da região permaneceria pendente nas relações entre as duas Cortes. À época, o governador de Caiena, marquês de Férolles, à frente de uma força expedicionária francesa e indígena, arrasou os fortes portugueses na região do Cabo Norte e apossou-se da região. Foram logo expulsos. FAZENDO VOCÊ APRENDE: 37 – Qual a incumbência recebeu Manuel d’Eça? 38 – no período do século XVII a quem pertencia a região Amazônica? 39 – especifique a que região se referia o termo terra dos tucujus O Amapá recebe seus primeiros colonos Apesar dos primeiros contatos entre o índio e o europeu terem ocorrido no início do século XV com espanhóis, a colonização do Amapá inicia somente a partir do século XVIII com os portugueses. Macapá, a atual capital, se originou de um destacamento militar que se fixou no mesmo local das ruínas da antiga Fortaleza de Santo Antônio, a partir de 1740. Este destacamento surgiu em razão de constantes pedidos feitos pelo governo da Província do Pará (a quem as terras do Amapá estavam juridicamente anexadas), na pessoa de João de Abreu Castelo Branco que, desde 1738, sentindo o estado de abandono em que se encontrava a fortaleza, solicitava à Coroa portuguesa providências urgentes. Assim, os insulares dos Açores colonizaram Macapá, e os do Marrocos Mazagão, entre 1740 e 1772. Chegam os colonos dos Açores Depois que o rei D. José I assume o trono português, o Marquês de Pombal fica com o Ministério Real. A primeira providência do novo "Richelieu luso" é nomear seu irmão, Francisco Xavier de Mendonça Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 26 Furtado para o comando das Armas do Pará e direção da Capitania do Maranhão e Grão-Pará, gozando de plenos poderes para promover a fundação e colonização de vilas na Amazônia Setentrional. é nesta época que Macapá assiste à chegada de colonos oriundos das Ilhas dos Açores, sob o comando do coronel João Batista do Livramento e do padre jesuíta Miguel ângelo de Morais. Mas as dependências e imposições geográficas do povoado, assim como a malária e outrosmales tropicais, além da inadaptabilidade dos açorianos aliada aos constantes desentendimentos entre o jesuíta Miguel ângelo e o coronel Livramento, contribuíram para que os primeiros colonos de Macapá não conseguissem sucesso em seu trabalho (2). O arquipélago dos Açores, de onde vieram esses colonos, ainda constitui parte do território insular de Portugal. Em 1580 sua população lutou bravamente contra os espanhóis, apesar da derrota e instauração da Península Ibérica (Domínio Espanhol, 1580 a 1640). As ilhas tornaram-se ponto de reunião das armadas que traziam riquezas das índias, bem como palco da guerra marítima entre os ingleses e as potências ibéricas. Como parte da estratégia de expansão e colonização das posses portuguesas no Novo Mundo, o governo luso promove uma ampla campanha de remanejamento em Cabo Verde e Açores, culminando com o envio de centenas de famílias, com seus escravos, para povoar núcleos coloniais ao Norte e Sul do Brasil. Assim chegaram, em Macapá, os açorianos entre 1730 e 1750. Apesar de não terem se adaptado ao clima e à insalubridade da região, eles passam para a história de Macapá como seus primeiros desbravadores. Marroquinos em Mazagão O município de Mazagão teve sua origem de Mazagão Velho, no Mutuacá, em 1770, quando foi fundada a vila, pelo tenente-coronel Inácio de Alencar Moraes Sarmento. A fundação se deu em cumprimento às ordens da Coroa portuguesa de abrigar 163 famílias de colonos portugueses cristãos, oriundos do Castelo de Mazagran (hoje El Djadidá), no Marrocos, que se desentendiam historicamente com os mouros (mazaganenses convertidos ao islamismo). Neste local do Marrocos, os mouros passaram a reprimir quem não se adaptasse às leis islâmicas, resultando em inúmeros conflitos, alguns com vitórias e derrotas de um lado e de outro, culminando com a saída dos cristãos da região. Assim chegaram os marroquinos a Mazagão, por volta de 1771, fixando-se na vila que passou também a se denominar Mazagão, em homenagem à terra africana. Entre várias contribuições marroquinas, existe a Festa de São Tiago que, realizada todos os anos em Mazagão Velho (a 30 quilômetros de Mazagão Novo). No período de 16 a 28 de julho, acontece a festa de São Tiago, em Mazagão. Por suas heranças culturais e históricas, Mazagão Velho, distrito do município de Mazagão, hospeda todos os anos a encenação popular que retrata as batalhas entre cristãos e mouros, que disputavam na África a hegemonia da fé no continente africano, sob domínio português. A cada ano cresce a quantidade de pessoas que se deslocam para a cidade durante a festa que tem caráter religioso, folclórico e que faz alusão a lenda de São Tiago, que seria um soldado misterioso que apareceu nas batalhas no continente africano, lutando ao lado dos cristãos e que colaborou fortemente para sua vitória. Os atores são os próprios moradores da comunidade. Para entender melhor a história e a encenação é preciso saber um pouco mais sobre a história. Os mulçumanos, liderados pelo rei Caldeira. A guerra se estendia com vantagem para os portugueses. A estratégia de Caldeira era pedir o fim da guerra e presentear os cristãos com comidas envenenadas.Os lusitanos, que não eram bobos nem nada, sacaram que a esmola era demais e jogaram parte da comida para os animais dos mouros. À noite, os mouros deram um baile de máscaras na intenção de facilitar a vida dos cristãos que quisessem mudar de lado, com as mascarás eles podiam virar a casaca sem serem reconhecidos pelos chefões. Na festa, os cristãos levaram a melhor, compareceram mascarados e distribuíram a comida envenenada para os mouros. Até o rei Caldeira acabou morto com o fracasso de sua estratégia. Esse e outros episódios da guerra entre são lembrados. Durante a Festa de São Tiago acontecerá a Feira de Artesanato que apresentará cestas, vasos, colares de sementes, miniatura de bonecos, cadeira e mesa etc. O destaque são realmente as peças de cerâmica. VAMOS PRATICAR MAIS 40 – descreva a chegada dos colonos açorianos no Amapá; 41 – que grupo de pessoas foi responsável por ocupar mazagão? Qual sua origem? 42 – que argumentos foram usados para justificar a necessidade de ocupar as terras do Amapá? 43 –qual a relação entre a festa de são Tiago e a fundação da vila de mazagão? Os Índios - Os primeiros contatos Os índios do Amapá são os únicos do país que têm o privilégio de possuir todas as suas reservas Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 27 demarcadas, sem invasões de garimpeiros, madeireiros e agricultores. Os primeiros contatos entre o índio e o europeu têm o registro de 1500, quando Pinzón esteve aqui. O Estado abriga vários tipos de etnias, distribuídos em 49 aldeias. São eles: Galibi, Karipuna, Palicur, Tiriyó, Kaxuyana, Wayana, Apalaí e Waiãpi. A história dos índios no Amapá é cheia de episódios épicos e pela própria história de nossa gente. Tucuju, primeiros habitantes? Os índios do Amapá são os únicos do país que têm o privilégio de possuir todas as suas reservas demarcadas, sem invasões de garimpeiros, madeireiros e agricultores. Os primeiros contatos entre o índio e o europeu têm o registro de 1500, quando Pinzón esteve aqui. O Estado abriga vários tipos de etnias, distribuídos em 49 aldeias. São eles: Galibi, Karipuna, Palicur, Tiriyó, Kaxuyana, Wayana, Apalaí e Waiãpi. A história dos índios no Amapá é cheia de episódios épicos e pela própria história de nossa gente. Apesar de atualmente extintos, os Tucuju atualmente são o carro-chefe para se desvendar um pouco da história do Amapá na fase pré-pinzônica. Parte de sua história já tentamos relatar, unindo ficção e realidade, em uma obra que tivemos a oportunidade de lançar em 1997. Como eles vieram ao Amapá? Pinzón teve contatos mais próximos com eles em 1513, quando retornava à costa das Guianas. Além dos Tucuju, Pinzón teria avistado também os Palicur, os Mayé, os Itutan e os Maraon. Outro contato aconteceu em 1604, quando o naturalista francês Jean Mocquet, em viagem de estudos à então Costa Palicúria, relatou uma guerra que teria ocorrido entre os Palicur e os Galibi, e a vitória da nação palicur com a ajuda dos Tucuju. O domínio hispano-português (1580 a 1640) fez com que várias expedições chegassem até aqui, com intenções puramente de exploração. Nas construções de feitorias e postos de embarque, os colonos passaram a aprisionar gentios que, a princípio surgiam como promissora mão-de-obra para suas empresas. A intervenção dos missionários jesuítas convenceu a Coroa espanhola a expedir uma Carta-Régia datada de 15 de maio, estabelecendo a libertação de todos os índios escravizados pelos colonos portugueses. Em 1639, um jesuíta espanhol (Cristobal de Acuña), realizando estudos cartográficos na margem guianense do Amazonas, consegue localizar um forte e uma missão portuguesa, com vários índios catequizados. Entre eles estavam os Tucuju. Essa missão ficava localizada, segundo Acuña, às proximidades de Almeirim e Macapá. Além da pressão exercida pelos jesuítas, que proliferam numa espécie de binômio catequese- submissão ao colonizado, por volta de 1650 um fator muito forte iria dizimar parte dos grupos de missões: a peste bubônica, a malária e o sarampo. De origem tupi, o vocábulo Tucuju é uma transliteração de Tucumã, espécie de palmeira natural da Amazônia (A. Princeps Var Sulphurium), com frutos graúdos e oleosos usados na feitura do vinho, licor e mingau. Colonizadores e aventureiros, no início do século XV, levantaram propostas visando a criação da Província dos Tucuju, com a tentativa de resgatar o nome, em homenagem aos habitantes primitivos, mas isso não passou do papel. Arthur Cezar Ferreira Reis nos informa que a população desses índios na fasede maior ebulição demográfica, não passou de duas mil pessoas. Ele menciona também que esses Tucuju eram muito acessíveis e que, inicialmente fizeram amizade com os franceses possibilitando, assim, o contrabando e a descoberta de veios auríferos entre a região que vai do Oiapoque a Saint Georges. Isto, sem dúvida alguma, representou uma ameaça à soberania portuguesa que, no período das fortificações, construídas ao longo do vale do Oiapoque, provocou um verdadeiro êxodo dessa gente para o outro lado, onde se aculturavam e passavam a viver como "civilizados". Muitos desses índios e índias passaram a residir em Paris, como retribuição à "ajuda" que eles deram ao governo francês, na localização das minas de ouro. O tratamento grosseiro atribuído a portugueses como Bento Maciel Parente e seus filhos, a essa gente, consistia em castigos excessivos, assassinatos, estupros, exploração doméstica e sexual das índias jovens, e foram propícios a que esses índios se fizessem amigos dos "louros de fala macia" (franceses), que ao contrário dos lusos, passaram a presenteá-los com aves (frangos, galos, perus) exóticas, espelhos, pentes etc, além de viagens a Paris, de onde sempre não retornavam. Essas "vantagens" proporcionadas pelos franceses aos Tucuju tiveram forte repercussão na Coroa portuguesa que resolveu, com a ajuda dos jesuítas, mudar de estratégia. Assim, chegaram ao Cabo do Norte várias galeras, com presentes vindos até de outras colônias, constituídos de sedas, utensílios domésticos e pagamentos de vantagens a todos que conseguissem fazer dos Tucuju seus amigos. Assim, a Carta Régia de 27 de novembro de 1699 estabelecia "que todos os portugueses deverão dispensar aos Tucuju um tratamento especial, levando- os a terá uma vida mais respeitosa". Estavam incluídas no referido documento, imposições de penas a quem contrariassem a ordem régia, assim como menções honrosas a quem cumprisse integralmente os preceitos da Carta. Mas já era tarde demais. A maioria dos Tucuju migrou para a região das Guianas, aculturando- se. Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 28 Os que ficaram, os mais velhos, foram desaparecendo aos poucos até se extinguirem completamente, em 1758. FAZENDO VOCÊ APRENDE: 44 – A quem o texto se refere como gentios? 45 – o que você argumenta para justificar que os colonizadores queriam apenas explorar a terra? 46 – que vantagens os franceses ofereceram aos tucujus para tentar ocupar o território? 47 –o que fizeram os portugueses para se contrapor as estratégias colonizadoras dos franceses? 48 – o que pretendia a coroa com a seguinte determinação? "que todos os portugueses deverão dispensar aos Tucuju um tratamento especial, levando-os a terá uma vida mais respeitosa". OS INDÍGENAS DO AMAPÁ Karipuna A maior parte da população indígena que atualmente se define como Karipuna encontra-se nas margens do rio Curipi, principalmente no seu baixo e médio curso, na Área Indígena do Uaçá. Além das quatro aldeias maiores e principais, Manga, Espírito Santo, Santa Isabel e Açaizal, existem várias localidades residenciais dispersas ao longo do rio Curipi: Zacarias, Inglês, Mahipá, Txipidon, Paxiubal, Bastião, Campinho, Kutiti, Tauahu, Xato, Bovis, Taminã e Japim. Apesar da dispersão, cada uma dessas localidades reconhece sua conexão com uma das quatro aldeias maiores. Na BR-156, que liga as cidades de Oiapoque e Macapá, estão localizadas mais três aldeias Karipuna: a aldeia Piquiá, no Km 40, a aldeia Curipi, no Km 50, e a aldeia Estrela no Km 70. Esta estrada corta a área indígena do Uaçá justamente na região das cabeceiras dos rios Uaçá, Curipi, afluentes e da zona de reservas faunísticas, onde são realizadas expedições de caça e coleta de frutas silvestres e de onde se retira a madeira para construção de casas, barcos e canoas. Esta região sempre foi vítima de caça e pesca predatória, e com a abertura da BR-156 o acesso de invasores ficou ainda mais fácil. Há ainda, mais duas aldeias Karipuna situadas no rio Oiapoque: Ariramba, situada dentro da Área Indígena Galibi e, Kunanã, localizada na Área Indígena do Juminã. A paisagem natural dessas reservas é caracterizada pela presença de uma extensa bacia hidrográfica constituída pelos rios Oiapoque, Curipi, Urukauá, Uaçá e Cassiporé. Com exceção do rio Oiapoque, cuja nascente está fora e distante das reservas indígenas, a paisagem que caracteriza os alto e médio cursos dos demais rios é a florsta tropical de terra firme, de onde provém a madeira e a caça de que precisam esses povos. As agências que atuam entre os Karipuna, que atualmente contam 1.656 pessoas (Funai 1998), são a Funai, o Cimi e a FNS. MÃOS À OBRA: 50 – Elabore um texto sobre o modo de vida, local em que vivem, origens e outras informações importantes como hábitos alimentares, sobre os índios karipuna. Palikur Os Palikur, falantes de uma língua Aruak, estão localizados nos dois loados da fronteira Brasil-Guiana Francesa. A população em território brasileiro, estimada em 862 habitantes (Funai, 1998), eistribui-se em 10 aldeias (Kumenê, Flecha, Puwaytyket, Kamoywa, Tawary, Monge, Urubu) assentadas nos tesos que se levantam ao longo do rio Urucauá, afluente da margem direita do rio Uaçá. Localizada no extremo-norte do Estado do Amapá, a bacia do rio Uaçá, compreende dois afluentes, o Curipi e o Urucauá. Das cabeceiras dos três rios até próximo ao curso médio a vegetação é de terra firme mas, a partir do curso médio seguindo em direção à foz, a vegetação muda e é tomada por campos alagados, entrecortados por terras mais elevadas que permitem a ocupação humana. Do lado francês, os Palikur vivem dentro do perímetro urbano de Caiena e Saint Georges de L´Oyapock, em bairros construídos pelo governo especialmente para abrigá-los, e em aldeias localizadas na margem esquerda do rio Oiapoque. As terras ocupadas pelos Palikur fazem parte da Área Indígena do Uaçá e são contíguas à Área Indígena do Juminã (homologada pelo decreto s/N de 21 de maio de 1991). Além dos Palikur, muitos falam ou compreendem o patuá, utilizado como língua indígena pelos Karipuna e pelos Galibi-Marworno. Do lado brasileiro, a maioria dos jovens escolarizados e alguns homens falam o português. Na Guiana, por influência da escola francesa, quase todos falam o francês, com exceção dos mais velhos e de algumas mulheres. As agências de contato que atuam entre os Palikur atualmente são a Funai, que possui um Posto Indígena na aldeia Kumenê e cujo chefe é um Palikur; a FNS, e a Secretaria de Educação do GEA. Durante cerca de 12 anos (1965 a 1977), um casal de missionários linguistas do Summer Institute Of Linguistics (SIL), trabalhou junto aos Palikur. Sua base foi a aldeia Kumenê, na qual, em meados da década de 1980, foi construída uma igreja filiada à Igreja Evangélica Assembléia de Deus. A maior concentração da população nesta aldeia deve-se ao grande número de pessoas convertida ao credo pentecostal. Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 29 MÃOS À OBRA: 51–Elabore um texto sobre o modo de vida, local em que vivem, origens e outras informações importantes como hábitos alimentares, sobre os índios palikur. Galibi Os Galibi do Oiapoque - Galibi é a autodenominação de um grupo indígena que vive no Oiapoque e de outro que vive na Guiana Francesa, nos rios Maroni e Mana. Na Guiana Francesa eles se definem como Kaliña, tendo Galibi como designação genérica utilizada pelos europeus para se referir aos povos de fala Caribe do litoral das Guianas. Os Galibi são poliglotas. Além de manterem parcialmente sua língua original, falam também o patauá, língua geral utilizada no contato com as outras etnias da região. Falam o português e usam esta línguana aldeia e para os contatos externos. Conhecem o francês, pelo menos os mais velhos que foram alfabetizados e educados nesta língua, e entendem um pouco do patuá holandês. A aldeia São José dos Galibi permanece onde foi instalada em 1950, quando o grupo chegou na área. Localiza-se na margem direita do Oiapoque, logo abaixo da cidade de Saint Georges, em um trecho de terra firme cercado de roças familiares e mata. Atualmente a aldeia conta com sete casas, habitadas em média por duas pessoas. Muitos Galibi vivem fora da aldeia, nas cidades de Oiapoque, Macapá, Belém e Brasília. Os que habitam a cidade do Oiapoque, muitos deles funcionários públicos, sempre voltam à aldeia nos fins de semana e durante as férias. Os que habitam outras cidades visitam esporadicamente seus parentes. Apesar de um aumento demográfico, o número dos que permanentemente residem na aldeia tem diminuído: eram 38 em 1950, 28 em 1994 e 25 em 1999. A aldeia São José dos Galibi é também a sede do PI Galibi. Há um chefe de posto da Funai que é um índio Karipuna da aldeia de Santa Isabel e que também é enfermeiro. O líder da comunidade, Geraldo Lod, tem mantido uma atitude de autonomia mas de bom relacionamento com a Funai. Ele escolhe e avalia os funcionários da aldeia que hoje são apenas o chefe de posto e o professor. Participa das assembléias dos Povos Indígenas do Uaçá e de movimentos coletivos reivindicatórios. As terras ocupadas pelos Galibi correspondem basicamente ao território onde se instalam em 1950. Constituem a Reserva Galibi com uma superfície de 6.689,928 hectares, conforme a portaria nº 1.369/E, de 24 de agosto de 1962, e homologada em 1982 (Diário Oficial da União de 22 de novembro de 1982. MÃOS À OBRA: 52 – Elabore um texto sobre o modo de vida, local em que vivem, origens e outras informações importantes como hábitos alimentares, sobre os índios Galibi. Galibi Marworno A denominação Galibi Marworno, hoje assumida pelos índios do rio Uaçá, revela uma população heterogênea, composta por descendentes de povos Caribe e Aruaque (Galibi, Maruane e Aruã), antigos habitantes da Guiana Francesa, sul do Amapá e bacia do Uaçá. Um certo número de moradores, por outro lado, é descendente de regionais e de imigrantes não- índios que se casaram com índias do Uaçá. Os índios, até pouco tempo atrás, não se auto- denominavam desta forma. Eles se identificavam como "do Uaçá" na época em que viviam dispersos em grupos locais, nas ilhas do Alto Uaçá. Mais tarde, a partir do final de década de 40, na época do SPI (Serviço de Proteção ao Índio), quando instalados no Village Sainte Marie em Kumarumã, passaram a se identificar, em conjunto, como Galibi e, mais recentemente, orientados pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e com a autorização do ex-chefe Manoel Floriano Marcial, como Galibi-Marworno, se diferenciando assim dos Galibi de Oiapoque. A língua dos Galibi-Maworno históricos entrou em desuso há pelo menos 100 anos, mas um número expressivo de palavras, especialmente referentes à fauna e avifauna, continuam sendo utilizadas. Em alguns cantos xamânicos, por exemplo, é possível verificar trechos em "língua antiga". Orientados pelo SPI, os Galibi-Marworno vivem, desde o final dos anos 40, concentrados em uma única aldeia, Kumarumã, na margem esquerda do uaçá. Essa "união" é considerada, pelo menos até hoje, motivo de orgulho. As terras ocupadas pelos Galibi-Marworno fazem parte da Area Indígena do Uaçá, com uma superfície de 41.164,036 hectares, homologada pelo Decreto nº 298 (Diário Oficial da União, 30 de outubro de 1997). Na década de 70, tendo em vista as reivindicações pela demarcação da terra e da luta política para diminuir os danos da Rodovia BR-156 dentro da área indígena, lançou-se mão da designação "Povos Indígenas do Oaipoque". Posteriormente, em 1991, foi criada a Associação dos Povos Indígenas do Oaipoque (Apio), para representar todas as etnias desta região. Assim como os Karipuna, os Galibi elegeram vereadores, em mandatos sucessivos, na Câmara de Vereadores de Oiapoque e, em 1996, o índio João Neves foi eleito prefeito do município de Oiapoque. As agências que atuam entre os Galibi-Marworno são a Funai, a FNS e a Secretaria de Educação do GERA. O Cimi, por sua vez, orienta programas de Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 30 educação em kheuol (criolo) além das atividades religiosas. Desde 1998 também atuam na aldeia um casal de missionários evangélicos da Missão Novas Tribos do Brasil. A população Galibi-Marworno está aumentando significativamente nos últimos anos, e conta com 1631 pessoas, sendo 1509 de Kumarumã, 34 de Tukay e 88 de Uahá (Funai, 1998). MÃOS À OBRA: 53 – Elabore um texto sobre o modo de vida, local em que vivem, origens e outras informações importantes como hábitos alimentares, sobre os índios Galibi marworno O GRÃO-PARÁ NO PERÍODO PRÉ- POMBALINO: 1700 - 1755 A história de ocupação da Costa Setentrional do Grão-Pará faz parte de um processo histórico que envolve, fundamentalmente, dois períodos bastante amplos, que apresentam algumas semelhanças: a priori, devemos estabelecer o ano de 1755 como marco cronológico para a compreensão deste contexto. Além do mais, foi nesse ano que Sebastião José de Carvalho e Melo ou Marquês de Pombal instituiu o diretório dos índios, principal elemento de análise desse momento histórico. Da Ocupação Espiritual à ocupação Laica (não eclesiática) do Grão-Pará: Com tudo o que foi exposto até o presente momento, significa dizer que antes de 1755 (o período pré-pombalino, portanto) o Grão-Pará esteve enquadrado no contexto do poder religioso dos padres da Companhia de Jesus, cujo poder eclesiástico em muito contribuiu para os primeiros passos do processo de consolidação do domínio lusitano na região. Também na primeira metade do século XVIII, alguns elementos devem ser lembrados dentro da historiografia amazônica como por exemplo a dinâmica da ocupação espiritual através dos descimentos e aldeamentos missionários, local onde os padres aplicavam uma pedagogia religiosa no processo de liberação da mão-de-obra indígena. Isso ocorre, pois, ao mesmo tempo em que os indígenas apresentavam baixo grau de civilidade, estes não estavam ―prontos‖ para o trabalho a serviço de El Rei de Portugal. Nesse caso, percebemos que a ocupação econômica dependia em última instancia de fatores de ordem religiosa – daí a importância da ação missionária. O Estado Lusitano, mediador desse processo histórico, atribuiu já em 1686 através do documento conhecido como regimento das missões, o poder espiritual associado ao poder temporal o que conferiu amplos poderes aos jesuítas. Apesar do caráter religioso da ação da companhia de Jesus, não se pode esquecer também do econômico, uma vez que a economia do período pré-pombalino gravitou em torno da extração das drogas do sertão. Nessa modalidade econômica caracterizada pela garimpagem vegetal, a mão de obra do nativo amazônida foi fundamental no seu desenvolvimento – mas para isso seria necessário a mobilização de grupos indígenas para as ―aldeias artificiais‖ conhecidas como aldeamentos. A ação missionária foi de fundamental relevância no processo de consolidação do domínio português por esses rincões setentrionais. Tanto que o próprio Mendonça Furtado, então governador do Grão-Pará, em várias correspondências trocadas com seu irmão Marques de Pombal informava-lhe sobre a importância que deveria ser atribuída aos inacianos ou jesuítas: (...) É preciso assentar que cada religião desta forma, em si mesma, uma república; nela se acha toda a casta de oficial; nela há pescadores; nela há os grandes currais e, por conseguinte, são senhora das carnes, e das pescarias, tanto de peixe comode tartarugas, porque todas são feitas pelas suas canoas e pelos seus índios, sem que haja uma só canoa que sirva ao publico neste útil trabalho. As manteigas das mesmas tartarugas são também feitas por ordem dos missionários; finalmente, todos os viveres são das religiões, à exceção de alguma pequena parte que algum morador, ainda que raro, manda fabricar (...) Nesse trecho acima podemos perceber o poder e o controle exercido pelos jesuítas sobre determinados setores produtivos, como conseqüência direta do controle que detinham de diversos grupos indígenas. Para atender a um dos objetivos deste trabalho faz-se necessário uma análise mais detalhada daquele que é considerado o esteio da ocupação espiritual da Amazônia – os descimentos. O padre João Daniel, que viveu na Amazônia entre 1741 e 1757, como testemunha ocular de muitos fatos da época, remete-nos a uma melhor compreensão desse mecanismo de cooptação e mobilização das nações indígenas. Os descimentos eram expedições que subiam os rios em busca de índios ―dispostos‖ a receber a carga ideológica católica, através do sistema de aldeamentos. Com o argumento de que lhes dariam proteção e segurança, os jesuítas muitas vezes precisavam utilizar estratégias mais elaboradas para convencer os indígenas a descer os rios. Segundo o padre João Daniel, ―pouco a pouco os ir acariciando, e conquistando com dádivas, para lhes ir entranhando amor, e para lhes fazer conhecer que os não buscam para fazer escravo, mas para os fazer tratar como filhos (...)‖ A grande conseqüência da lusitação católica foi a mudança no estilo de vida tribal de diversos grupos indígenas amazônidas, isso porque um dos projetos, tanto dos inacianos quanto do próprio diretório Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 31 pombalino, era a transformação do índio selvagem em índio gentio – aquele que estaria em condições de ser usado como mão de obra na produção de riquezas. Ora, os índios descidos eram introduzidos num outro ―mundo‖ bastante diverso do seu; obrigado a aceitar a carga cultural européia, privados de sua própria liberdade como ser humano. Destarte, apesar das reações à evangelização católica, pois muitas vezes os nativos desconfiados abandonavam os aldeamentos, isso quando não atentavam contra as vidas dos jesuítas. Portanto, ocupação espiritual, miscigenação e conflitos são apenas alguns dos principais ingredientes da lusitação pela hinterlândia (Amazônia) brasileira. O estado metropolitano, segundo podemos perceber através da leitura de trechos das cartas de Mendonça Furtado a Marquês de Pombal, demonstra a necessidade de controlar o ímpeto das ordens religiosas que inúmeras vezes acumulavam demasiados poderes; além do mais, os padres acabavam por controlar o excedente de trabalhadores braçais, deixando os colonos civis sem mão de obra. Assim, segundo ALMEIDA ―(...) V. Exa. Sabe muito bem que nestas terras pelo numero de escravos é que se medem as riquezas (...) enquanto não se tirar o domínio dos regulares das aldeias eles serão senhores de todas as riquezas desse estado‖. Entretanto, não se pode deixar de citar que não eram apenas os membros da companhia de Jesus que promoveram a ocupação espiritual da hinterlândia brasileira; religiosos de Santo Antônio, Carmelitas, Mercedários, capuchos da piedade, frades da conceição da Beira e Minho, vieram para a grande tarefa evangelizadora – conceito que guarda muito da ideologia no sentido marxista do termo, pois foi distorcendo a realidade que os padres conseguiam capturar os índios de suas tribos para os aldeamentos. Sem a ação desses aventureiros, seria mais difícil explicar a rapidez e a segurança do domínio político lusitano. Segundo Arthur C. F. Reis desde 1616 os primeiros grupos de padres chegaram: os frades de Santo Antônio, trazidos por Custódio Frei Antônio da Merciana. Segue o mesmo autor afirmando que os mesmo religiosos ajudaram os portugueses na luta contra os franceses no Maranhão (...) haviam ajudado eficientemente na guerra aos franceses, solicitados à ordem, como capazes para o descobrimento do terreno, produziram eficazmente (...)‖.O que podemos perceber é que a ação dos missionários não era apenas a de catequizar os nativos, além de liberar a mão de obra indígena, civilizá-los e educá-los, ainda coordenavam os indígenas no momento em que estes ajudavam os portugueses na luta contra os hereges – estrangeiros como eram denominados na época. Os franceses haviam se instalado em Caiena desde meados do século XVII, data a partir da qual intentaram por muitas décadas a conquista forçosa da área que corre do estuário do Amazonas até o Oiapoque. A estratégia utilizada pelos franceses, dentre outras, era a sedução aos gentios, traficando e comerciando com os mesmos, criando laços de amizade e ―deslocando‖ lentamente a fronteira ao sul da guiana francesa. Tanto que ―(...) em 1697 os franceses por ordem do Marques de Ferrol, governador de Caiena e que, já tentara assustar as guarnições dos fortins de Macapá, atacando-nos, deles se apoderaram, sendo expelidos pouco depois pelos capitães Francisco de Souza Fundão e João Moniz de Mendonça". ATIVIDADE PARA APROFUNDAR MAIS 54 –apresente características da região do Amapá no período pré pombalino 55 – que marca o ano de 1755? 56 – que ações desenvolveram os padres jesuítas durante o período pré pombalino? 57 – apresente uma definição para a expressão descimentos 58 –retire uma frase que mostre o interesse Frances sobre a região do Amapá 59 – alem da tarefa de catequisar, qual outra tarefa era desenvolvida por missionários no Amapá? TEXTO COMPLEMENTAR Os índios Catequizados e as Aldeias de Repartição. Os descimentos: as aldeias de repartição José Ribamar Bessa Freire Márcia Fernanda Malheiros Esses aldeamentos missionários, chamados também de "aldeias de repartição", estavam integrados ao sistema colonial, funcionando como uma espécie de "armazém" onde os índios, uma vez descidos, eram estocados. Aí, depois de catequizados, eram alugados e distribuídos - repartidos - entre os colonos, os missionários e o serviço real da Coroa Portuguesa, para quem deviam obrigatoriamente trabalhar em troca de um pagamento, por um determinado período - que variou de dois a seis meses - findo o qual deveriam ser devolvidos à aldeia. Por isso, a documentação oficial os registra como índios de repartição, ou ainda impropriamente como índios livres para melhor distingui-los dos índios escravos. Para eles, os jesuítas desembarcados com o primeiro governador--geral deveriam criar aldeias especiais, que serviriam de núcleos de cristianização e centros de "conversão do gentio à nossa santa fé católica", conforme previsto por D. João III, que formula os princípios norteadores da catequese no Regimento a Tomé de Sousa. Desrespeitando a localização das malocas tradicionais, as aldeias missionárias foram Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 32 efetivamente situadas em locais próximos aos povoados portugueses. Possuíam uma igreja ou capela, uma escola e casas para cada família, bem diferentes das malocas comunitárias e da vida que os índios levavam em suas aldeias de origem. Seu objetivo principal era mesmo concentrar os índios, de nações e culturas diferentes, em um local de fácil acesso, onde pudessem ser catequizados e "civilizados", aprendendo os princípios da religião cristã e certos valores como obediência e disciplina, que os tornavam aptos para serem integrados ao sistema colonial como força de trabalho. No século XVI, os missionários administraram as aldeias com exclusividade, detendo o poder espiritual e o poder temporal sobre elas. No século XVII, quando a mão de obra indígena havia se tornado escassa, os padres tiveram que compartilharo poder temporal com os colonos que, em vários momentos, obtiveram - e depois perderam - o direito de governar essas aldeias. Pela Lei de 1611, por exemplo, os descimentos continuavam exigindo a presença de um missionário, mas passaram a ser realizados com escolta militar e comandados por colonos que tinham a função de "capitães de aldeia", com o poder de repartir os índios aldeados. Legislação posterior de 1639 devolveu o controle aos missionários, o que revoltou os moradores, que ameaçaram expulsar os jesuítas do Rio de Janeiro. A legislação, determinando quem controlava os índios, mudava freqüentemente, mas a repartição nunca deixou de ser feita. Todos os índios aldeados, homens e mulheres em idade de trabalhar, eram obrigados periodicamente a prestar serviços dentro e fora da aldeia, num sistema rotativo em que uma parte dos índios trabalhava nas roças da aldeia, enquanto a outra parte exercia suas atividades fora dela, em geral nas plantações, fazendas e estabelecimentos dos moradores portugueses. Como remuneração, os índios aldeados ganhavam alguns metros de pano de algodão, tecido pelas próprias índias. A condição de vida e de trabalho deles não diferia muito daquela dos índios escravos: jornada excessiva de até 14 e 16 horas, alimentação inadequada e insuficiente, castigos e maus tratos. Por isso, sempre que podiam, fugiam das aldeias, cujo constante esvaziamento era causado em grande parte por essas fugas, mas também pelo fato de que muitos moradores não devolviam os índios às aldeias no prazo estipulado e criavam mecanismos para retê-los de forma permanente em seus estabelecimentos particulares. APÓS A LEITURA DO TEXTO ACIMA, RESPONDA: 60) Defina aldeamentos; 61) Caracterize o espaço físico de um aldeamento; 62) Especifique a relação entre missionários e indígenas dentro dos aldeamentos; 63) Quais os objetivos principais dos aldeamentos; 4º BIMESTRE - Características gerais da ocupação do Amapá colonial O AMAPÁ COLONIAL NO CONTEXTO DA EXPANSÃO MARÍTIMA EUROPÉIA Desde o século XVI, os navegadores portugueses, espanhóis, franceses, ingleses e holandeses, cobiçavam as terras da Amazônia. A cobiça da região era incentivada pela possibilidade de ampliar seus domínios ultramarinos através da teoria do uti possidetis (quem tem de fato e constrói alguma benfeitoria, tem de direito). Assim foi que Carlos V da Espanha concedeu a Francisco Orellana o título de Adelantado de Nueva Andaluzia. Esse título dava a Orellana o direito de explorar as terras à Oeste de Tordesilhas. A guiana brasileira ou Amapá foi alvo de diversas invasões estrangeiras, devido à sua localização geográfica, na embocadura do rio amazonas, por onde é mais fácil penetrar. As constantes incursões de estrangeiros levou os portugueses a tomar uma decisão imediata: povoar para não perder as terras ao norte; foi assim que os portugueses adotaram a chamada política de fortificações que garantiu a presença física e militar contra possíveis invasões. Destacamos o forte Cumaú, fundada pelos ingleses depois destruídas pelos portugueses; o forte do presépio (1616) em Belém do Pará; e principalmente a fortaleza São José de Macapá (1782). Durante a construção da fortaleza São José de Macapá, foram usadas pedras do rio pedreira, com mão de obra escrava, tanto indígena como negra. Responda no seu caderno: 1) o que levou os portugueses a se decidirem pela ocupação do Amapá? 2) Em que consistia a politica de fortificações adotada pelos portugueses? A CAPITANIA DO CABO NORTE: uma capitania hereditária QUAIS as características de uma capitania hereditária? Trata-se de um modelo de ocupação e administração das terras coloniais, em que a metrópole por algum motivo (geralmente falta de recursos financeiros) repassa essa tarefa a terceiros ou particulares. A posse da terra transformada em capitania é regulamentada por um documento denominado carta de doação e os direitos e deveres de quem recebia a terra eram regulamentados pelo Foral: de acordo com esses documentos o donatário não seria considerado dono da terra, mas apenas administrador; tinha o direito de fundar vilas e povoados, conceder sesmarias, receber a redízima (1/10 parte das rendas que iriam para a coroa) e a vintena (5% sobre o valor arrecadado com o pau-brasil e a pesca). Além disso Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 33 poderia cobrar tributos sobre as salinas, moendas e engenhos. Na realidade o Brasil colônia, as capitanias foram praticamente um fracasso, sendo que a do cabo norte nem chegou a ser ocupada pelo seu donatário Bento Maciel Parente. Portugal e suas colônias em 1580, devido a morte do rei D. Sebastião e pelo fato de não haver o mesmo deixado herdeiro, passaram para o domínio da Espanha, formando a União Ibérica. Essa aliança praticamente anulou o Tratado de Tordesilhas, proporcionando aos portugueses iniciarem a conquista da Amazônia, com o estabelecimento de um posto militar em 1616, o Forte do Presépio, que deu origem à atual cidade de Belém. Bento Maciel em 1627, viajou à Espanha para explanações às Cortes Espanholas das ações militares no combate aos invasores e para defender a necessidade imediata de ocupação do delta do rio Amazonas, com sua efetiva colonização. Seus argumentos foram convincentes, mas somente em 14 de julho de 1637, o rei Felipe IV, decidiu-se pelo povoamento da área, criando a Capitania Cabo do Norte, compreendendo as Terras que hoje são amapaenses, até o rio Paru. Bento Maciel Parente assumiu a condição de Capitão donatário após ouvir as seguintes determinações: ―...onde cuidareis em estabelecer não só povoações mas também logo alguma defesa, para fazer a barreira desse estado por essa parte, evitando por essa forma as desordens e conquista por esta parte podem fazer os franceses e holandeses...‖ A Capitania foi doada a Bento Maciel Parente, que não chegou a se estabelecer na área ou mesmo determinar sua colonização, por não dispor de recursos financeiros para bancar o empreendimento, e como militar, estava envolvido no combate a invasores estrangeiros. O capitão tinha o dever de instituir povoados, estabelecer alguma forma de econômica e cuidar de estabelecer o catolicismo. Ademais, em 21 de janeiro de 1638, foi nomeado governador e capitão- general do Estado do Maranhão, permanecendo no cargo até 04 de setembro, já sob a restauração da Coroa Portuguesa. O donatário da Capitania do Cabo do Norte, Bento Maciel Parente, faleceu em São Luiz em 1645, deixando como herdeiros, os filhos de Bento Maciel Parente e Vital Maciel Parente que também não providenciaram a colonização dessa propriedade. Faleceram sem deixar herdeiros, o que levou, ainda no século XVII, a concessão retornar para o domínio do governo português, que a anexou à Capitania do Grão- Pará. OBS.: No momento em que Bento Maciel assumiu a capitania do Cabo Norte, a costa do Amapá era ocupada por tribos do grupo Tucujus e Aruãns. FAZENDO VOCÊ APRENDE MAIS: 3 – O que é uma capitania hereditária? 4 –que características do território entregue a Bento Maciel Parente a tornavam uma capitania? 5 – o que estabeleciam os documentos entregues a Bento Maciel? Ele cumpriu essas desterminaçoes dos documentos? 6 –que fato foi responsável por anular o tratado de Tordesilhas? Por que isso favoreceu a ocupação da amazonia? 7 – a capitania do cabo norte foi um sucesso ou fracasso? AS EXPERIÊNCIAS NO CABO NORTE ANTES DA FUNDAÇÃO DE MACAPÁ O primeiro momento da história do Grão-Pará, como trabalhamos anteriormente, refere-se à ação missionária como elemento fundamental de ocupação da costa setentrional do Grão-Pará. Entretanto, buscamos analisar outras formas de compreender a ocupação dessas terras a partir de outros personagens como traficantes, viajantese aventureiros, e etc. Em 1750, com a assinatura do Tratado de Madrid, ocorreu um maior incremento na política ocupacional da Amazônia. Naquele momento Portugal estava dando incentivo à imigração para o Brasil; primeiro, o grupo de açorianos que iriam para o Rio Grande do Sul fundar o porto dos casais – hoje cidade de Porto Alegre. Posteriormente, seguindo a mesma lógica, em 1752, Mendonça Furtado mandou para a região onde localizava-se o antigo forte de Santo Antônio de Macapá um grupo de ilhéus açorianos, que tinham recebido a promessa de receber terras para cultivo – os mesmos que vieram a fundar São José de Macapá em fevereiro de 1758. A tendência mais usual é atribuir ao Cabo norte uma inoperância no período anterior a 1758, quando da fundação da Vila de São José de Macapá. Entretanto, sabemos que as mais recentes pesquisas históricas sobre aldeamentos modificam um pouco essa afirmativa e abre um leque de possibilidades quanto às análises dos descimentos; referimo-nos à exclusividade dos missionários e sua tutela sobre os aldeamentos. Entretanto, Nírvia Ravena defende a assertiva de que: ― para verificar a possibilidade de um aldeamento indígena não criado nem tutelado por missionários, o governador plenipotenciário [Mendonça Furtado] operou uma interessante burla das recomendações reais. Contratou um reconhecido traficante de índio, para iniciar um aldeamento denominado Sant‘Ana às margens do rio Matapi‖. Os aldeamentos e descimentos efetuados na região que estamos analisando não possuem muito de inovador. Mas porque a opção de Mendonça Furtado por particulares e não pelos missionários na tutela dos aldeamentos? A resposta a essa pergunta já foi feita Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 34 anteriormente mas de forma indireta, qual seja: de que o poder dos missionários estava por demais grande, concorrendo com o próprio estado luso. Daí a necessidade de quebrar com a universalidade do poder temporal dos missionários. VAMOS APROFUNDAR O TEMA: 8 – que experiências o Amapa experimentou antes mesmo da fundação das primeiras vilas? 9 –que grupo tinha autonomia e controle sobre as tribos que habitavam o cabo norte antes das primeiras vilas? 10 – de que maneira os missionários atuavam na ocupação do espaço colonial? 11 – por que Mendonça furtado resolveu expulsar os jesuítas da região amapaense, ao assumir o governo do Grão Para? A PRESENÇA ESTRANGEIRA NA COSTA SETENTRIONAL DO GRÃO-PARÁ. ―Como S. Maj. Defende com repetidas ordens todo o comércio com Caiena, cuja praça nos fica tão vizinha daquela povoação, será preciso que V. Mercê proíba e vigie com todo o cuidado que por nenhum caso ou acontecimento que haja, possam ter os ditos povoadores comunicação com a dita praça, e ao que transgredir esta ordem prenderá V. Mercê logo e mo remeterá a esta cidade para o castigar exemplarissimamente, na conformidade as leis de S. Majestade‖. Nesse trecho, podemos perceber que a região onde hoje se localiza Macapá e adjacências envolveram muita atenção por parte de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, então governador do Grão-Pará e Maranhão, região que aparece como um núcleo importante para o projeto colonizador português na Amazônia setentrional. A história da costa setentrional do Grão-Pará é a historia das disputas internacionais, especialmente com a França. Por isso, devemos considerar as constantes incursões promovidas por diversos países estrangeiros nessa área de fronteira internacional. Aliás, a respeito disso, deve-se salientar que o norte do Grão-Pará – o Amapá Colonial, portanto - possui uma característica que não chega a ser única na realidade amazônica, mas que representa um ingrediente a mais na história amapaense. Estamos falando da fronteira internacional com a Guiana Francesa, separado pelo Rio Oiapoque – motivo de disputas, aliás, em torno de metais preciosos no final do século XIX. Sobre a política de fortificações O prof. Adler Homero, quanto á política de fortificações sustenta que: ―como resposta à ameaça foi erguido o que talvez seja o maior monumento à engenharia militar portuguesa no Brasil, ou seja, a fortaleza São José de Macapá. Imensa e bem construída, essa fortificação se ajustou razoavelmente às propostas do Marquês de Pombal para a região, servindo de prova efetiva e tangível de que a coroa portuguesa era a proprietária do Cabo Norte e de que qualquer pessoa que tentasse disputar a posse teria de superar esse gigantesco obstáculo antes de atingir seu objetivo. A fortaleza passava a ser o verdadeiro ‗fecho do império‘ na foz do Amazonas‖. Nesse contexto de disputas internacionais o Amapá aparece, indubitavelmente, como o maior motivo de preocupação por parte das autoridades metropolitanas, como podemos perceber nas palavras de BAENA: devido as disputas entre portugueses e franceses por volta de 1678, passou-se a ―explorar as terras austrais do rio Oiapoque‖, que pertenciam a Portugal desde 1636. Além disso, era constante o comércio clandestino entre franceses e grupos indígenas, que representava grande perigo ao domínio lusitano na referida região. Esse comércio era representado por produtos com tijolo, arroz, farinha e outros viveres, fundamentais para a demarcação francesa na fronteira colonial com o Amapá. A coroa portuguesa, através do Conselho Ultramarino procurou proibir essa prática ilegal chegando a concretizar por três vezes expedições militares para coibir tais contatos, em 1721, 1723 e 1724. Esse simples ato comercial representava uma grande ameaça para as autoridades lusitanas. Através de um interrogatório realizado em Macapá, em 1791, revelou-se como os pretos dos dois lados da fronteira se comunicavam e comerciavam, o que se pode perceber nas palavras dadas por um escravo de prenome Miguel: ‖(...) roças grandes e que os seus averes os vendiam aos franceses porque com eles tinham comércio e que eles mesmo lhe tinham dado um padre da companhia mas que esse já tinha morrido e que lhe tinham mandado outro (...) e que parte de seus companheiros tinham partido a fazer uma salga para o seu padre e outros que havia pouco tempo que tinham acabado de fazer tijolos para os franceses fazerem uma fortaleza (...)‖ Tão importante é estabelecermos uma relação entre a diplomacia internacional que discutia juridicamente a posse das terras do novo mundo, a teoria do uti possidetis ou uso capião e os debates em torno de diversos tratados. Um deles é o tratado provisional de 4 de março de 1700, estabelecido entre Portugal e França que obrigou, dentre outros, Portugal demolir os fortins de Macapá e Araguari. Já em 11 de abril de 1713, através do tratado de Utrecht, os franceses foram obrigados a devolver a região ambicionada pelos franceses aos seus verdadeiros e legítimos donos. Naquele momento histórico de disputas internacionais pelo controle do maior número de Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 35 colônias na América, Portugal e França travaram aquele que talvez tenha sido a maior de todas as relações litigantes. Por esse motivo o governo de Mendonça Furtado deve ser caracterizado pela constante preocupação de esquematizar a introdução de sítios estratégicos que posteriormente tornar-se-iam uma vila ou fortificação militar. Essa logística contribuiu para a definição de boa parte da atual configuração geopolítica das nossas fronteiras internacionais no setentrião. Deve-se atribuir, ainda, a Mendonça Furtado a importante tarefa de levar a cabo as demarcações determinadas pelo tratado de Madrid de 1750. Nesse caso, além da importância de estabelecimento de vilas e povoados para inibir a presença estrangeira, a construção de fortalezas e postos militares seria de grande valia para o projeto de ocupaçãoda costa setentrional do Grão-Pará, pela coroa lusitana. Isso podemos perceber nos documentos e cartas régias ordenando ao então governador do Grão-Pará o seguinte: ―Fareis o exame possível onde puderdes chegar, e encarregareis ao governador do Maranhão, que no seu distrito, faça a mesma diligencia para examinar as fortalezas e repará-las, quando for possível, como, também, para o estabelecimento de outras [...] e vos advirto que tanto esta fortaleza como todas as demais que se fizerem para defesa e segurança desse Estado, se hão de fazer de forma e modo que não pareça receio de nossos confinantes, havendo ao mesmo tempo a cautela precisa para que eles não nos surpreendam para que, pelos meios de fato, não renovem as pretensões antigas, e não queiram impossibilitar-nos para lhes disputarmos em todo o tempo por força‖ A diligencia ordenada pelo rei português teve a seguinte resposta dada por Mendonça Furtado a sua Majestade: ―No dia 24 de fevereiro saí desta cidade para a minha jornada de Macapá, aonde cheguei a seis de março e ali me dilatei com os trabalhos daquela nova povoação, até o primeiro dia de maio em que saí dela, fui pelo amazonas acima, vendo as fortalezas e aldeias que estão por aqueles rios até os prauxis [atual cidade de óbidos] de onde passei a parte sul, e depois de ver a Fortaleza dos Tapajós passei ao Xingú e dali ao Gurupá, e a todos os mais rios que se seguem, até essa cidade, aonde me recolhi em vésperas de São João [...] depois de ter andado mais de 600 léguas por infinitos rios e metido em um canoa‖ Ademais, uma das ações lusitanas nessa área de fronteira com a França foi o policiamento constante, dentro das possibilidades materiais e financeiras; o policiamento era feito por um órgão conhecido primeiramente como Regimento de Guarda Costa, mas que recebeu depois o nome de Regimento das Fronteiras. Artur C. F. Reis assinala sobre isso que : ―a vigilância tinha de ser constante, apurada, de vez que os concorrentes não dormiam, de quando em vez mesmo tentando incursões, localizando posições armadas, comerciando com o nativo, seduzindo-o, provocando confusão em torno da toponímia regional, promovendo incidentes a propósito de escravos que fugiam do Pará para Caiena e ali recebiam proteção, garantias(...)‖ No trecho acima podemos perceber que a área de fronteira representava um grande perigo para o domínio lusitano na parte setentrional da colônia; além disso, o perigo afetava também ao aspecto econômico, comercial e produtivo, pois é devido a facilidade de contato com os franceses, que escravos negros subiam ao norte para respirar a liberdade em território guianense. ATIVIDADE PARA PRATICAR: 12 –qual o interesse dos estrangeiros nas terras amapaenses na época colonial? 13 –os portugueses tinham receio quanto ao contato entre franceses e índios brasileiros. Explique isso através de uma frase retirada do texto anterior 14 – qual órgão responsável por fazer o policiamento da costa amapaense? 15 - conceitue politica de fortificações. 16 – procure informações sobre o que determinava o tratado de madrid; 17 – retire uma frase do texto que mostra a preocupação com a defesa do território amapaense 18 – o tratado de Utrecht foi favorável aos portugueses ou franceses? A FORTALEZA DE SÃO JOSÉ DE MACAPÁ: 1764 – 1782 A fortaleza de São José de Macapá foi construída pelo engenheiro Henrique Antonio Galúcio, no governo de Fernando de Costa Athayde Teive. Devemos salientar, inicialmente, que existe uma diferença entre diversas categorias dos postos militares construídos pelos portugueses: casas fortes e redutos seriam os menores; baterias e fortins de porte médio e os fortes propriamente ditos seriam de maior poder defensivo. Este último, no qual se enquadra a fortaleza de são José de Macapá que, aliás, é a mais completa e imponente de todas as existentes no Brasil. Uma característica importante dessa fortaleza , além de sua preservação quase perfeita, é o fato de possuir alguns elementos externos que aumentam seu poder defensivo e ofensivo. Essas construções complementares seriam a esplanada e o revelim: A esplanada era a o terreno que separava a fortificação das casas da cidade, para vigiar a área imediatamente em torno da posição. Recebia um Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 36 talude, começando no fosso e indo terminar na área mais próxima da cidade ou campanha. Este aterro servia a dois objetivos: diminuía o ângulo morto (local próximo aos canhões e que estavam fora do ângulo de fogo dos mesmos) e cobria as muralhas principais do bombardeio vindo da campanha. O revelim é o nome que recebe a fortificação em forma triangular ou de baluarte isolado, construído além do fosso, para cobrir as portas da fortificação, pontes, cortinas e outros pontos fracos. A fortaleza de são José possui alguns elementos da engenharia militar portuguesa que raramente são encontrados em outro forte no Brasil. Exemplo disso eram as casamatas para abrigar a guarnição, prédios à prova de bombas e esplanadas que até existem em alguns fortes mas não juntos como em São José. A casamata é um tipo de proteção contra bombardeio, pois os tetos espessos, cobertos por grossa e inclinada alvenaria ou colchões de terra davam segurança a quem estava abrigado sob ela. Havia, ainda, a canhoneira – espécie de abertura na muralha através da qual uma peça disparava tiros e permitia maior resistência a longos combates. Além do paiol de pólvora, numa engenharia muito bem desenhada com uma muralha em torno para canalizar a explosão de um ataque e um sistema de ventilação para proteger a munição. Essa ventilação seria bem arquitetada: eram aberturas no tamanho certo, não muito pequena pois a entrada do vento é importante, mas também não muito grande, pois se assim fosse algum inimigo poderia amarrar uma mecha acessa no rabo de um rato e explodir o paiol e o própria forte. Outro cuidado que os lusos tiveram no forte foram os fornos de balas ardentes: eram estruturas de ferro ou alvenaria destinados a aquecer as balas de artilharia até ficarem rubras, essas balas quando atingissem o navio inimigo causaria incêndios. O ultimo ponto relevante dessa brilhante engenharia foi o portão do forte, aliás os dois portões pois na realidade brasileira, são José é o único caso de possuir dois portões: um ligando a entrada ao revelim e outra ligando o revelim à esplanada. A construção desse forte se enquadra na política de fortificações do estado português na segunda metade do século XVIII. O engenheiro italiano Henrique Gallúcio veio a Amazônia com a comissão demarcadora de limites enviada para cá em função do tratado de Madrid de 1750. A mão de obra utilizada na construção do forte também foi um problema, além da falta de recursos, a ser pelo Estado. Artur Viana assim se expressou: ―é verdade que se mandou das aldeias mais próximas um contingente avultado de índios para se empregarem nas obras, mas a leva tapuia era perseguida pelas moléstias impiedosamente e por outro lado oprimida pela disciplina militar, bárbara e inclemente, dos que dirigiam os trabalhos, de sorte que a morte e a fuga despovoavam as pedreiras e as canoas‖. Nesse trecho podemos perceber a quantidade de índios que fugiam do trabalho na fortaleza. Durante o trabalho de construção, algumas moléstias acometeram vários trabalhadores, isso ocorre pois o local ao redor do forte era um imenso charco de águas paradas (lago, nos documentos da época) e atraia muitos vetores de doenças. Tanto que o próprio Henrique Gallúcio morreu vitima de uma doença comum na época, como podemos observar: ―em 27 de outubro de 1769, sucumbiu ele [o engenheiro encarregado A. Hs. Gallúcio] vitima, ao que se depreende da informação do cirurgião-mor,Julião Alves da Costa, de uma cacheria palustre (malária)‖. MÃOS À OBRA: 19 - Destaque um cuidado especial dado pelos portugueses quanto a eficiência dos ataques inimigos 20 –destaque um problema enfrentado pelos portugueses durante a construção da fortaleza 21 – com relação a mao de obra utilizada na construção da fortaleza, qual foi a maior dificuldade? 22 –qual a função da (o): a) revelim b) casamatas c) canhoneira As características da Fortaleza de São José A construção da Fortaleza de São José de Macapá foi autorizada no reinado de D. José I (Julho/1750 - Fevereiro/1777), que teve como primeiro ministro, o Marquês de Pombal, um representante do despotismo esclarecido. Pela sua grandiosidade esta Fortaleza, configura o particular interesse geo-político lusitano em garantir o domínio sobre as terras conquistadas com base no Tratado de Madri - Janeiro 1750, entre Portugal e Espanha, por onde se definiu os limites fronteiriço ao norte da colônia brasileira. Administrada diretamente pela Capitania do Gro- Pará e Maranho, a obra foi iniciada em 29 de junho de 1764. No mesmo ponto em que anteriormente se construíram os redutos de 1738 e 1761, veio a Fortaleza ser erguida estrategicamente na foz, pela margem esquerda do rio Amazonas, onde exerceria as funções de: impedir por esta via, a entrada de navios invasores; defender, abrigando no seu interior, os moradores da vila de São José de Macapá, caso sofressem ameaça de assédio; servir como base para o reabastecimento de um exército aliado; refugiá-lo na situação deste bater em retirada; servir como ponte de contra-ataque do inimigo; elo de comunicação e Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 37 vigilância entre as demais fortificações espalhadas pelo interior e fronteiras; assegurar a exploração dos produtos regionais (droga do sertão), e seu exclusivo comércio com a metrópole; manutenção da ordem soberana de Portugal na região. E comporia também uma cadeia de fortificações distribuídas ao longo do rio Amazonas e afluente visando proteção das incursões que estabeleciam comércio do escravo africano com o ouro do Peru. Contudo a Fortaleza de São José de Macapá nunca entrou em combate, realizando parte de suas funções estratégicas.Foi a Segunda comissão demarcadora de limites da Amazônia, ocupada com o levantamento das potencialidades econômicas regionais, quem recebeu através do governador da Capitania do Gro-Pará, a ordem imperial do planejamento de fortificação para Macapá. 23 - Desafio: procure informações sobre a diferença entre fortaleza, fortins e fortalezas Em seguida, a comissão composta de homens ilustres como: Joo Geraldo Gronfelds, Henrique Joo Wilkens, Domingos Sambucetti, Antonio José Landi, e dos astrônomos, Joo Brunelli e Miguel Antônio Clero, coordenados por Henrique Antônio Galúcio, estudaram os Tratados sobre Fortificações, de Manuel Azevedo Fortes. E com adaptações à realidade local, materializando arquitetonicamente a Fortaleza de São José de Macapá, como um complexo fortificado composto de núcleo cercado externamente por outros elementos construtivos, de reforço à defesa. Todavia, por falta de recursos, esta majestosa obra no chegou a ser completamente acabada, e por isso as fases posteriores de abandono levaram ao arruinamento e o conseqüente desaparecimento de alguns pontos mais vulneráveis. Internamente, o núcleo (Praça Principal) tem a configuração de um quadrado com quatro baluartes pentagonais nos vértices, o que permitiria o cruzamento de fogo sobre o inimigo, detalhe este marcado pela influência da engenharia francesa do século XVII, com bases defensivas da guerra de posição expressada no 8º modelo do construtor Sebastién de Le Prestes, Marquês de Vauban, exemplo destacado da obra de Manuel Azevedo Fortes.E no interior deste quadrado se encontra uma praça rebaixada com um esgotadouro de águas pluviais no centro, nas laterais, oito prédios destinados ao aquartelamento disposto dois a dois. Limitam esta área rasa, a conformação de terraplenos elevados, que interligam na mesma altura, os baluartes; e sob os terraplenos sul e leste, existem respectivamente, dois conjuntos de casamatas, com doze unidades cada.Externamente, de imediato, temos os fosso seco, que no projeto original contornava toda a Praça Principal, porém, hoje restando apenas na parte Sul e a Oeste. Ao Sul, do fosso seco passar em frente do porto principal, temos o Revelim, também contornado por este fosso. O Revelim ligava-se à Esplanada por passarela de madeira e ao porto principal, através de uma ponte de madeira fixa, com parte dela elevadiça, acessórios estes, desaparecidos. Ao Norte, no projeto original, além do fosso seco, existiria outro Revelim acompanhando na sua frente de um fosso hídrico; elementos que também sofreram desaparecimento. A Leste, além do fosso seco, existiria duas Baterias Baixas que com o tempo também desapareceram da leitura aparente. Com a morte de D. José I, assumiu o trono sua filha D. Maria I que por questões políticas, exonera e persegue Marquês de Pombal. Imediatamente, deixa de investir na construção da Fortaleza de São José de Macapá, sob alegação de ser onerosa para a Coroa, o que a paraliza, e a cinco anos depois, mesmo estando Inacabada, foi inaugurada em 19 de março de 1782.Nos dezoito anos de trabalhos na construção, muitas vidas foram consumidas, entre as duas classes de mão-de- obra: a mão-de-obra livre, representada pelos oficiais, e soldados do exército, capatazes e mestres de ofício; e a mão-de-obra compulsória, representada em seu maior contingente por Indígenas capturados oficialmente na região, seguida pelos negros africanos comprados pelo governo da capitania. Sendo ambas propriedade do Estado, que devido ao regime de trabalho forçado, e submetidas à exploração, mesmo com o assalariamento, representou escravidão. Os trabalhos distribuíram-se nos principais núcleos de produção como pedreiras: na extração e beneficiamento das pedras naturais (lavagem e cantariaçao); nas usinas de cal: base para mistura na formação da argamassa (cal, areia, água, argila e quanto ao elemento óleo, no se tem comprovação da sua presença); nas olarias: que produziam tijolos e telhas; no transporte: carreteiro, canoeiro, e remeiro; além de outros serviços complementares ao levantamento da construção.Do período colonial ao Brasil Império, a Fortaleza de São José de Macapá foi ocupada e utilizada por pelotões das respectivas guardas, portuguesa e Imperial, atendendo aos interesses estratégicos. VAMOS APROFUNDAR MAIS O TEMA: 24 - o que a fortaleza são jose de macapa tem de grandioso que a torne diferente de outras fortalezas? 25 - de uma exemplo pratico de como a fortaleza são jose poderia defender nossa região. Crie uma situação fictícia; 26 –descreva alguns materiais usados na construção da fortaleza são jose; 27 - qual a função dos baluartes? Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 38 TEXTO COMPLEMENTAR A fortaleza São jose durante a republica Porém, com o advento da Proclamação da República em 1889, e a participação do Brasil na conjuntura Internacional da economia de mercado, a Fortaleza gradativamente perde sua função principal e entra num processo de total abandono, situação esta que permitiu o saque de vários objetos como artefatos de guerra, canhões, pedras e tijolos, etc. e pelo início do nosso século o Serviço de Sinalização Náutica do Canal Barra Norte - Marinha do Brasil, assenta uma torre com farolete sobre o Baluarte Nossa Senhora da Conceiço, visando facilitar a navegação nesta embocadura.Muito embora, algumas vezes a Fortaleza estivera sujeita aos serviços de capina por ordem de intendentes do município de Macapá, mas o longo período de abandono estende-seaté 1946, quando na Fortaleza se instalou o Comando da Guarda Territorial (policia ostensiva) órgão do recém criado Territorial Federal do Amapá (1943). E para tal efetivação, este Comando realizou grandes serviços, como a reposição dos telhados arruinados de quatro prédios e da Casa de Órgão; confecço em madeira, de janelas, portas e portões, reutilizando peças originais como dobradiças, ferrolhos e cravos, por ali encontrados sob os escombros; capina (interna e externa), além de retirada dos arbustos dentre as pedras das muralhas, assim como a eliminação de frondosas árvores crescidas nos Terraplenos cujas raízes impactaram os tetos abobadados das casamatas, provocando seríssimas; restaurações de vários pontos degradados, como a substituição de tijoleiras dos pisos, muretas e rampas de acesso; desobstrução dos mais aparentes Canais de Drenagem das Águas Pluviais; Confecção em madeira das carretas que servem de bases para os canhões. Sabendo que todo este trabalho no teve o devido acompanhamento técnico em restauração, mas é reconhecida a competência que tiveram em realizá-lo ao buscarem aproximação com a realidade original, representando desta forma, uma vertente do processo de restauração. A ocupação e utilização deste Monumento Histórico pelo Governo do Território do Amapá, revitalizado e destacando sua importância e o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional - IPHAN, se interessa procedendo o Tombamento sob o Processo nº 423/T/50, inscrição nº 269 do livro de Tombo Histórico em 22 de março de 1950.Se tem notícias que uma comissão nomeada pelo Governo Territorial em 08 de julho de 1950, procedeu o levantamento e Tombamento de todos os bens da Fortaleza, embora que contraditoriamente neste período, dentro da área do entorno ponto Oeste na esplanada ocorreram levantamentos de prédios públicos e particulares.Enquanto o governo aceleradamente construía a Colônia Penal do Beirol, nos arredores da cidade de Macapá, o espaço da Fortaleza serviu provisoriamente como hospedagem a famílias imigrantes que chegavam a Macapá, e de Cadeia Pública aos presos da Justiça sob vigilância da guarda Territorial. Posteriormente, o Governo cedeu o espaço para que funcionassem também instituições como a Imprensa Oficial; o Exército, representado no peloto do 26º BC - Tiro de guerra 130; e para o Museu Territorial.Transformando a Fortaleza de São José de Macapá, num centro socio-cultural e de lazer, onde comemoravam-se datas cívicas nacionais e locais, com salvas de tiros pela alvorada, desfiles escolares e festas dançantes - uma importante referência Histórico- Social para a comunidade macapaense.Com o Regime de Força implantado pelos militares em março de 64 no Brasil, o Governo do Território Federal do Amapá, determinou que somente o Comando da Guarda permanecesse na Fortaleza, quanto às demais instituições, foram tranferidas para outros prédios do Governo.Diante do Regime de Força a sociedade amapaense testemunha o recolhimento de intelectuais e trabalhadores na Fortaleza como presos políticos. E neste período de ditadura militar foi permitido a instalação do Clube Social do Circulo Militar na área de entorno imediato da Fortaleza - ponto Leste, sobre onde originalmente foram construídas duas Baterias Baixas.Em 1975, a Guarda Territorial e transformada em Polícia Militar, sendo logo instalada em prédio próprio, permanecendo na Fortaleza apenas o Peloto da Banda de Música desta Corporação que, além das atividades de ensaios passou a realizar um serviço de guarnição no Forte. Enquanto sua limpeza e conservação permanecia mantida pelo Governo Territorial. Em 1979, a Delegacia do Serviço do Patrimônio da Unio - DSPU, concede a cesso da Fortaleza ao Governo do Território Federal do Amapá, através de um Termo de Entrega para fins de preservação, neste sentido so realizados alguns serviços emergênciais no monumento, mas sem o devido acompanhamento técnico em restauração. Destaca-se que o Termo de Entrega referido deveria ser ratificado em dois anos, o que no ocorreu. Mesmo assim, o Governo do Território continuou executando os serviços visando a preservação e a conservação do Patrimônio Histórico. Neste período ocorre a retirada pelo Governo Federal da torre com sinalizador náutico do Baluarte de Nossa Senhora da Conceição, sob orientação do IPHAN. E, também, a contratação dos renomeados arquitetos Pedro e Dora Alcântara para a elaboração do projeto de restauração da Fortaleza de São José de Macapá, que conclui as etapas de pesquisa iconografia e documental. Nos anos 80, a Secretaria de Educação e Cultura do Território Federal do Amapá, cria o Departamento de Aço Complementar - DAC, onde a Fortaleza de São José de Macapá foi vinculada através da Seção de Patrimônio e Arquivo Histórico. Em seguida, o DAC foi transformado em Departamento de Cultura - DC, Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 39 que destina para funcionar no espaço interno do monumento, a Diviso Fortaleza de São José de Macapá, contemplando a Seço de Preservação e Conservação, num reconhecimento da sua importância para a sociedade. Em 1989, o Governo Territorial, contratou a empresa DPJ Arquitetos Associados, para a elaboração do Projeto de Restauração e Revitalização da Fortaleza, com base na pesquisa realizada por Pedro e Dora Alcântara. Em 1990, foi entregue o projeto da área interna, e em 1991, o projeto da área externa, trabalhos que contaram com o apoio da Secretaria de Obras e Serviços Públicos - SOSP (atual Secretaria de Infra- Estrutura - SEINF), assim como nas etapas finais, o projeto de urbanização e prospecção arqueológica externa. O Território Federal do Amapá transformado em Estado com base na Constituição de 1988, tem a sua estrutura administrativa modificada e posteriormente, o Departamento de Cultura da Secretaria de Educação é extinto para ser criada e instalada a Fundação de Cultura do Estado do Amapá - FUNDECAP, que mantém no seu organograma à Diviso Fortaleza de São José de Macapá. ATIVIDADE SOBRE O TEXTO 28 - apresente um exemplo de descaso do governo local quanto a fortaleza são jose 29 – a fortaleza já serviu ao longo da historia para função difente daquela para que foi projetada? 30 – que cuidados o governo local teve durante a restauração da fortaleza? TRATADOS E ACORDOS NA DEFINIÇÃO DA FRONTEIRA SETENTRIONAL DA AMAZÔNIA TRATADO PROVISIONAL OU TRATADO DE NEUTRALIDADE (1701) Assinado entre Portugal e França, devido às incursões de franceses à região do Cabo Norte. Teve um caráter provisório e suspensivo, para que, enquanto não se determinasse decisivamente o direito das ditas coroas, se pudessem evitar os motivos que causassem conflitos entre os dois países. Ficou pendente a questão da fronteira, sendo que os franceses continuaram a invadir o lado português. Sobre o Tratado Provisional Artigo I – “que se mandarão desamparar e demolir por El-Rey de Portugal os fortes de Araguary e de Cumaú ou Massapá e retirar a gente e tudo mais que nelles houver (...)” Artigo II – “que os Francezese e Portuguezes não poderão ocupar as ditas terras nem os ditos fortes referias no artigo precedente, as quaes ficam em suspensão da posse de ambas as coroas (...)” TRATADO DE UTRECHT (1713) A assinatura do Tratado de Utrecht entre Portugal e França ocorrido na Holanda no dia 11 de abril de 1713, determinava que o Rio Oiapoque seria o marco divisório entre a Guiana Francesa e o Brasil. O artigo VIII do referido tratado assinalava que: ―a propriedade das terras chamadas do Cabo do Norte, & situadas entre o Rio das Amazonas, & o Japoc ou de Vicente Pinsão, sem reservar, ou reter poção algumas das ditas terras, para que ellas sejão possuídas daqui em diante por Sua Majestade Portuguesa, seus descendentes, sucessores, & Herdeiros possam jamais ser perturbados na dita posse por Sua Majestade[França] Christianissima, seus Descendentes, Sucessores e Herdeiros‖. 31 - VAMOS APROFUNDAR O TEMA: antes da assinatura do tratado de Utrecht, a quem pertencia o território amapaense? TRATADO DE MADRID (1750) Assinado entre Portugal e Espanha. Portugal receberia os sete povos das missões e passa a colônia do Sacramento para o domínio espanhol. Portugal garantiu o controle da maior parte da bacia amazônica, enquanto a Espanha controlaria a bacia da prata. De acordo com esse tratado, Portugal perdeu boa parte de território ao sul e, também por esse motivo, voltou-se para a ocupação de certas áreas em disputa internacional – o Amapá por exemplo – para compensar suas perdas. É um tratado importante pois pela primeira vez procurou-se considerar a realidade americana, isto é, levar em consideração a ocupação efetiva realizada aqui. Além disso, na resolução das disputas com a Espanha, Portugal utilizou habilmente a teoria do uso capião ou uti possidetis, na demarcação das fronteira ao sul do Brasil. Outra determinação importante foi tornar certos rios e canais comuns limítrofes navegáveis pelas duas nações. OBS.: Portugal passou a ter o domínio da bacia amazônica e a Espanha, o domínio da bacia do rio da prata. 32 - VAMOS APROFUNDAR O TEMA: o que foi determinado pelo tratado de madrid?Foi favorável ao território amapaense? Explique A DISTRIBUIÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO: NATIVOS E IMIGRANTES Na segunda metade do século XVIII, caracteriza a tônica das ações lusitanas na Amazônia, a defesa do território ameaçado constantemente associado pela presença estrangeira à exploração econômica, pela necessidade mesma do Estado em suprir seu problema financeiro e de abastecimento. Daí a Amazônia ocidental passa a ocupar um lugar de destaque, recentemente integrada ao mercantilismo português e ao circuito do capitalismo internacional. Na análise da Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 40 organização da Amazônia nos setecentos devemos levar em consideração o seguinte fator: a dinâmica das relações político-adminstrativa entre Estado Lusitano e a sociedade colonial amazônica, na qual se inclui negros, brancos e uma grande soma de índios destribalizados de suas aldeias através de um processo denominado corporações de índios ou índios das corporações. Na ocupação das terras do cabo norte, muito relevante foi a participação de nativos (indígenas) que foram transferidos de diversos pontos do interior da Amazônia para trabalharem em diversas formas e regimes de trabalho, e de imigrantes norte africanos que ocuparam essas terras. Na vigência do diretório, não houve muitas transformações quanto ao trabalho compulsório. Na realidade, ocorreu uma adaptação à nova realidade que se gestava, pois com a necessidade de ocupação do setentrião brasileiro (dentre outros fatores, pela incômoda presença estrangeira) e a promessa de que os imigrantes receberiam ―mudas‖ de índios para trabalharem sob o regime de trabalho compulsório, o estado lusitano determinou a organização das ―corporações de índios‖ ou ―índios das corporações‖, uma espécie de empresa encarregada de mobilizar grupos de índios para determinadas regiões a serem ocupadas, sempre seguindo uma lógica pré-definida. Essa lógica atendia fundamentalmente à necessidade de manter os grupos longe de revoltas e rebeliões por eles mesmos organizadas para se contrapor à escravidão. Foi então que adotaram o método de dividir os índios por idade, sexo, profissão (daí o nome corporações) disposição para o trabalho; os mais valorizados eram os carpinteiros que tivessem especialidade em construir canoas a remo (conhecidas como montarias) para transportar a produção de arroz; havia ainda os ―mocetões‖ ou índios jovens com disposição física para remar e transportar os produtos distribuídos dos mais distantes pontos do interior da Amazônia; as moças com habilidade de costura teriam uma função também ligada ao arroz, pois estas confeccionariam as sacas nas quais o produto seria embalado e transportado. SOBRE AS CORPORAÇÕES DE INDIOS Sobre isso Cecília Brito afirma que “no contrato de cada corporação, fixava-se o tempo que cada operário deveria permanecer num determinado serviço na vila de destino, assim como o prazo de retorno a sua povoação. O prazo de permanência de três a quatro meses, freqüentemente excedia esse período. A rotatividade intensiva de trabalhadores indígenas era denominado na época de mudas de índios, que se realizavam de acordo com o tempo previsto para permanência do trabalhador índio em cada vila designada. Ao se determinar o prazo de rodízio, a quantidade de índios solicitados variava conforme o numero existente em cada povoação” Uma prática muito corriqueira naquele momento histórico era o recrutamento de índios oriundos das corporações para trabalharem como soldados na proteção das fronteiras, evidentemente que dentro de uma lógica natural nem todos os nativos se deixavam ser usados como militares e lavrandeiros, entretanto existiam aqueles que absorviam melhor a idéia de submissão ao sistema e ajudavam a manter a ordem colonial vigente. O colono imigrante oriundo do norte da África passou a ser naquele contexto histórico, uma figura administrativa, jurídica e política importante no processo colonizador. ―A transferência de parcela de colonos para o Grão-Pará foi patrocinada pela Companhia de Comércio [do Grão-Pará e Maranhão], com definição de objetivos e regras. Os mecanismo de ajuda e os auxílios prestados para sua instalação, assim como os papéis atribuídos (econômico, social e militar) estavam definidos em códigos de controle da administração colonial.‖ RESOLVA NO SEU CADERNO: 33 – que problemas Portugal enfrentava no século XVIII? 34 – qual a principal utilidade dos índios recrutados pelos missionarios? 35 – os índios eram divididos conforme a idade, sexo, habilidades, etc.... por que? Qual o objetivo? A FUNDAÇÃO DA VILA DE SÃO JOSÉ DE MACAPÁ: COLÔNIA AGRÍCOLA E MILITAR Texto escrito por AMANAJÁS, Rosinai. ―A idéia de formar um celeiro agrícola no delta e na planície fluvial amazônica, como escreveu o padre João Daniel, estava contida nos discursos das autoridades e orientou as políticas da segunda metade do século XVIII. A descrição volta-se para essa fase de expansão da agricultura inserida no projeto de colonização em Macapá‖ Ocorrida em 2 de fevereiro de 1758, a fundação da vila de São José de Macapá faz parte de um contexto histórico que envolve, basicamente, a necessidade de ocupação das terras localizadas na costa setentrional do Grão-Pará , associado à ameaça de outras potencias européias que promoviam constantes invasões na referida região, além da necessidade de promover um fomento econômico para gerar divisas para o estado lusitano. A região da costa setentrional do Grão-Pará, antes da fundação de São José de Macapá, era uma Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 41 região pouco assistida pelo Estado português. O governador do Grão-pará, Francisco Pedro de Mendonça Gurjão, renovou as reivindicações sobre a necessidade fundar vilas e povoados, mas a única providência tomada por D. João V, com relação à região, foi oficialmente denominá-la em 1748, de Província dos Tucujus ou Tucujulândia, sem que lhe fosse alterada a condição administrativa. Entretanto, ao governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, coube a tarefa de implementar a colonização da região. Assumiu o governo do Estado do Maranhão e Grão-Pará, em 24 de setembro de 1751 (antes mesmo da implementação do diretório pombalino) e já em dezembro organizou uma expedição às terras onde posteriormente seria São José de Macapá, constituída de soldados e, principalmente, de colonos da Ilha de Açores. Segundoa prof. Nirvia Ravena, nas instruções reais dadas a Mendonça Furtado, no vigésimo segundo parágrafo, textualmente lhe é ordenado que crie povoações e defenda o Cabo Norte em parceria com os jesuítas: ―(...) nas aldeias do cabo norte, que nesta instrução vos encomendo muito cuideis logo de estabelecer, e as mais que se fizerem nos limites desse Estado, preferireis sempre os padres da companhia, entregando-lhes os novos estabelecimentos (...)‖ Posteriormente, ocorreu um relativo incentivo à economia agrícola rizicultora com a instalação das primeiras unidades de produção de arroz Carolina (vindos da região da Carolina, nos Estados Unidos); essas unidades correspondem aos núcleos de colonização agrícola, pois alem de colonizar a região, servem de esteio econômico para a alimentação local e do próprio sistema colonial português na América. Portugal enfrentava, na segunda metade do século XVIII, uma crise de abastecimento cerealífero. Para aliviar esse déficit econômico, tentou implementar, no delta amazônico, um celeiro agrícola baseado na rizicultura. Os lavradores de Macapá e Maranhão receberam sementes de arroz ―carolina‖, proveniente de Carolina do Sul. No Grão Pará, sobretudo em Macapá, essa rizicultura aparece de forma mais acabada por um prazo de trinta anos. Os colonos recebiam pagamento em dinheiro, escravos, terras, gado e instruções para fazer desenvolver a terra. Recebiam uma casa pronta e condições para se manterem com a família até adquirirem estabilidade. Alguns administradores de Macapá e Mazagão incentivaram mais a agricultura mesmo que esses núcleos funcionassem como reserva militar e salvaguarda da fronteira. A entrada de uma família de colonos dependia da decisão da administração e cada uma devia colocar à disposição seus escravos para os trabalhos na fortificação, construção que durou mais de dez anos e centralizou recursos financeiros, mão de obra indígena e as atenções do governo. Neste período do conjunto de povoações estabelecidas, Macapá foi a vila mais próspera. De maneira geral, ocorreu a falência da rizicultura devido à falta de recursos e investimentos, ao descaso português, também quase falido. Como podemos perceber, a Base econômica da fundação de Macapá, seu esteio econômico, portanto, foi a economia da gramínea. O arroz era produzido na costa setentrional do Grão-Pará pois foi a área que apresentou maiores possibilidades geográficas devido à presença de áreas inundáveis da planície fluvial amazônica. Aproveitar esse potencial para gerar divisas, colonizar e defender a terra passaram a ser a mola-mestra desse processo. Outro aspecto a considerar é o fato de essas colônias possuírem um caráter também militar. Isso significa que a fundação da vila de São José de Macapá atende a uma dicotomia: colônia agrícola e caráter militar; essa ambivalência aparece como uma estratégia do estado para promover uma ocupação sem se preocupar em deslocar grande número de soldados dos quais não se dispunha para defender essas partes do reino. Tanto é verdade que esses primeiros colonizadores são considerados como soldados ―lavrandeiros‖ (Essa categoria tinha na época o significa literal de imigrante. Tinham benefícios e privilégios diretos como possessões do terreno recebido, com facilidades para empregar os índios pagando-lhes salários como jornaleiros quando fosse o caso), pois sua presença, mesmo que não fossem soldados no sentido da palavra, mas contribuíam para inibir a presença estrangeira. A presença francesa é a que merece mais destaque entre os estrangeiros, pois estes estavam desrespeitando o tratado de Utrecht assinado na Holanda no dia 11 de abril de 1713, determinava que o Rio Oiapoque seria o marco divisório entre a Guiana Francesa e o Brasil. O artigo VIII do referido tratado assinalava que: ―a propriedade das terras chamadas do Cabo do Norte, & situadas entre o Rio das Amazonas, & o Japoc ou de Vicente Pinsão, sem reservar, ou reter poção algumas das ditas terras, para que ellas sejão possuídas daqui em diante por Sua Majestade Portuguesa, seus descendentes, sucessores, & Herdeiros possam jamais ser perturbados na dita posse por Sua Majestade [França] Christianissima, seus Descendentes, Sucessores e Herdeiros‖. A guiana brasileira foi alvo de diversas invasões estrangeiras, devido à sua localização geográfica, na embocadura do rio amazonas, por onde é mais fácil penetrar. As constantes incursões de estrangeiros levou os portugueses a tomar uma decisão imediata: povoar para não perder as terras ao norte; Rosa Acevedo assim destaca os primeiros momentos da colonização da costa setentrional do Grão–Pará: ―as terras do cabo norte Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 42 receberam, com a entrada de colonos embarcados em Portugal, com os escravos introduzidos da África e com indígenas mobilizados de locais diversos do vale do Amazonas, um sopro de povoamento (...) fundou-se a vila de Macapá, no ano de 1758 com povoadores ―ilheos açorianos‖ e das ilhas Canárias por ordem do Rei D. João V (...) apesar de seu caráter militar, o projeto necessitava apresentar uma faceta agrícola para concorrer com os planos de colonização da Guiana Francesa (...)...‖ Portanto, como podemos perceber no trecho acima é que São José de Macapá foi colonizada tendo como base três grupos: colonos imigrantes, escravos e índios destribalizados. Nesse ultimo caso, merece destaque o sistema analisado anteriormente e conhecido como sistema de corporações de índios, que foi responsável pela mobilização de milhares de grupos de indígenas denominado mudas de índios; estes, como já vimos, eram usados como mão de obra nas lavouras das recém fundadas vilas a exemplo de São José de Macapá. Vejamos a proveitosa afirmação de Cecília brito sobre essa mobilização de índios para o cabo norte: ―durante aproximadamente vinte anos (1757 – 1777), quando intensificou-se a atenção das autoridades coloniais para Macapá e Mazagão, verificou-se um movimento de índios provenientes de diversas vilas. No decorrer do tempo esse fluxo provinha de lugares cada vez mais distantes (...) o serviço dos colonos impunha aos índios atividades na pesca, na caça, na agricultura, na coleta, confecção de canoas, corte de madeira e serviços domésticos‖ Além disso, sabemos que a história da escravidão negra na Amazônia possui uma peculiaridade em relação a outras regiões da colônia, pois o custo de braços negros era muito superior ao de índios no interior da hinterlândia brasileira. Em função da abundância de índios nos antigos aldeamentos missionários agora transformados em vilas e povoados, os moradores freqüentemente pediam ao Estado que este enviasse certa quantidade de mudas de índios para trabalharem na plantação de arroz e mandioca. Vejamos um quadro que mostra a distribuição de mudas de índios para São José de Macapá. Na lista identificamos o lugar de origem desses trabalhadores: “Em quase meio século mudou a paisagem humana, formou-se um novo mosaico, contudo o povoamento ocorreu com muita instabilidade. Os movimentos de uma população flutuante marcaram o projeto. Nos canteiros de obras e roças a flutuação maior foi a de índios destribalizados que chegaram a representar 80% dos trabalhadores. Alguns colonos foram favorecidos com a arregimentação continua dessa força de trabalho através do diretório para ajudar nas fases da semeadura, limpeza e colheita do arroz. Mulheres e rapazes distribuíam-se entre os cabeças de famílias que lavravam roças de arroz, milho e algodão e fabricavam panos de algodão vendidos em Belém.” No trecho acima podemos perceber a importância da arregimentação da mão de obra indígena na ocupação da costa setentrional do Grão-Pará, pois os próprios colonos que ocuparam essa regiãotinham consciência da necessidade de receber braços indígenas dispostos para o trabalho na lavoura e outras tarefas, sem duvida. Alem do mais, dadas as dificuldades de incentivo financeiro por parte do estado lusitano aos colonos, a solução viável seria realmente liberar essa mão de obra abundante. Vejamos o quadro abaixo que trata da distribuição da força de trabalho indígena partindo da necessidade acima exposta: LEMBRE-SE: Assegurado aos portugueses o domínio sobres as Terras situadas entre os rios amazonas e Oiapoque, os mesmos voltaram a se estabelecer na região, em 1738, posicionando em Macapá um conservou até o final de seu governo, em agosto de 1747, sem nada fazer pelo seu desenvolvimento por falta de recursos financeiros e interesse da Coroa Portuguesa. Esse governador, chegou a insistir na urgência da implementação do povoamento e fortificações da foz do Amazonas. Seu sucessor, Francisco Pedro de Mendonça Gurjão, renovou essas reivindicações, mas a única providência tomada por D. João V, com relação à região, foi oficialmente denominá-la em 1748, de Província dos Tucujus ou Tucujulândia, sem que lhe fosse alterada a condição administrativa. Ao governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, entretanto, coube a tarefa de implementar a colonização da região. Assumiu o governo do Estado do Maranhão e Grão-Pará, em 24 de setembro de 1751, e já em dezembro organizou uma expedição a Macapá, constituída de soldados e, principalmente, de colonos da Ilha de Açores. Segundo a prof. Nirvia Ravena, nas instruções reais dadas a Mendonça Furtado, no vigésimo segundo parágrafo, textualmente lhe é ordenado que crie povoações e defenda o Cabo Norte em parceria com os jesuítas: ―(...) nas aldeias do cabo norte, que nesta instrução vos encomendo muito cuideis logo de estabelecer, e as mais que se fizerem nos limites desse Estado, preferireis sempre os padres da companhia, entregando-lhes os novos estabelecimentos (...)‖ Sobre a colonização do Cabo Norte A prof. Rosa Acevedo assim destaca os primeiros momentos da colonização do Cabo Norte: “as terras Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 43 do cabo norte receberam, com a entrada de colonos embarcados em Portugal, com os escravos introduzidos da África e com indígenas mobilizados de locais diversos do vale do Amazonas, um sopro de povoamento (...) fundou-se a vila de Macapá, no ano de 1758 com povoadores “ilheos açorianos” e das ilhas Canárias por ordem do Rei D. João V (...) apesar de seu caráter militar, o projeto necessitava apresentar uma faceta agrícola para concorrer com os planos de colonização da Guiana Francesa (...) a construção de Mazagão foi iniciada em 1771 abrigando os habitantes da antiga praça portuguesa de Mazagão (norte da África) ... nos três primeiros anos foram transferidas 114 famílias ...” O povoado de Macapá rapidamente progredia, mas a insalubridade do local tornava-se um grave problema a ser enfrentado pelos colonos. Em 1752, uma epidemia de cólera grassou em Macapá. A notícia chegou a Belém, e em 07 de março desse ano, inesperadamente, Mendonça Furtado aportou na povoação, trazendo o único médico que havia na Capitania e medicamentos, conseguindo controlar a moléstia. Mendonça Furtado, no início de fevereiro de 1758, novamente aportou em Macapá com numerosa comitiva. Estava em missão de demarcação de fronteiras da colônia com as Terras pertencentes à Espanha, na região Amazônica, definida pelo Tratado de Madri, assinado em 1750. Veio para elevar o povoado à categoria de vila. No dia 02 de fevereiro, começou com as providências, criando a Câmara Municipal. No transcurso de uma solenidade, no dia 04 de fevereiro, Mendonça Furtado mudou a categoria administrativa do povoado de Macapá, elevando-o à condição de vila com denominação de Vila de São José de Macapá. Rosa Acevedo afirma ainda que: “a terceira vila foi Vistoza madre de Deus, recebeu „ilheos Funchalenses‟ e quarenta degredados de Lisboa, assentados no Rio Anauarapucu por volta de 1769. O quarto sítio foi conhecido como Santa Anna, situado a beira do rio Maracapucu” FAZENDO VOCÊ APRENDE MAIS: 36 - que atividade econômica predominou na ocupação do território amapaense? 37 – o que você entende pela expressão: colonização agricola 38 – a colonização do cabo norte atendeu ao principio econômico ou militar? Ou os dois? Explique 39 – retire uma frase do texto que expressa o interesse do estado português em ocupar o amapa 40 – diante da dificuldade de se dispor de mao de obra para fornecer aos colonizadores do cabo norte, qual a solução encontrada? Fundação da Cidade de Macapá - Fernando Rodrigues dos Santos Assegurado aos portugueses o domínio sobre as terras situadas entre os rios Amazonas e Oiapoque, os mesmos voltaram a se estabelecer na região, em 1738, posicionando em Macapá um destacamento militar. O Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, ficou incumbido de implementar o povoamento da região Amazônica. Assumiu o governo do Estado do Maranhão e Grão-Pará, em 24 de setembro de 1751, e já em dezembro organizava uma expedição a Macapá, sob o comando do sargendo-mor João Batista do Livramento, constituída de soldados, e, principalmente, de colonos da Ilha dos Açôres. Foram recepcionados pelo comandante da guarnição, Manoel Pereira de Abreu e Padre Miguel Angelo de Morais que estavam em conflito, porque o militar negava-se em atender os pedidos e solicitações dos sacerdotes, inclusive de alimentação. O povoado rapidamente progredia, mas a insalubridade do local tornava-se um grave problema a ser enfrentado pelos colonos. Em 1752, uma epidemia de cólera grassou em Macapá. A notícia chegou a Belém, e em 7 de março desse mesmo ano, inesperadamente Mendonça Furtado aportou na povoação, trazendo o único remédio que havia na Capitania e medicamentos, conseguindo controlar a moléstia. Mendonça Furtado, no início de fevereiro de 1758, novamente aportou em Macapá com numerosa comitiva. Estava em missão de marcação de fronteiras da Colônia com as terras pertencentes à Espanha, na região Amazônica, definida pelo Tratado de Madri, assinado em 1750. Veio para elevar o povoado à categoria de vila. No dia 2 de fevereiro, começou com as providências criando a Câmara Municipal e empossando os vereadores Domingos Pereira Cardoso, Feliciano de Souza Betancort, Francisco Espíntoda de Betancort, Antônio da Cunha Davel, Thomé Francisco de Bentacort e Simão Caetano Leivo. No transcurso de uma solenidade, no dia 4 de fevereiro, Mendonça Furtado mudou a categoria administrativa do povoado de Macapá, elevando-o à condição de vila com a denominação de Vila de São José de Macapá. Elevado à categoria de território em 1943, seu desenvolvimento foi impulsionado pela descoberta de jazidas de manganês, no município de Serra do Navio. MÃOS À OBRA: 41 – a vila de Macapa enfrentou algum problema no incio de sua ocupação? Explique Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 44 42 – qual o episodio histórico que marca a elevação administrativa de Macapa? Amapá, uma conquista espanhola? Muito antes do descobrimento do Brasil (22 de abril de 1500), o navegador espanhol Vicente Yañez Pinzón teria chegado em janeiro do mesmo ano, ao norte do Cabo Orange, atual fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa. Apesar desta tese contrariar muitos historiadores castelhanos e lusos, alguns até mesmo a mencionar que o desembarque das naus do navegador se deu no Cabo de Santo Agostinho (Pernambuco), e enquanto não restar dúvida alguma, temos de acreditar que Pinzón (alguns preferem a grafia Pinson, sem o acento) teria chegado mesmo ao Norte do Amapá. Não fosse isso, como explicar o emprego de seu nome como primeira denominação do rio Oiapoque?Afinal de contas, o Amapá é uma conquista lusa ou espanhola? Como vimos, as primeiras informações históricas do Amapá têm início em 1500. Mas as primeiras notícias da terra precederam o ciclo do descobrimento do Brasil. Assim, as duas potências européias (Portugal e Espanha) de então, passam a disputar, gradualmente, a corrida rumo a conquista de novas terras. Entre os fatores que trouxeram os portugueses ao Brasil, faz-se relevo a necessidade de um intercâmbio comercial mais amplo com o Oriente, a exploração de novas terras e a busca de metais preciosos e produtos naturais. Os resultados foram benéficos para Portugal que, mantendo as novas colônias em seu poder, providenciava de imediato a exploração dos metais preciosos e produtos naturais. Mas enquanto Portugal se mantinha em explorar o Oriente, Espanha travava de confirmar seus domínios apossando-se das terras recém-descobertas. Um dos ilustres personagens espanhóis, Alexandre VI, chega ao papado. Para a repartição das novas terras descobertas, o papa tinha o poder de reparti-las aos monarcas cristãos, mas Portugal, por causa da presença de um pontífice espanhol que estava mais a fim de beneficiar seu país, começou a reagir. Assim, surgiu em junho de 1494 o Tratado de Tordesilhas, o primeiro documento oficial que configura a posse espanhola das terras do Amapá. Assim, o Brasil pode não ter sido descoberto através do Amapá. Verdade ou não, é inegável o fato de que o Amapá seja uma conquista espanhola, e não lusa Pelo exposto, a conquista da América foi, antes de tudo, um empreendimento ibérico e luso. O mesmo se deu no Amapá. Já mencionamos que há contradições sobre a viagem de Pinzón ao Oiapoque, mas oficialmente tem-se que, ao chegar aqui em janeiro de 1500, os primeiros contatos com os índios, possivelmente os Palicur, lhe permitiram desvendar o nome original predominante na região: Costa Palicúria. Historicamente esse parece ser o primeiro nome de nossa costa. Esses índios de língua aruaque, hoje habitando o Oiapoque, guardam com seus ancestrais um verdadeiro acervo histórico narrativo que futuramente poderá ser desvendado, com relação à presença do homem pré-pinzônico no Amapá. Apesar do relato oral, e como protagonista principal, o povo palicur tem muita coisa a passar para nós que apenas iniciamos essa peregrinação histórico-cultural Em sua breve passagem pelo Amapá, Pinzón teria dado ao rio o seu próprio nome, o que mais tarde criaria controvérsias sobre a definição de nossas fronteiras com a Guiana Francesa. Assim (e ressalvadas as controvérsias) a presença de Pinzón no Oiapoque foi o ponto inicial da própria presença européia na nossa história. Várias informações mais tarde, sobre a localização exata do rio, vieram a criar, já no final do século XIX, a célebre questão do Contestado. A "descoberta do Amapá" por Pinzón mereceu- lhe, dos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela, a possa da Costa Palicúria. Por razões de distância geográfica ou mesmo pela falta de exatidão do local, Pinzón não chegou a tomar posse da terra, vindo a falecer numa pequena ilha do Caribe (Marguerita), após exaustivas buscas pelo rio que havia navegado pela primeira vez. VAMOS PRATICAR UM POUCO 43 – o Amapa, inicialmente, pertencia a qual nação de acordo com o tratado de Tordesilhas? 44 – que fatos reforçam a duvida de que o Amapa deveria pertencer à espanha? 45 – um desafio: pesquise por que a espanha não demonstrou interesse pelas terras amapaenses 46 – pesquise o que determinava o tratado de Tordesilhas COLONOS PLANTADORES DE ARROZ: a rizicultura no delta do Amazonas Portugal enfrentava, na segunda metade do século XVIII, uma crise de abastecimento cerealífero. Para aliviar esse déficit econômico, tentou implementar, no delta amazônico, um celeiro agrícola baseado na rizicultura. Os lavradores de Macapá e Maranhão receberam sementes de arroz ―carolina‖, proveniente de Carolina do Sul. No Grão Pará, sobretudo em Macapá, essa rizicultura aparece de forma mais acabada por um prazo de trinta anos. Alguns administradores de Macapá e Mazagão incentivaram mais a agricultura mesmo que esses núcleos funcionassem como reserva militar e salvaguarda da fronteira. A entrada de uma família de colonos dependia da decisão da administração e cada uma devia colocar à disposição seus escravos para os trabalhos na fortificação, construção que durou mais de Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 45 dez anos e centralizou recursos financeiros, mão de obra indígena e as atenções do governo. Macapá como contraposição do domínio francês necessitava transformar-se numa possessão próspera. Apesar de seu caráter militar, o projeto necessitava apresentar uma faceta agrícola para concorrer com os planos de colonização da guiana francesa. Portanto, a ambivalência dos núcleos de povoamento no Cabo Norte eram: a defesa militar e a faceta agrícola. Neste período do conjunto de povoações estabelecidas, Macapá foi a vila mais próspera. De maneira geral, ocorreu a falência da rizicultura devido à falta de recursos e investimentos, ao descaso português, também quase falido. FAZENDO VOCE APRENDE MAIS 47- o que é rizicultura? 48 – que promessas os colonos das regiões colonizadas pelos portugueses recebiam como atrativo para se instalarem nos povoados no delta do amazonas? 49 – por que a fundação de Macapa e Mazagao precisava concorrer com os planos franceses? 50 – a rizicultura foi um fracasso ou um sucesso? Por que? BIBLIOGRAFIA CONSULTADA AMARAL, Bianca. FERREIRA, Domingos. Amazonia Legal. História e geografia. BUENO, RICARDO. Borracha na Amazônia. BASTOS, Cecília Maria Chaves Brito. CAMBRAIA, Paulo Marcelo. Na ilharga da fortaleza, logo ali na beira tem o regatão. Dissertação de mestrado. FERREIRA, Jaqueline Da República Velha (1889-1930) - período de esquecimento da cidade FREIRE, José Ribamar Bessa. MALHEIROS Márcia Fernanda. 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