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Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
1 
 
 Colégio Militar Antônio Messias 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTUDOS AMAPAENSES 
E 
AMAZÔNICOS - EAA 
6º ano 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Msc. ROSINAI AMANAJÁS PENA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MACAPÁ-AP, 2018 
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
2 
 
 
Colégio Militar Antônio Messias 
 
 
 
 
 
 
ESTUDOS AMAPAENSES E AMAZÔNICOS - EAA 
 
 
 
Prof. Msc. ROSINAI AMANAJÁS PENA

 
 
 
 
 
 
Tarumã - Amadeu Cavalcante 
 
Minha história é que nem uma história 
de um moço que se encantou, se encantou... 
Nas águas do rio Calçoene 
virou pau madeira de amor 
e eu fui parar noutro rio 
atrás do meu grande amor 
nas águas do Araguari 
meu coração se encantou 
 
É um rio encantado o Araguari, o 
Araguari, o Araguari é um rio do 
passado o Araguari, o Araguari, o 
Araguari 
 
Vou contar pra você essa história 
de um moço que se encantou, se encantou 
Vou contar pra você essa glória, 
de ser pau madeira de amor 
 
Tarumã, Tarumã e a gente subia o rio 
Tarumã, Tarumã se agente morreu foi de amor 
Tarumã, Tarumã e a gente descia o rio 
Tarumã, Tarumã o rio que nos separou 
 
 
 
 
 
 
A educação com disciplina! 
 
 Historiador, Bacharelado e Licenciatura Plena (UNIFAP), Pós-graduação em Historia do Brasil (Faculdades 
Integradas de Jacarepaguá, FIJ-RJ) e Mestrado em Desenvolvimento Regional (MDR-UNIFAP). 
 
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
3 
 
ÍNDICE 
 
CONTEÚDOS POR SÉRIE 
 
6º ANO - eixo temático (Amazônia e Amapá do 
período pré colonial ao século XVIII): conceitos 
fundamentais, características gerais da região, a presença 
indígena e a chegada dos portugueses 
1º BIMESTRE - Conceitos fundamentais.............................01 
- Amazônia: conceito, porque estudar a Amazônia?.............01 
- localização geográfica da Amazônia e origem do nome 
Amazônia.................................................................................01 
 - o que é Amazônia internacional?.........................................01 
- Rio Amazonas e Grão-Pará...................................................02 
- Espaço geográfico amazônico (floresta amazônica)..........02 
- Origem do nome Amazônia: a lenda das guerreiras 
amazonas ...............................................................................02 
- texto complementar: Transformando a Amazônia com o 
trabalho...................................................................................03 
- Os povos indigenas da amazonia legal: uma história 
novinha com mais de 10 mil anos..........................................04 
- Arqueologia ..........................................................................05 
- texto complementar: Arqueologia na Amazónia...............05 
- Indigenas, muitos indigenas................................................06 
E os indigenas hoje?................................................................06 
- Programa de indio?...............................................................07 
 
2º BIMESTRE - O Amapá no período pré colonial 
- Em busca de nosssa identidade...........................................08 
- O Brasil pré-cabralino: nossos povos indígenas antes da 
chegada dos portugueses......................................................08 
- Texto complemetar: viver como índio................................09 
- As comunidades indígenas hoje: waiãpi, Galibi do oiapoque, 
Galibi Marworno, Karipuna e Palikur......................................11 
- Enfim, os portugueses chegaram.........................................13 
- Afinal, a amazônia pertencia aos portugueses, aos 
espanhois ou a nenhum dos dois?..........................................13 
- Os Fortes................................................................................14 
- Dividir para governar.............................................................14 
- As primeiras navegaçoes.......................................................15 
- Os primeiros contatos dos navegadores europeus nas 
terras amapaense....................................................................15 
- - Os primeiros contatos dos navegadores europeus com os 
índios do amapá .....................................................................16 
- O Amapá como possessão espanhola..................................17 
- O Amapá como possessão portuguesa................................18 
- A exploração econômica das terras amapaenses durante a 
colonização..............................................................................18 
 
3º BIMESTRE - O Amapá na época da exploração 
colonial 
- A expansão marítima e comercial........................................19 
- O processo de Lusitaçao na Amazonia................................20 
- A fundação de aldeamentos................................................20 
- A repartição de índios ..........................................................20 
- interesses religiosos e econômicos das missões.................21 
- Texto complementar: escravidão indígena ........................22 
- A chegada dos europeus......................................................23 
- o período colonial.................................................................24 
- Amapá recebe os primeiros colonos....................................25 
- Chegam os colonos de açores..............................................25 
- Marroquinos em Mazagão...................................................25 
- Tucujus, os primeiros habitantes?........................................26 
- Indigenas do Amapá: Karipuna, Palikur, Galibi e Galibi 
Marworno................................................................................27 
- O grão-Pará no período pré-pombalino...............................29 
- Da Ocupação Espiritual à ocupação Laica (não eclesiática) 
do Grão-Pará:..........................................................................29 
-Texto complementar: Os índios Catequizados e as 
Aldeias de Repartição. Os descimentos: as aldeias de 
repartição...........................................................................31 
 
 4º BIMESTRE - Características gerais da ocupação do 
Amapá colonial 
-O Amapá no contexto de expansão marítima europeia......31 
- A capitania do cabo norte: uma capitania hereditária........32 
- As experiências no cabo norte antes da fundação de 
Macapá....................................................................................32 
- A presença estrangeira na costa setentrional 
 do grão-pará...........................................................................33 
- Sobre a política de fortificações...........................................33 
- A Fortaleza de São José de Macapá.....................................35 
- Caracteristicas da Fortaleza São José de Macapá...............36 
- Texto complementar: Fortaleza São José de Macapá 
durante a Republica................................................................37 
- Tratados e acordos na definição da fronteira setentrional 
da Amazônia...........................................................................38 
- O tratado de Utrecht............................................................38 
- O tratado de Madrid.............................................................39 
- A distribuição da força de trabalho: nativos e imigrantes..39 
- A fundação da vila de são José de Macapá: Colônia agrícola 
ou militar?................................................................................40 
- Fundação da cidade de Macapá...........................................43 
- Amapá, uma conquista espanhola?.....................................43 
- Colonos plantadores de arroz: a rizicultura no delta do 
Amazonas...............................................................................44 
 
 
ColégioMilitar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
2 
 
6º ANO: Amazônia e Amapá do período pré-colonial ao século XVIII: conceitos 
fundamentais, características gerais da região, a presença indígena e a chegada dos 
portugueses 
 
Principais idéias e abordagens 
- Importância e significado da Amazônia e sua 
formação histórica 
- a floresta Amazônica e sua ocupação humana. 
- O modo de vida indígena e os estudos 
antropológicos 
- A chegada dos europeus: os portugueses 
saem na frente 
- Os primeiros passos da ocupação do espaço 
amapaense 
 
1º BIMESTRE: a importância da 
Amazônia legal 
 
Por que estudar a Amazônia? (fonte: Wikipédia) 
A Amazônia é uma região na América do Sul, 
definida pela bacia do rio Amazonas e coberta em 
grande parte por floresta tropical (também chamada de 
Floresta Equatorial da Amazônia ou Hiléia 
Amazônica). A bacia hidrográfica da Amazônia tem 
muitos afluentes importantes tais como o rio Negro, 
Tapajós e Madeira, sendo que o rio principal é 
o Amazonas, que outros países antes de adentrar em 
terras brasileiras. 
O rio Amazonas nasce na cordilheira dos Andes 
e estende-se por nove 
países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Gu
iana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. É 
considerado o rio mais volumoso do mundo. No Brasil, 
para efeitos de governo e economia, a Amazônia é 
delimitada por uma área chamada "Amazônia Legal" 
definida a partir da criação da SUDAM 
(Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), 
em 1966. 
É chamado também de Amazônia o bioma que, 
no Brasil, ocupa 49,29% do território, sendo o maior 
bioma terrestre do país. Uma área de seis milhões 
de hectares no centro de sua bacia hidrográfica, 
incluindo o Parque nacional do Jaú, foi considerada 
pela UNESCO, em 2000 (com extensão 
em 2003), Patrimônio da Humanidade. 
1 - VAMOS PENSAR UM POUCO: responda no 
caderno, por que devemos estudar a Amazônia? 
 
Localização geográfica da Amazônia (Wikipédia) 
Amazônia Legal é o nome atribuído pelo governo 
brasileiro a uma determinada área da Floresta 
Amazônica, pertencente ao Brasil, e que abrange nove 
Estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, 
Roraima e parte dos estados de Mato Grosso, Tocantins 
e Maranhão. A área corresponde a aproximadamente 
5.217.423 km2, cerca de 61% do território brasileiro. 
2 - Um desafio: a população da Amazônia é de 
12,32% em relação ao Brasil. A Amazônia é muito 
povoada? Explique. 
Foi com a finalidade de melhor planejamento e 
execução de projetos econômicos na região delimitada, 
que através da Lei n° 1806, de 06 de janeiro de 1953, o 
governo de Getúlio Vargas decretou a criação da 
Amazônia Legal (antes denominada Hiléia 
Amazônica). Simultaneamente, foi criada uma 
organização responsável pelas iniciativas de promoção 
dessa região, atualmente designada Superintendência 
de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). 
O governo federal, reunindo regiões de idênticos 
problemas econômicos, políticos e sociais, com o 
intuito de melhor planejar o desenvolvimento 
social e econômico da região amazônica, instituiu o 
conceito de "Amazônia legal". 
A atual área de abrangência da Amazônia Legal 
corresponde à totalidade dos estados 
do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima 
e Tocantins e parte dos estados do Mato 
Grosso, Maranhão (a oeste do meridiano de 44º de 
longitude oeste) e Goiás, perfazendo uma superfície de 
aproximadamente 5.217.423 quilômetros quadrados 
correspondente a cerca de 61% do território brasileiro. 
Sua população, entretanto, corresponde a 12,32% do 
total de habitantes do Brasil. 
3 - Responda no caderno: por que foi criado o 
conceito de Amazônia legal? 
 
O que é Amazônia Internacional? (Wikipédia) 
A Amazônia Internacional é um termo que se 
utiliza para fazer referência à região norte da América 
do Sul, onde está localizada a Floresta Amazônica, que 
abrange uma área total de 7 milhões de km2. Essa 
região é também conhecida por Selva Amazônica, 
Floresta Equatorial da Amazônia ou Floresta Pluvial. 
A maior parte da Amazônia Internacional está 
localizada em território brasileiro, compreendendo 60% 
do total, denominada pelo governo brasileiro de 
Amazônia Legal. 
A Amazônia Internacional se estende por nove 
países: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, 
Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. 
A floresta tropical da Amazônia é uma das 
maiores do mundo. Tem clima quente e úmido, com 
chuvas abundantes. O período chuvoso tem a duração 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A9rica_do_Sul
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bacia_do_rio_Amazonas
http://pt.wikipedia.org/wiki/Floresta_tropical
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Amazonas
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bol%C3%ADvia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
http://pt.wikipedia.org/wiki/Col%C3%B4mbia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Equador
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guiana
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guiana_Francesa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guiana_Francesa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guiana_Francesa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Peru
http://pt.wikipedia.org/wiki/Suriname
http://pt.wikipedia.org/wiki/Venezuela
http://pt.wikipedia.org/wiki/Amaz%C3%B4nia_Legal
http://pt.wikipedia.org/wiki/SUDAM
http://pt.wikipedia.org/wiki/SUDAM
http://pt.wikipedia.org/wiki/SUDAM
http://pt.wikipedia.org/wiki/1966
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bioma
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hectare
http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_nacional_do_Ja%C3%BA
http://pt.wikipedia.org/wiki/UNESCO
http://pt.wikipedia.org/wiki/2000
http://pt.wikipedia.org/wiki/2003
http://pt.wikipedia.org/wiki/Patrim%C3%B4nio_da_Humanidade
https://pt.wikipedia.org/wiki/Governo_do_Brasil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_social
https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_social
https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_social
https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_econ%C3%B4mico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Acre
https://pt.wikipedia.org/wiki/Amap%C3%A1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Amazonas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Par%C3%A1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rond%C3%B4nia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Roraima
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tocantins
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mato_Grosso
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mato_Grosso
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mato_Grosso
https://pt.wikipedia.org/wiki/Maranh%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Goi%C3%A1s
https://pt.wikipedia.org/wiki/Superf%C3%ADcie
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
3 
 
de seis meses. A biodiversidade de fauna e a flora 
contribui de forma significativa para a biodiversidade 
brasileira e mundial. A região da Amazônia 
Internacional compreende a maior Bacia Hidrográfica 
do mundo. Formada pelo rio Amazonas e seus 
afluentes. 
4 - Responda: qual a mais marcante 
característica da Amazônia internacional? 
 
Rio Amazonas e Grão-Pará (fonte: Wikipédia) 
O Rio Amazonas é um grande rio sul-americano 
que nasce na Cordilheira dos Andes, no lago Lauri ou 
Lauricocha, no Peru e deságua no Oceano Atlântico, 
junto à Ilha de Marajó, no Brasil. 
Por muito tempo, acreditou-se que o Rio 
Amazonas fosse o rio mais caudaloso do mundo e o 
segundo em comprimento, porém pesquisas recentes o 
apontam também como o rio mais longo do mundo. É o 
rio com a maior bacia hidrográfica do mundo, 
ultrapassando os 7 milhões de quilômetros quadrados, 
grande parte deles de selva tropical. 
Hoje a Amazônia é conhecida como região norte, 
mas no seu passado colonial era denominada Grão-Pará 
que chegou a ser gerenciada por uma companhia 
comercial (companhia geral de comercio do grão Pará e 
Maranhão), vejamos: 
A Província do Grão-Pará, que à época era 
comumente chamada de Pará (do tupi-guarani, rio-mar 
ou rio grande), foi uma unidade administrativa do final 
do período colonial e do período imperial brasileiro, 
originada das capitanias do Grão-Pará e do Rio Negro. 
Existiu de 1821 a 1889. Os portugueses inicialmente 
chamaram o territóriode "Terra de Feliz Lusitânia", 
logo substituído por Grão-Pará, para finalmente, se 
tornar apenas Pará no ano de 1889. 
5 - VAMOS PRATICAR: apresente 
caracteristicas do rio Amazonas, como parte de um 
bioma. 
 
Espaço geográfico amazônico (Floresta Amazônica) 
O extrativismo vegetal é uma das principais 
atividades econômicas da Amazônia Legal. Grandes 
empresas, nacionais e internacionais, utilizam as 
matérias-primas provenientes dessa região, na 
fabricação dos seus produtos. O Estado do Pará 
destaca-se por ser o maior produtor mundial do açaí, 
fruto nativo da região amazônica. 
A Amazônia é a maior floresta tropical úmida do 
mundo com uma área aproximada de 4,5 milhões de 
km2 (Sioli, 1990), abrangendo no território brasileiro os 
estados do Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Amapá, 
Rondônia, norte do Mato Grosso e oeste do Maranhão. 
Além do Brasil a Floresta Amazônica se estende pelos 
países vizinhos da Guiana, Guiana Francesa, Suriname, 
Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia e Peru. 
 A Amazônia está localizada no norte da América do 
Sul, sendo esta região cortada pelo rio Amazonas, que 
nasce no Peru, na Cordilheira dos Andes e deságua no 
oceano Atlântico, depois de cruzar todo o norte do país, 
tendo aproximadamente 6.570 km de 
comprimento(Ab‘Saber, 2005). A região abriga o 
sistema fluvial mais extenso e de maior massa líquida 
da Terra, formando a Bacia Amazônica, que tem uma 
área calculada em mais de 7 milhões de km2 (Sioli, 
1990). 
6 - VAMOS APROFUNDAR O TEMA: procure 
informações sobre o dominio morfoclimatico 
amazônico e copie no seu caderno. 
 
Origem do nome Amazônia 
O explorador espanhol Francisco de Orellana, em 
1542, relatou em sua expedição, ter sido atacado por 
mulheres nuas que usavam arco e flecha, no rio 
Amazonas, Orellana então as chamou de amazonas, 
fazendo referência também a mitologia grega, onde as 
mulheres não aceitavam homens em suas tribos, dando 
origem ao nome de floresta amazônica. 
Em 1541, o aventureiro e explorador espanhol, 
Francisco de Orellana foi o primeiro navegador a 
completar o trecho desde os Andes até o Oceano 
Atlântico. A cada região que a expedição passava, 
deparava-se com encantos e surpresas. Navegavam 
pelo Mar Dulce (nome dado ao Rio Amazonas por 
Vicente Yáñez Pinzon). O explorador Pinzon, que 
participou da primeira expedição de Cristovam 
Colombo, descobrindo em 1492 a América, não 
navegou por completo o Rio Amazonas. No momento 
que Orellana vislumbrava uma das mais encantadoras 
paisagens, foi surpreendido com um fulminante ataque 
por uma tribo de mulheres às margens do Rio 
Nhamundá, que lançavam flechas e dardos de 
zarabatanas, aprisionando Orellana. 
Houve confronto e mortes, flechas voam contra 
os barcos, acertando inclusive nosso cronista que 
morreria caolho. Porém a comitiva de Orellana, depois 
de perder a metade da tripulação no confronto, 
conseguiu fugir levando alguns índios aprisionados. 
Estes índios, que serviam às mulheres, foram 
longamente interrogados, relatando os costumes, o 
modo de vida daquela tribo e as tradições das 
guerreiras. Informou também que existiam setenta 
aldeias das valentes índias ao longo do Rio Nhamundá. 
Rio de Las Amazonas (Rio das Amazonas) foi assim 
batizado por Orellana, comparando com as Amazonas 
da mitologia grega. Hoje, o Rio Amazonas, o maior rio 
do mundo, é referência do planeta Terra, e o mito das 
Amazonas continua vivo nas nossas lembranças 
culturais. 
As índias Amazonas, guerreiras do Nhamundá, 
eram altas, esbeltas, formosas, ágeis e corajosas. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Amazonas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cordilheira_dos_Andes
https://pt.wikipedia.org/wiki/Peru
https://pt.wikipedia.org/wiki/Oceano_Atl%C3%A2ntico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_de_Maraj%C3%B3
https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Caudal
https://pt.wikipedia.org/wiki/Selva_tropical
https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil_Colonial
https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil_imp%C3%A9rio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Capitania_do_Gr%C3%A3o-Par%C3%A1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Capitania_do_Rio_Negro
https://pt.wikipedia.org/wiki/1821
https://pt.wikipedia.org/wiki/1889
https://pt.wikipedia.org/wiki/Feliz_Lusit%C3%A2nia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_do_Par%C3%A1
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4 
 
Moravam em casas edificadas em pedra, com portas e 
portões resistentes, tais como fortalezas. Manuseavam 
com extrema habilidade o arco e a flecha, protegendo 
seu povo com muita coragem e determinação. Não 
tinham maridos e viviam isoladas de homens. 
Raptavam machos nas tribos vizinhas para 
acasalamento, ficando com estes trabalhando em 
serviços pesados, até terem certeza de que estavam 
prenhas. Os filhos do sexo masculino ficavam em suas 
companhias durante o período de amamentação, sendo 
levados posteriormente para a aldeia do pai. Ficavam 
com as filhas fêmeas, as quais eram educadas no 
regime das Amazonas. Desde criança, o seio do lado 
direito das meninas era atrofiado com queima e outros 
processos que elas desenvolveram, para facilitar o 
manuseio do arco e flecha. Montavam em potros 
bravos, amansavam cavalos do mato com destreza para 
as lidas diárias e fiscalização dos seus territórios. Elas 
mantinham suas aldeias com muito trabalho e 
garimpagem de ouro e prata. 
A Lua era a Deusa e protetora das Amazonas. O 
dia de lua cheia era intensamente festejado, com 
danças, cânticos e oferendas. As filhas de Jaci 
coroavam-se de flores e, num ritual místico, antes da 
lua atingir o ponto mais alto, conduziam potes com 
perfumes e derramavam no lago como gesto de 
purificação. Consideravam o lago como sagrado e 
espelho da lua. Quando a lua atingia o ponto mais alto 
no espaço, elas festejavam e mergulhavam no fundo do 
lago, trazendo um barro esverdeado. Moldavam essa 
argila, dando formas variadas, entre elas: rãs, peixes e 
tartarugas. A escultura tornava-se um amuleto, com 
interessantes formas, muito resistente, denominado 
muiraquitã. Penduravam no pescoço, certas da energia 
contra moléstias, desgraças e influências negativas. 
FAZENDO VOCE APRENDE MAIS 
7 - como se originou a expressão Amazônia? 
8 – quem atribuiu esse nome aorio amazonas? 
9 – como era o regime das amazonas, segundo 
a mitologia? 
 
leitura complementar: 
Transformando a amazônia com o trabalho 
Vamos começar este capítulo de um modo 
diferente. A proposta é a seguinte: feche os olhos. 
Pode parecer um pouco estranho um texto de livro 
pedir para não vermos nada. Afinal, livros foram 
feitos para serem vistos, explorados com os olhos. 
Mas não se assuste: feche os olhos e preste atenção 
nos barulhos ao seu redor. Consegue identificá-
los? Que barulhos você está ouvindo? Sabe de 
onde eles vêm? Como eles se formam? Há sons 
mais altos e outros mais baixos? Parecem mais 
próximos ou mais distantes? E o silêncio? E 
possível ouvir o silêncio? Quando tudo parece 
silencioso, será que está tudo parado mesmo, como 
se nada estivesse acontecendo? 
Você pode ouvir? Você tem algum colega que 
não pode ouvir? Se tiver, ele provavelmente 
poderá sentir as vibrações que o som emite. 
Pergunte a ele como é isso. Sabia que quem não 
pode ouvir ou falar também pode fazer sons com 
seu corpo? Assim como quem não pode ver é 
capaz de perceber os movimentos e mudanças à 
sua volta. 
A natureza, em suas diferentes manifestações, 
provoca sons que podem perturbar nossos ouvidos 
ou soar como uma música suave. Em nosso pla-
neta, tudo está em permanente movimento e isso 
produz os mais variados sons. Mesmo quando 
estamos parados, existe em nós uma grande 
quantidade de movimentos realizados dentro do 
nosso corpo. 
Vamos imaginar alguns desses movimentos? 
Ainda de olhos fechados, tente identificar o que 
está funcionando dentro do seu corpo. Se você en-
costar seu ouvido no tórax do seu colega,escutará 
o coração dele batendo. A respiração, por exemplo, 
acontece todo o tempo, mas na maioria das vezes 
nem faz barulho. Cada vez que respiramos, o ar se 
modifica e nós também nos modificamos. Tudo o 
que fazemos, com barulhos que podemos ouvir ou 
não, modifica o mundo e a nós mesmos. 
A natureza, fazendo barulho ou não, também 
está em permanente movimento, mudando 
sempre. Aquilo que às vezes parece uma simples 
manifestação da natureza pode provocar um som 
bastante significativo. Um pequenino beija-flor 
pode conduzir sementes ou microrganismos de um 
lugar para outro e, com isso, modificar a paisagem. 
Não parece fazer barulho, mas faz. 
Os barulhos que as pessoas produzem são os 
mesmos que a natureza produz? Quais sons nós 
produzimos que a natureza não é capaz nem de 
imitar? E o contrário? Parece complicado, mas não 
é. Por exemplo, você já ouviu a chuva cair? O 
barulho que ela faz quando cai na terra é o mesmo 
que ela faz quando cai em um telhado? Esse 
barulho não existia antes de as telhas serem 
criadas. Para cada tipo de telha que inventamos, o 
barulho da chuva muda. Porém, o som das gotas 
caindo na terra nunca mudou. Animais também 
fazem barulho para se comunicarem: o latido do 
cão, o miado do gato, o relinchar do cavalo... Esses 
sons são os mesmos há milhares de anos. 
Mas será que nós, seres humanos, nos 
comunicamos do mesmo jeito ao longo da 
\ 
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5 
 
História? Há milhares de anos, desenvolvemos a 
capacidade de falar. Dependendo de onde e de 
como vivemos, a língua falada muda e hoje 
existem inúmeros idiomas diferentes e recursos 
para nos comunicarmos. Mas você sabia que até 
mesmo a Língua Portuguesa falada no Brasil 
sofreu alterações? Existem muitas palavras usadas 
hoje em dia que seus avós nem sequer sabiam que 
existiam. 
Agora abra novamente os olhos, escute bem e 
veja com calma o que acontece ao seu redor. Aqui 
onde vivemos, já ocorreram e continuam 
ocorrendo ações e movimentos o tempo todo. Com 
isso, a natureza e a sociedade também vão se 
modificando todo o tempo. As mudanças 
provocadas pela ação humana são diferentes das 
provocadas pela natureza. Além de agir por 
instinto, como os outros animais, nós também 
somos capazes de planejar nossas ações, 
decidindo fazer uma coisa ou outra, de acordo com 
nossas necessidades, capacidades e interesses. Isso 
é o que chamamos de trabalho: transformar a 
natureza de maneira planejada, intencional, 
porque queremos ou precisamos. Construir casas 
com telhas que inventamos e produzimos é 
trabalho humano. Na Amazónia, muitas coisas 
mudaram durante o longo tempo de ocupação 
humana e de exploração das riquezas da natureza 
por meio do trabalho das pessoas. 
De olhos bem abertos, observe à sua volta e 
veja o quanto já transformamos o mundo em que 
vivemos, quanta coisa a natureza nos deu e o 
quanto já fizemos com tudo isso. Algumas 
mudanças vieram para melhorar nossa vida e 
outras, nem tanto. 
O que vamos estudar neste livro é um pouco 
disso tudo: o lugar em que vivemos, como e por 
que ele se modifica, como nós o modificamos e 
como essas mudanças acabam mudando nosso 
jeito de viver também. 
Com o auxílio da Geografia, entenderemos a 
Amazônia e como transformamos nosso lugar e 
nós mesmos. Com a ajuda da História, compreen-
deremos como isso tem acontecido ao longo dos 
tempos. E com tudo isso, esvendai 
nossa arte e cultura, que fazem de nós um povo 
único e diferente ao mesmo tempo. 
Tudo isso está bem junto e misturado, pois a 
história que acontece ao longo dos tempos ocorre 
em um espaço, em um lugar - no nosso caso, na 
Amazónia -, e acaba por aparecer nas nossas 
formas de contar, cantar, desenhar, pintar, dançar, 
cozinhar, conversar, trabalhar e lembrar histórias. 
COMPREENDENDO O TEXTO 
10 - 0 que nós temos em comum com os 
outros animais? 
11 - 0 que temos de diferente dos outros 
animais? 
12 - De acordo com o texto, o que é trabalho? 
13 - 0 que a Geografia estuda? 
14 - que a História estuda?será que é possível 
estudar a história e a geografia da Amazónia em 
um só livro? Por quê? 
15 - Os outros animais tambem podem 
transformar a natureza? Como? 
 
UMA HISTÓRIA NOVINHA COM MAIS DE 10 
MIL ANOS 
O título deste capítulo já não é tão estranho para 
você, certo? Porque agora você já sabe que as 
novidades podem ser de hoje cedo, podem ter 10 mil 
anos ou muito mais... 
Pode parecer estranho, mas sabia que a notícia 
que veremos agora fica mais nova a cada dia que passa, 
justamente por ser mais antiga? Isso é simples, quer 
ver? 
A história da Amazónia se inicia quando as 
primeiras pessoas começaram a ocupar essa região, 
procurando alimento, água e lugar para morar. Isso foi 
há muito tempo, muito antes de existir Belém, Manaus, 
Macapá, Rio Branco, Porto Velho, Boa Vista, Cuiabá, 
Palmas, São Luís, ou qualquer outra cidade da 
Amazónia. Estamos falando de grupos humanos 
nómades. 
Não se preocupe se você não sabe o que são 
grupos nómades, afinal, a proposta do livro é ensinar 
assuntos novos, certo? Nómades são grupos humanos 
que não têm lugar fixo para morar e, por não se aterem 
à criação de animais ou ao cultivo de plantas, migram 
para outros lugares em busca de alimento. Isso ocorria, 
pelo menos, há mais de 12 mil anos, embora na 
atualidade ainda existam grupos nómades. 
Depois de um tempo, quando os humanos 
aprenderam a trabalhar a terra e com a criação de 
animais resolveram estabelecer-se na região. Afinal, 
não havia mais a necessidade de procurar por alimentos 
e migrar de uma região a outra. Assim, os grupos 
nómades se transformaram em grupos sedentários. 
Muitas são as pesquisas sobre esses grupos humanos 
antigos, mas muito ainda precisamos saber. Quanto 
mais a ciência avança, mais vamos descobrindo coisas 
antigas e inventando novas formas de pesquisar e 
guardar o que descobrimos. 
Já sabemos, por exemplo, que eram grupos 
coletores e caçadores que aprenderam a retirar da 
floresta o que precisavam para sobreviver, mas sem 
destruí-la. Esses grupos humanos não só aprenderam a 
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6 
 
conviver com a floresta, mas também a transformá-la 
em sua casa. 
Ainda hoje, quem mora na Amazónia sabe que a 
floresta é nossa casa, ou melhor, que nossa casa está na 
floresta. Vivemos cercados por ela e dela ainda tiramos 
nosso sustento. Pelas águas de nossos rios levamos e 
trazemos quase tudo de que precisamos para viver. 
O passado está presente 
Muito do que esses homens primitivos fizeram e 
a forma como conviviam com a floresta podem ser 
conhecidos se prestarmos atenção nas marcas que eles 
deixaram. Por exemplo, os cientistas que estudam esses 
grupos humanos analisam as pinturas rupestres, que 
eram feitas, por exemplo, nas paredes das cavernas 
usadas como abrigo. Nesse tipo de arte, está re-
presentado o modo de vida do grupo e como este lidava 
com a natureza. Analisando as pinturas deixadas nas 
paredes das cavernas, podemos saber como eram as 
caçadas, os rituais, as armas, os medos que 
enfrentavam. 
As pinturas, os objetos, os fósseis e os achados 
arqueológicos são como ―espelhos do passado‖ podem 
revelar como esses grupos antigos viviam. Por 
exemplo, analisando as cerâmicas deixadas pelos 
homens antigos em seus acampamentos, podemos 
entender quais conhecimentos eles tinham da natureza, 
quais caminhos fizeram, por onde andaram. Com testes 
feitos em laboratórios, já é possível até saber a idade 
aproximada de materiais orgânico como fósseis. 
A arqueologia 
A arqueologia é a ciência que estuda os povos 
que já desapareceram. E um trabalho delicado, caro e 
demorado. Delicado porque é preciso ter muito 
cuidado para juntar as peças, que são muito antigas e, 
portanto, frágeis. Os arqueólogos, quando identificam 
algo que pode ser uma fonte de informações sobre os 
homens antigos, por menor que seja, demarcam o solo 
que passaa ser um sítio arqueológico. Quando é 
necessário e possível, fazem camadas de escavação 
cada vez mais profundas. 
Quanto mais profunda é a camada, mais antiga é 
a descoberta. E os arqueólogos não retiram as peças de 
qualquer jeito: é preciso usar um pincel para afastar a 
terra em volta dos achados. Isso pode levar dias, 
meses... Você já imaginou quanta paciência e 
dedicação eles precisam ter para ficar varrendo o solo 
do sítio arqueológico com um pincel? 
Ê também demorado porque o arqueólogo 
precisa saber muito sobre cada povo, cada grupo 
humano, seus hábitos de alimentação, seus costumes 
de moradia, sua cultura. Quanto mais estuda, melhor 
entende os objetos e fósseis encontrados em sua 
pesquisa. Além disso, não é fácil localizar esse 
material que, em geral, está enterrado ou é descoberto 
em cavernas usadas como abrigo pelos homens e 
mulheres que viveram há milhares de anos. 
Só para descobrir se uma determinada região 
pode ser fonte de informação dá muito trabalho e, às 
vezes, os pesquisadores passam anos examinando uma 
mesma região. Por ser uma atividade tão delicada e de-
morada, esse tipo de pesquisa acaba sendo caro. Uma 
vez que os pesquisadores fazem disso o seu trabalho e, 
como todos os seres humanos, desde os mais antigos, 
precisam sobreviver do seu trabalho. Manter acampa-
mentos e aparelhos para escavações requer 
investimento, em que o lucro é o conhecimento de 
nossos antepassados. Mas, de outro lado, também é 
fascinante. Já pensou? Reconstruir a vida de um 
passado bem antigo, recolhendo e interpretando seus 
vestígios... 
FAZENDO VOCÊ APRENDE: 
16 - como é possivel reescrever parte da 
historia primitiva da amazonia, mesmo tao distante 
no tempo? 
17–que aspectos da vida passada os 
arquelogos buscam compreender? 
18 – ainda existem homens nomades hoje? 
19 – identifique o sentido da expressão como 
“espelhos do passado” 
20 – descreva etapas do trabalho do 
arqueologo; 
 
TEXTO COMPLEMENTAR 
Arqueologia na Amazônia 
 Muitos estudiosos se dedicam à pesquisa 
sobre a ocupação inicial do lugar que hoje 
chamamos de Amazónia. 
Entre esses estudiosos, podemos citar a 
professora Anna Roosevelt, que, em 1996, 
coordenou uma pesquisa na região de Pedra 
Pintada, em Monte Alegre, perto de Santarém, no 
Pará. Ela e sua equipe encontraram pontas de 
lanças e cacos de cerâmica de mais de 6 mil anos. 
As cerâmicas, que têm sido encontradas ao 
longo das margens dos grandes rios da 
Amazónia, indicam um possível cultivo de 
plantas, principalmente a mandioca e a pupunha, 
através da técnica da coi-vara. Aos poucos, deu-se 
início à agricultura e ao sedentarismo. No 
Amazonas, machados de pedra polida ou lascada 
evidenciam a presença humana intensa. 
Isso sem falar na cerâmica marajoara, fruto 
do trabalho dos indígenas da Ilha de Marajó, 
também no Pará, e que é conhecida no mundo 
todo. No Maranhão, os sambaquis, montes de 
conchas e outros materiais orgânicos, serviram 
como túmulos para os primeiros grupos humanos 
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7 
 
dos quais se tem registro no estado. Estudar esses 
achados maranhenses, como os de Pindaí e 
Maiobinha, identificados ainda no começo do 
século XX, nos ajuda a compreender a ocupação 
da Amazónia. Os pesquisadores retiram as peças 
e, por meio delas, reconstroem a história desses 
antigos habitantes. 
No Parque Nacional da Chapada dos 
Guimarães, em Rondonópolis, no Mato Grosso, 
há mais de 30 anos, pesquisadores investigam a 
presença humana na Cidade de Pedra, um 
monumental acervo a céu aberto. No Acre, as 
figuras geométricas imensas descobertas após o 
desmatamento são outras marcas da presença 
humana na região. No alto do Monte Roraima, a 
pintura deixada nas pedras marca a passagem dos 
indígenas Macuxi. 
Porém, por mais fascinantes que sejam 
essas descobertas, tudo isso corre perigo. Ao 
longo dos anos, muita cerâmica foi retirada dos 
aterros por exploradores que não tinham 
informação e, muitas vezes, visavam apenas a 
interesses comerciais. As pinturas rupestres têm 
sido destruídas em razão de vários fatores: por 
meio da agricultura, da construção de grandes 
hidrelé-tricas e de tantos outros feitos do nosso 
tempo. Essas interferências têm colocado em 
risco as formas de registro do passado. Se não 
cuidarmos desse patrimônio, nossa história 
poderá ser apagada. 
COMPREENDENDO O TEXTO 
21 - Você é nômade ou sedentário? Justifique 
sua resposta 
22 - Por que os primeiros grupos humanos 
eram nômades? 
23 - Como é o trabalho dos arqueólogos? 
24 - pesquise na internet e identifique quais 
caminhos os grupos humanos poderiam ter feito até 
chegarem ao continente americano. 
25 - Nós também estamos deixando nossas 
marcas. Observe o lugar em que você mora e 
descubra qual é a marca mais antiga que pode ser 
encontrada. 
26 - Pense nas pessoas que, por alguma 
razão, não sabem ler nem escrever. Elas também 
deixam suas marcas? Como? Justifique. 
27 – agricultura é uma atividade mais 
adequada aos nômades ou sedentários? 
 
INDÍGENAS, MUITOS INDÍGENAS 
Ao longo de todos esses anos, os primeiros 
grupos humanos que ocuparam a Amazónia foram se 
multiplicando, transformando a natureza e se 
transformando também. Com o tempo, tornaram-se 
numerosos e diversos. Hoje, muitos grupos que 
estavam aqui há milhares de anos antes da chegada dos 
colonizadores europeus nem existem mais. 
Por que isso aconteceu? Onde estão os indígenas 
que ocupavam a floresta, as margens dos rios? Como 
eles conseguem sobreviver, hoje, sem serem nómades? 
Tudo de que eles precisam é encontrado dentro das 
áreas que hoje estão demarcadas? 
Essa história vem de longe e vale a pena ser 
lembrada. Olhando à nossa volta, fica difícil acreditar 
que, há pouco mais de 500 anos, eles eram os únicos 
habitantes da atual Amazónia Legal - e que eram 
tantos. No Brasil inteiro, havia entre 2 e 4 milhões de 
indígenas antes dos europeus chegarem por aqui. 
Então, por que a população dos povos indígenas, em 
vez de aumentar, diminuiu e, em muitos casos, 
desapareceu? 
 
E os indígenas hoje? 
Segundo o Instituto Socio ambiental (ISA), hoje, 
em todo o Brasil, os indígenas são quase 900 mil 
pessoas, sendo que cerca de 600 mil estão vivendo em 
áreas rurais e quase 300 mil estão espalhados pelas 
cidades. No mundo todo, são 5 mil povos indígenas, 
agrupando 350 milhões de pessoas. Há 40 anos, no 
Brasil, eles não chegavam a 100 mil pessoas e vários 
estudiosos acreditavam que os grupos indígenas 
brasileiros seriam extintos. 
A população indígena remanescente, junto com 
muitos movimentos sociais, órgãos públicos e 
estudiosos, tem travado uma luta constante em defesa 
de sua cultura e isso tem dado resultado. Muitas 
pessoas, hoje (ao contrário do que ocorria há algumas 
décadas), lutam pela defesa de sua identidade indígena 
e isso se tornou uma questão nacional. 
Mesmo assim, ainda há muito a se fazer para 
manter vivas essas populações e sua cultura. Entre os 
mais de 230 povos indígenas que vivem em território 
brasileiro, sete tem menos de 40 pessoas. Ou seja, 
correm ainda risco de desaparecer. 
No Brasil, a maioria dos indígenas - cerca de 500 
mil pessoas, organizadas em quase 180 grupos - está 
na Amazónia Legal e isso revela o tamanho da 
responsabilidade de todos nós, especialmente de quem 
governa o país e os estados da região, na preservação 
da vida e da cultura dos povos indígenas brasileiros. 
Antes dos portugueses chegarem aqui, os 
indígenas eram mesmo muito mais numerosos, mas, 
para descobrir o que houve com os vários povos que 
aqui viviam, teremos de voltar um pouco no tempo. 
Voltando ao começo 
Primeiro, vamos falar de quem chegou primeiro: 
milhares de indígenas, organizados em centenas de 
grupos, falando centenas de iialetos, ocuparam áreas 
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que hoje chamamos de Pará, Amazonas, Rondônia,Roraima, Amapá, Tocantins, Acre, Maranhão ou Mato 
Grosso, ou seja, os estados que formam a Amazónia 
Legal. 
Muito tempo depois, por volta do ano 1500, 
chegaram os europeus. Os indígenas que ocupavam 
essa região se organizavam em grupos que viviam em 
terra firme ou nas várzeas. Eles já conheciam a 
agricultura e plantavam parte de seus alimentos, 
principalmente a mandioca, além de ainda continuarem 
retirando da mata a maior parte do que precisavam 
para viver. 
 
DESAFIO: 
28 –diferencie os grupos indigenas da amazonia 
primitiva que era de terra firme e os da varzea; 
29 – qual o principal objetivo dos portugueses 
ao atacar as tribos indigenas na amazonia? 
 
Os povos que viviam em terra firme eram 
menores, organizados em grupos de aproximadamente 
100 pessoas; já os que viviam nas várzeas, ou seja, nas 
margens dos rios, eram mais numerosos. Como a 
ocupação colonial ocorreu a partir dos rios, os 
indígenas foram os primeiros a ser escravizados e, 
muitas vezes, extintos. Assim, em menos de 200 anos, 
foram dizimados grandes grupos indígenas da 
Amazónia, como os Tupinambás, os Aruãs, os Tapajós 
e os Omáguas. 
Mais uma vez, vamos descobrindo que a história 
da Amazónia Legal é bem mais antiga do que parece. 
Quem nasce ou mora nessa região vê a presença 
indígena em tudo que faz, come, veste, canta, dança, 
brinca, joga, fala e escuta. Isso porque essa presença é 
parte da nossa origem, da nossa vida, do que somos. 
Desde que chegaram ao Brasil, os colonizadores 
europeus promoveram ataques contínuos contra os 
indígenas com a finalidade de prendê-los e vendê-los 
como escravos. Havia até gente especializada em 
capturá-los, dizendo que eram "caçadores de 
indígenas". 
 
COMPREENDENDO O TEXTO 
30 - que são as Terras Indígenas (Tis)? 
31 - Com a ajuda de um dicionário, pesquise o 
significado destas palavras: 
Pecuaristas 
demarcação 
Constituição 
32. Por que a maior parte das Terras Indígenas 
se localiza na Amazónia Legal? 
33 - As Terras Indígenas ocupam 
aproximadamente 13% do território nacional. Você 
acha que é muita terra para uma população tão 
pequena? 
34 - – Para os indigenas, as terras em que vivem 
estao divididas em estados, paises ou municipios? 
Explique 
35 - o que sao indigenas isolados? Eles ainda 
existem na Amazonia legal? 
 
PROGRAMA DE INDIO? 
Você já ouviu a expressão "programa de índio"? 
Pensando bem, essas e outras formas preconceituosas 
de se referir aos indígenas são expressões típicas de 
pessoas que se julgam superiores aos indígenas e 
desconhecem completamente a sabedoria e a riqueza da 
cultura das nações indígenas. 
Cada etnia tem seu jeito de pensar e de representar 
o mundo, de pro-duzir sua sobrevivência, de lidar com 
a natureza e com as outras pessoas. Você sabe o que é 
etnia? 
DESAFIO: 
36 - procure informaçoes sobre a expressao 
programa de indio e diga por que tem o sentido 
de uma expressao preconceituosa? 
Quando um povo tem sua própria cultura, língua e 
identidade, dizemos que ele compõe uma etnia. Não 
existe só um povo indígena, mas vários, formando 
sociedades distintas umas das outras. Por isso, dizemos 
que o povo Araweté forma uma etnia; os Munduruku, 
outra etnia; os Pa-rakanã, outra, e assim por diante. 
Dessa forma, o modo de vida dos povos indígenas 
varia de etnia para etnia e depende muito do lugar onde 
se vive. Alguns moram perto dos rios; outros, nas 
florestas; outros, ainda, em regiões com pouca 
vegetação. 
Na Amazónia Legal, há cerca de 80 etnias 
espalhadas pelos nove estados. As maiores etnias 
indígenas da Amazónia são os Tikuna, com mais de 46 
mil pessoas vivendo no Amazonas e ainda resistindo à 
ação de madeireiros e mine-radores em seu território. 
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE), a etnia com maior população em 
uma única Terra Indígena é a Ianomâmi, com cerca de 
25,7 mil pessoas vivendo no Amazonas e em Roraima. 
A Amazónia Legal concentra cerca de 80 etnias. 
Cada uma delas tem sua língua, seus costumes, sua 
maneira de se relacionar com o ambiente onde vive. 
Cada um desses grupos tem seu modo de ver e 
transformar o mundo, entender a vida e a natureza de 
uma maneira própria. 
De outro lado, há povos como os Akuntsu, em 
Rondônia, com apenas cinco pessoas; ou os Juma, 
também em Rondônia, com quatro pessoas. Hoje, a 
maioria dos indígenas são mulheres, porém, entre os 
que vivem no campo, a maioria são homens. 
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Há algumas semelhanças entre as etnias indígenas 
que vivem no Brasil. Por exemplo, em aldeia indígena, 
todos trabalham: os homens derrubam uma parte das 
matas para construir casas para morar e preparam a 
terra para plantação, além de caçar, pescar e participar 
das atividades guerreiras. As mulheres plantam, colhem 
e cuidam das crianças. Todos trabalham e tudo o que é 
produzido é dividido entre eles. Os indígenas retiram 
da natureza tudo o que precisam para viver. Eles sabem 
que dependem dela e por isso a protegem. O trabalho 
não visa ao lucro, mas, sim, ao equilíbrio com a 
natureza e os diversos grupos. 
O preconceito contra indígenas não se refere 
somente à expressão "programa de índio". Também é 
comum ouvir pessoas falando que eles são preguiçosos, 
mas eles plantam, colhem, caçam e pescam sem a ajuda 
dos equipamentos que outras sociedades têm à 
disposição. 
As crianças indígenas também trabalham e ajudam 
a manter a aldeia. As meninas ajudam a cuidar dos 
mais novos, e os meninos auxiliam na caça, 
acompanhando os mais velhos. Trata-se de uma 
sociedade funcional. 
Os indígenas têm muito com suas crianças. Em 
várias etnias, os adultos só conversam agachados com 
as crianças. Agindo assim, eles demonstram o respeito 
que têm por elas e não usam sua altura para controlá-las 
e mostrar superioridade. Não existem crianças 
indígenas abandonadas, por mais dificuldades que seu 
povo esteja passando. 
Ao longo da história dos povos indígenas, muito 
de seu jeito de viver, de educar, de tratar a natureza, de 
trabalhar tem sofrido grandes mudanças. Os indígenas 
que conseguiram sobreviver ao longo do tempo nem 
sempre conseguiram manter seu jeito antigo de ser e de 
viver. 
ATIVIDADE 
37 - Explique, com suas palavras, o que é etnia. 
38 - Você já ouviu comentários preconceituosos 
sobre os indígenas? Agora que você conhece um 
pouco mais sobre eles, o que você diria a quem 
manifestasse preconceito contra os indígenas? 
39 – por que os indígenas protegem tanto a 
natureza? 
40 – descubra o sentido da expressão sociedade 
funcional; 
 
ALÉM DA LENDA - O Caipora 
 O Caipora é o protetor de animais e plantas da 
floresta. Sua atividade consiste em espantar os animais 
para que os caçadores não os matem. Quando encontra 
um caçador no mato, o Caipora começa a andar sem 
rumo até que o caça¬dor se perca na floresta, não 
encontrando mais o caminho de volta para casa. 
O Caipora possui o corpo todo coberto de pelos e 
é muito rápido, razão pela qual o homem não consegue 
alcançá-lo. Anda sempre montado em um porco-do-
mato e galopa pela floresta cumprindo sua missão. 
Costuma, também, para desnortear os caçadores, 
emitir um assobio que causa arrepios de pavor a todos 
aqueles que o escutam. 
Seu nome significa "habitante do mato". Em 
algumas regiões do Brasil, o Caipora é também 
conhecido por Curupira. PARATURISMO. Site oficial 
de turismo do estado do Pará. 
41.Você já tinha ouvido falar no Caipora ou 
Curupira? 
42.Qual é, segundo a lenda, o trabalho do 
Caipora? 
43.Você sabe que o Caipora é uma lenda e não 
vai resolver os problemas ambientais da Amazônia. 
44. Mas se fosse real, o que você poderia fazer 
para ajudá-lo nessa missão? 
 
 
2º BIMESTRE - O Amapá no período pré 
colonial 
Em busca da nossa identidade 
Estamos iniciando, neste ano, uma interessante 
viagem que começa num passado distante até chegar 
aosdias atuais do nosso Amapá. Uma incrível jornada 
feita por índios, conquistadores, aventureiros, 
trabalhadores escravos retirados à força da sua terra e 
pessoas que, como você e seus colegas, participam da 
cons¬trução da nossa história. 
No carnaval de 2008, a Escola de Samba Beija-
Flor de Nilópolis, do Rio de Janeiro, em homenagem 
aos 250 anos da fundação da cidade de Macapá, 
mostrou, em seu desfile, a história de nossa terra e os 
costumes de muitas expedições e povos que cruzaram a 
linha do equador, contribuindo, assim, para a formação 
cultural do nosso estado. 
 
O Brasil pré-cabralino: nossos povos indígenas 
antes da chegada dos portugueses 
Quando os primeiros portugueses chegaram às 
terras brasileiras, há mais de 500 anos, uma variedade 
grande de povos indígenas já vivia por aqui. A maioria 
dos pesquisadores que estuda o nosso passado afirma 
que existiam entre 4 a 5 milhões de índios habitando as 
terras que, mais tarde, seriam chamadas de Brasil. 
O modo de vida dos nossos primeiros habitantes 
era muito variado, mas, de forma geral, sobreviviam da 
caça, da pesca, da coleta e do cultivo de mandioca 
(macaxeira), milho, amenoim, cará, batata-doce e 
outros vegetais. Ape sar de muitos desses povos já 
conhecerem a agricultura, a maioria era seminômade, 
isto é, quando o solo tornava-se infértil e a caça 
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
10 
 
reduzida, migravam para outras regiões em busca de 
melhores condições de sobrevivência. Ja Nas 
comunidades indígenas que já existiam na região neste 
período, o trabalho, de forma geral, era comunitário, 
pois tudo que era produzido, caçado, pescado ou 
colhido era dividido entre os membros da co munidade. 
A divisão do trabalho era estabelecida da 
seguinte forma: cabiam às mulheres as tarefas do 
cultivo, cuidar das crianças, cozinhar, fazer as bebidas 
e o artesanato. Aos homens, eram reservadas as tarefas 
que exigiam maior esforço físico como a derrubada da 
floresta para o cultivo, a produção de armas e canoas, a 
construção de ocas, a caça, a pesca e, quando 
necessário, a guerra. 
Cada aldeia possuía um chefe que era respeitado 
por todos em virtude de conhecer as tradições do povo. 
Apesar de ser uma autoridade respeitada, suas decisões 
dependiam da aprovação de um conselho formado por 
todos os índios adultos da comunidade. 
Havia, também, um líder religioso muito 
respeitado pela comunidade, pois era o intermediário 
entre os homens e o mundo sobrenatural. Era ele que 
organizava as festas religiosas, os rituais fúnebres e 
intercedia pela proteção dos guerreiros durante as 
guerras. Além disso, dominava, como ninguém, os 
conhecimentos curativos das plantas da floresta, 
fazendo, também, o papel de curandeiro (aquele que 
cura). 
Tarefa 1: 
1 - Tendo como referência as informações do 
capítulo, escreva, no caderno, como eram divididas 
as tarefas entre homens e mulheres indígenas na 
maioria das tribos. 
2 - Deforma geral, quais as principais 
diferenças entre o trabalho das mulheres indígenas 
na época da chegada dos colonizadores europeus 
com o das mulheres brasileiras na atualidade. 
Procure ter, como referência atual, as mulheres mais 
próximas de você: mãe, irmã, parentes de forma 
geral, professoras, etc. 
3 - Agora, reflita sobre como está dividido o 
trabalho entre homens e mulheres na sociedade 
brasileira atual. Eles têm os mesmos direitos? Eles 
podem desenvolver os mesmos tipos de trabalho? 
Faça um comen-tário sobre isso. 
 
TAREFA 2: MOMEMTO DE 
INVESTIGAR 
5 - Conforme você pôde perceber, os chefes 
indígenas sempre tomam suas principais decisões 
após consultar um conselho, formado pelos índios 
adultos da comunidade. 
6 - Na sua escola, existe um conselho escolar? 
Caso exista, entreviste alguém que dele participa 
(professor, coordenador pedagógico, diretor, etc.) 
para saber como funciona. Em seguida, registre, em 
seu caderno, quais são os aspectos semelhantes entre 
esse conselho e os conselhos indígenas. 
7 - . São inúmeros os casos de "trabalho 
comunitário" na nossa sociedade. Um dos melhores 
exemplos é o "mutirão". Faça uma pesquisa sobre 
como funciona um mutirão. 
8 - P roduza um texto comparando a forma de 
trabalho comunitário dos indígenas com o mutirão 
da nossa sociedade atual. 
 
TEXTO COMPLEMENTAR – VIVER C0MO 
ÍNDIO 
"A terra não era de um dono só. 
A terra era de toda comunidade. 
É na terra que a gente planta a nossa roça. 
A terra dá toda fruta do campo, 
dá toda fruta do mato. 
O mato não pode acabar. 
Por isso, nós não cortamos pau à toa. Nós só 
cortamos pau precisando fazer casa, precisando 
fazer fogo; precisando fazer canoa, precisando fazer 
pinguela, precisando fazer arco. Só quando é 
preciso! Nós também não matamos os bichos à toa. 
Só matamos a caça para comer. A roça também não 
é de um dono só. Ninguém faz uma roça sozinho. 
Ninguém come as coisas da roça sozinho. As coisas 
da roça 
A gente sempre divide com os parentes. 
Divide com quem está precisando. 
A caça também não é de um dono só. 
Quando alguém mata um bicho para comer, 
ele não come sozinho. 
Ele sempre divide. 
Quando mata peixe, divide. Quando faz 
comida, divide. 
Quando faz bebida, divide, sempre divide. 
Hoje a nossa vida ficou diferente. Hoje nós 
compramos coisas. 
Hoje nós vendemos coisas. 
— Coisa comprada, a gente também 
divide? 
— Dinheiro, a gente também divide?" 
CIMI História dos povos indígenas: 500 anos 
de luta no Brasil. 3 ed. Petrópolis: Vozes, 1986. p. 
12-40. (Adaptado) 
 
ATIVIDADE SOBRE TEXTO COMPLEMENTAR 
VIVER COMO INDIO 
9. Após a leitura do texto "Viver como 
índio", elabore, em seu caderno, uma lista com cinco 
características do modo de vida dos índios que, para 
você, são diferentes do modo de vida do homem 
urbano (que vive nas cidades) na atualidade. 
10. Após selecionar as características 
solicitadas na questão 1, justifique como são essas 
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11 
 
diferenças entre as duas culturas (indígena e 
urbana). 
11. A seguir, pense sobre as diferenças 
encontradas por todos. 
12. A seguir, voce deverá criar uma história em 
quadrinhos que melhor ilus-tre a opinião da equipe 
sobre as diferenças encontradas. Todos os grupos 
deverão apresentar a ilustração e comentá-la para a 
turma. 
TAREFA: Para interagir com o tema 
Você já estudou sobre os descobrimentos e os 
povos indígenas e deve lembrar-se das principais 
características culturais desses povos quando os 
portugueses chegaram aqui. 
13 - Discuta com seu colega e, depois, escreva 
um comentário fazendo uma comparação do modo 
de vestir dos índios antigamente e nos dias de hoje. 
Você poderá utilizar, como referência, alguma 
reportagem ou documentário a que tenha assistido 
sobre uma comunidade indígena do Amapá ou 
outras regiões do País. 
14. Em sua opinião, os indígenas, hoje, 
alimentam-se da mesma maneira que o texto "Viver 
como índio" descreve? Por quê? Para comparar a 
alimentação indígena de ontem e hoje, observe o 
seguinte texto: 
A maioria das comunidades indígenas que 
habita o nosso estado, principalmente aquelas mais 
distantes dos centros urbanos, continua, ainda 
hoje, a utilizar, predominantemente, os produtos 
naturais tais como mandioca, batata, milho, arroz, 
banana, além de frutos e raízes extraídos da 
floresta, formando uma culinária própria e 
diversificada. A carne é consumida de acordo com 
a tradição, ou seja, predomina, ainda, a caça e a 
pesca embora algumas aldeias já façam uso da 
criação de animais como galinhas e porcos. 
A alimentação dos nossos índios caracteriza-
se pela utilização de farinha em diversas receitas 
como a tapioca e, também, pelo próprio preparo 
dessa farinha, que deriva da mandioca, realizado 
pelas índias. Muito raramente, são utilizados 
ingredientes como o leite e o óleo nas bases da 
alimentação indígena. 
Nas terras amapaenses, a invasão de várias 
reservasde povos indígenas, sobretudo daquelas não 
demarcadas, por garimpeiros, madeireiros e criadores 
de gado gera conflitos queafetam, profundamente, as 
sociedades indígenas. Portanto, muitas dessas 
comunidades indígenas se organizaram para 
solucionar essa questão e conseguiram preservar suas 
terras e grande parte de seus costumes. 
 
TAREFA: 
15 - Observe o texto abaixo e, em seguida, produza um 
comentário sobre o assunto. 
No panorama da devastação social e 
ambiental, que atinge a maioria das áreas 
indígenas no país, a atual situação dos Waiãpi no 
Amapá representa um caso privilegiado. Eles 
expulsaram todos os invasores de sua terra, que 
eles mesmos demarcaram numa extensão de 
603.000 hectares e que foi homologada em maio de 
1996. Hoje, buscam alternativas de 
desenvolvimento que garantam sua autonomia 
cultural e seus direitos à exploração exclusiva dos 
recursos de sua terra. Neste processo, criaram um 
conselho de aldeias, o APINA. A experiência de 
gestão das atividades de produção e 
comercialização empreendidas pelas diferentes 
aldeias por parte do APINA vem aumentando 
significativamente atualmente. 
Nas festas de caxiri, as famílias de várias 
aldeias se reencontram para compartilhar de um 
acervo cultural que os Waiãpi têm preservado e 
fortalecido ao longo desses últimos vinte anos de 
"contato". 
 
É importante demarcar? 
Demarcar é uma forma de regularizar as terras 
indígenas e é de fundamental importância para a 
sobrevivência física e cultural dos vários povos 
indígenas. Ao assegurar o direito da terra, estamos 
assegurando, também, sua subsistência, garantindo 
seu espaço cultural e preservando suas tradições. Não 
dá para esquecer que, ao defendermos territórios 
indígenas, estamos garantindo a preservação do 
imenso patrimônio biológico para toda a humanidade. 
16 - Dê sua opiniao sobre a importancia da 
demarcaçao de terras indigenas 
17 - Como se organizavam os povos indígenas 
do Amapá antes da chegada dos portugueses 
 
Como vimos anteriormente, quando os primeiros 
portugueses aqui chegaram, não encontraram uma terra 
sem dono. Pelo contrário, existiam milhões de habitantes, 
organizados em diversas nações indígenas, com uma 
cultura riquíssima, variada e, certamente, bem diferente 
da cultura dos portugueses que, aqui, chegaram há mais 
de 500 anos. Portanto, é importante saber um pouco dos 
índios que viviam no nosso atual estado do Amapá 
milhares de anos atrás. Prepare-se, pois nossa viagem no 
tempo está apenas começando. 
A partir de meados do século XIX, vários 
estudiosos (naturalistas e arqueólogos) passaram a 
estudar sinais da presença de populações primitivas 
(sítios arqueológicos) em várias regiões que hoje fazem 
parte do estado do Amapá. Atual-mente, são registrados 
mais de 70 sítios arqueológicos concentrados nas regiões 
do Amapá, Calçoene, rio Jari, Macapá, Mazagão e rio 
Oiapoque que, juntos, correspondem a quatro fases do 
povoamento do Amapá antes da chegada dos europeus 
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12 
 
conquistadores. As fases são: Aruã, Maracá, Mazagão e 
Aristé/Cunani. 
A fase Aristé/Cunani foi a mais antiga e 
duradoura, iniciando-se por volta do século III e 
desaparecendo no início do século XVIII, junto com as 
demais fases, a partir do con-tato com os colonizadores 
europeus. Esses colonizadores influenciaram a cultura de 
grupos indígenas que vivem, atualmente, no nosso 
estado: os Palikur, os Galibi e os Karipuna. 
Achados arqueológicos recentes nas regiões de 
Cunani (município de Calçoene) e Maracá (município de 
Mazagão), principalmente artefatos de cerâmica 
(bandejas, taças, pratos, moringas, jarros, vasos e urnas 
funerárias antropo-morfas e zoomorfas), comprovam a 
existência de culturas com estilos de vida sofisticados e 
inovadores em arte e tecnologia. 
O talento artístico das civilizações Maracá e 
Cunani está sendo estudado, atualmente, por diversos 
pesquisadores. Muitas novidades, com certeza, ainda 
serão descobertas por aqueles que se esforçam para 
explicar o nosso passado (historiadores, arqueólogos, 
antropólogos, naturalistas, etc). 
 
UM DESAFIO PARA PESQUISAR: 
18. Achados arqueológicos comprovam a 
existência de povos com culturas e estilos de vida 
sofisticados e tecnologicamente avançados. O que 
teria interrompido esse processo de 
desenvolvimento? 
 
As comunidades indígenas amapaenses hoje 
Espalhadas por grande parte do território 
amapaense, as comunidades indígenas que vivem no 
nosso estado estão concentradas nos seguintes grupos 
prin-ipais: Waiãpi, Galibi do Oiapoque, Galibi 
Marworno, Karipuna do Amapá e Kalipur. Conheça 
cada uma dessas comunidades: 
WAIÃPI 
Grupo indígena originário da região do baixo rio 
Xingu que migrou há cerca de um século para as áreas 
das cabeceiras e afluentes dos rios Jari, Amapari e 
Oiapoque, ocupando, assim, áreas dos territórios do 
Amapá e da Guiana Francesa. 
Por ocuparem uma área extensa e rica em 
recursos naturais, os waiãpis tiveram muitos problemas 
com invasores em suas terras (caçadores e garimpeiros) 
e, recentemente, com empresas de mineração atraídas 
por importantes jazidas de manganês, cassiterita, ouro e 
tântalo. A construção da rodovia Perimetral Norte (BR-
210) também foi um importante fator que contribuiu 
para a presença de invasores em suas terras. 
Sua principal produção é a mandioca brava, a 
partir da qual são produzidos a farinha, o beiju, a 
tapioca, o tucupi e o caxiri. Outros produtos como 
milho, banana, cará, batata-doce, amendoim, feijão e 
abacaxi completam a alimentação. A vida religiosa está 
sempre relacionada à natureza. Rituais como a festa do 
milho, a festa do mel e a dança do peixe comprovam a 
importância da natureza na vida desse povo da floresta. 
Atualmente, os waiãpis vivem, basicamente, da 
agricultura, utilizando técnicas tradicionais de queima 
e coivara em um sistema de mutirão denominado 
pusiró. 
 
GALIBI DO OIAPOQUE 
Provenientes da região de Maná, na Guiana 
Francesa, os índios galibis migraram para a região do 
Oiapoque e, atualmente, consideram-se brasileiros, 
embora a maior parte do grupo tenha permanecido no 
território da Guiana Francesa. 
O idioma falado é uma mistura de língua nativa 
(galibi) com a creoula-patois, comum aos habitantes da 
Guiana Francesa 
Vivem da agricultura (mandioca, cará, batata, 
macaxeira, banana, abacaxi, milho e maracujá). A caça 
e a pesca completam a base da alimentação. 
 
Um aspecto interessante na vida desse povo e 0 
cuidado especial nas suas atividades de caça, pesca 
e derrubada de árvores. Acreditam que tudo na 
natureza tem dono - os animais e as plantas - e, 
quando precisam utilizar de tais elementos da 
floresta, tomam vários cuidados para não 
desrespeitá-la. 
 
GALIBI MARWORNO 
A maior parte desta comunidade indígena vive, 
atualmente, no Vale do Rio Uaçá, no município de 
Oiapoque, no norte do estado do Amapá. Os galibis se 
definem como um povo "misturado e unido", pois a 
comunidade se formou no século XVII a partir de 
antigas missões jesuíticas da Guiana Francesa e grupos 
indígenas foragidos de caçadores de escravos como os 
maraons e os aruãs. 
As atividades de subsistência, caça, pesca e 
agricultura, variam de acordo com a época do ano 
(estações). Apesar de o trabalho ser coletivo, cada 
família vende a sua produção individualmente no 
comércio local de Oiapoque e Saint Georges, na 
Guiana Francesa, e o principal produto é a farinha de 
mandioca. 
Os galibis também sao hábeis construtores de 
canoas, que sao por eles vendidas em toda a região do 
oiapoque, cassiporé e saint georges. 
 
KARIPUNA DO AMAPÁ 
Os karipunas dividem-se em 21 aldeias, 
formadas, em sua maio¬ria, às margens do rio Curipi, 
afluente do rio Uaçá, no norte do estado do Amapá. É 
uma região do baixo rio Oiapoque, nas proximidades 
do Cabo Orange, área de fronteira do Brasil com a 
Guiana Francesa. 
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13 
 
Habitam uma área de pesca abundante, onde são 
encontradas várias espécies de peixe como trai-rões, 
piramutabas, jejus, piranhas, aruanãs, acarás, tucunarés 
e pirarucus. É, também, uma região de caça abundante 
como veados, antas, pacas, cotias, guaribas, macacos, 
caititus e quatis. Organizados em grandes mutirões, 
vivem do plantio, da caça e da pesca. 
As principais aldeias (Açaizal, Espírito Santo, 
Santa Isabel e Manga) são as mais organizadas e es-
truturadas, possuindo capela, casa de festa, escola, 
enfermaria e campo de futebol. 
Como agricultores, os karipunas têm uma 
importante participação na economia das cidades 
vizinhas fornecendo, regularmente, produtos como: 
farinha, goma de tapioca, tucupi e frutas. 
 
PALIKUR 
Os primeiros registros históricos sobre os 
palikures datam do início do século XVI, ao norte da 
foz do rio Amazonas. Em meados do século XVII, 
migraram para o norte, rumo ao interior, estabelecen-
do-se entre o litoral e a região de campos alagados da 
bacia do rio Uaçá. Durante vários séculos, os palikures 
mantiveram contato com exploradores europeus 
(franceses, ingleses e holandeses) na região, levando os 
portugueses a persegui-los como inimigos 
exterminando milhares deles. 
Os palikures são hábeis pescadores; eles utilizam 
tanto o anzol e unha, quanto zagais e arcos e flechas 
nessa atividade. Dedicam-se, também, à coleta de 
ovos de tracajá, jacaré e camaleoa. 
 
Durante o verão, os palikures procuram os 
melhores locais para fazer as roças de plantação de 
banana, abacaxi, pimenta-de-cheiro, cará, como 
também da mandioca-brava para produzir farinha, a 
base da alimentação de toda a região do Oiapoque, 
lugar onde se vende parte do que produzem. 
 
MÃOS À OBRA: 
19 - Que contribuiçõesculturais indígenas são 
visíveis, atualmente, na sociedade amapaense nos 
seguintes aspectos: 
a) Vestuário 
b) Alimentação 
c) Música 
d) Artesanato 
20. "As lembranças dos índios brasileiros nos 
permitem reconstruir a história de um povo que 
vive no Brasil desde muito antes da chegada dos 
portugueses." De acordo com essa afirmativa e 
com a leitura sobre as principais comuni-dades 
indígenas amapaenses hoje, responda: 
21) Quais os meios que as comunidades 
indígenas amapaenses, atualmente, utilizam para 
garantira sua sobrevivência? 
22) Que alimentos os portugueses 
adotaram dos povos indígenas na época da 
colonização e que existem até hoje? 
23) Você e sua família consomem algum 
alimento ou prato de origem indígena? Faça, no 
caderno, uma relação desses alimentos e pratos. 
24) O contato das comunidades indígenas 
amapaenses com povos não indígenas da região 
(garimpeiros, pescadores, caçadores, madeireiros, 
etc.) provocou, e continua provocando, várias 
mudan¬ças em sua cultura. Retire, do texto, três 
dessas mudanças e exponha para seus colegas. 
25) Represente, por meio de desenhos, esses 
habitantes do Brasil em dois momentos: 
antigamente e hoje. A representação deve estar 
associada à forma de sobrevivência económica 
(agricultura, caça, pesca, comércio, etc.) 
26) Portugueses e índios começaram a 
conviver, apesar de suas culturas serem bem 
diferentes. Com as afirmações a seguir, crie uma 
tabela de cada povo de acordo com sua cultura. 
Registre-a no caderno. 
• Não matam bichos sem que haja necessidade 
de sobrevivência física ou de alimentação. 
• Matam os bichos para vender a pele. 
• O rei é o líder do povo. 
• O cacique é o líder da tribo. 
• Compram (comercializam) mercadorias para 
satisfazer a necessidade de comer e de vestir. 
• Pescam e caçam para comer. 
• Confeccionam canoas, vestimentas, etc. 
• Cortam árvores com fins lucrativos. 
• Cortam árvores somente quando necessitam 
da madeira para a sobrevivência da comunidade. 
• O trabalho é coletivo, pois o objetivo maior 
é a sobrevivência de toda a comunidade. 
27. Quais os alimentos comuns entre as tribos 
que se localizam na região do Amapá? 
28. Dos alimentos de origem indígena, quais 
são comuns encontrarmos em nossas mesas? 
29. Com base nas leituras e trabalhos 
realizados, indique três aspectos da alimentação e 
da divisão de tarefas entre os índios antes da 
chegada dos "brancos." 
30. Indique alguns aspectos no modo de viver 
e de se organizar que os indígenas aprenderam 
com a cultura dos portugueses. 
 
VOCÊ SABIA? 
0 Amapá é o primeiro estado brasileiro a ter as 
terras indígenas demarcadas! Tal fato somente foi 
possível graças à mobilização das próprias 
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14 
 
organizações indígenas locais e à pressão de grupos 
políticos locais junto ao Governo Federal. 
ENFIM, CHEGARAM OS PORTUGUESES 
Agora vamos viajar para outra parte do mundo: 
o continente europeu, há pouco mais de 500 anos. 
Na época da qual estamos falando, um pouco 
antes de 1500, o Brasil ainda não era um país, mas 
Portugal e Espanha, sim. Os europeus, incluindo 
portugueses e espanhóis, construíram grandes cidades e 
estabeleceram diversas formas de governo. Também 
inventaram modos de produzir alimentos em grande 
quantidade e elaboram importantes obras de arte; 
desenvolveram sua capacidade de entender e mudar o 
mundo por meio da filosofia e da ciência; construíram 
meios de transporte mais rápidos; elaboraram 
medicamentos. Enfim, um jeito de viver, pensar e 
trabalhar bem diferente do que havia, na mesma época, 
por aqui, nas terras que formariam o território 
brasileiro. 
 
Navegando e comerciando 
No século XV, os produtos mais ibiçadt na 
Europa (cravo, canela, pimenta) estavam nas chamadas 
índias Orientais. E era para lá que os europeus, com 
suas embarcações viajavam por meses em busca das tão 
apreciadas especiarias. Isso deu início à era das 
Grandes Navegações, outro grande marco para a 
humanidade. Cristóvão Colombo, Pedro Alvares Cabral 
e Vasco da Gama foram os maiores navegadores do 
período 
Por que os europeus desejavam as especiarias? 
Naquela época, não existia energia elétrica. Por isso, 
para conservar os alimentos por mais tempo, 
principalmente as carnes, eram essenciais temperos 
como o sal e a pimenta. 
Os portugueses chegaram às terras do Brasil 
oficialmente a partir de 1500. O pau-brasil foi a 
primeira matéria-prima aqui explorada e levada para 
Portugal. Dessa árvore, era extraído um corante 
vermelho próprio para tingir móveis e roupas. O rio 
Amazonas também foi de grande importância, já que 
dava acesso fluvial a muitos outros lugares, sobretudo o 
interior do recém-descoberto continente. Além disso, a 
região que hoje chamamos de Amazónia Legal 
despertou interesse em razão de suas chamadas drogas 
do sertão (urucum, guaraná, gergelim, anil, cacau, 
baunilha, noz de pixurim, pau-cravo, salsaparrilha, 
castanha-do-brasil, pimentas), entre outras riquezas da 
floresta, que acabaram substituindo as que vinham das 
índias. 
Além dos portugueses, outros europeus também 
desejavam obter tais riquezas dessa terra tão antiga para 
os indígenas e tão nova para eles. 
O Tratado de Tordesilhas, de 1494, dividiu as 
terras recém-conquistadas entre portugueses e 
espanhóis. Por esse acordo, a Espanha ficava com a 
maior parte da América, com acesso às terras pelos 
oceanos Pacífico e Atlântico. Para os portugueses, a 
terra era bem menor e o acesso ocorria somente pelo 
Atlântico. No mapa ao lado você poderá ver que quase 
tudo o que hoje chamamos de Amazónia Legal estava 
nas mãos dos espanhóis. 
Os portugueses logo perceberam que precisavam 
ocupar, ou pelo menos vigiar bem, a região, pois, além 
dos espanhóis, também franceses, ingleses e holandeses 
estavam almejando as terras da América do Sul e suas 
riquezas. Os franceses, por exemplo, ocuparam São 
Luís, no atual estado do Maranhão, e lá instalaram a 
França Equinocial, em 1612, depois tomada pelos 
portugueses. 
A ocupação colonial da Amazónia modificava a 
geografia do lugar. A floresta era a mesma, o rio era omesmo, mas o modo como os seres humanos a 
dividiam e ocupavam dependia dos interesses e do 
modo de vida de cada nação. Ao longo dos anos, até 
mesmo o Tratado de Tordesilhas foi sendo modificado 
em razão das diversas ocupações europeias promovidas 
por aqui. 
 
FAZENDO VOCÊ APRENDE MAIS: 
31 - que levou os europeus a se aventurar e 
dar início às Grandes Navegações? 
32 - que eram as especiarias e por que eram 
tão importantes? 
33. Quais especiarias fazem parte do seu dia a 
dia? 
34- que foi o Tratado de Tordesilhas? 
35 Você sabe quantos anos estão contidos em 
um século? E em uma década? E em um milénio? 
36. O ano 2000 pertence a qual século? E o ano 
1450? 
 
AFINAL, A AMAZÔNIA PERTENCIA AOS 
PORTUGUESES, AOS ESPANHOIS OU A 
NENHUM DOS DOIS? 
Já sabemos que uma terra com tantas riquezas 
naturais como a Amazónia não despertou interesse só 
dos portugueses. Franceses, ingleses e holandeses 
também queriam ter acesso a essa grande fonte de 
especiarias ou drogas do sertão. 
Já sabemos, também, que foi por meio do 
Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 entre 
Portugal e Espanha, que a América foi dividida entre 
esses dois reinos, os pioneiros na expansão marítima. 
Nessa época, a pirataria era, muitas vezes, 
financiada pelos reis dos países que não tinham sido 
beneficiados com a partilha das terras na América 
Colonial. Os piratas ou corsários assaltavam os navios 
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
15 
 
portugueses e espanhóis, saqueando-os, e levavam a 
madeira e as drogas do sertão para os franceses, 
ingleses e holandeses. Às vezes, a disputa pelas 
riquezas americanas ocorria na terra e no mar. 
 
Os Fortes 
Para organizar a retirada dessas riquezas da 
floresta, os europeus construíram quartéis, chamados de 
fortes, que serviam para proteger as terras contra 
ocupações estrangeiras, e armazéns, chamados de 
feitorias. O Forte do Presépio, por exemplo, deu origem 
à cidade de Belém. 
A Amazónia guarda ainda muitos desses 
testemunhos da ocupação colonial, e recebe pessoas do 
mundo todo para conhecer essa história, até hoje 
incrustada na geografia amazônica. 
A maioria dos fortes erguidos por ordem de 
holandeses, ingleses e franceses foi destruída pelos 
portugueses, na luta pelo controle no Norte da colónia. 
Esse é o caso dos Fortes de Orange e Nassau, 
construídos entre 1599 e 1600 pelos holandeses, na 
região do Xingu. 
Ainda preservado e aberto para visitas, o Forte de 
Nossa Senhora de Nazaré de Alcoçaba foi construído às 
margens do rio Tocantins, onde hoje está a cidade de 
Tucuruí, no Pará. Também foram construídos os fortes 
ingleses, ao longo da região do Oiapoque, como o Forte 
de Torrego, às margens do rio Tauregue, no Amapá. 
Perto da capital do Amapá, encontra-se a Fortaleza de 
São José do Macapá, de 1764. Também no Amapá, 
encontra-se o Forte de Santo Antônio do( Macapá, na 
margem esquerda do rio Amazonas, mas que não pode-
mos mais visitar. 
Os franceses construíram o Forte de São Luís, 
que deu origem à atual capital do Maranhão. Ainda 
existem algumas ruínas do Forte de São Marcos, tantas 
vezes destruído e reconstruído e, hoje, o que restou não 
está conservado. Em Rondônia, está o Real Forte 
Príncipe da Beira, na divisa com a Bolívia, no 
município de Costa Marques, às margens do rio 
Guaporé, uma construção portuguesa. Em Roraima, foi 
construído e destruído o Forte de São Joaquim do Rio 
Branco. Em Mato Grosso, algumas fortificações, como 
as do Barão do Melgaço, não resistiram ao tempo e aos 
combates durante o Brasil Império. 
No Amazonas, entre outros tantos construídos e 
destruídos, há o Forte de São Francisco Xavier de 
Tabatinga e o Forte de São José da Barra do Rio Negro, 
este último localizado na margem esquerda do rio 
Negro e que deu origem à cidade de Manaus, antes 
chamada de Barra do Rio Negro. 
Os espanhóis estavam mais interessados na prata 
que haviam en-contrado na América do Sul e na 
América Central, em lugares que hoje estão países 
como o Peru e o México, por exemplo. Entre Portugal e 
Espanha, essa disputa ficou parcialmente resolvida em 
1750, quando da assinatura de um novo tratado, o 
Tratado de Madri. A partir desse tratado, os 
portugueses foram, aos poucos, adentrando o território 
pertencente aos espanhóis e ocupando boa parte do 
território que hoje chamamos de Brasil. 
 
Dividir para governar 
Outra estratégia usada pelos portugueses para 
garantir o controle sobre os territórios ocupados 
durante a colonização foi dividir o imenso território sob 
seu domínio. Em 1621, o governo português mandou 
separar os atuais estados do Pará, Maranhão, Ceará e 
Piauí e transformou essas áreas em outro estado, 
vizinho do Estado do Brasil, que ficou sendo chamado 
Estado do Maranhão, tendo como capital São Luís. 
Esse novo estado, mesmo permanecendo colônia de 
Portugal, contava com uma administração própria, e os 
impostos eram enviados diretamente para Portugal. 
Em 1755, o governo português criou a 
Companhia Geral do Grão-Pará a fim de exercer um 
controle maior sobre a retirada e a comercialização dos 
produtos da floresta. Em 1772, Portugal dividiu ainda 
mais sua colônia na América e separou o Grão-Pará em 
dois estados: o Estado do Grão-Pará e Rio Negro, com 
capital em Belém, e o Estado do Maranhão e Piauí, 
com capital em São Luís. Em 1775, foi criada a 
Capitania de São José do Rio Negro, que hoje forma 
Amazonas e Roraima. Essa situação só começou a 
mudar quando o Brasil declarou sua independência 
política de Portugal, em 1822. 
 
COMPREENDENDO O TEXTO 
37. Quais países queriam explorar as 
riquezas da América mesmo não fazendo parte do 
Tratado de Tordesilhas? 
38. 0 que eram os piratas e corsários e 
qual a relação deles com a exploração das colônias 
na América? 
39. Você já assistiu a filmes sobre piratas? 
Como eles agiam? 
40. 0 que eram os Fortes e para que 
foram construídos? 
41. Antes do Tratado de Madri ser 
estabelecido, o lugar onde você vive estava sob a 
administração de portugueses ou de espanhóis? 
 
As primeiras navegações pelo novo mundo 
Até o final do século XV, os europeus, ainda, 
desconheciam a maior parte das terras e dos povos do 
Planeta. Durante os séculos XV e XVI, comerciantes e 
exploradores, financiados, principalmente, pelos reis de 
Portugal e Espanha, viajaram pelos oceanos 
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
16 
 
desconhecidos em busca de riquezas, em especial, ouro 
e especiarias. 
Na Europa, na época das Grandes Navegações, as 
especiarias eram produtos muito cobiçados pelos 
comerciantes, pois eram bastante apreciadas, 
principalmente, na culinária, pois ajudavam a conservar 
e a disfarçar o cheiro e o gosto de alimentos velhos. 
Produtos como o cravo-da-índia, o gengibre, a 
nozmoscada, a canela e a pimenta-do-reino eram 
encontrados em regiões conhecidas como índias 
Orientais, no continente asiático, que ficavam muito 
distante da Europa. 
Foi, principalmente, a busca por essas especiarias 
e pelo ouro em terras distantes que levou os europeus, 
nos séculos XV e XVI, a se aventurarem pelos mares 
distantes. 
Podemos, então, dizer que a expansão marítima 
europeia dos séculos XV e XVI foi, acima de tudo, 
motivada por interesses económicos. E foram esses 
mesmos interesses que possibilitaram o contato entre os 
europeus e os povos que habitavam terras, até então, 
por eles desconhecidas, o que inclui o continente que, 
mais tarde, seria chamado de América. 
Grande parte das características económicas, 
sociais, culturais, políticas e religiosas das atuais 
nações americanas, incluindo o nosso Brasil, é o 
resultado direto e indireto desta grande aventura 
europeia pela busca por riquezas em terras distantes. 
A trajetória histórica do estado do Amapá, 
também, está inserida nesse contexto. Mas vamos 
deixar para as próximas unidades os estudos de comoisso ocorreu. Vamos, por enquanto, continuar falando 
um pouco mais sobre esta grande aventura europeia dos 
séculos XV e XVI, denominada "Grandes 
Navegações". 
As dificuldades encontradas por esses 
comerciantes e aventureiros eram enormes, pois os 
instrumentos de orientação e as embarcações eram bem 
diferentes dos utilizados em nossos dias. Além disso, 
como os navegantes tinham pouco, ou nenhum, 
conhecimento dos mares que estavam navegando, a 
inse¬gurança e o medo eram comuns. Muitas lendas 
sobre monstros terríveis, sereias e ondas gigantescas, 
que diziam existir nos mares distantes, contribuíram, 
ainda mais, para tornar as viagens marítimas uma 
grande aventura para a época. Somente com o 
aperfeiçoamento de novos instrumentos de orientação, 
como a bússola e o astrolábio e a invenção da caravela 
— uma embarcação mais leve e espaçosa do que as 
conhecidas na época — é que os europeus, 
principalmente, os portugueses e espanhóis, tiveram a 
segurança mínima necessária para viagens tão 
distantes. 
É importante, no entanto, reforçar que, apesar de 
todo o risco e insegurança que essas viagens ofereciam, 
a possibilidade dos enormes lucros, conquistados pelo 
comércio de especiarias ou por outras riquezas 
encontradas em terras distantes (principalmente o 
ouro), tornavam as grandes navegações da época um 
empreendimen¬to extremamente atrativo e que acabou 
estimulando a participação de diversos setores da 
sociedade, principalmente dos comerciantes. 
Durante os vários dias e meses nas embarcações, 
sem contato com a terra, a vida dos marinheiros era 
muito difícil. Os alimentos frescos estragavam logo nos 
primeiros dias restando, apenas, carne salgada, peixe 
seco, biscoito (tão duro quanto o casco do navio), 
vinagre e vinho. A água potável era utilizada com 
cautela, pois, se acabasse, teriam que esperar vários 
dias até chover ou encontrar terra firme. 
Dentro das embarcações, viajava uma tripulação 
composta por diversos especialistas necessários àquele 
tipo de expedição. Além do capitão, era 
importantíssimo o trabalho de pilotos e cartógrafos que 
indicava a direção correta para navegar; carpinteiros e 
marinheiros cuidavam das velas e dos mastros do navio 
mantendo-os em bom estado e consertando-os caso 
necessário. O tanoeiro era o responsável pela 
conservação e distribuição dos alimentos e da água. 
Sempre havia, também, um escrivão que, diariamente, 
anotava tudo o que acontecia durante as viagens. O 
trabalho dos escrivães foi muito importante para que os 
historiadores pudessem ter uma visão mais detalhada 
sobre o dia a dia das viagens marítimas e do encontro 
com os povos que habitavam as terras que seriam, mais 
tarde, conquistadas pelos europeus. 
 
OS PRIMEIROS NAVEGANTES EUROPEUS 
NAS TERRAS AMAPAENSES 
As terras que, hoje, fazem parte do estado do 
Amapá foram frequentadas por vários navegantes 
europeus, antes mesmo da chegada oficial da expedição 
de Pedro Álvares Cabral em 22 de abril de 1500. Como 
Portugal e Espanha foram as nações pioneiras nas 
grandes navegações, a disputa pelas rotas marítimas e 
pelas terras encontradas no continente, que hoje é 
chamado de América, poderia acabar provocando uma 
guerra entre esses dois reinos europeus. 
Para a Espanha, era importante garantir a posse 
do novo continente encontrado pelo navegante 
Cristóvão Colombo em 1492. Para Portugal, era 
importante garantir a rota, iniciada no século XV, para 
alcançar o caminho marítimo para as índias navegando 
pela costa africana. 
Para evitar tal confronto, portugueses e espanhóis 
realizaram alguns acordos de divisão do continente, 
tendo o papa como juiz. Após várias tentativas, os dois 
reinos assinaram, em 1494, o Tratado de Tordesilhas, 
que dividia, por meio de uma linha imaginária, as terras 
do continente americano entre portugueses e espanhóis. 
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17 
 
Repare, nos mapas, as terras que, hoje, pertencem ao 
estado do Amapá, segundo as orientações do Tratado 
de Tordesilhas, pertenciam à Espanha. 
Para melhor conhecer seus domínios territoriais, 
o governo espanhol organizou algumas expedições ao 
litoral do Amapá. 
No ano de 1499, o navegante Américo Vespúcio, 
a serviço da Espanha, percorreu o litoral amapaense 
navegando, provavelmente, na foz do rio Amazonas 
entre inúmeras ilhas que, hoje, pertencem aos atuais 
municípios de Macapá, Santana e Mazagão. 
Outro navegante espanhol que, esteve 
frequentando as águas amapaenses foi Vicente Yánez 
Pinzón. Em janeiro de 1500, ele percorreu o atual rio 
Oiapoque, no norte do Amapá, e a foz do rio 
Amazonas. Encantado com o volume de água que o rio 
Amazonas despeja no oceano Atlântico, Vicente 
Pinzón denomi-nou-o de Mar Dulce (Mar Doce). 
Tudo indica que um navegante português, 
também, tenha navegado em águas amapaenses antes 
da expedição oficial de Pedro Álvares Cabral: o 
navegador Duarte Pacheco Pereira. Entre novembro e 
dezembro de 1498, esse navegante português 
desembarcou em um ponto do litoral norte do País, 
entre os atuais estados do Pará e Maranhão, iniciando 
uma expedição pela costa norte até a ilha de Marajó e a 
foz do rio Amazonas. 
Apesar da presença de algumas expedições 
importantes no litoral amapaense, tanto portuguesas 
quanto espanholas, a região, inicialmente, não 
despertou uma atenção maior desses exploradores 
europeus mais preocupados com o ouro fácil e 
abundante encontrado em outras regiões do continente 
americano e com o lucrativo comércio de especiarias na 
região das índias Orientais. 
 
FAZENDO VOCE APRENDE: 
42 - Os europeus financiavam as grandes 
navegações em busca de outras terras, riquezas e a fim 
de comercializar mercadorias trazidas das índias 
conforme o que você já estudou até aqui. Por que os 
portugueses e espanhóis não se interessaram, de 
imediato, pelas terras amapaenses? 
43 - Que especiarias, eram trazidas das índias 
Orientais e comercializadas pelos europeus? Em seu 
caderno, escreva sobre elas e para o que serviam 
naquela época. 
 
APROFUNDANDO O TEMA: 
44 - Para saber mais, procureoutras 
informações sobre o Tratado de Tordesilhas, tais 
como: nações envolvidas, o papel da Igreja Católica 
no tratado e o posicionamento de outras nações 
sobre a decisão da Igreja. 
45 - Em sua casa, investigue quais são as 
especiarias utilizadas e para que servem. A 
importância das especiarias de hoje é a mesma da 
época das Grandes Navegações? Justifique sua 
resposta. 
 
FAZENDO UM DEBATE 
Com a turma dividida em três grupos, vamos 
organizar um debate sobre o Tratado de Tordesilhas 
seguindo as etapas: 
• Cada grupo defenderá um dos seguintes povos 
afetados pelo Tratado de Tordesilhas que dividiu o 
continente americano: o primeiro grupo representará os 
portugueses, o segundo grupo representará os 
espanhóis e o terceiro grupo representará os índios 
americanos. O professor poderá organizar um sorteio 
para a escolha dos grupos. 
• Com os grupos definidos, é o momento de cada 
um organizar argu-mentos para defender quem tinha 
direito à posse e à exploração do continente americano 
de acordo com seus interesses: os portugueses, os 
espanhóis ou os índios. 
• Após a elaboração dos argumentos, é o 
momento de debater: o professor deverá organizar a 
turma em círculo e controlar o momento de cada um 
defender seus argumentos. 
• Terminado o debate, cada aluno deverá elaborar 
um relatório no caderno sobre suas conclusões das 
discussões surgidas. 
46 - . Observe UM mapa das capitanias 
hereditárias e responda: 
47 - Na atual divisão política do mapa do 
Brasil, quais estados correspon-dem às antigas 
capitanias? 
48 - Quem escolhia os donatários das 
capitanias? 
49 - E, hoje, quem escolhe o governador do 
estado? Como isso acon-tece? 
50 - O administrador de toda a Colónia, 
chamado de governador-geral, também era indicado 
pelo rei português. Como é escolhidoo presi-dente da 
República hoje? 
 
Os primeiros contatos dos europeus com os povos 
indígenas da região do Amapá 
Como vimos anteriormente, de acordo com o 
Tratado de Tordesilhas, a região que, hoje, compreende 
o território amapaense fazia parte do governo espanhol. 
É sempre importante lembrar que a afirmação de 
que as terras amapaenses, inicialmente, pertenciam à 
Espanha, era uma verdade apenas considerada pelos 
europeus conquistadores. Para os milhares de índios 
que habitavam a região, os europeus não passavam de 
um povo invasor, interessados apenas em explorar as 
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riquezas que a terra oferecia e a escravizar os povos 
que nela habitavam há milhares de anos. 
Sendo assim, os índios resistiram, ao máximo, às 
invasões de suas terras, mas foram, aos poucos, 
dominados devido aos seguintes fatores: 
• a falta de resistência do índio às doenças 
trazidas pelos europeus. O sarampo, a catapora, o tifo, a 
varíola e a gripe mataram milhares de índios; 
• a superioridade das armas que os europeus 
utilizavam (mosquetes, canhões, espadas, etc.) em 
relação aos armamentos rudimentares dos índios (lança, 
arco e flecha, machadinha, etc). 
Os índios que não conseguiram fugir dos 
conquistadores, mas sobreviveram ao massacre, 
acabaram sendo catequizados pelos padres jesuítas. 
Aos poucos, os povos indígenas acabaram sendo 
influenciados pela cultura e religião europeia, 
modificando bastante os seus costumes. 
 
INTERAGIR COM O TEMA: 
O Tratado de Tordesilhas preservou os 
interesses das coroas espanho¬la e portuguesa 
definindo-se, a partir daí, os dois ciclos de expansão. 
E os donos da terra, os índios, como foram tratados? 
Participaram das decisões, puderam opinar, foram 
beneficiados? Dê a sua opinião. 
"... um povo invasor, interessado apenas em 
explorar as riquezas que a terra oferecia e a 
escravizar os povos..." Para você, essa imagem do 
índio em relação ao europeu tinha fundamento? 
Justifique sua resposta. 
 
TAREFA: faça mais 
51 - Como você leu no texto anterior, quando o 
Brasil foi colonizado por Portugal, as terras 
brasileiras não eram divididas, como hoje, em 
estados. Os índios eram os donos das terras. 
52 - Observando UM MAPA, a qual país as 
terras amapaenses pertenciam inicialmente? Por 
meio de que tratado isso aconteceu? 
53 - Que tipos de doenças os indígenas 
amapaenses contraíram com a chegada dos 
europeus na região? 
54 - Compare os tipos de armas citadas no 
texto e comente por que os europeus dominaram, 
facilmente, os povos que aqui já viviam. 
 
SOBRE 0 DESCOBRIMENTO 
Em depoimento feito por um Yanomami, que 
fala sobre a vinda dos brancos que "atravessaram as 
águas e vieram em nossa direção", o indígena diz que 
os brancos são criativos, mas não têm sabedoria, pois 
não valorizam a história de seus antepassados. Os 
brancos afirmam "nós descobrimos a terra do Brasil", 
ignorando a existência de outros povos antes de sua 
chegada. "Nós, os habitantes das florestas, habitamos 
aqui há longuíssimo tempo, desde que Omama nos 
criou". No começo das coisas, aqui só havia habitantes 
da floresta. Na realidade, a região que hoje é o Brasil 
já era habitada por vários povos há milénios, muito 
antes da chegada dos europeus. Os povos indígenas, 
como os Makuxi, os Wapixana, os Waiwasi, os 
Waimiri-atroari, os Xavante, os Caiapó, os Guarani, 
os Tupinambá, os Aymoré, os Tupi e tantos outros 
povos grandiosos, entendem o indígena como o dono 
legítimo dessas terras. Para eles, os brancos não 
podem mais mentir para si mesmos, pois as terras que 
encontraram já estavam habitadas. Fonte de pesquisa: 
Tradução de Bruce Albert do depoimento de um 
indígena Yanomami, 1998. 
Responda: 
55 - o que significa a frase: “atravessaram as 
aguas em nossa direçao” 
56 – o texto cita a palavra OMAMA. A quem 
se refere? 
 
O Amapá como possessão espanhola 
A primeira tentativa europeia de explorar as 
terras amapaenses foi em 1544 quando o rei da 
Espanha, Carlos V, autorizou o navegante Francisco 
Orellana a explorar uma imensa área que foi 
denominada de Adelantado da Nueva Andaluzia, 
primeiro nome dado às terras que, mais tarde, seriam 
denominadas Amapá. Apesar de ter recebido a 
responsabilidade de iniciar a conquista das novas terras 
em nome do governo espanhol, sua expedição acabou 
naufragando e provocou a morte da tripulação. 
O fracasso da expedição de Francisco Orellana 
fez com que o governo espanhol perdesse o interesse 
pela região. Com o local abandonado pelos espanhóis, 
Portugal decidiu enviar uma expedição para explorar a 
região e, em 1553, Luís de Melo e Silva percorreu o 
litoral amapaense até a região das Guianas, mas 
acabou, também, fracassando, pois foi surpreendido e 
morto pelos índios da região. 
Entre 1580 e 1640, os reinos português e 
espanhol tornaram-se um só (União Ibérica), pois, com 
a morte do rei de Portugal (Dom Sebastião), a Espanha 
assumiu o controle de Portugal e todas as suas colónias, 
incluindo o Brasil. 
Para garantir o domínio e a exploração da 
Amazónia, os espanhóis construíram, em 1616, o Forte 
do Presépio, que daria origem à cidade de Belém, atual 
capital do estado do Pará. 
Nas terras amapaenses, muitas nações inimigas 
da Espanha tentaram assumir o controle da região. Os 
ingleses, por exemplo, chegaram a construir várias 
fortificações como Torrego e Cumaú. Os holandeses, 
também, chegaram a construir fortificações em Gurupá 
e na área onde seria, mais tarde, a cidade de Macapá, 
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19 
 
mas foram expulsos pelos colonizadores espanhóis e 
portugueses. 
 
PARA INTERAGIR COM O TEMA 
Segundo o texto que você acabou de ler, qual o 
primeiro nome dado às terras amapaenses pelos 
espanhóis? 
57 - . Você já ouviu falar da região da Andaluzia 
na Espanha? É possível que a nova terra tenha recebido 
o nome da região espanhola? Faça uma pesquisa na 
internet e tire as suas conclusões. 
58 - por que, depois de ter tido o primeiro 
contato com as terras amapaenses, os espanhois 
permitiram que os portugueses ocupassem a terra? 
 
Momento de investigar: 
59 - pesquise sobre a regiao de ANDALUZIA e 
verifique se ha alguma semelhança com a regiao do 
amapá? 
 
O Amapá como possessão portuguesa 
Em 1640, Portugal volta a ser uma nação 
independente da Espanha e a região do Amapá foi 
anexada à Capitania do Grão-Pará. Em 1687, foi 
construída a Fortaleza de Santo Antonio de Macapá 
sobre as ruínas do antigo Forte de Cumaú para 
confirmar a presença portuguesa na região e afastar 
possíveis inimigos. 
As disputas pelas terras amapaenses, agora, 
seriam travadas entre França e Portugal. A presença 
francesa na Amazónia já existia desde 1605, na região 
da atual Guiana Francesa. Porém, no final do século 
XVII, os franceses travaram vários confrontos com os 
portugueses pela disputa das terras amapaenses. 
Para evitar conflitos maiores, franceses e 
portugueses assinam, em 1713, o Tratado de Utrecht 
que determinava que o rio Oiapoque marcaria a 
fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa, mas, como 
veremos a seguir, tal tratado jamais foi respeitado pelos 
franceses. 
 
 
A EXPLORAÇÃO ECONÔMICA DAS TERRAS 
AMAPAENSES DURANTE A COLONIZAÇÃO 
Como as primeiras expedições europeias 
espanholas não obtiveram nenhum sinal de ouro ou 
outro metal valioso na região, a exploração económica 
foi direcionada aos produtos da floresta, denominados, 
na época, de "drogas do sertão". Eram plantas (frutos, 
raízes e sementes) encontradas na floresta, utilizadas 
como medicamentos, temperos e conservantes de 
alimentos. 
Os principais produtos eram: urucum, canela, 
castanha-do-pará, guaraná e cacau. Muitas delas 
possuí¬am as mesmas propriedades das especiarias 
asiáticas (lembre-se de que já as estudamos) muito 
valorizadas na Europa. 
Logo no início da colonização, várias missõesreligiosas da Igreja Católica, representadas pela 
Companhia de Jesus, estabeleceram-se na região. Os 
jesuítas h convenciam os índios a abandonar suas 
aldeias e se agrupar nas missões com o objetivo de 
convertê-los ao Cristianismo. Para convencê-los, os 
missionários eram ajudados por alguns índios que já 
haviam sido convencidos e convertidos. Para muitos 
índios, a mudança | para as missões religiosas também 
era uma questão de sobrevivência, protegendo-se, dessa 
forma, do ataque de colonos ávidos por mão de obra 
escrava. 
As missões religiosas tornaram-se uma fonte de 
renda altamente lucrativa através do extrativismo 
vegetal de especiarias e drogas aromáticas, as 
chamadas "drogas do sertão". No setor agropecuário, as 
missões jesuíticas também se destacaram. Cultivavam 
cana-de-açúcar, café e algodão, além de possuírem 
aproximadamente 150 mil cabeças de gado, 
concentrados, principalmente, nas fazendas da Ilha do 
Marajó. 
Os desentendimentos entre jesuítas e colonos que 
pretendiam usar os índios como mão de obra escrava 
foram constantes nesta época. Para os missionários 
jesuítas, cabia aos religiosos a organização do trabalho 
indígena a partir do aldeamento, contrariando, assim, os 
interesses dos colonos que queriam escravizá-los. Os 
privilégios económicos concedidos aos religiosos e as 
divergências sobre o uso do trabalho indígena levou a 
inúmeros conflitos entre colonos e jesuítas na época. 
A partir da segunda metade do século XVIII, o 
governo português resolveu intervir diretamente na 
região através do seu representante: o Marquês de 
Pombal. Para Pombal, a defesa eficaz da região 
dependia da sua efetiva ocupação. Como a presença de 
colonos portugueses na região era extremamente 
pequena, ocorreu a ideia de transformar o índio em 
colono, surgindo, então, a "Doutrina do Índio-
Cidadão", que estabeleceu as seguintes medidas: 
• Proibir a escravização indígena. 
• Livrar os índios da submissão às ordens 
religiosas. 
• Reconhecer nos índios os direitos de cidadãos 
portugueses. 
• Tornar obrigatório o ensino da língua 
portuguesa, proibindo o uso do nheehgatu, que era a 
língua geral amazônica. 
• Transformar os índios em agricultores e 
reconhecer-lhes o direito à propriedade de terras, 
devido a sua resistência em trabalhar como assalariado 
dos colonos. 
• Transformar em vilas as aldeias mais 
populosas. 
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• Incentivar os casamentos mistos entre brancos e 
indígenas. 
• Reconhecer a necessidade da religião como 
meio civilizador dos índios, apesar do fim do poder 
missionário sobre as aldeias e da expulsão dos jesuítas. 
• Colocar em prática a execução da política 
pombalina na Amazônia com a nomeação do 
governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado. 
Com as medidas adotadas pelo Marquês de 
Pombal, a exploração económica da Amazónia tornou-
se mais eficien¬te, estimulando o surgimento de várias 
vilas, que se transformaram mais tarde em importantes 
cidades. 
Somente no final do século XIX, foi descoberto 
ouro no norte do Amapá, no atual município de 
Calçoene, que acabou aumentando as rivalidades entre 
os brasileiros e os franceses pelo controle da região 
como veremos adiante. 
 
Atividade: Para interagir com o tema 
60 - - Os produtos da floresta explorados pelos 
europeus nas terras amapaen-ses eram conhecidos 
por "drogas do sertão". 
61 - 2 - Explique o porquê desse nome.Segundo 
o texto, quais eram os produtos chamados de 
"drogas do sertão"? 
62 - Para que os europeus extraíam esses 
produtos das florestas? 
Atividade – vamos investigar 
63 - Procure informações na biblioteca, nos 
livros, na internet sobre a presença das missões 
jesuítas em sua cidade e relate se ficaram vestígios 
dessa presença. 
64 - O garimpo de Lourenço, em Calçoene, era 
explorado pela mineradora Novo Astro. Hoje, os 
garimpeiros dessa empresa que ficaram na região 
fundaram uma associação para a exploração de 
ouro. Pesquise, em jornais locais ou na internet, 
quais os maiores desafios que eles enfrentam. 
Atividade – mãos à obra 
65 - O texto nos fala que os índios, mesmo não 
sendo escravizados, tiveram seus costumes e cultura 
modificados pela influência dos jesuítas. SOBRE essa 
questão produza um texto dando sua opinião a 
respeito da exploração das riquezas amapaenses 
pelos homens colonizadores europeus. 
 
 
3º BIMESTRE - O Amapá na época 
da exploração colonial 
 
A EXPANSÃO MARÍTIMA E COMERCIAL 
No início do século XV, portanto ainda no final 
da Idade Média, começou na Europa um processo de 
expansão comercial e marítima envolvendo países 
como Portugal, Espanha, Holanda, França e Inglaterra, 
interessados em ampliar o comércio nacional em 
direção à Ásia e a África. 
CAUSAS: Dentre as causas que motivaram a 
expansão podemos destacar: 
a) A busca de um caminho marítimo para a 
compra das especiarias asiáticas; 
b) A escassez de metais preciosos na Europa; 
c) A ascensão da burguesia e sua aliança com a 
realeza absolutista;; 
d) O aprimoramento das técnicas de navegação, 
especialmente com a Escola de Sagres; 
 
ENFOQUE GERAL 
- A necessidade de encontrar um caminho 
marítimo para as índias, local onde se encontravam as 
fontes fornecedoras de especiarias, produtos como 
pimenta, açúcar, seda, porcelana, tapetes, alho, 
cominho... 
- Naquele momento (séc. XV e XVI), a 
produção artesanal da Europa havia se desenvolvido 
muito. Como a capacidade de produção crescera muito 
acima da capacidade de consumo interno, ela passou a 
necessitar de novos mercados para o escoamento de 
seus produtos. 
- Outro fator importante da expansão comercial 
marítima foi a escassez de ouro e prata, há muito 
esgotado nas jazidas européias. Por serem utilizados na 
cunhagem de moedas, eram fundamentais para 
dinamizar as relações comerciais e fortalecer os 
Estados Modernos. 
- A descoberta de um novo caminho marítimo 
para as Índias significava para as burguesias mercantis 
européias o acesso direto às fontes produtoras de 
especiarias e a possibilidade de se livrar do monopólio 
que as cidades italianas, principalmente Veneza e 
Gênova, exerciam sobre o comércio desses produtos na 
Europa. 
- Outro importante fator da expansão marítima 
foi o aprimoramento de aparelhos de orientação náutica 
como a bússola e o astrolábio, e a invenção da caravela, 
um navio mais fácil de manobrar e mais veloz em 
mares abertos do que as antigas galeras. 
- Finalmente, a aliança entre o rei e a burguesia 
também contribuiu de maneira decisiva para a 
expansão, já que o sucesso de qualquer 
empreendimento dependia em grande parte, da força 
política de um Estado centralizado e do capital da rica 
burguesia mercantil. 
RESPONDA NO CADERNO 
1 – por que os europeus lançaram-se em busca 
de uma aventura marítima? 
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2 – quais os fatores que contribuíram para o 
sucesso das grandes navegações? 
3 – o que eram as especiarias? 
4 - hoje em dia usamos algumas dessas 
especiarias. Quais? Em que atividades? 
 
O PROCESSO DE LUSITAÇÃO, OCUPAÇÃO E 
EXPLORAÇÃO DA AMAZÔNIA BRASILEIRA 
 Para compreendermos o processo de ocupação 
da Amazônia devemos levar em consideração os 
seguintes elementos: os povos primitivos da região; a 
Lusitação a partir de fatores econômicos, políticos, 
sociais e culturais; a presença da Igreja Católica no 
trato e liberação da mão de obra indígena necessária; o 
conflito entre índios e brancos; o diretório pombalino e 
política indigenista; e a tentativa mercantilista de 
implementar a agricultura na Amazônia. 
LUSITAÇÃO: expressão que indica a ação 
colonizadora dos lusitanos ou portugueses pelo vale 
amazônico. Uma região inicialmente espanhola que 
posteriormente se tornou lusitana. 
 
A Amazônia, segundo a professora Neide 
Gondim, ―não foi descoberta, sequer foi construída;na 
realidade, a invenção da Amazônia se dá a partir da 
construção da índia, fabricada pela historiografia greco-
romana, pelo relato dos peregrinos, missionários, 
viajantes e comerciantes‖. A Amazônia foi fruto do 
imaginário e simbolismo europeu associado à realidade 
local. 
A colonização da Amazônia politicamente vai de 
1600 a 1823 é assim dividida: 1600 a 1700 a expulsão 
de invasores estrangeiros; de 1700 a 1755 
estabelecimento de missões jesuíticas; de 1755 a 1798 
criação do sistema de diretorias de índios; de 1798 a 
1823 a crise do sistema colonial. 
A FUNDAÇÃO DE ALDEAMENTOS: As missões 
jesuíticas foram a primeira forma de ocupação da 
Amazônia. Os padres jesuítas tinham planos de 
divulgar a religião católica no Brasil. Consideravam-se 
―soldados da religião‖, com a missão de conquistar 
índios e colonos, convertendo-os ao catolicismo. A 
arma utilizada para essa conquista era a catequização, o 
ensino da doutrina cristã. A partir do século XVII, os 
jesuítas avançaram pelo sertão e fundaram 
aldeamentos, chamados missões ou reduções. Estes, 
por sua vez, consistiram num grande projeto 
pedagógico para alterar a cultura indígena. 
Sobre a ocupação da Amazônia 
A prof. Cecília Maria Chaves Brito Bastos 
assim definiu a integração da Amazônia: “o 
processo de colonização da Amazônia 
caracterizou-se pela organização da produção 
extrativa e como principal força de trabalho, a 
indígena. A região oriental da Amazônia 
centralizou as primeiras expedições européias 
organizadas dentro de propósitos mercantis. 
Desde o início do século XVI, encontraram os 
portugueses condições para assegurar a 
colonização. Somente mais tarde, surgem 
interesses voltados para a região ocidental, 
quando do projeto agrícola implementado pelo 
Diretório”. 
Responda: 
5 – que tipo de economia os portugueses 
utilizavam no início da ocupação da Amazônia? 
6 – por que foi mais viável utilizar o 
indígena como Mao de obra na exploração da 
Amazônia? 
 
Repartição e índios aldeados: quais as 
características desses processos? Escapavam da 
escravidão, embora não do trabalho obrigatório, todos 
aqueles índios que aceitassem abandonar suas aldeias 
de origem e desistissem do seu modo de vida 
tradicional, sem oferecer resistência armada. Esses 
índios, considerados "índios de pazes" ou "índios 
amigos", eram catequizados, batizados e aldeados em 
outras áreas, de onde eram periodicamente retirados 
para prestarem serviço aos colonizadores. Ao sistema 
colonial, não interessava a dispersão dos índios em 
aldeias autônomas, espalhadas ao longo do litoral, mas 
a sua concentração em espaços localizados próximos 
aos núcleos produtivos sob o controle dos portugueses. 
Tratava-se de criar "celeiros" de mão-de- obra, de onde 
pudessem ser retirados os índios necessários para o 
trabalho e para a guerra. Essa foi uma necessidade 
sentida desde os primeiros momentos, conforme 
atestam diferentes documentos. 
 
FAZENDO VOCÊ APRENDE MAIS 
7 – quais os planos dos padres jesuítas em 
relação ao novo mundo recém descoberto? 
8 – por que alguns índios não eram 
escravizados, enquantos outros acabavam tornando-
se cativos? 
 
INTERESSES RELIGIOSOS E ECONÔMICOS 
DAS MISSÕES: 
As ações dos missionários na região amazônica 
era regulamentada pelo regimento das missões 
(documento que dava amplos poderes aos jesuítas), 
estabelecido por Portugal em 1686, com o objetivo de 
regulamentar a ocupação através do cristianismo. 
Segundo FARAGE ―pelo regimento é reforçado o 
controle dos missionários no âmbito dos aldeamentos, 
com a atribuição do poder não só espiritual, mas 
político e temporal das missões. Nestas não poderiam 
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residir brancos ou mamelucos, nem entrar sem licenças 
oficiais‖. 
 
Sobre a pedagogia dos Jesuítas 
“Ensinam-lhes os padres todos os dias pela 
manhã a doutrina, em geral, e lhes dizem missa, 
para os que quiserem ouvir antes de irem para 
suas roças; depois disso ficam os meninos na 
escola, onde aprender ler e escrever, contar e 
outros bons costumes, pertencentes à política 
cristã; à tarde tem outra doutrina particular a 
gente que toma o Santíssimo Sacramento (...) Os 
padres incitam sempre os índios a que façam 
sempre suas roças e mais mantimentos, para que, 
se for necessário, ajudem com eles aos 
portugueses (pois) muitos portugueses comem 
das aldeias, por onde se pode dizer que os padres 
da companhia (de Jesus) são pais dos índios, assim 
das almas como dos corpos” 
Responda: 
9 – que tipo de ensinamento os índios 
recebiam dos jesuítas? 
10 – quais os objetivos da ação dos jesuítas 
na Amazônia? 
 
As missões foram utilizadas pelos jesuítas para a 
catequese e a exploração do trabalho indígena. Nas 
missões os índios aprendiam a doutrina católica e os 
costumes da cultura européia. Além disso, os jesuítas 
faziam os índios trabalharem na extração de riquezas 
naturais, conhecidos como negócio ou drogas do sertão 
(guaraná, cravo, pimenta, castanha, baunilha, plantas 
aromáticas e medicinais). Com a venda obtida deste 
garimpo vegetal, os jesuítas obtinham grandes lucros. 
 
Desafio: 
11 - Procure informações sobre o conceito de 
bandeirantes, e por que eles tinham preferência 
por atacar as missões jesuíticas 
 
As missões jesuítas eram o alvo predileto do 
ataque de bandeirantes, pois aí encontravam o índio 
―ladino‖, isto é, com sua cultura modificada e com 
conhecimento de ofícios que interessavam ao 
comprador de escravos. Houve também muitos 
conflitos entre jesuítas e colonos. Os colonos queriam a 
escravização dos índios, enquanto os jesuítas eram 
contra e os ―defendiam‖. 
 
Sobre o conceito de guerra justa 
Sobre o conceito de guerra justa, o prof. 
João Renôr Ferreira de Carvalho assim se 
expressou: “O conceito de guerra justa entre os 
ideólogos de Portugal foi inspirado e extraído da 
doutrina dos santos padres da Igreja Católica. Os 
santos padres em repetidas ocasiões justificaram 
teologicamente a guerra empreendida pelos 
princípios católicos. Esses teólogos eclesiásticos 
afirmavam que a guerra justa não era má em si 
mesma. Entre os defensores e justificadores da 
guerra justa encontramos Tertuliano, Santo 
Ambrósio, São Gregório de Tours, São 
Bernardo...” 
 
As missões religiosas tiveram maior eficácia que 
os colonos por terem utilizado, além da coerção física e 
econômica, práticas ideológicas de adaptação cultural 
sobre o indígena. Os jesuítas utilizavam-se do conceito 
marxista de ideologia, que consiste em distorcer a 
realidade com o objetivo de obter algum tipo de 
vantagem. Assim, quando o jesuíta afirmava que o 
índio não possuía alma e que era obrigação do europeu 
salvar o indígena, o objetivo era tão somente facilitar a 
dominação. 
Com o estabelecimento do Regimento das 
Missões, em 1686 (com vinte e quatro parágrafos) 
a organização do trabalho indígena foi regulado, 
reforçando-se 0 controle dos missionários. Este 
Regimento deu aos religiosos (principalmente aos 
Jesuítas) autoridade temporal, política e espiritual 
sobre todas as aldeias, estabelecendo maior 
controle sobre a força de trabalho indígena. Desta 
forma, "suas missões tornaram-se centro de 
suprimento de Mao de obra para os moradores, no 
mais das vezes em franco descumprimento das 
exigências legais e, também os missionários 
individualmente se engajaram no comercio 
regional, inclusive no tráfico clandestino de 
escravos índios" (FARAGE, 1991, p.33). Em 
decorrência das queixas constantes dos 
moradores, encampadas pelo Estado, fixou-se em 
1689, a permissão para aldeamento dos índios por 
particulares e não apenas pelas missões religiosas. 
Fora dos aspectos formais da arregimentação da 
força de trabalho indígena - escravização - , 0 
apressamento clandestino ou contrabando foi uma 
constante no período colonial na Amazônia. A 
escravização c1andestina foi maior que a efetuada 
pelas tropas deresgate oficiais e tropas de guerra 
em conjunto (Idem, 30). Tal política não 
contemplada pela legislação fez do exame de 
legitimidade dos cativeiros de índios uma 
verdadeira "falácia" . 
Atividade: 
12 – que poder o regimento das missões deu 
aos padres? 
13 – que tipo de relação existia entre os 
padres e os indígenas? 
14 – os indígenas eram escravizados? Isso 
era permitido pelo regimento das missões? 
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15 – o comercio de índios escravos era 
lucrativo. Os padres vendiam índios como 
escravos? Retire uma frase do texto que justifique 
sua resposta 
 
QUAL, então, o regime de trabalho em que 
devemos enquadrar os índios nesse momento histórico? 
Trata-se do regime de servidão, pois o trabalho para 
jesuítas ou colonos, apesar de remunerado, aliás muito 
mal, era compulsório e os índios não tinham nem 
mesmo escolha de para quem trabalhar. 
Lembre-se: As missões serviram como 
organizadoras e reprodutoras da força de trabalho 
indígena na Amazônia, contribuindo para a efetivação 
da colonização mercantilista na região. O índio 
―selvagem‖, através da catequese, era convertido em 
―gentio‖, ou seja, civilizado. 
 
ATIVIDADE: fazendo você Aprende mais 
16 – qual a importância das missões para a 
conquista do vale amazônico? 
17 – como os jesuítas utilizavam o trabalho dos 
indígenas para efetivar a exploração econômica da 
Amazônia? 
18 – para facilitar a evangelização, os jesuítas 
agrupavam os indígenas. Como era feito isso? 
19 – o que eram aldeamentos? 
20 – os bandeirante e jesuítas tinham um 
mesmo objetivo quanto aos índios. Qual? 
21 - os índios de pazes eram repartidos. Com 
qual objetivo? 
22 – os indígenas que não aceitavam trabalhar 
recebiam que tipo de tratamento? 
23 – por que os europeus lançaram-se nas 
grandes descobertas marítimas? 
24 – a chegada dos europeus trouxe 
conseqüências para os indígenas. Cite algumas 
25 – por que os jesuítas eram denominados 
soldados da religião? Qual seu papel nas grandes 
navegações? 
 
Aprofundando o tema: 
26 - Pesquise e escreva no caderno o sentido 
das seguintes expressões: trabalho escravo, 
trabalho compulsório e servidão 
27 - Pesquise e escreva no caderno por que os 
bandeirantes atacavam os aldeamentos? 
 
ESCRAVIZAÇÃO INDIGENA E 
TRABALHO COMPULSÓRIO – CECÍLIA 
BRITO 
No primeiro momento da colonização, as 
missões religiosas tem um papel importante, 
enquanto organizadoras e reprodutoras de força de 
trabalho do nativo na região. Para tanto, 
desenvolveram dois tipos de relação de produção 
que coexistiram e predominaram na Amazônia no 
século XVII e primeira metade do século XVIII: 
índios escravizados e índios livres. 
Diversas leis e regimentos, cartas regias e 
bulas papais, pouco conseguiram no sentido de 
conter os colonos e caçadores de índios, seja com o 
intuito de obter a mao de obra para suas lavoura e 
serviços, seja com objetivo de praticar rendoso 
tráfico. Segundo Beozzo, nota-se um "movimento 
pendular" quase constante na hist6ria da legislação 
(BEOZZO, 1983, p. I 9-20). 
A legislação delineou duas modalidades de 
escravização: seriam escravos legítimos os índios 
aprisionados em guerra justa e aqueles obtidos 
através de resgate (FARAGE, 1991, p.26). A 
resolução satisfat6ria do problema da falta de mão 
de obra foi feita através da guerra justa com a 
aprovação regia, que permitiu 0 cativeiro licito dos 
índios prisioneiros e, resolveu de quebra, 0 
problema de escravizar índios injustamente cativos 
(BEOZZO: 1983: I 5). Sendo assim, a legislação da 
escravidão dos indígenas apreendidos em guerra 
justa, por autoridade da Coroa e governadores, ou 
travadas em legitima defesa contra 0 ataque de 
tribos antrop6fagas recebeu apoio na Carta Regia 
de 1570. 
Com a lei de 1680, foi proibida toda e 
qualquer modalidade de escravização indígena, 
determinando-se 0 tratamento dos índios 
aprisionados em guerras com os portugueses como 
os prisioneiros de guerra na Europa. lei a lei de 
1688, retomou as diretrizes da lei de 1655, 
estabelecendo que: 1) a guerra justa defensiva se 
aplicaria em caso de invasão dos índios aos 
estabelecimentos portugueses ou quando os índios 
impedissem a livre circulação dos missionários e 
colonos e 2) a guerra justa ofensiva, quando 
houvesse temor de ataque por parte do índios 
(Idem, 1991, p.28). 
As tropas de resgate eram realizadas a fim de 
comercializar com tribo5aliadas, ara arregimentação 
da mão e obra escrava- consolidaram-se enquanto 
método de obtenção desses índios.. Referiam-se 
basicamente a compra e venda pelos portugueses, de 
prisioneiros de guerra entre as nações indígenas, 
entre os quais se incluíam os chamados "índios 
presos a corda", em referencia a corda que os tupi 
atavam ao pescoço dos destinados a devoração 
(Ibidem:28). 
Portugal e Espanha - introduzem regime de 
trabalho nos territórios da America sob seu 
controle, formalizando vínculos a sistemas 
produtivos complementares. A mita e a escravidão 
indígena foram as formas de explora«ao do trabalho 
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que se destacavam nesse concebido como outra 
forma compuls6ria de trabalho, que garantia a 
exploração de índios aldeados livres, obrigados pela 
legislação a trabalhar, mediante pagamento de 
salários, tanto para colonos como para a pr6pria 
Coroa (ALMEIDA, 1988, p.113). Esta forma de 
trabalho compuls6rio dos índios aldeados através de 
descimentos, aplicados aos índios ditos "livres", era 
regulado pela legislação de 10.09.1611. 
Os chamados descimentos - ditos livres - 
foram regulados por legislação: de 10.09.1611. Este 
sistema foi viabilizado pelo próprio missionário, ou 
por seus representantes (brancos), ou por índios ja 
aldeados (considerados índios mansos), os quais as 
vezes persuadiam aldeias inteiras a descerem ou se 
deslocarem de seu territ6rio de origem para os 
aldeamentos. 
Farage afirma que existia uma certa tipologia 
para os aldeamentos religiosos: 1) aldeias dos 
servil(os das ordens religiosas (renda revestida para 
a ordem, complementando 0 que lhes era fornecido 
pelo Estado); 2) aldeias de servil(o real (índios 
aldeados utilizados somente para 0 servil(o do 
Estado) e, 3) aldeias de repartição (índios destinados 
aos moradores). Ao lado destes três tip os de 
distribuição da mao de obra, existia ainda os que 
iam para as missões afastadas dos núcleos urbanos, 
mas que gozavam de certa autonomia de produção a 
esquema de distribuição dos índios descidos foi 
fonte de graves e constantes atritos entre 
moradores, Igreja e Estado, pois a prioridade 
sempre cabia as ordens religiosas - os Jesuítas - que 
detinham 0 poder de decisão quanto a escravização 
e controle do trabalho dos índios aldeados, estando 
a frente da luta política quanto ao destino da 
produção indígena. Sendo assim os particulares 
tinham apenas vinte por cento da força de trabalho 
do período. A mita fazia parte dos denominados 
repartimento de índios, a sujeição era imposta a 
partir do trabalho temporário dos indígenas, os 
quais deveriam regressar a sua comunidade 
conforme período determinado, mediante 
pagamento de salário. 0 objetivo desta imposição 
sempre visava 0 lucro (CARDOSO, 1985, p.?, 46-
51). 
Na segunda metade do século XVIII, 0 
Estado do Grão-Pará e Maranhão, tornou-se 0 alvo 
principal das reformas feitas por Portugal, fato 
posterior ao tratado de Madrid que definiu as 
posses espanholas e portuguesas na America. 0 
processo de implantação dessas reformas articulou-
se através de varias medidas que formaram um elo 
de uma mesma corrente: criação da Companhia 
Geral do Comercio do Grão-Pará e Maranhão 
(1755). 
Atividade sobre o texto acima: 
28) Após a leitura do texto acima, caracterize 
as formas de trabalho implementados na Amazônia 
29) diferencie trabalho escravo de trabalho 
compulsório; 
30) como ocorria a escravização ilegal dos 
indígenas? 
31) como ocorriam os descimentos?32) quais eram os índios considerados livres? 
33) onde trabalhavam os índios livres? 
34) como ocorriam as guerras justas? Qual o 
argumento usado para combater indígenas? 
35) quais os tipos de aldeamentos existiam na 
Amazônia colonial? 
 
Chegada dos europeus 
Vicente Yáñez Pinzón, em fevereiro de 1500. 
Daniel de La Touche, Senhor de la Ravardière 
Em sua obra "A Descoberta da Guiana", o 
navegador e explorador britânico Sir Walter Raleigh 
descreveu uma "Província da Amapaia" como uma 
terra "maravilhosa e rica em ouro", povoada por 
indígenas chamados "anebas" que teriam presenteado o 
espanhol Antonio de Berreo com várias jóias daquele 
metal: 
"A Província da Amapaia é um terreno muito 
plano e pantanoso próximo ao rio; e por causa da água 
barrenta que se espraia em pequenas ramificações por 
entre a terra úmida, lá crescem vermes e serpentes 
venenosas. (...) Berreo esperava que a Guiana fosse mil 
milhas mais próxima do que calhou de ser ao final; por 
meios dos quais suportaram tanta carência e tanta fome, 
oprimidos com doenças dolorosas, e todas as desgraças 
que se pode imaginar, perguntei àqueles na Guiana que 
haviam viajado pela Amapaia, como sobreviveram com 
aquela água parda ou rubra quando andaram por lá; e 
disseram-me que após o sol estar no meio do céu, eles 
costumavam encher seus potes e pás com aquela água, 
mas antes disso ou até o crepúsculo era perigosa de 
beber e, à noite, forte veneno." 
Responda no caderno: 
36 – que impressão o autor do texto acima teve 
sobre a província da amapaia? 
Raleigh narra ainda como o rival espanhol tentou 
sair da região para tomar a cidade mítica de Eldorado 
(que então se acreditava ficar na Guiana) e não 
conseguiu, barrado pelo que seria hoje chamada de 
Serra Tumucumaque: 
"Desta província Berreo se apressou em sair tão 
logo a primavera e o início do verão aparecera, e 
buscou sua entrada nas fronteiras do Orinoco pelo lado 
sul; mas lá havia uma cordilheira de montanhas tão 
altas e impenetráveis, que ele não pôde por modo 
algum marchar sobre elas (...); e mais, para sua 
desvantagem, os caciques e reis da Amapaia haviam 
dado saber de seu propósito aos guianeses, e que ele 
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queria saquear e conquistar o império, por esperar sua 
tão grande abundância e quantidade de ouro. Ele 
passou pelas desembocaduras de vários grandes rios 
que caem no Orinoco tanto do norte quanto do sul, que 
evito listar, por enfado, e porque são mais prazerosos 
de descrever do que de ler." 
Embora várias destas características sejam 
condizentes com o território do Amapá, no entanto a 
interpretação da historiografia oficial situa esta terra de 
"Amapaia" junto ao vale do rio Orinoco, no leste da 
Venezuela. 
O período colonial 
Durante a Dinastia Filipina (1580-1640), 
estabelecida a presença portuguesa em Belém do Pará a 
partir de 1616, iniciou-se a luta pela ocupação e posse 
da bacia amazônica, que perdurou cerca de meio século 
pelas armas, e mais de dois séculos pela diplomacia. 
Em 1619, Manuel de Souza d'Eça foi designado 
para servir na Capitania do Pará, no Estado do 
Maranhão, por três anos. As suas funções incluíam a 
"(...) expulsão do inimigo do Cabo do Norte, e mais 
descobrimentos (...)", para o que requeria homens, 
armas e equipamentos diversos. O memorial que 
apresentou a respeito, detalha a situação estratégica da 
embocadoura do rio Amazonas à época, descrevendo as 
atividades estrangeiras e sugerindo as providências 
mais urgentes a serem tomadas pela Coroa. 
O Aviso de 4 de novembro de 1621 do Conselho 
da Regência de Portugal, recomendava que se 
tomassem as medidas necessárias com o fim de povoar 
e fortificar a costa que se estendia do Brasil a São 
Tomé da Guyana e bocas do [rio] Drago [na 
Venezuela], e os rios daquela costa. 
Finalmente, a partir de 1623, Luiz Aranha de 
Vasconcelos e Bento Maciel Parente, tendo como 
subordinados Francisco de Medina, Pedro Teixeira e 
Ayres de Souza Chichorro, com forças recrutadas em 
Lisboa, no Recife, em São Luís do Maranhão e Belém 
do Pará, apoiadas por mais de mil índios flecheiros 
mobilizados pelo frade franciscano Cristóvão de São 
José, atacaram e destruíram posições inglesas e 
neerlandesas ao longo da embocadoura do rio 
Amazonas, na ilha de Gurupá e na ilha dos Tocujus. 
Como conseqüência, seis fidalgos ingleses foram 
mortos, os fortes neerlandeses de Muturu e Nassau 
foram destruídos, centenas de combatentes mortos ou 
capturados, provisões, armas, munições e escravos da 
Guiné foram apresados, e um navio neerlandês 
afundado. 
Dois anos mais tarde, em 1625, Pedro da Costa 
Favela, Jerônimo de Albuquerque e Pedro Teixeira, 
com destacamentos de Belém e Gurupá, reforçados por 
algumas centenas de indígenas chefiados pelo 
franciscano Frei Antônio de Merciana, destruíram 
novos estabelecimentos na costa do Macapá e no rio 
Xingú. O Macapá era a designação genérica da região 
compreendida entre a foz do rio Paru e a margem 
esquerda da foz do rio Amazonas, abrangendo quatro 
províncias de indígenas ali aldeados por missionários 
franciscanos, entre elas a chamada Província dos 
Tocujus. 
Em 1637, o Rei Felipe IV de Espanha e III de 
Portugal concedeu a donataria da Capitania do Cabo 
Norte a Bento Maciel Parente. A doação foi registrada 
no livro Segundo da Provedoria do Pará. 
Até meados do século XVII foram registrados 
choques entre portugueses, neerlandeses e britânicos no 
delta do Amazonas e na Capitania do Cabo Norte. No 
século XVIII, a França reivindicou a posse da região do 
Cabo Norte, e embora o Tratado de Utrecht (1713) 
tenha estabelecido os limites entre o Estado do 
Maranhão e a Guiana francesa, estes não foram 
respeitados pelos franceses: o problema da posse da 
região permaneceria pendente nas relações entre as 
duas Cortes. 
À época, o governador de Caiena, marquês de 
Férolles, à frente de uma força expedicionária francesa 
e indígena, arrasou os fortes portugueses na região do 
Cabo Norte e apossou-se da região. Foram logo 
expulsos. 
FAZENDO VOCÊ APRENDE: 
37 – Qual a incumbência recebeu Manuel 
d’Eça? 
38 – no período do século XVII a quem 
pertencia a região Amazônica? 
39 – especifique a que região se referia o 
termo terra dos tucujus 
O Amapá recebe seus primeiros colonos 
Apesar dos primeiros contatos entre o índio e o 
europeu terem ocorrido no início do século XV com 
espanhóis, a colonização do Amapá inicia somente a 
partir do século XVIII com os portugueses. Macapá, a 
atual capital, se originou de um destacamento militar 
que se fixou no mesmo local das ruínas da antiga 
Fortaleza de Santo Antônio, a partir de 1740. Este 
destacamento surgiu em razão de constantes pedidos 
feitos pelo governo da Província do Pará (a quem as 
terras do Amapá estavam juridicamente anexadas), na 
pessoa de João de Abreu Castelo Branco que, desde 
1738, sentindo o estado de abandono em que se 
encontrava a fortaleza, solicitava à Coroa portuguesa 
providências urgentes. Assim, os insulares dos Açores 
colonizaram Macapá, e os do Marrocos Mazagão, entre 
1740 e 1772. 
Chegam os colonos dos Açores 
Depois que o rei D. José I assume o trono 
português, o Marquês de Pombal fica com o Ministério 
Real. A primeira providência do novo "Richelieu luso" 
é nomear seu irmão, Francisco Xavier de Mendonça 
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Furtado para o comando das Armas do Pará e direção 
da Capitania do Maranhão e Grão-Pará, gozando de 
plenos poderes para promover a fundação e 
colonização de vilas na Amazônia Setentrional. é nesta 
época que Macapá assiste à chegada de colonos 
oriundos das Ilhas dos Açores, sob o comando do 
coronel João Batista do Livramento e do padre jesuíta 
Miguel ângelo de Morais. 
Mas as dependências e imposições geográficas 
do povoado, assim como a malária e outrosmales 
tropicais, além da inadaptabilidade dos açorianos aliada 
aos constantes desentendimentos entre o jesuíta Miguel 
ângelo e o coronel Livramento, contribuíram para que 
os primeiros colonos de Macapá não conseguissem 
sucesso em seu trabalho (2). 
O arquipélago dos Açores, de onde vieram esses 
colonos, ainda constitui parte do território insular de 
Portugal. Em 1580 sua população lutou bravamente 
contra os espanhóis, apesar da derrota e instauração da 
Península Ibérica (Domínio Espanhol, 1580 a 1640). 
As ilhas tornaram-se ponto de reunião das armadas que 
traziam riquezas das índias, bem como palco da guerra 
marítima entre os ingleses e as potências ibéricas. 
Como parte da estratégia de expansão e 
colonização das posses portuguesas no Novo Mundo, o 
governo luso promove uma ampla campanha de 
remanejamento em Cabo Verde e Açores, culminando 
com o envio de centenas de famílias, com seus 
escravos, para povoar núcleos coloniais ao Norte e Sul 
do Brasil. 
Assim chegaram, em Macapá, os açorianos entre 
1730 e 1750. Apesar de não terem se adaptado ao clima 
e à insalubridade da região, eles passam para a história 
de Macapá como seus primeiros desbravadores. 
Marroquinos em Mazagão 
O município de Mazagão teve sua origem de 
Mazagão Velho, no Mutuacá, em 1770, quando foi 
fundada a vila, pelo tenente-coronel Inácio de Alencar 
Moraes Sarmento. A fundação se deu em cumprimento 
às ordens da Coroa portuguesa de abrigar 163 famílias 
de colonos portugueses cristãos, oriundos do Castelo de 
Mazagran (hoje El Djadidá), no Marrocos, que se 
desentendiam historicamente com os mouros 
(mazaganenses convertidos ao islamismo). 
Neste local do Marrocos, os mouros passaram a 
reprimir quem não se adaptasse às leis islâmicas, 
resultando em inúmeros conflitos, alguns com vitórias 
e derrotas de um lado e de outro, culminando com a 
saída dos cristãos da região. 
Assim chegaram os marroquinos a Mazagão, por 
volta de 1771, fixando-se na vila que passou também a 
se denominar Mazagão, em homenagem à terra 
africana. 
Entre várias contribuições marroquinas, existe a 
Festa de São Tiago que, realizada todos os anos em 
Mazagão Velho (a 30 quilômetros de Mazagão Novo). 
No período de 16 a 28 de julho, acontece a festa 
de São Tiago, em Mazagão. Por suas heranças culturais 
e históricas, Mazagão Velho, distrito do município de 
Mazagão, hospeda todos os anos a encenação popular 
que retrata as batalhas entre cristãos e mouros, que 
disputavam na África a hegemonia da fé no continente 
africano, sob domínio português. 
A cada ano cresce a quantidade de pessoas que se 
deslocam para a cidade durante a festa que tem caráter 
religioso, folclórico e que faz alusão a lenda de São 
Tiago, que seria um soldado misterioso que apareceu 
nas batalhas no continente africano, lutando ao lado dos 
cristãos e que colaborou fortemente para sua vitória. Os 
atores são os próprios moradores da comunidade. 
Para entender melhor a história e a encenação é 
preciso saber um pouco mais sobre a história. Os 
mulçumanos, liderados pelo rei Caldeira. A guerra se 
estendia com vantagem para os portugueses. A 
estratégia de Caldeira era pedir o fim da guerra e 
presentear os cristãos com comidas envenenadas.Os 
lusitanos, que não eram bobos nem nada, sacaram que a 
esmola era demais e jogaram parte da comida para os 
animais dos mouros. À noite, os mouros deram um 
baile de máscaras na intenção de facilitar a vida dos 
cristãos que quisessem mudar de lado, com as mascarás 
eles podiam virar a casaca sem serem reconhecidos 
pelos chefões. 
Na festa, os cristãos levaram a melhor, 
compareceram mascarados e distribuíram a comida 
envenenada para os mouros. Até o rei Caldeira acabou 
morto com o fracasso de sua estratégia. 
Esse e outros episódios da guerra entre são 
lembrados. Durante a Festa de São Tiago acontecerá a 
Feira de Artesanato que apresentará cestas, vasos, 
colares de sementes, miniatura de bonecos, cadeira e 
mesa etc. O destaque são realmente as peças de 
cerâmica. 
VAMOS PRATICAR MAIS 
40 – descreva a chegada dos colonos 
açorianos no Amapá; 
41 – que grupo de pessoas foi responsável por 
ocupar mazagão? Qual sua origem? 
42 – que argumentos foram usados para 
justificar a necessidade de ocupar as terras do 
Amapá? 
43 –qual a relação entre a festa de são Tiago e 
a fundação da vila de mazagão? 
 
Os Índios - Os primeiros contatos 
Os índios do Amapá são os únicos do país que 
têm o privilégio de possuir todas as suas reservas 
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demarcadas, sem invasões de garimpeiros, madeireiros 
e agricultores. Os primeiros contatos entre o índio e o 
europeu têm o registro de 1500, quando Pinzón esteve 
aqui. O Estado abriga vários tipos de etnias, 
distribuídos em 49 aldeias. São eles: Galibi, Karipuna, 
Palicur, Tiriyó, Kaxuyana, Wayana, Apalaí e Waiãpi. A 
história dos índios no Amapá é cheia de episódios 
épicos e pela própria história de nossa gente. 
 
Tucuju, primeiros habitantes? 
Os índios do Amapá são os únicos do país que 
têm o privilégio de possuir todas as suas reservas 
demarcadas, sem invasões de garimpeiros, madeireiros 
e agricultores. Os primeiros contatos entre o índio e o 
europeu têm o registro de 1500, quando Pinzón esteve 
aqui. O Estado abriga vários tipos de etnias, 
distribuídos em 49 aldeias. São eles: Galibi, Karipuna, 
Palicur, Tiriyó, Kaxuyana, Wayana, Apalaí e Waiãpi. A 
história dos índios no Amapá é cheia de episódios 
épicos e pela própria história de nossa gente. 
Apesar de atualmente extintos, os Tucuju 
atualmente são o carro-chefe para se desvendar um 
pouco da história do Amapá na fase pré-pinzônica. 
Parte de sua história já tentamos relatar, unindo ficção e 
realidade, em uma obra que tivemos a oportunidade de 
lançar em 1997. Como eles vieram ao Amapá? Pinzón 
teve contatos mais próximos com eles em 1513, quando 
retornava à costa das Guianas. Além dos Tucuju, 
Pinzón teria avistado também os Palicur, os Mayé, os 
Itutan e os Maraon. Outro contato aconteceu em 1604, 
quando o naturalista francês Jean Mocquet, em viagem 
de estudos à então Costa Palicúria, relatou uma guerra 
que teria ocorrido entre os Palicur e os Galibi, e a 
vitória da nação palicur com a ajuda dos Tucuju. 
O domínio hispano-português (1580 a 1640) fez 
com que várias expedições chegassem até aqui, com 
intenções puramente de exploração. Nas construções de 
feitorias e postos de embarque, os colonos passaram a 
aprisionar gentios que, a princípio surgiam como 
promissora mão-de-obra para suas empresas. A 
intervenção dos missionários jesuítas convenceu a 
Coroa espanhola a expedir uma Carta-Régia datada de 
15 de maio, estabelecendo a libertação de todos os 
índios escravizados pelos colonos portugueses. 
Em 1639, um jesuíta espanhol (Cristobal de 
Acuña), realizando estudos cartográficos na margem 
guianense do Amazonas, consegue localizar um forte e 
uma missão portuguesa, com vários índios 
catequizados. Entre eles estavam os Tucuju. Essa 
missão ficava localizada, segundo Acuña, às 
proximidades de Almeirim e Macapá. 
Além da pressão exercida pelos jesuítas, que 
proliferam numa espécie de binômio catequese-
submissão ao colonizado, por volta de 1650 um fator 
muito forte iria dizimar parte dos grupos de missões: a 
peste bubônica, a malária e o sarampo. De origem tupi, 
o vocábulo Tucuju é uma transliteração de Tucumã, 
espécie de palmeira natural da Amazônia (A. Princeps 
Var Sulphurium), com frutos graúdos e oleosos usados 
na feitura do vinho, licor e mingau. 
Colonizadores e aventureiros, no início do século 
XV, levantaram propostas visando a criação da 
Província dos Tucuju, com a tentativa de resgatar o 
nome, em homenagem aos habitantes primitivos, mas 
isso não passou do papel. 
Arthur Cezar Ferreira Reis nos informa que a 
população desses índios na fasede maior ebulição 
demográfica, não passou de duas mil pessoas. Ele 
menciona também que esses Tucuju eram muito 
acessíveis e que, inicialmente fizeram amizade com os 
franceses possibilitando, assim, o contrabando e a 
descoberta de veios auríferos entre a região que vai do 
Oiapoque a Saint Georges. Isto, sem dúvida alguma, 
representou uma ameaça à soberania portuguesa que, 
no período das fortificações, construídas ao longo do 
vale do Oiapoque, provocou um verdadeiro êxodo 
dessa gente para o outro lado, onde se aculturavam e 
passavam a viver como "civilizados". Muitos desses 
índios e índias passaram a residir em Paris, como 
retribuição à "ajuda" que eles deram ao governo 
francês, na localização das minas de ouro. 
O tratamento grosseiro atribuído a portugueses 
como Bento Maciel Parente e seus filhos, a essa gente, 
consistia em castigos excessivos, assassinatos, 
estupros, exploração doméstica e sexual das índias 
jovens, e foram propícios a que esses índios se 
fizessem amigos dos "louros de fala macia" (franceses), 
que ao contrário dos lusos, passaram a presenteá-los 
com aves (frangos, galos, perus) exóticas, espelhos, 
pentes etc, além de viagens a Paris, de onde sempre não 
retornavam. 
Essas "vantagens" proporcionadas pelos 
franceses aos Tucuju tiveram forte repercussão na 
Coroa portuguesa que resolveu, com a ajuda dos 
jesuítas, mudar de estratégia. Assim, chegaram ao Cabo 
do Norte várias galeras, com presentes vindos até de 
outras colônias, constituídos de sedas, utensílios 
domésticos e pagamentos de vantagens a todos que 
conseguissem fazer dos Tucuju seus amigos. 
Assim, a Carta Régia de 27 de novembro de 1699 
estabelecia "que todos os portugueses deverão 
dispensar aos Tucuju um tratamento especial, levando-
os a terá uma vida mais respeitosa". Estavam incluídas 
no referido documento, imposições de penas a quem 
contrariassem a ordem régia, assim como menções 
honrosas a quem cumprisse integralmente os preceitos 
da Carta. Mas já era tarde demais. A maioria dos 
Tucuju migrou para a região das Guianas, aculturando-
se. 
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
28 
 
Os que ficaram, os mais velhos, foram 
desaparecendo aos poucos até se extinguirem 
completamente, em 1758. 
FAZENDO VOCÊ APRENDE: 
44 – A quem o texto se refere como gentios? 
45 – o que você argumenta para justificar que 
os colonizadores queriam apenas explorar a terra? 
46 – que vantagens os franceses ofereceram 
aos tucujus para tentar ocupar o território? 
47 –o que fizeram os portugueses para se 
contrapor as estratégias colonizadoras dos 
franceses? 
48 – o que pretendia a coroa com a seguinte 
determinação? "que todos os portugueses deverão 
dispensar aos Tucuju um tratamento especial, 
levando-os a terá uma vida mais respeitosa". 
 
OS INDÍGENAS DO AMAPÁ 
Karipuna 
A maior parte da população indígena que 
atualmente se define como Karipuna encontra-se nas 
margens do rio Curipi, principalmente no seu baixo e 
médio curso, na Área Indígena do Uaçá. Além das 
quatro aldeias maiores e principais, Manga, Espírito 
Santo, Santa Isabel e Açaizal, existem várias 
localidades residenciais dispersas ao longo do rio 
Curipi: Zacarias, Inglês, Mahipá, Txipidon, Paxiubal, 
Bastião, Campinho, Kutiti, Tauahu, Xato, Bovis, 
Taminã e Japim. Apesar da dispersão, cada uma dessas 
localidades reconhece sua conexão com uma das quatro 
aldeias maiores. 
Na BR-156, que liga as cidades de Oiapoque e 
Macapá, estão localizadas mais três aldeias Karipuna: a 
aldeia Piquiá, no Km 40, a aldeia Curipi, no Km 50, e a 
aldeia Estrela no Km 70. Esta estrada corta a área 
indígena do Uaçá justamente na região das cabeceiras 
dos rios Uaçá, Curipi, afluentes e da zona de reservas 
faunísticas, onde são realizadas expedições de caça e 
coleta de frutas silvestres e de onde se retira a madeira 
para construção de casas, barcos e canoas. Esta região 
sempre foi vítima de caça e pesca predatória, e com a 
abertura da BR-156 o acesso de invasores ficou ainda 
mais fácil. Há ainda, mais duas aldeias Karipuna 
situadas no rio Oiapoque: Ariramba, situada dentro da 
Área Indígena Galibi e, Kunanã, localizada na Área 
Indígena do Juminã. 
A paisagem natural dessas reservas é 
caracterizada pela presença de uma extensa bacia 
hidrográfica constituída pelos rios Oiapoque, Curipi, 
Urukauá, Uaçá e Cassiporé. Com exceção do rio 
Oiapoque, cuja nascente está fora e distante das 
reservas indígenas, a paisagem que caracteriza os alto e 
médio cursos dos demais rios é a florsta tropical de 
terra firme, de onde provém a madeira e a caça de que 
precisam esses povos. As agências que atuam entre os 
Karipuna, que atualmente contam 1.656 pessoas (Funai 
1998), são a Funai, o Cimi e a FNS. 
 
MÃOS À OBRA: 
50 – Elabore um texto sobre o modo de 
vida, local em que vivem, origens e outras 
informações importantes como hábitos 
alimentares, sobre os índios karipuna. 
 
Palikur 
Os Palikur, falantes de uma língua Aruak, estão 
localizados nos dois loados da fronteira Brasil-Guiana 
Francesa. A população em território brasileiro, 
estimada em 862 habitantes (Funai, 1998), eistribui-se 
em 10 aldeias (Kumenê, Flecha, Puwaytyket, 
Kamoywa, Tawary, Monge, Urubu) assentadas nos 
tesos que se levantam ao longo do rio Urucauá, afluente 
da margem direita do rio Uaçá. 
Localizada no extremo-norte do Estado do 
Amapá, a bacia do rio Uaçá, compreende dois 
afluentes, o Curipi e o Urucauá. Das cabeceiras dos três 
rios até próximo ao curso médio a vegetação é de terra 
firme mas, a partir do curso médio seguindo em direção 
à foz, a vegetação muda e é tomada por campos 
alagados, entrecortados por terras mais elevadas que 
permitem a ocupação humana. Do lado francês, os 
Palikur vivem dentro do perímetro urbano de Caiena e 
Saint Georges de L´Oyapock, em bairros construídos 
pelo governo especialmente para abrigá-los, e em 
aldeias localizadas na margem esquerda do rio 
Oiapoque. 
As terras ocupadas pelos Palikur fazem parte da 
Área Indígena do Uaçá e são contíguas à Área Indígena 
do Juminã (homologada pelo decreto s/N de 21 de maio 
de 1991). Além dos Palikur, muitos falam ou 
compreendem o patuá, utilizado como língua indígena 
pelos Karipuna e pelos Galibi-Marworno. Do lado 
brasileiro, a maioria dos jovens escolarizados e alguns 
homens falam o português. Na Guiana, por influência 
da escola francesa, quase todos falam o francês, com 
exceção dos mais velhos e de algumas mulheres. 
As agências de contato que atuam entre os 
Palikur atualmente são a Funai, que possui um Posto 
Indígena na aldeia Kumenê e cujo chefe é um Palikur; a 
FNS, e a Secretaria de Educação do GEA. Durante 
cerca de 12 anos (1965 a 1977), um casal de 
missionários linguistas do Summer Institute Of 
Linguistics (SIL), trabalhou junto aos Palikur. Sua base 
foi a aldeia Kumenê, na qual, em meados da década de 
1980, foi construída uma igreja filiada à Igreja 
Evangélica Assembléia de Deus. A maior concentração 
da população nesta aldeia deve-se ao grande número de 
pessoas convertida ao credo pentecostal. 
 
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MÃOS À OBRA: 
51–Elabore um texto sobre o modo de vida, 
local em que vivem, origens e outras 
informações importantes como hábitos 
alimentares, sobre os índios palikur. 
 
Galibi 
Os Galibi do Oiapoque - Galibi é a 
autodenominação de um grupo indígena que vive no 
Oiapoque e de outro que vive na Guiana Francesa, nos 
rios Maroni e Mana. Na Guiana Francesa eles se 
definem como Kaliña, tendo Galibi como designação 
genérica utilizada pelos europeus para se referir aos 
povos de fala Caribe do litoral das Guianas. 
Os Galibi são poliglotas. Além de manterem 
parcialmente sua língua original, falam também o 
patauá, língua geral utilizada no contato com as outras 
etnias da região. Falam o português e usam esta línguana aldeia e para os contatos externos. Conhecem o 
francês, pelo menos os mais velhos que foram 
alfabetizados e educados nesta língua, e entendem um 
pouco do patuá holandês. 
A aldeia São José dos Galibi permanece onde foi 
instalada em 1950, quando o grupo chegou na área. 
Localiza-se na margem direita do Oiapoque, logo 
abaixo da cidade de Saint Georges, em um trecho de 
terra firme cercado de roças familiares e mata. 
Atualmente a aldeia conta com sete casas, habitadas em 
média por duas pessoas. Muitos Galibi vivem fora da 
aldeia, nas cidades de Oiapoque, Macapá, Belém e 
Brasília. Os que habitam a cidade do Oiapoque, muitos 
deles funcionários públicos, sempre voltam à aldeia nos 
fins de semana e durante as férias. Os que habitam 
outras cidades visitam esporadicamente seus parentes. 
Apesar de um aumento demográfico, o número dos que 
permanentemente residem na aldeia tem diminuído: 
eram 38 em 1950, 28 em 1994 e 25 em 1999. 
A aldeia São José dos Galibi é também a sede do 
PI Galibi. Há um chefe de posto da Funai que é um 
índio Karipuna da aldeia de Santa Isabel e que também 
é enfermeiro. O líder da comunidade, Geraldo Lod, tem 
mantido uma atitude de autonomia mas de bom 
relacionamento com a Funai. Ele escolhe e avalia os 
funcionários da aldeia que hoje são apenas o chefe de 
posto e o professor. Participa das assembléias dos 
Povos Indígenas do Uaçá e de movimentos coletivos 
reivindicatórios. 
As terras ocupadas pelos Galibi correspondem 
basicamente ao território onde se instalam em 1950. 
Constituem a Reserva Galibi com uma superfície de 
6.689,928 hectares, conforme a portaria nº 1.369/E, de 
24 de agosto de 1962, e homologada em 1982 (Diário 
Oficial da União de 22 de novembro de 1982. 
 
MÃOS À OBRA: 
52 – Elabore um texto sobre o modo de 
vida, local em que vivem, origens e outras 
informações importantes como hábitos 
alimentares, sobre os índios Galibi. 
 
Galibi Marworno 
A denominação Galibi Marworno, hoje assumida 
pelos índios do rio Uaçá, revela uma população 
heterogênea, composta por descendentes de povos 
Caribe e Aruaque (Galibi, Maruane e Aruã), antigos 
habitantes da Guiana Francesa, sul do Amapá e bacia 
do Uaçá. Um certo número de moradores, por outro 
lado, é descendente de regionais e de imigrantes não-
índios que se casaram com índias do Uaçá. 
Os índios, até pouco tempo atrás, não se auto-
denominavam desta forma. Eles se identificavam como 
"do Uaçá" na época em que viviam dispersos em 
grupos locais, nas ilhas do Alto Uaçá. Mais tarde, a 
partir do final de década de 40, na época do SPI 
(Serviço de Proteção ao Índio), quando instalados no 
Village Sainte Marie em Kumarumã, passaram a se 
identificar, em conjunto, como Galibi e, mais 
recentemente, orientados pelo Conselho Indigenista 
Missionário (Cimi) e com a autorização do ex-chefe 
Manoel Floriano Marcial, como Galibi-Marworno, se 
diferenciando assim dos Galibi de Oiapoque. 
A língua dos Galibi-Maworno históricos entrou 
em desuso há pelo menos 100 anos, mas um número 
expressivo de palavras, especialmente referentes à 
fauna e avifauna, continuam sendo utilizadas. Em 
alguns cantos xamânicos, por exemplo, é possível 
verificar trechos em "língua antiga". 
Orientados pelo SPI, os Galibi-Marworno vivem, 
desde o final dos anos 40, concentrados em uma única 
aldeia, Kumarumã, na margem esquerda do uaçá. Essa 
"união" é considerada, pelo menos até hoje, motivo de 
orgulho. As terras ocupadas pelos Galibi-Marworno 
fazem parte da Area Indígena do Uaçá, com uma 
superfície de 41.164,036 hectares, homologada pelo 
Decreto nº 298 (Diário Oficial da União, 30 de outubro 
de 1997). 
Na década de 70, tendo em vista as 
reivindicações pela demarcação da terra e da luta 
política para diminuir os danos da Rodovia BR-156 
dentro da área indígena, lançou-se mão da designação 
"Povos Indígenas do Oaipoque". Posteriormente, em 
1991, foi criada a Associação dos Povos Indígenas do 
Oaipoque (Apio), para representar todas as etnias desta 
região. Assim como os Karipuna, os Galibi elegeram 
vereadores, em mandatos sucessivos, na Câmara de 
Vereadores de Oiapoque e, em 1996, o índio João 
Neves foi eleito prefeito do município de Oiapoque. 
As agências que atuam entre os Galibi-Marworno 
são a Funai, a FNS e a Secretaria de Educação do 
GERA. O Cimi, por sua vez, orienta programas de 
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educação em kheuol (criolo) além das atividades 
religiosas. Desde 1998 também atuam na aldeia um 
casal de missionários evangélicos da Missão Novas 
Tribos do Brasil. 
A população Galibi-Marworno está aumentando 
significativamente nos últimos anos, e conta com 1631 
pessoas, sendo 1509 de Kumarumã, 34 de Tukay e 88 
de Uahá (Funai, 1998). 
 
MÃOS À OBRA: 
53 – Elabore um texto sobre o modo de 
vida, local em que vivem, origens e outras 
informações importantes como hábitos 
alimentares, sobre os índios Galibi marworno 
 
O GRÃO-PARÁ NO PERÍODO PRÉ-
POMBALINO: 1700 - 1755 
A história de ocupação da Costa Setentrional do 
Grão-Pará faz parte de um processo histórico que 
envolve, fundamentalmente, dois períodos bastante 
amplos, que apresentam algumas semelhanças: a priori, 
devemos estabelecer o ano de 1755 como marco 
cronológico para a compreensão deste contexto. Além 
do mais, foi nesse ano que Sebastião José de Carvalho 
e Melo ou Marquês de Pombal instituiu o diretório dos 
índios, principal elemento de análise desse momento 
histórico. 
Da Ocupação Espiritual à ocupação Laica 
(não eclesiática) do Grão-Pará: Com tudo o que foi 
exposto até o presente momento, significa dizer que 
antes de 1755 (o período pré-pombalino, portanto) o 
Grão-Pará esteve enquadrado no contexto do poder 
religioso dos padres da Companhia de Jesus, cujo poder 
eclesiástico em muito contribuiu para os primeiros 
passos do processo de consolidação do domínio 
lusitano na região. Também na primeira metade do 
século XVIII, alguns elementos devem ser lembrados 
dentro da historiografia amazônica como por exemplo a 
dinâmica da ocupação espiritual através dos 
descimentos e aldeamentos missionários, local onde os 
padres aplicavam uma pedagogia religiosa no processo 
de liberação da mão-de-obra indígena. Isso ocorre, 
pois, ao mesmo tempo em que os indígenas 
apresentavam baixo grau de civilidade, estes não 
estavam ―prontos‖ para o trabalho a serviço de El Rei 
de Portugal. 
Nesse caso, percebemos que a ocupação 
econômica dependia em última instancia de fatores de 
ordem religiosa – daí a importância da ação 
missionária. O Estado Lusitano, mediador desse 
processo histórico, atribuiu já em 1686 através do 
documento conhecido como regimento das missões, o 
poder espiritual associado ao poder temporal o que 
conferiu amplos poderes aos jesuítas. Apesar do caráter 
religioso da ação da companhia de Jesus, não se pode 
esquecer também do econômico, uma vez que a 
economia do período pré-pombalino gravitou em torno 
da extração das drogas do sertão. Nessa modalidade 
econômica caracterizada pela garimpagem vegetal, a 
mão de obra do nativo amazônida foi fundamental no 
seu desenvolvimento – mas para isso seria necessário a 
mobilização de grupos indígenas para as ―aldeias 
artificiais‖ conhecidas como aldeamentos. 
A ação missionária foi de fundamental relevância 
no processo de consolidação do domínio português por 
esses rincões setentrionais. Tanto que o próprio 
Mendonça Furtado, então governador do Grão-Pará, em 
várias correspondências trocadas com seu irmão 
Marques de Pombal informava-lhe sobre a importância 
que deveria ser atribuída aos inacianos ou jesuítas: (...) 
É preciso assentar que cada religião desta forma, em si 
mesma, uma república; nela se acha toda a casta de 
oficial; nela há pescadores; nela há os grandes currais e, 
por conseguinte, são senhora das carnes, e das 
pescarias, tanto de peixe comode tartarugas, porque 
todas são feitas pelas suas canoas e pelos seus índios, 
sem que haja uma só canoa que sirva ao publico neste 
útil trabalho. As manteigas das mesmas tartarugas são 
também feitas por ordem dos missionários; finalmente, 
todos os viveres são das religiões, à exceção de alguma 
pequena parte que algum morador, ainda que raro, 
manda fabricar (...) 
Nesse trecho acima podemos perceber o poder e 
o controle exercido pelos jesuítas sobre determinados 
setores produtivos, como conseqüência direta do 
controle que detinham de diversos grupos indígenas. 
Para atender a um dos objetivos deste trabalho faz-se 
necessário uma análise mais detalhada daquele que é 
considerado o esteio da ocupação espiritual da 
Amazônia – os descimentos. O padre João Daniel, que 
viveu na Amazônia entre 1741 e 1757, como 
testemunha ocular de muitos fatos da época, remete-nos 
a uma melhor compreensão desse mecanismo de 
cooptação e mobilização das nações indígenas. 
Os descimentos eram expedições que subiam os 
rios em busca de índios ―dispostos‖ a receber a carga 
ideológica católica, através do sistema de aldeamentos. 
Com o argumento de que lhes dariam proteção e 
segurança, os jesuítas muitas vezes precisavam utilizar 
estratégias mais elaboradas para convencer os 
indígenas a descer os rios. Segundo o padre João 
Daniel, ―pouco a pouco os ir acariciando, e 
conquistando com dádivas, para lhes ir entranhando 
amor, e para lhes fazer conhecer que os não buscam 
para fazer escravo, mas para os fazer tratar como filhos 
(...)‖ 
A grande conseqüência da lusitação católica foi a 
mudança no estilo de vida tribal de diversos grupos 
indígenas amazônidas, isso porque um dos projetos, 
tanto dos inacianos quanto do próprio diretório 
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pombalino, era a transformação do índio selvagem em 
índio gentio – aquele que estaria em condições de ser 
usado como mão de obra na produção de riquezas. Ora, 
os índios descidos eram introduzidos num outro 
―mundo‖ bastante diverso do seu; obrigado a aceitar a 
carga cultural européia, privados de sua própria 
liberdade como ser humano. Destarte, apesar das 
reações à evangelização católica, pois muitas vezes os 
nativos desconfiados abandonavam os aldeamentos, 
isso quando não atentavam contra as vidas dos jesuítas. 
Portanto, ocupação espiritual, miscigenação e 
conflitos são apenas alguns dos principais ingredientes 
da lusitação pela hinterlândia (Amazônia) brasileira. O 
estado metropolitano, segundo podemos perceber 
através da leitura de trechos das cartas de Mendonça 
Furtado a Marquês de Pombal, demonstra a 
necessidade de controlar o ímpeto das ordens religiosas 
que inúmeras vezes acumulavam demasiados poderes; 
além do mais, os padres acabavam por controlar o 
excedente de trabalhadores braçais, deixando os 
colonos civis sem mão de obra. Assim, segundo 
ALMEIDA ―(...) V. Exa. Sabe muito bem que nestas 
terras pelo numero de escravos é que se medem as 
riquezas (...) enquanto não se tirar o domínio dos 
regulares das aldeias eles serão senhores de todas as 
riquezas desse estado‖. 
Entretanto, não se pode deixar de citar que não 
eram apenas os membros da companhia de Jesus que 
promoveram a ocupação espiritual da hinterlândia 
brasileira; religiosos de Santo Antônio, Carmelitas, 
Mercedários, capuchos da piedade, frades da conceição 
da Beira e Minho, vieram para a grande tarefa 
evangelizadora – conceito que guarda muito da 
ideologia no sentido marxista do termo, pois foi 
distorcendo a realidade que os padres conseguiam 
capturar os índios de suas tribos para os aldeamentos. 
Sem a ação desses aventureiros, seria mais difícil 
explicar a rapidez e a segurança do domínio político 
lusitano. 
Segundo Arthur C. F. Reis desde 1616 os 
primeiros grupos de padres chegaram: os frades de 
Santo Antônio, trazidos por Custódio Frei Antônio da 
Merciana. Segue o mesmo autor afirmando que os 
mesmo religiosos ajudaram os portugueses na luta 
contra os franceses no Maranhão (...) haviam ajudado 
eficientemente na guerra aos franceses, solicitados à 
ordem, como capazes para o descobrimento do terreno, 
produziram eficazmente (...)‖.O que podemos perceber 
é que a ação dos missionários não era apenas a de 
catequizar os nativos, além de liberar a mão de obra 
indígena, civilizá-los e educá-los, ainda coordenavam 
os indígenas no momento em que estes ajudavam os 
portugueses na luta contra os hereges – estrangeiros 
como eram denominados na época. 
 Os franceses haviam se instalado em Caiena 
desde meados do século XVII, data a partir da qual 
intentaram por muitas décadas a conquista forçosa da 
área que corre do estuário do Amazonas até o 
Oiapoque. A estratégia utilizada pelos franceses, dentre 
outras, era a sedução aos gentios, traficando e 
comerciando com os mesmos, criando laços de amizade 
e ―deslocando‖ lentamente a fronteira ao sul da guiana 
francesa. Tanto que ―(...) em 1697 os franceses por 
ordem do Marques de Ferrol, governador de Caiena e 
que, já tentara assustar as guarnições dos fortins de 
Macapá, atacando-nos, deles se apoderaram, sendo 
expelidos pouco depois pelos capitães Francisco de 
Souza Fundão e João Moniz de Mendonça". 
ATIVIDADE PARA APROFUNDAR MAIS 
54 –apresente características da região do 
Amapá no período pré pombalino 
55 – que marca o ano de 1755? 
56 – que ações desenvolveram os padres 
jesuítas durante o período pré pombalino? 
57 – apresente uma definição para a expressão 
descimentos 
58 –retire uma frase que mostre o interesse 
Frances sobre a região do Amapá 
59 – alem da tarefa de catequisar, qual outra 
tarefa era desenvolvida por missionários no Amapá? 
 
TEXTO COMPLEMENTAR 
Os índios Catequizados e as Aldeias de 
Repartição. Os descimentos: as aldeias de 
repartição 
José Ribamar Bessa Freire 
Márcia Fernanda Malheiros 
Esses aldeamentos missionários, chamados 
também de "aldeias de repartição", estavam 
integrados ao sistema colonial, funcionando como uma 
espécie de "armazém" onde os índios, uma vez 
descidos, eram estocados. Aí, depois de catequizados, 
eram alugados e distribuídos - repartidos - entre os 
colonos, os missionários e o serviço real da Coroa 
Portuguesa, para quem deviam obrigatoriamente 
trabalhar em troca de um pagamento, por um 
determinado período - que variou de dois a seis meses 
- findo o qual deveriam ser devolvidos à aldeia. 
Por isso, a documentação oficial os registra como 
índios de repartição, ou ainda impropriamente como 
índios livres para melhor distingui-los dos índios 
escravos. Para eles, os jesuítas desembarcados com o 
primeiro governador--geral deveriam criar aldeias 
especiais, que serviriam de núcleos de cristianização e 
centros de "conversão do gentio à nossa santa fé 
católica", conforme previsto por D. João III, que 
formula os princípios norteadores da catequese no 
Regimento a Tomé de Sousa. 
Desrespeitando a localização das malocas 
tradicionais, as aldeias missionárias foram 
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efetivamente situadas em locais próximos aos 
povoados portugueses. Possuíam uma igreja ou capela, 
uma escola e casas para cada família, bem diferentes 
das malocas comunitárias e da vida que os índios 
levavam em suas aldeias de origem. Seu objetivo 
principal era mesmo concentrar os índios, de nações e 
culturas diferentes, em um local de fácil acesso, onde 
pudessem ser catequizados e "civilizados", aprendendo 
os princípios da religião cristã e certos valores como 
obediência e disciplina, que os tornavam aptos para 
serem integrados ao sistema colonial como força de 
trabalho. 
No século XVI, os missionários administraram as 
aldeias com exclusividade, detendo o poder espiritual e 
o poder temporal sobre elas. No século XVII, quando 
a mão de obra indígena havia se tornado escassa, os 
padres tiveram que compartilharo poder temporal 
com os colonos que, em vários momentos, obtiveram - 
e depois perderam - o direito de governar essas 
aldeias. Pela Lei de 1611, por exemplo, os 
descimentos continuavam exigindo a presença de um 
missionário, mas passaram a ser realizados com 
escolta militar e comandados por colonos que tinham 
a função de "capitães de aldeia", com o poder de 
repartir os índios aldeados. Legislação posterior de 
1639 devolveu o controle aos missionários, o que 
revoltou os moradores, que ameaçaram expulsar os 
jesuítas do Rio de Janeiro. 
A legislação, determinando quem controlava os 
índios, mudava freqüentemente, mas a repartição 
nunca deixou de ser feita. Todos os índios aldeados, 
homens e mulheres em idade de trabalhar, eram 
obrigados periodicamente a prestar serviços dentro e 
fora da aldeia, num sistema rotativo em que uma parte 
dos índios trabalhava nas roças da aldeia, enquanto a 
outra parte exercia suas atividades fora dela, em geral 
nas plantações, fazendas e estabelecimentos dos 
moradores portugueses. 
Como remuneração, os índios aldeados ganhavam 
alguns metros de pano de algodão, tecido pelas 
próprias índias. A condição de vida e de trabalho deles 
não diferia muito daquela dos índios escravos: jornada 
excessiva de até 14 e 16 horas, alimentação 
inadequada e insuficiente, castigos e maus tratos. Por 
isso, sempre que podiam, fugiam das aldeias, cujo 
constante esvaziamento era causado em grande parte 
por essas fugas, mas também pelo fato de que muitos 
moradores não devolviam os índios às aldeias no 
prazo estipulado e criavam mecanismos para retê-los 
de forma permanente em seus estabelecimentos 
particulares. 
APÓS A LEITURA DO TEXTO ACIMA, 
RESPONDA: 
60) Defina aldeamentos; 
61) Caracterize o espaço físico de um aldeamento; 
62) Especifique a relação entre missionários e 
indígenas dentro dos aldeamentos; 
63) Quais os objetivos principais dos 
aldeamentos; 
4º BIMESTRE - Características gerais da 
ocupação do Amapá colonial 
 
O AMAPÁ COLONIAL NO CONTEXTO DA 
EXPANSÃO MARÍTIMA EUROPÉIA 
Desde o século XVI, os navegadores 
portugueses, espanhóis, franceses, ingleses e 
holandeses, cobiçavam as terras da Amazônia. A 
cobiça da região era incentivada pela possibilidade de 
ampliar seus domínios ultramarinos através da teoria do 
uti possidetis (quem tem de fato e constrói alguma 
benfeitoria, tem de direito). Assim foi que Carlos V da 
Espanha concedeu a Francisco Orellana o título de 
Adelantado de Nueva Andaluzia. Esse título dava a 
Orellana o direito de explorar as terras à Oeste de 
Tordesilhas. 
A guiana brasileira ou Amapá foi alvo de diversas 
invasões estrangeiras, devido à sua localização 
geográfica, na embocadura do rio amazonas, por onde é 
mais fácil penetrar. As constantes incursões de 
estrangeiros levou os portugueses a tomar uma decisão 
imediata: povoar para não perder as terras ao norte; foi 
assim que os portugueses adotaram a chamada política 
de fortificações que garantiu a presença física e militar 
contra possíveis invasões. Destacamos o forte Cumaú, 
fundada pelos ingleses depois destruídas pelos 
portugueses; o forte do presépio (1616) em Belém do 
Pará; e principalmente a fortaleza São José de Macapá 
(1782). Durante a construção da fortaleza São José de 
Macapá, foram usadas pedras do rio pedreira, com mão 
de obra escrava, tanto indígena como negra. 
Responda no seu caderno: 
1) o que levou os portugueses a se decidirem pela 
ocupação do Amapá? 
2) Em que consistia a politica de fortificações 
adotada pelos portugueses? 
 
A CAPITANIA DO CABO NORTE: uma capitania 
hereditária 
QUAIS as características de uma capitania 
hereditária? Trata-se de um modelo de ocupação e 
administração das terras coloniais, em que a metrópole 
por algum motivo (geralmente falta de recursos 
financeiros) repassa essa tarefa a terceiros ou 
particulares. A posse da terra transformada em 
capitania é regulamentada por um documento 
denominado carta de doação e os direitos e deveres de 
quem recebia a terra eram regulamentados pelo Foral: 
de acordo com esses documentos o donatário não seria 
considerado dono da terra, mas apenas administrador; 
tinha o direito de fundar vilas e povoados, conceder 
sesmarias, receber a redízima (1/10 parte das rendas 
que iriam para a coroa) e a vintena (5% sobre o valor 
arrecadado com o pau-brasil e a pesca). Além disso 
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33 
 
poderia cobrar tributos sobre as salinas, moendas e 
engenhos. Na realidade o Brasil colônia, as capitanias 
foram praticamente um fracasso, sendo que a do cabo 
norte nem chegou a ser ocupada pelo seu donatário 
Bento Maciel Parente. 
Portugal e suas colônias em 1580, devido a morte 
do rei D. Sebastião e pelo fato de não haver o mesmo 
deixado herdeiro, passaram para o domínio da Espanha, 
formando a União Ibérica. Essa aliança praticamente 
anulou o Tratado de Tordesilhas, proporcionando aos 
portugueses iniciarem a conquista da Amazônia, com o 
estabelecimento de um posto militar em 1616, o Forte 
do Presépio, que deu origem à atual cidade de Belém. 
Bento Maciel em 1627, viajou à Espanha para 
explanações às Cortes Espanholas das ações militares 
no combate aos invasores e para defender a necessidade 
imediata de ocupação do delta do rio Amazonas, com 
sua efetiva colonização. Seus argumentos foram 
convincentes, mas somente em 14 de julho de 1637, o 
rei Felipe IV, decidiu-se pelo povoamento da área, 
criando a Capitania Cabo do Norte, compreendendo as 
Terras que hoje são amapaenses, até o rio Paru. Bento 
Maciel Parente assumiu a condição de Capitão 
donatário após ouvir as seguintes determinações: 
―...onde cuidareis em estabelecer não só povoações mas 
também logo alguma defesa, para fazer a barreira desse 
estado por essa parte, evitando por essa forma as 
desordens e conquista por esta parte podem fazer os 
franceses e holandeses...‖ 
A Capitania foi doada a Bento Maciel Parente, 
que não chegou a se estabelecer na área ou mesmo 
determinar sua colonização, por não dispor de recursos 
financeiros para bancar o empreendimento, e como 
militar, estava envolvido no combate a invasores 
estrangeiros. O capitão tinha o dever de instituir 
povoados, estabelecer alguma forma de econômica e 
cuidar de estabelecer o catolicismo. Ademais, em 21 de 
janeiro de 1638, foi nomeado governador e capitão-
general do Estado do Maranhão, permanecendo no 
cargo até 04 de setembro, já sob a restauração da Coroa 
Portuguesa. 
O donatário da Capitania do Cabo do Norte, 
Bento Maciel Parente, faleceu em São Luiz em 1645, 
deixando como herdeiros, os filhos de Bento Maciel 
Parente e Vital Maciel Parente que também não 
providenciaram a colonização dessa propriedade. 
Faleceram sem deixar herdeiros, o que levou, ainda no 
século XVII, a concessão retornar para o domínio do 
governo português, que a anexou à Capitania do Grão-
Pará. 
OBS.: No momento em que Bento Maciel 
assumiu a capitania do Cabo Norte, a costa do Amapá 
era ocupada por tribos do grupo Tucujus e Aruãns. 
FAZENDO VOCÊ APRENDE MAIS: 
3 – O que é uma capitania hereditária? 
4 –que características do território entregue a 
Bento Maciel Parente a tornavam uma capitania? 
5 – o que estabeleciam os documentos 
entregues a Bento Maciel? Ele cumpriu essas 
desterminaçoes dos documentos? 
6 –que fato foi responsável por anular o 
tratado de Tordesilhas? Por que isso favoreceu a 
ocupação da amazonia? 
7 – a capitania do cabo norte foi um sucesso 
ou fracasso? 
 
AS EXPERIÊNCIAS NO CABO NORTE ANTES 
DA FUNDAÇÃO DE MACAPÁ 
O primeiro momento da história do Grão-Pará, 
como trabalhamos anteriormente, refere-se à ação 
missionária como elemento fundamental de ocupação 
da costa setentrional do Grão-Pará. Entretanto, 
buscamos analisar outras formas de compreender a 
ocupação dessas terras a partir de outros personagens 
como traficantes, viajantese aventureiros, e etc. Em 
1750, com a assinatura do Tratado de Madrid, ocorreu 
um maior incremento na política ocupacional da 
Amazônia. Naquele momento Portugal estava dando 
incentivo à imigração para o Brasil; primeiro, o grupo 
de açorianos que iriam para o Rio Grande do Sul fundar 
o porto dos casais – hoje cidade de Porto Alegre. 
Posteriormente, seguindo a mesma lógica, em 1752, 
Mendonça Furtado mandou para a região onde 
localizava-se o antigo forte de Santo Antônio de 
Macapá um grupo de ilhéus açorianos, que tinham 
recebido a promessa de receber terras para cultivo – os 
mesmos que vieram a fundar São José de Macapá em 
fevereiro de 1758. 
A tendência mais usual é atribuir ao Cabo norte 
uma inoperância no período anterior a 1758, quando da 
fundação da Vila de São José de Macapá. Entretanto, 
sabemos que as mais recentes pesquisas históricas 
sobre aldeamentos modificam um pouco essa 
afirmativa e abre um leque de possibilidades quanto às 
análises dos descimentos; referimo-nos à exclusividade 
dos missionários e sua tutela sobre os aldeamentos. 
Entretanto, Nírvia Ravena defende a assertiva de que: 
― para verificar a possibilidade de um aldeamento 
indígena não criado nem tutelado por missionários, o 
governador plenipotenciário [Mendonça Furtado] 
operou uma interessante burla das recomendações 
reais. Contratou um reconhecido traficante de índio, 
para iniciar um aldeamento denominado Sant‘Ana às 
margens do rio Matapi‖. 
Os aldeamentos e descimentos efetuados na 
região que estamos analisando não possuem muito de 
inovador. Mas porque a opção de Mendonça Furtado 
por particulares e não pelos missionários na tutela dos 
aldeamentos? A resposta a essa pergunta já foi feita 
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34 
 
anteriormente mas de forma indireta, qual seja: de que 
o poder dos missionários estava por demais grande, 
concorrendo com o próprio estado luso. Daí a 
necessidade de quebrar com a universalidade do poder 
temporal dos missionários. 
 
VAMOS APROFUNDAR O TEMA: 
8 – que experiências o Amapa experimentou 
antes mesmo da fundação das primeiras vilas? 
9 –que grupo tinha autonomia e controle sobre 
as tribos que habitavam o cabo norte antes das 
primeiras vilas? 
10 – de que maneira os missionários atuavam 
na ocupação do espaço colonial? 
11 – por que Mendonça furtado resolveu 
expulsar os jesuítas da região amapaense, ao assumir 
o governo do Grão Para? 
 
A PRESENÇA ESTRANGEIRA NA COSTA 
SETENTRIONAL DO GRÃO-PARÁ. 
―Como S. Maj. Defende com repetidas ordens 
todo o comércio com Caiena, cuja praça nos fica tão 
vizinha daquela povoação, será preciso que V. Mercê 
proíba e vigie com todo o cuidado que por nenhum 
caso ou acontecimento que haja, possam ter os ditos 
povoadores comunicação com a dita praça, e ao que 
transgredir esta ordem prenderá V. Mercê logo e mo 
remeterá a esta cidade para o castigar 
exemplarissimamente, na conformidade as leis de S. 
Majestade‖. Nesse trecho, podemos perceber que a 
região onde hoje se localiza Macapá e adjacências 
envolveram muita atenção por parte de Francisco 
Xavier de Mendonça Furtado, então governador do 
Grão-Pará e Maranhão, região que aparece como um 
núcleo importante para o projeto colonizador português 
na Amazônia setentrional. 
A história da costa setentrional do Grão-Pará é a 
historia das disputas internacionais, especialmente com 
a França. Por isso, devemos considerar as constantes 
incursões promovidas por diversos países estrangeiros 
nessa área de fronteira internacional. Aliás, a respeito 
disso, deve-se salientar que o norte do Grão-Pará – o 
Amapá Colonial, portanto - possui uma característica 
que não chega a ser única na realidade amazônica, mas 
que representa um ingrediente a mais na história 
amapaense. Estamos falando da fronteira internacional 
com a Guiana Francesa, separado pelo Rio Oiapoque – 
motivo de disputas, aliás, em torno de metais preciosos 
no final do século XIX. 
Sobre a política de fortificações 
O prof. Adler Homero, quanto á política de 
fortificações sustenta que: ―como resposta à ameaça foi 
erguido o que talvez seja o maior monumento à 
engenharia militar portuguesa no Brasil, ou seja, a 
fortaleza São José de Macapá. Imensa e bem 
construída, essa fortificação se ajustou razoavelmente 
às propostas do Marquês de Pombal para a região, 
servindo de prova efetiva e tangível de que a coroa 
portuguesa era a proprietária do Cabo Norte e de que 
qualquer pessoa que tentasse disputar a posse teria de 
superar esse gigantesco obstáculo antes de atingir seu 
objetivo. A fortaleza passava a ser o verdadeiro ‗fecho 
do império‘ na foz do Amazonas‖. 
Nesse contexto de disputas internacionais o 
Amapá aparece, indubitavelmente, como o maior 
motivo de preocupação por parte das autoridades 
metropolitanas, como podemos perceber nas palavras 
de BAENA: devido as disputas entre portugueses e 
franceses por volta de 1678, passou-se a ―explorar as 
terras austrais do rio Oiapoque‖, que pertenciam a 
Portugal desde 1636. Além disso, era constante o 
comércio clandestino entre franceses e grupos 
indígenas, que representava grande perigo ao domínio 
lusitano na referida região. Esse comércio era 
representado por produtos com tijolo, arroz, farinha e 
outros viveres, fundamentais para a demarcação 
francesa na fronteira colonial com o Amapá. A coroa 
portuguesa, através do Conselho Ultramarino procurou 
proibir essa prática ilegal chegando a concretizar por 
três vezes expedições militares para coibir tais contatos, 
em 1721, 1723 e 1724. 
Esse simples ato comercial representava uma 
grande ameaça para as autoridades lusitanas. Através 
de um interrogatório realizado em Macapá, em 1791, 
revelou-se como os pretos dos dois lados da fronteira se 
comunicavam e comerciavam, o que se pode perceber 
nas palavras dadas por um escravo de prenome Miguel: 
‖(...) roças grandes e que os seus averes os vendiam aos 
franceses porque com eles tinham comércio e que eles 
mesmo lhe tinham dado um padre da companhia mas 
que esse já tinha morrido e que lhe tinham mandado 
outro (...) e que parte de seus companheiros tinham 
partido a fazer uma salga para o seu padre e outros que 
havia pouco tempo que tinham acabado de fazer tijolos 
para os franceses fazerem uma fortaleza (...)‖ 
Tão importante é estabelecermos uma relação 
entre a diplomacia internacional que discutia 
juridicamente a posse das terras do novo mundo, a 
teoria do uti possidetis ou uso capião e os debates em 
torno de diversos tratados. Um deles é o tratado 
provisional de 4 de março de 1700, estabelecido entre 
Portugal e França que obrigou, dentre outros, Portugal 
demolir os fortins de Macapá e Araguari. Já em 11 de 
abril de 1713, através do tratado de Utrecht, os 
franceses foram obrigados a devolver a região 
ambicionada pelos franceses aos seus verdadeiros e 
legítimos donos. 
Naquele momento histórico de disputas 
internacionais pelo controle do maior número de 
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35 
 
colônias na América, Portugal e França travaram 
aquele que talvez tenha sido a maior de todas as 
relações litigantes. Por esse motivo o governo de 
Mendonça Furtado deve ser caracterizado pela 
constante preocupação de esquematizar a introdução de 
sítios estratégicos que posteriormente tornar-se-iam 
uma vila ou fortificação militar. Essa logística 
contribuiu para a definição de boa parte da atual 
configuração geopolítica das nossas fronteiras 
internacionais no setentrião. 
Deve-se atribuir, ainda, a Mendonça Furtado a 
importante tarefa de levar a cabo as demarcações 
determinadas pelo tratado de Madrid de 1750. Nesse 
caso, além da importância de estabelecimento de vilas e 
povoados para inibir a presença estrangeira, a 
construção de fortalezas e postos militares seria de 
grande valia para o projeto de ocupaçãoda costa 
setentrional do Grão-Pará, pela coroa lusitana. Isso 
podemos perceber nos documentos e cartas régias 
ordenando ao então governador do Grão-Pará o 
seguinte: ―Fareis o exame possível onde puderdes 
chegar, e encarregareis ao governador do Maranhão, 
que no seu distrito, faça a mesma diligencia para 
examinar as fortalezas e repará-las, quando for 
possível, como, também, para o estabelecimento de 
outras [...] e vos advirto que tanto esta fortaleza como 
todas as demais que se fizerem para defesa e segurança 
desse Estado, se hão de fazer de forma e modo que não 
pareça receio de nossos confinantes, havendo ao 
mesmo tempo a cautela precisa para que eles não nos 
surpreendam para que, pelos meios de fato, não 
renovem as pretensões antigas, e não queiram 
impossibilitar-nos para lhes disputarmos em todo o 
tempo por força‖ 
A diligencia ordenada pelo rei português teve a 
seguinte resposta dada por Mendonça Furtado a sua 
Majestade: ―No dia 24 de fevereiro saí desta cidade 
para a minha jornada de Macapá, aonde cheguei a seis 
de março e ali me dilatei com os trabalhos daquela 
nova povoação, até o primeiro dia de maio em que saí 
dela, fui pelo amazonas acima, vendo as fortalezas e 
aldeias que estão por aqueles rios até os prauxis [atual 
cidade de óbidos] de onde passei a parte sul, e depois 
de ver a Fortaleza dos Tapajós passei ao Xingú e dali 
ao Gurupá, e a todos os mais rios que se seguem, até 
essa cidade, aonde me recolhi em vésperas de São João 
[...] depois de ter andado mais de 600 léguas por 
infinitos rios e metido em um canoa‖ 
Ademais, uma das ações lusitanas nessa área de 
fronteira com a França foi o policiamento constante, 
dentro das possibilidades materiais e financeiras; o 
policiamento era feito por um órgão conhecido 
primeiramente como Regimento de Guarda Costa, mas 
que recebeu depois o nome de Regimento das 
Fronteiras. Artur C. F. Reis assinala sobre isso que : ―a 
vigilância tinha de ser constante, apurada, de vez que 
os concorrentes não dormiam, de quando em vez 
mesmo tentando incursões, localizando posições 
armadas, comerciando com o nativo, seduzindo-o, 
provocando confusão em torno da toponímia regional, 
promovendo incidentes a propósito de escravos que 
fugiam do Pará para Caiena e ali recebiam proteção, 
garantias(...)‖ 
No trecho acima podemos perceber que a área de 
fronteira representava um grande perigo para o domínio 
lusitano na parte setentrional da colônia; além disso, o 
perigo afetava também ao aspecto econômico, 
comercial e produtivo, pois é devido a facilidade de 
contato com os franceses, que escravos negros subiam 
ao norte para respirar a liberdade em território 
guianense. 
 
ATIVIDADE PARA PRATICAR: 
12 –qual o interesse dos estrangeiros nas terras 
amapaenses na época colonial? 
13 –os portugueses tinham receio quanto ao 
contato entre franceses e índios brasileiros. Explique 
isso através de uma frase retirada do texto anterior 
14 – qual órgão responsável por fazer o 
policiamento da costa amapaense? 
15 - conceitue politica de fortificações. 
16 – procure informações sobre o que 
determinava o tratado de madrid; 
17 – retire uma frase do texto que mostra a 
preocupação com a defesa do território amapaense 
18 – o tratado de Utrecht foi favorável aos 
portugueses ou franceses? 
 
A FORTALEZA DE SÃO JOSÉ DE MACAPÁ: 
1764 – 1782 
A fortaleza de São José de Macapá foi construída 
pelo engenheiro Henrique Antonio Galúcio, no governo 
de Fernando de Costa Athayde Teive. Devemos 
salientar, inicialmente, que existe uma diferença entre 
diversas categorias dos postos militares construídos 
pelos portugueses: casas fortes e redutos seriam os 
menores; baterias e fortins de porte médio e os fortes 
propriamente ditos seriam de maior poder defensivo. 
Este último, no qual se enquadra a fortaleza de são José 
de Macapá que, aliás, é a mais completa e imponente 
de todas as existentes no Brasil. Uma característica 
importante dessa fortaleza , além de sua preservação 
quase perfeita, é o fato de possuir alguns elementos 
externos que aumentam seu poder defensivo e ofensivo. 
Essas construções complementares seriam a 
esplanada e o revelim: 
A esplanada era a o terreno que separava a 
fortificação das casas da cidade, para vigiar a área 
imediatamente em torno da posição. Recebia um 
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36 
 
talude, começando no fosso e indo terminar na área 
mais próxima da cidade ou campanha. Este aterro 
servia a dois objetivos: diminuía o ângulo morto (local 
próximo aos canhões e que estavam fora do ângulo de 
fogo dos mesmos) e cobria as muralhas principais do 
bombardeio vindo da campanha. 
O revelim é o nome que recebe a fortificação em 
forma triangular ou de baluarte isolado, construído 
além do fosso, para cobrir as portas da fortificação, 
pontes, cortinas e outros pontos fracos. 
A fortaleza de são José possui alguns elementos 
da engenharia militar portuguesa que raramente são 
encontrados em outro forte no Brasil. Exemplo disso 
eram as casamatas para abrigar a guarnição, prédios à 
prova de bombas e esplanadas que até existem em 
alguns fortes mas não juntos como em São José. A 
casamata é um tipo de proteção contra bombardeio, 
pois os tetos espessos, cobertos por grossa e inclinada 
alvenaria ou colchões de terra davam segurança a quem 
estava abrigado sob ela. 
Havia, ainda, a canhoneira – espécie de abertura 
na muralha através da qual uma peça disparava tiros e 
permitia maior resistência a longos combates. Além do 
paiol de pólvora, numa engenharia muito bem 
desenhada com uma muralha em torno para canalizar a 
explosão de um ataque e um sistema de ventilação para 
proteger a munição. Essa ventilação seria bem 
arquitetada: eram aberturas no tamanho certo, não 
muito pequena pois a entrada do vento é importante, 
mas também não muito grande, pois se assim fosse 
algum inimigo poderia amarrar uma mecha acessa no 
rabo de um rato e explodir o paiol e o própria forte. 
Outro cuidado que os lusos tiveram no forte 
foram os fornos de balas ardentes: eram estruturas de 
ferro ou alvenaria destinados a aquecer as balas de 
artilharia até ficarem rubras, essas balas quando 
atingissem o navio inimigo causaria incêndios. O 
ultimo ponto relevante dessa brilhante engenharia foi o 
portão do forte, aliás os dois portões pois na realidade 
brasileira, são José é o único caso de possuir dois 
portões: um ligando a entrada ao revelim e outra 
ligando o revelim à esplanada. 
A construção desse forte se enquadra na política 
de fortificações do estado português na segunda metade 
do século XVIII. O engenheiro italiano Henrique 
Gallúcio veio a Amazônia com a comissão 
demarcadora de limites enviada para cá em função do 
tratado de Madrid de 1750. 
A mão de obra utilizada na construção do forte 
também foi um problema, além da falta de recursos, a 
ser pelo Estado. Artur Viana assim se expressou: ―é 
verdade que se mandou das aldeias mais próximas um 
contingente avultado de índios para se empregarem nas 
obras, mas a leva tapuia era perseguida pelas moléstias 
impiedosamente e por outro lado oprimida pela 
disciplina militar, bárbara e inclemente, dos que 
dirigiam os trabalhos, de sorte que a morte e a fuga 
despovoavam as pedreiras e as canoas‖. Nesse trecho 
podemos perceber a quantidade de índios que fugiam 
do trabalho na fortaleza. 
Durante o trabalho de construção, algumas 
moléstias acometeram vários trabalhadores, isso ocorre 
pois o local ao redor do forte era um imenso charco de 
águas paradas (lago, nos documentos da época) e atraia 
muitos vetores de doenças. Tanto que o próprio 
Henrique Gallúcio morreu vitima de uma doença 
comum na época, como podemos observar: ―em 27 de 
outubro de 1769, sucumbiu ele [o engenheiro 
encarregado A. Hs. Gallúcio] vitima, ao que se 
depreende da informação do cirurgião-mor,Julião 
Alves da Costa, de uma cacheria palustre (malária)‖. 
MÃOS À OBRA: 
19 - Destaque um cuidado especial dado pelos 
portugueses quanto a eficiência dos ataques 
inimigos 
20 –destaque um problema enfrentado pelos 
portugueses durante a construção da fortaleza 
21 – com relação a mao de obra utilizada na 
construção da fortaleza, qual foi a maior dificuldade? 
 22 –qual a função da (o): 
a) revelim 
b) casamatas 
c) canhoneira 
 
As características da Fortaleza de São José 
A construção da Fortaleza de São José de 
Macapá foi autorizada no reinado de D. José I 
(Julho/1750 - Fevereiro/1777), que teve como primeiro 
ministro, o Marquês de Pombal, um representante do 
despotismo esclarecido. 
Pela sua grandiosidade esta Fortaleza, configura 
o particular interesse geo-político lusitano em garantir 
o domínio sobre as terras conquistadas com base no 
Tratado de Madri - Janeiro 1750, entre Portugal e 
Espanha, por onde se definiu os limites fronteiriço ao 
norte da colônia brasileira. 
Administrada diretamente pela Capitania do Gro-
Pará e Maranho, a obra foi iniciada em 29 de junho de 
1764. No mesmo ponto em que anteriormente se 
construíram os redutos de 1738 e 1761, veio a 
Fortaleza ser erguida estrategicamente na foz, pela 
margem esquerda do rio Amazonas, onde exerceria as 
funções de: impedir por esta via, a entrada de navios 
invasores; defender, abrigando no seu interior, os 
moradores da vila de São José de Macapá, caso 
sofressem ameaça de assédio; servir como base para o 
reabastecimento de um exército aliado; refugiá-lo na 
situação deste bater em retirada; servir como ponte de 
contra-ataque do inimigo; elo de comunicação e 
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37 
 
vigilância entre as demais fortificações espalhadas pelo 
interior e fronteiras; assegurar a exploração dos 
produtos regionais (droga do sertão), e seu exclusivo 
comércio com a metrópole; manutenção da ordem 
soberana de Portugal na região. 
E comporia também uma cadeia de fortificações 
distribuídas ao longo do rio Amazonas e afluente 
visando proteção das incursões que estabeleciam 
comércio do escravo africano com o ouro do Peru. 
Contudo a Fortaleza de São José de Macapá nunca 
entrou em combate, realizando parte de suas funções 
estratégicas.Foi a Segunda comissão demarcadora de 
limites da Amazônia, ocupada com o levantamento das 
potencialidades econômicas regionais, quem recebeu 
através do governador da Capitania do Gro-Pará, a 
ordem imperial do planejamento de fortificação para 
Macapá. 
23 - Desafio: procure informações sobre a 
diferença entre fortaleza, fortins e fortalezas 
Em seguida, a comissão composta de homens 
ilustres como: Joo Geraldo Gronfelds, Henrique Joo 
Wilkens, Domingos Sambucetti, Antonio José Landi, e 
dos astrônomos, Joo Brunelli e Miguel Antônio Clero, 
coordenados por Henrique Antônio Galúcio, estudaram 
os Tratados sobre Fortificações, de Manuel Azevedo 
Fortes. E com adaptações à realidade local, 
materializando arquitetonicamente a Fortaleza de São 
José de Macapá, como um complexo fortificado 
composto de núcleo cercado externamente por outros 
elementos construtivos, de reforço à defesa. Todavia, 
por falta de recursos, esta majestosa obra no chegou a 
ser completamente acabada, e por isso as fases 
posteriores de abandono levaram ao arruinamento e o 
conseqüente desaparecimento de alguns pontos mais 
vulneráveis. 
Internamente, o núcleo (Praça Principal) tem a 
configuração de um quadrado com quatro baluartes 
pentagonais nos vértices, o que permitiria o cruzamento 
de fogo sobre o inimigo, detalhe este marcado pela 
influência da engenharia francesa do século XVII, com 
bases defensivas da guerra de posição expressada no 8º 
modelo do construtor Sebastién de Le Prestes, Marquês 
de Vauban, exemplo destacado da obra de Manuel 
Azevedo Fortes.E no interior deste quadrado se 
encontra uma praça rebaixada com um esgotadouro de 
águas pluviais no centro, nas laterais, oito prédios 
destinados ao aquartelamento disposto dois a dois. 
Limitam esta área rasa, a conformação de terraplenos 
elevados, que interligam na mesma altura, os baluartes; 
e sob os terraplenos sul e leste, existem 
respectivamente, dois conjuntos de casamatas, com 
doze unidades cada.Externamente, de imediato, temos 
os fosso seco, que no projeto original contornava toda a 
Praça Principal, porém, hoje restando apenas na parte 
Sul e a Oeste. Ao Sul, do fosso seco passar em frente 
do porto principal, temos o Revelim, também 
contornado por este fosso. 
O Revelim ligava-se à Esplanada por passarela 
de madeira e ao porto principal, através de uma ponte 
de madeira fixa, com parte dela elevadiça, acessórios 
estes, desaparecidos. Ao Norte, no projeto original, 
além do fosso seco, existiria outro Revelim 
acompanhando na sua frente de um fosso hídrico; 
elementos que também sofreram desaparecimento. A 
Leste, além do fosso seco, existiria duas Baterias 
Baixas que com o tempo também desapareceram da 
leitura aparente. 
Com a morte de D. José I, assumiu o trono sua 
filha D. Maria I que por questões políticas, exonera e 
persegue Marquês de Pombal. Imediatamente, deixa de 
investir na construção da Fortaleza de São José de 
Macapá, sob alegação de ser onerosa para a Coroa, o 
que a paraliza, e a cinco anos depois, mesmo estando 
Inacabada, foi inaugurada em 19 de março de 1782.Nos 
dezoito anos de trabalhos na construção, muitas vidas 
foram consumidas, entre as duas classes de mão-de-
obra: a mão-de-obra livre, representada pelos oficiais, e 
soldados do exército, capatazes e mestres de ofício; e a 
mão-de-obra compulsória, representada em seu maior 
contingente por Indígenas capturados oficialmente na 
região, seguida pelos negros africanos comprados pelo 
governo da capitania. Sendo ambas propriedade do 
Estado, que devido ao regime de trabalho forçado, e 
submetidas à exploração, mesmo com o assalariamento, 
representou escravidão. 
Os trabalhos distribuíram-se nos principais 
núcleos de produção como pedreiras: na extração e 
beneficiamento das pedras naturais (lavagem e 
cantariaçao); nas usinas de cal: base para mistura na 
formação da argamassa (cal, areia, água, argila e 
quanto ao elemento óleo, no se tem comprovação da 
sua presença); nas olarias: que produziam tijolos e 
telhas; no transporte: carreteiro, canoeiro, e remeiro; 
além de outros serviços complementares ao 
levantamento da construção.Do período colonial ao 
Brasil Império, a Fortaleza de São José de Macapá foi 
ocupada e utilizada por pelotões das respectivas 
guardas, portuguesa e Imperial, atendendo aos 
interesses estratégicos. 
VAMOS APROFUNDAR MAIS O TEMA: 
24 - o que a fortaleza são jose de macapa tem 
de grandioso que a torne diferente de outras 
fortalezas? 
25 - de uma exemplo pratico de como a 
fortaleza são jose poderia defender nossa região. 
Crie uma situação fictícia; 
26 –descreva alguns materiais usados na 
construção da fortaleza são jose; 
27 - qual a função dos baluartes? 
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
38 
 
 
TEXTO COMPLEMENTAR 
A fortaleza São jose durante a republica 
Porém, com o advento da Proclamação da 
República em 1889, e a participação do Brasil na 
conjuntura Internacional da economia de mercado, a 
Fortaleza gradativamente perde sua função principal e 
entra num processo de total abandono, situação esta 
que permitiu o saque de vários objetos como artefatos 
de guerra, canhões, pedras e tijolos, etc. e pelo início 
do nosso século o Serviço de Sinalização Náutica do 
Canal Barra Norte - Marinha do Brasil, assenta uma 
torre com farolete sobre o Baluarte Nossa Senhora da 
Conceiço, visando facilitar a navegação nesta 
embocadura.Muito embora, algumas vezes a Fortaleza 
estivera sujeita aos serviços de capina por ordem de 
intendentes do município de Macapá, mas o longo 
período de abandono estende-seaté 1946, quando na 
Fortaleza se instalou o Comando da Guarda 
Territorial (policia ostensiva) órgão do recém criado 
Territorial Federal do Amapá (1943). 
 E para tal efetivação, este Comando realizou 
grandes serviços, como a reposição dos telhados 
arruinados de quatro prédios e da Casa de Órgão; 
confecço em madeira, de janelas, portas e portões, 
reutilizando peças originais como dobradiças, 
ferrolhos e cravos, por ali encontrados sob os 
escombros; capina (interna e externa), além de 
retirada dos arbustos dentre as pedras das muralhas, 
assim como a eliminação de frondosas árvores 
crescidas nos Terraplenos cujas raízes impactaram os 
tetos abobadados das casamatas, provocando 
seríssimas; restaurações de vários pontos degradados, 
como a substituição de tijoleiras dos pisos, muretas e 
rampas de acesso; desobstrução dos mais aparentes 
Canais de Drenagem das Águas Pluviais; Confecção 
em madeira das carretas que servem de bases para os 
canhões. Sabendo que todo este trabalho no teve o 
devido acompanhamento técnico em restauração, mas 
é reconhecida a competência que tiveram em realizá-lo 
ao buscarem aproximação com a realidade original, 
representando desta forma, uma vertente do processo 
de restauração. 
A ocupação e utilização deste Monumento 
Histórico pelo Governo do Território do Amapá, 
revitalizado e destacando sua importância e o 
Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional - 
IPHAN, se interessa procedendo o Tombamento sob o 
Processo nº 423/T/50, inscrição nº 269 do livro de 
Tombo Histórico em 22 de março de 1950.Se tem 
notícias que uma comissão nomeada pelo Governo 
Territorial em 08 de julho de 1950, procedeu o 
levantamento e Tombamento de todos os bens da 
Fortaleza, embora que contraditoriamente neste 
período, dentro da área do entorno ponto Oeste na 
esplanada ocorreram levantamentos de prédios 
públicos e particulares.Enquanto o governo 
aceleradamente construía a Colônia Penal do Beirol, 
nos arredores da cidade de Macapá, o espaço da 
Fortaleza serviu provisoriamente como hospedagem a 
famílias imigrantes que chegavam a Macapá, e de 
Cadeia Pública aos presos da Justiça sob vigilância da 
guarda Territorial. 
Posteriormente, o Governo cedeu o espaço para 
que funcionassem também instituições como a 
Imprensa Oficial; o Exército, representado no peloto 
do 26º BC - Tiro de guerra 130; e para o Museu 
Territorial.Transformando a Fortaleza de São José de 
Macapá, num centro socio-cultural e de lazer, onde 
comemoravam-se datas cívicas nacionais e locais, com 
salvas de tiros pela alvorada, desfiles escolares e festas 
dançantes - uma importante referência Histórico-
Social para a comunidade macapaense.Com o Regime 
de Força implantado pelos militares em março de 64 
no Brasil, o Governo do Território Federal do Amapá, 
determinou que somente o Comando da Guarda 
permanecesse na Fortaleza, quanto às demais 
instituições, foram tranferidas para outros prédios do 
Governo.Diante do Regime de Força a sociedade 
amapaense testemunha o recolhimento de intelectuais 
e trabalhadores na Fortaleza como presos políticos. 
E neste período de ditadura militar foi 
permitido a instalação do Clube Social do Circulo 
Militar na área de entorno imediato da Fortaleza - 
ponto Leste, sobre onde originalmente foram 
construídas duas Baterias Baixas.Em 1975, a Guarda 
Territorial e transformada em Polícia Militar, sendo 
logo instalada em prédio próprio, permanecendo na 
Fortaleza apenas o Peloto da Banda de Música desta 
Corporação que, além das atividades de ensaios passou 
a realizar um serviço de guarnição no Forte. 
Enquanto sua limpeza e conservação permanecia 
mantida pelo Governo Territorial. 
Em 1979, a Delegacia do Serviço do Patrimônio 
da Unio - DSPU, concede a cesso da Fortaleza ao 
Governo do Território Federal do Amapá, através de 
um Termo de Entrega para fins de preservação, neste 
sentido so realizados alguns serviços emergênciais no 
monumento, mas sem o devido acompanhamento 
técnico em restauração. Destaca-se que o Termo de 
Entrega referido deveria ser ratificado em dois anos, o 
que no ocorreu. Mesmo assim, o Governo do 
Território continuou executando os serviços visando a 
preservação e a conservação do Patrimônio Histórico. 
Neste período ocorre a retirada pelo Governo 
Federal da torre com sinalizador náutico do Baluarte 
de Nossa Senhora da Conceição, sob orientação do 
IPHAN. E, também, a contratação dos renomeados 
arquitetos Pedro e Dora Alcântara para a elaboração 
do projeto de restauração da Fortaleza de São José de 
Macapá, que conclui as etapas de pesquisa iconografia 
e documental. 
Nos anos 80, a Secretaria de Educação e Cultura 
do Território Federal do Amapá, cria o Departamento 
de Aço Complementar - DAC, onde a Fortaleza de São 
José de Macapá foi vinculada através da Seção de 
Patrimônio e Arquivo Histórico. Em seguida, o DAC 
foi transformado em Departamento de Cultura - DC, 
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
39 
 
que destina para funcionar no espaço interno do 
monumento, a Diviso Fortaleza de São José de 
Macapá, contemplando a Seço de Preservação e 
Conservação, num reconhecimento da sua importância 
para a sociedade. 
Em 1989, o Governo Territorial, contratou a 
empresa DPJ Arquitetos Associados, para a 
elaboração do Projeto de Restauração e Revitalização 
da Fortaleza, com base na pesquisa realizada por 
Pedro e Dora Alcântara. 
Em 1990, foi entregue o projeto da área interna, 
e em 1991, o projeto da área externa, trabalhos que 
contaram com o apoio da Secretaria de Obras e 
Serviços Públicos - SOSP (atual Secretaria de Infra-
Estrutura - SEINF), assim como nas etapas finais, o 
projeto de urbanização e prospecção arqueológica 
externa. 
O Território Federal do Amapá transformado 
em Estado com base na Constituição de 1988, tem a 
sua estrutura administrativa modificada e 
posteriormente, o Departamento de Cultura da 
Secretaria de Educação é extinto para ser criada e 
instalada a Fundação de Cultura do Estado do Amapá 
- FUNDECAP, que mantém no seu organograma à 
Diviso Fortaleza de São José de Macapá. 
ATIVIDADE SOBRE O TEXTO 
28 - apresente um exemplo de descaso do 
governo local quanto a fortaleza são jose 
29 – a fortaleza já serviu ao longo da historia 
para função difente daquela para que foi projetada? 
30 – que cuidados o governo local teve durante 
a restauração da fortaleza? 
 
TRATADOS E ACORDOS NA DEFINIÇÃO DA 
FRONTEIRA SETENTRIONAL DA AMAZÔNIA 
TRATADO PROVISIONAL OU TRATADO 
DE NEUTRALIDADE (1701) 
Assinado entre Portugal e França, devido às 
incursões de franceses à região do Cabo Norte. Teve 
um caráter provisório e suspensivo, para que, enquanto 
não se determinasse decisivamente o direito das ditas 
coroas, se pudessem evitar os motivos que causassem 
conflitos entre os dois países. Ficou pendente a questão 
da fronteira, sendo que os franceses continuaram a 
invadir o lado português. 
 
Sobre o Tratado Provisional 
Artigo I – “que se mandarão desamparar e 
demolir por El-Rey de Portugal os fortes de 
Araguary e de Cumaú ou Massapá e retirar a 
gente e tudo mais que nelles houver (...)” 
Artigo II – “que os Francezese e 
Portuguezes não poderão ocupar as ditas terras 
nem os ditos fortes referias no artigo precedente, 
as quaes ficam em suspensão da posse de ambas as 
coroas (...)” 
 
TRATADO DE UTRECHT (1713) 
A assinatura do Tratado de Utrecht entre Portugal 
e França ocorrido na Holanda no dia 11 de abril de 
1713, determinava que o Rio Oiapoque seria o marco 
divisório entre a Guiana Francesa e o Brasil. O artigo 
VIII do referido tratado assinalava que: ―a propriedade 
das terras chamadas do Cabo do Norte, & situadas entre 
o Rio das Amazonas, & o Japoc ou de Vicente Pinsão, 
sem reservar, ou reter poção algumas das ditas terras, 
para que ellas sejão possuídas daqui em diante por Sua 
Majestade Portuguesa, seus descendentes, sucessores, 
& Herdeiros possam jamais ser perturbados na dita 
posse por Sua Majestade[França] Christianissima, seus 
Descendentes, Sucessores e Herdeiros‖. 
31 - VAMOS APROFUNDAR O TEMA: 
antes da assinatura do tratado de Utrecht, a quem 
pertencia o território amapaense? 
 
TRATADO DE MADRID (1750) 
Assinado entre Portugal e Espanha. Portugal 
receberia os sete povos das missões e passa a colônia 
do Sacramento para o domínio espanhol. Portugal 
garantiu o controle da maior parte da bacia amazônica, 
enquanto a Espanha controlaria a bacia da prata. De 
acordo com esse tratado, Portugal perdeu boa parte de 
território ao sul e, também por esse motivo, voltou-se 
para a ocupação de certas áreas em disputa 
internacional – o Amapá por exemplo – para 
compensar suas perdas. 
É um tratado importante pois pela primeira vez 
procurou-se considerar a realidade americana, isto é, 
levar em consideração a ocupação efetiva realizada 
aqui. Além disso, na resolução das disputas com a 
Espanha, Portugal utilizou habilmente a teoria do uso 
capião ou uti possidetis, na demarcação das fronteira ao 
sul do Brasil. Outra determinação importante foi tornar 
certos rios e canais comuns limítrofes navegáveis pelas 
duas nações. OBS.: Portugal passou a ter o domínio da 
bacia amazônica e a Espanha, o domínio da bacia do 
rio da prata. 
32 - VAMOS APROFUNDAR O TEMA: o que foi 
determinado pelo tratado de madrid?Foi favorável 
ao território amapaense? Explique 
 
A DISTRIBUIÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO: 
NATIVOS E IMIGRANTES 
Na segunda metade do século XVIII, caracteriza 
a tônica das ações lusitanas na Amazônia, a defesa do 
território ameaçado constantemente associado pela 
presença estrangeira à exploração econômica, pela 
necessidade mesma do Estado em suprir seu problema 
financeiro e de abastecimento. Daí a Amazônia 
ocidental passa a ocupar um lugar de destaque, 
recentemente integrada ao mercantilismo português e 
ao circuito do capitalismo internacional. Na análise da 
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
40 
 
organização da Amazônia nos setecentos devemos 
levar em consideração o seguinte fator: a dinâmica das 
relações político-adminstrativa entre Estado Lusitano e 
a sociedade colonial amazônica, na qual se inclui 
negros, brancos e uma grande soma de índios 
destribalizados de suas aldeias através de um processo 
denominado corporações de índios ou índios das 
corporações. 
Na ocupação das terras do cabo norte, muito 
relevante foi a participação de nativos (indígenas) que 
foram transferidos de diversos pontos do interior da 
Amazônia para trabalharem em diversas formas e 
regimes de trabalho, e de imigrantes norte africanos 
que ocuparam essas terras. 
Na vigência do diretório, não houve muitas 
transformações quanto ao trabalho compulsório. Na 
realidade, ocorreu uma adaptação à nova realidade que 
se gestava, pois com a necessidade de ocupação do 
setentrião brasileiro (dentre outros fatores, pela 
incômoda presença estrangeira) e a promessa de que os 
imigrantes receberiam ―mudas‖ de índios para 
trabalharem sob o regime de trabalho compulsório, o 
estado lusitano determinou a organização das 
―corporações de índios‖ ou ―índios das corporações‖, 
uma espécie de empresa encarregada de mobilizar 
grupos de índios para determinadas regiões a serem 
ocupadas, sempre seguindo uma lógica pré-definida. 
Essa lógica atendia fundamentalmente à 
necessidade de manter os grupos longe de revoltas e 
rebeliões por eles mesmos organizadas para se 
contrapor à escravidão. Foi então que adotaram o 
método de dividir os índios por idade, sexo, profissão 
(daí o nome corporações) disposição para o trabalho; os 
mais valorizados eram os carpinteiros que tivessem 
especialidade em construir canoas a remo (conhecidas 
como montarias) para transportar a produção de arroz; 
havia ainda os ―mocetões‖ ou índios jovens com 
disposição física para remar e transportar os produtos 
distribuídos dos mais distantes pontos do interior da 
Amazônia; as moças com habilidade de costura teriam 
uma função também ligada ao arroz, pois estas 
confeccionariam as sacas nas quais o produto seria 
embalado e transportado. 
 
SOBRE AS CORPORAÇÕES DE INDIOS 
Sobre isso Cecília Brito afirma que “no 
contrato de cada corporação, fixava-se o tempo 
que cada operário deveria permanecer num 
determinado serviço na vila de destino, assim 
como o prazo de retorno a sua povoação. O 
prazo de permanência de três a quatro meses, 
freqüentemente excedia esse período. A 
rotatividade intensiva de trabalhadores 
indígenas era denominado na época de mudas de 
índios, que se realizavam de acordo com o 
tempo previsto para permanência do 
trabalhador índio em cada vila designada. Ao se 
determinar o prazo de rodízio, a quantidade de 
índios solicitados variava conforme o numero 
existente em cada povoação” 
 
Uma prática muito corriqueira naquele momento 
histórico era o recrutamento de índios oriundos das 
corporações para trabalharem como soldados na 
proteção das fronteiras, evidentemente que dentro de 
uma lógica natural nem todos os nativos se deixavam 
ser usados como militares e lavrandeiros, entretanto 
existiam aqueles que absorviam melhor a idéia de 
submissão ao sistema e ajudavam a manter a ordem 
colonial vigente. O colono imigrante oriundo do norte 
da África passou a ser naquele contexto histórico, uma 
figura administrativa, jurídica e política importante no 
processo colonizador. ―A transferência de parcela de 
colonos para o Grão-Pará foi patrocinada pela 
Companhia de Comércio [do Grão-Pará e Maranhão], 
com definição de objetivos e regras. Os mecanismo de 
ajuda e os auxílios prestados para sua instalação, assim 
como os papéis atribuídos (econômico, social e militar) 
estavam definidos em códigos de controle da 
administração colonial.‖ 
 
RESOLVA NO SEU CADERNO: 
33 – que problemas Portugal enfrentava no 
século XVIII? 
34 – qual a principal utilidade dos índios 
recrutados pelos missionarios? 
35 – os índios eram divididos conforme a idade, 
sexo, habilidades, etc.... por que? Qual o objetivo? 
 
A FUNDAÇÃO DA VILA DE SÃO JOSÉ DE 
MACAPÁ: COLÔNIA AGRÍCOLA E MILITAR 
Texto escrito por AMANAJÁS, Rosinai. 
―A idéia de formar um celeiro agrícola no delta e 
na planície fluvial amazônica, como escreveu o padre 
João Daniel, estava contida nos discursos das 
autoridades e orientou as políticas da segunda metade 
do século XVIII. A descrição volta-se para essa fase de 
expansão da agricultura inserida no projeto de 
colonização em Macapá‖ 
Ocorrida em 2 de fevereiro de 1758, a fundação 
da vila de São José de Macapá faz parte de um contexto 
histórico que envolve, basicamente, a necessidade de 
ocupação das terras localizadas na costa setentrional do 
Grão-Pará , associado à ameaça de outras potencias 
européias que promoviam constantes invasões na 
referida região, além da necessidade de promover um 
fomento econômico para gerar divisas para o estado 
lusitano. A região da costa setentrional do Grão-Pará, 
antes da fundação de São José de Macapá, era uma 
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
41 
 
região pouco assistida pelo Estado português. O 
governador do Grão-pará, Francisco Pedro de 
Mendonça Gurjão, renovou as reivindicações sobre a 
necessidade fundar vilas e povoados, mas a única 
providência tomada por D. João V, com relação à 
região, foi oficialmente denominá-la em 1748, de 
Província dos Tucujus ou Tucujulândia, sem que lhe 
fosse alterada a condição administrativa. 
Entretanto, ao governador Francisco Xavier de 
Mendonça Furtado, coube a tarefa de implementar a 
colonização da região. Assumiu o governo do Estado 
do Maranhão e Grão-Pará, em 24 de setembro de 1751 
(antes mesmo da implementação do diretório 
pombalino) e já em dezembro organizou uma 
expedição às terras onde posteriormente seria São José 
de Macapá, constituída de soldados e, principalmente, 
de colonos da Ilha de Açores. Segundoa prof. Nirvia 
Ravena, nas instruções reais dadas a Mendonça 
Furtado, no vigésimo segundo parágrafo, textualmente 
lhe é ordenado que crie povoações e defenda o Cabo 
Norte em parceria com os jesuítas: ―(...) nas aldeias do 
cabo norte, que nesta instrução vos encomendo muito 
cuideis logo de estabelecer, e as mais que se fizerem 
nos limites desse Estado, preferireis sempre os padres 
da companhia, entregando-lhes os novos 
estabelecimentos (...)‖ 
Posteriormente, ocorreu um relativo incentivo à 
economia agrícola rizicultora com a instalação das 
primeiras unidades de produção de arroz Carolina 
(vindos da região da Carolina, nos Estados Unidos); 
essas unidades correspondem aos núcleos de 
colonização agrícola, pois alem de colonizar a região, 
servem de esteio econômico para a alimentação local e 
do próprio sistema colonial português na América. 
Portugal enfrentava, na segunda metade do século 
XVIII, uma crise de abastecimento cerealífero. Para 
aliviar esse déficit econômico, tentou implementar, no 
delta amazônico, um celeiro agrícola baseado na 
rizicultura. Os lavradores de Macapá e Maranhão 
receberam sementes de arroz ―carolina‖, proveniente de 
Carolina do Sul. No Grão Pará, sobretudo em Macapá, 
essa rizicultura aparece de forma mais acabada por um 
prazo de trinta anos. Os colonos recebiam pagamento 
em dinheiro, escravos, terras, gado e instruções para 
fazer desenvolver a terra. Recebiam uma casa pronta e 
condições para se manterem com a família até 
adquirirem estabilidade. 
Alguns administradores de Macapá e Mazagão 
incentivaram mais a agricultura mesmo que esses 
núcleos funcionassem como reserva militar e 
salvaguarda da fronteira. A entrada de uma família de 
colonos dependia da decisão da administração e cada 
uma devia colocar à disposição seus escravos para os 
trabalhos na fortificação, construção que durou mais de 
dez anos e centralizou recursos financeiros, mão de 
obra indígena e as atenções do governo. Neste período 
do conjunto de povoações estabelecidas, Macapá foi a 
vila mais próspera. De maneira geral, ocorreu a falência 
da rizicultura devido à falta de recursos e 
investimentos, ao descaso português, também quase 
falido. 
Como podemos perceber, a Base econômica da 
fundação de Macapá, seu esteio econômico, portanto, 
foi a economia da gramínea. O arroz era produzido na 
costa setentrional do Grão-Pará pois foi a área que 
apresentou maiores possibilidades geográficas devido à 
presença de áreas inundáveis da planície fluvial 
amazônica. Aproveitar esse potencial para gerar 
divisas, colonizar e defender a terra passaram a ser a 
mola-mestra desse processo. Outro aspecto a considerar 
é o fato de essas colônias possuírem um caráter 
também militar. Isso significa que a fundação da vila de 
São José de Macapá atende a uma dicotomia: colônia 
agrícola e caráter militar; essa ambivalência aparece 
como uma estratégia do estado para promover uma 
ocupação sem se preocupar em deslocar grande número 
de soldados dos quais não se dispunha para defender 
essas partes do reino. Tanto é verdade que esses 
primeiros colonizadores são considerados como 
soldados ―lavrandeiros‖ (Essa categoria tinha na época 
o significa literal de imigrante. Tinham benefícios e 
privilégios diretos como possessões do terreno 
recebido, com facilidades para empregar os índios 
pagando-lhes salários como jornaleiros quando fosse o 
caso), pois sua presença, mesmo que não fossem 
soldados no sentido da palavra, mas contribuíam para 
inibir a presença estrangeira. 
A presença francesa é a que merece mais 
destaque entre os estrangeiros, pois estes estavam 
desrespeitando o tratado de Utrecht assinado na 
Holanda no dia 11 de abril de 1713, determinava que o 
Rio Oiapoque seria o marco divisório entre a Guiana 
Francesa e o Brasil. O artigo VIII do referido tratado 
assinalava que: ―a propriedade das terras chamadas do 
Cabo do Norte, & situadas entre o Rio das Amazonas, 
& o Japoc ou de Vicente Pinsão, sem reservar, ou reter 
poção algumas das ditas terras, para que ellas sejão 
possuídas daqui em diante por Sua Majestade 
Portuguesa, seus descendentes, sucessores, & 
Herdeiros possam jamais ser perturbados na dita posse 
por Sua Majestade [França] Christianissima, seus 
Descendentes, Sucessores e Herdeiros‖. 
A guiana brasileira foi alvo de diversas invasões 
estrangeiras, devido à sua localização geográfica, na 
embocadura do rio amazonas, por onde é mais fácil 
penetrar. As constantes incursões de estrangeiros levou 
os portugueses a tomar uma decisão imediata: povoar 
para não perder as terras ao norte; Rosa Acevedo assim 
destaca os primeiros momentos da colonização da costa 
setentrional do Grão–Pará: ―as terras do cabo norte 
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
42 
 
receberam, com a entrada de colonos embarcados em 
Portugal, com os escravos introduzidos da África e com 
indígenas mobilizados de locais diversos do vale do 
Amazonas, um sopro de povoamento (...) fundou-se a 
vila de Macapá, no ano de 1758 com povoadores 
―ilheos açorianos‖ e das ilhas Canárias por ordem do 
Rei D. João V (...) apesar de seu caráter militar, o 
projeto necessitava apresentar uma faceta agrícola para 
concorrer com os planos de colonização da Guiana 
Francesa (...)...‖ 
Portanto, como podemos perceber no trecho 
acima é que São José de Macapá foi colonizada tendo 
como base três grupos: colonos imigrantes, escravos e 
índios destribalizados. Nesse ultimo caso, merece 
destaque o sistema analisado anteriormente e conhecido 
como sistema de corporações de índios, que foi 
responsável pela mobilização de milhares de grupos de 
indígenas denominado mudas de índios; estes, como já 
vimos, eram usados como mão de obra nas lavouras 
das recém fundadas vilas a exemplo de São José de 
Macapá. 
Vejamos a proveitosa afirmação de Cecília brito 
sobre essa mobilização de índios para o cabo norte: 
―durante aproximadamente vinte anos (1757 – 1777), 
quando intensificou-se a atenção das autoridades 
coloniais para Macapá e Mazagão, verificou-se um 
movimento de índios provenientes de diversas vilas. 
No decorrer do tempo esse fluxo provinha de lugares 
cada vez mais distantes (...) o serviço dos colonos 
impunha aos índios atividades na pesca, na caça, na 
agricultura, na coleta, confecção de canoas, corte de 
madeira e serviços domésticos‖ 
Além disso, sabemos que a história da escravidão 
negra na Amazônia possui uma peculiaridade em 
relação a outras regiões da colônia, pois o custo de 
braços negros era muito superior ao de índios no 
interior da hinterlândia brasileira. Em função da 
abundância de índios nos antigos aldeamentos 
missionários agora transformados em vilas e povoados, 
os moradores freqüentemente pediam ao Estado que 
este enviasse certa quantidade de mudas de índios para 
trabalharem na plantação de arroz e mandioca. 
Vejamos um quadro que mostra a distribuição de 
mudas de índios para São José de Macapá. Na lista 
identificamos o lugar de origem desses trabalhadores: 
 
“Em quase meio século mudou a paisagem 
humana, formou-se um novo mosaico, contudo o 
povoamento ocorreu com muita instabilidade. Os 
movimentos de uma população flutuante marcaram 
o projeto. Nos canteiros de obras e roças a flutuação 
maior foi a de índios destribalizados que chegaram a 
representar 80% dos trabalhadores. Alguns colonos 
foram favorecidos com a arregimentação continua 
dessa força de trabalho através do diretório para 
ajudar nas fases da semeadura, limpeza e colheita do 
arroz. Mulheres e rapazes distribuíam-se entre os 
cabeças de famílias que lavravam roças de arroz, 
milho e algodão e fabricavam panos de algodão 
vendidos em Belém.” 
 
No trecho acima podemos perceber a importância 
da arregimentação da mão de obra indígena na 
ocupação da costa setentrional do Grão-Pará, pois os 
próprios colonos que ocuparam essa regiãotinham 
consciência da necessidade de receber braços indígenas 
dispostos para o trabalho na lavoura e outras tarefas, 
sem duvida. Alem do mais, dadas as dificuldades de 
incentivo financeiro por parte do estado lusitano aos 
colonos, a solução viável seria realmente liberar essa 
mão de obra abundante. 
Vejamos o quadro abaixo que trata da 
distribuição da força de trabalho indígena partindo da 
necessidade acima exposta: 
LEMBRE-SE: Assegurado aos portugueses o 
domínio sobres as Terras situadas entre os rios 
amazonas e Oiapoque, os mesmos voltaram a se 
estabelecer na região, em 1738, posicionando em 
Macapá um conservou até o final de seu governo, em 
agosto de 1747, sem nada fazer pelo seu 
desenvolvimento por falta de recursos financeiros e 
interesse da Coroa Portuguesa. Esse governador, 
chegou a insistir na urgência da implementação do 
povoamento e fortificações da foz do Amazonas. 
Seu sucessor, Francisco Pedro de Mendonça 
Gurjão, renovou essas reivindicações, mas a única 
providência tomada por D. João V, com relação à 
região, foi oficialmente denominá-la em 1748, de 
Província dos Tucujus ou Tucujulândia, sem que lhe 
fosse alterada a condição administrativa. Ao 
governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, 
entretanto, coube a tarefa de implementar a colonização 
da região. Assumiu o governo do Estado do Maranhão 
e Grão-Pará, em 24 de setembro de 1751, e já em 
dezembro organizou uma expedição a Macapá, 
constituída de soldados e, principalmente, de colonos 
da Ilha de Açores. Segundo a prof. Nirvia Ravena, nas 
instruções reais dadas a Mendonça Furtado, no 
vigésimo segundo parágrafo, textualmente lhe é 
ordenado que crie povoações e defenda o Cabo Norte 
em parceria com os jesuítas: ―(...) nas aldeias do cabo 
norte, que nesta instrução vos encomendo muito 
cuideis logo de estabelecer, e as mais que se fizerem 
nos limites desse Estado, preferireis sempre os padres 
da companhia, entregando-lhes os novos 
estabelecimentos (...)‖ 
 
Sobre a colonização do Cabo Norte 
A prof. Rosa Acevedo assim destaca os primeiros 
momentos da colonização do Cabo Norte: “as terras 
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
43 
 
do cabo norte receberam, com a entrada de colonos 
embarcados em Portugal, com os escravos 
introduzidos da África e com indígenas mobilizados 
de locais diversos do vale do Amazonas, um sopro 
de povoamento (...) fundou-se a vila de Macapá, no 
ano de 1758 com povoadores “ilheos açorianos” e 
das ilhas Canárias por ordem do Rei D. João V (...) 
apesar de seu caráter militar, o projeto necessitava 
apresentar uma faceta agrícola para concorrer com 
os planos de colonização da Guiana Francesa (...) a 
construção de Mazagão foi iniciada em 1771 
abrigando os habitantes da antiga praça portuguesa 
de Mazagão (norte da África) ... nos três primeiros 
anos foram transferidas 114 famílias ...” 
 
O povoado de Macapá rapidamente progredia, 
mas a insalubridade do local tornava-se um grave 
problema a ser enfrentado pelos colonos. Em 1752, 
uma epidemia de cólera grassou em Macapá. A notícia 
chegou a Belém, e em 07 de março desse ano, 
inesperadamente, Mendonça Furtado aportou na 
povoação, trazendo o único médico que havia na 
Capitania e medicamentos, conseguindo controlar a 
moléstia. 
Mendonça Furtado, no início de fevereiro de 
1758, novamente aportou em Macapá com numerosa 
comitiva. Estava em missão de demarcação de 
fronteiras da colônia com as Terras pertencentes à 
Espanha, na região Amazônica, definida pelo Tratado 
de Madri, assinado em 1750. Veio para elevar o 
povoado à categoria de vila. No dia 02 de fevereiro, 
começou com as providências, criando a Câmara 
Municipal. No transcurso de uma solenidade, no dia 04 
de fevereiro, Mendonça Furtado mudou a categoria 
administrativa do povoado de Macapá, elevando-o à 
condição de vila com denominação de Vila de São José 
de Macapá. 
Rosa Acevedo afirma ainda que: “a terceira vila 
foi Vistoza madre de Deus, recebeu „ilheos 
Funchalenses‟ e quarenta degredados de Lisboa, 
assentados no Rio Anauarapucu por volta de 1769. 
O quarto sítio foi conhecido como Santa Anna, 
situado a beira do rio Maracapucu” 
 
FAZENDO VOCÊ APRENDE MAIS: 
36 - que atividade econômica predominou na 
ocupação do território amapaense? 
37 – o que você entende pela expressão: 
colonização agricola 
38 – a colonização do cabo norte atendeu ao 
principio econômico ou militar? Ou os dois? Explique 
39 – retire uma frase do texto que expressa o 
interesse do estado português em ocupar o amapa 
40 – diante da dificuldade de se dispor de mao 
de obra para fornecer aos colonizadores do cabo 
norte, qual a solução encontrada? 
Fundação da Cidade de Macapá - Fernando 
Rodrigues dos Santos 
Assegurado aos portugueses o domínio sobre as 
terras situadas entre os rios Amazonas e Oiapoque, os 
mesmos voltaram a se estabelecer na região, em 1738, 
posicionando em Macapá um destacamento militar. 
O Governador Francisco Xavier de Mendonça 
Furtado, ficou incumbido de implementar o 
povoamento da região Amazônica. Assumiu o governo 
do Estado do Maranhão e Grão-Pará, em 24 de 
setembro de 1751, e já em dezembro organizava uma 
expedição a Macapá, sob o comando do sargendo-mor 
João Batista do Livramento, constituída de soldados, e, 
principalmente, de colonos da Ilha dos Açôres. Foram 
recepcionados pelo comandante da guarnição, Manoel 
Pereira de Abreu e Padre Miguel Angelo de Morais que 
estavam em conflito, porque o militar negava-se em 
atender os pedidos e solicitações dos sacerdotes, 
inclusive de alimentação. 
O povoado rapidamente progredia, mas a 
insalubridade do local tornava-se um grave problema a 
ser enfrentado pelos colonos. Em 1752, uma epidemia 
de cólera grassou em Macapá. A notícia chegou a 
Belém, e em 7 de março desse mesmo ano, 
inesperadamente Mendonça Furtado aportou na 
povoação, trazendo o único remédio que havia na 
Capitania e medicamentos, conseguindo controlar a 
moléstia. Mendonça Furtado, no início de fevereiro de 
1758, novamente aportou em Macapá com numerosa 
comitiva. Estava em missão de marcação de fronteiras 
da Colônia com as terras pertencentes à Espanha, na 
região Amazônica, definida pelo Tratado de Madri, 
assinado em 1750. Veio para elevar o povoado à 
categoria de vila. No dia 2 de fevereiro, começou com 
as providências criando a Câmara Municipal e 
empossando os vereadores Domingos Pereira Cardoso, 
Feliciano de Souza Betancort, Francisco Espíntoda de 
Betancort, Antônio da Cunha Davel, Thomé Francisco 
de Bentacort e Simão Caetano Leivo. 
No transcurso de uma solenidade, no dia 4 de 
fevereiro, Mendonça Furtado mudou a categoria 
administrativa do povoado de Macapá, elevando-o à 
condição de vila com a denominação de Vila de São 
José de Macapá. 
Elevado à categoria de território em 1943, seu 
desenvolvimento foi impulsionado pela descoberta de 
jazidas de manganês, no município de Serra do Navio. 
MÃOS À OBRA: 
41 – a vila de Macapa enfrentou algum 
problema no incio de sua ocupação? Explique 
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
44 
 
42 – qual o episodio histórico que marca a 
elevação administrativa de Macapa? 
 
Amapá, uma conquista espanhola? 
Muito antes do descobrimento do Brasil (22 de 
abril de 1500), o navegador espanhol Vicente Yañez 
Pinzón teria chegado em janeiro do mesmo ano, ao 
norte do Cabo Orange, atual fronteira entre o Brasil e a 
Guiana Francesa. Apesar desta tese contrariar muitos 
historiadores castelhanos e lusos, alguns até mesmo a 
mencionar que o desembarque das naus do navegador 
se deu no Cabo de Santo Agostinho (Pernambuco), e 
enquanto não restar dúvida alguma, temos de acreditar 
que Pinzón (alguns preferem a grafia Pinson, sem o 
acento) teria chegado mesmo ao Norte do Amapá. Não 
fosse isso, como explicar o emprego de seu nome como 
primeira denominação do rio Oiapoque?Afinal de 
contas, o Amapá é uma conquista lusa ou espanhola? 
Como vimos, as primeiras informações históricas 
do Amapá têm início em 1500. Mas as primeiras 
notícias da terra precederam o ciclo do descobrimento 
do Brasil. Assim, as duas potências européias (Portugal 
e Espanha) de então, passam a disputar, gradualmente, 
a corrida rumo a conquista de novas terras. Entre os 
fatores que trouxeram os portugueses ao Brasil, faz-se 
relevo a necessidade de um intercâmbio comercial mais 
amplo com o Oriente, a exploração de novas terras e a 
busca de metais preciosos e produtos naturais. Os 
resultados foram benéficos para Portugal que, 
mantendo as novas colônias em seu poder, 
providenciava de imediato a exploração dos metais 
preciosos e produtos naturais. 
Mas enquanto Portugal se mantinha em explorar 
o Oriente, Espanha travava de confirmar seus domínios 
apossando-se das terras recém-descobertas. Um dos 
ilustres personagens espanhóis, Alexandre VI, chega ao 
papado. Para a repartição das novas terras descobertas, 
o papa tinha o poder de reparti-las aos monarcas 
cristãos, mas Portugal, por causa da presença de um 
pontífice espanhol que estava mais a fim de beneficiar 
seu país, começou a reagir. Assim, surgiu em junho de 
1494 o Tratado de Tordesilhas, o primeiro documento 
oficial que configura a posse espanhola das terras do 
Amapá. Assim, o Brasil pode não ter sido descoberto 
através do Amapá. Verdade ou não, é inegável o fato de 
que o Amapá seja uma conquista espanhola, e não lusa 
Pelo exposto, a conquista da América foi, antes 
de tudo, um empreendimento ibérico e luso. O mesmo 
se deu no Amapá. Já mencionamos que há contradições 
sobre a viagem de Pinzón ao Oiapoque, mas 
oficialmente tem-se que, ao chegar aqui em janeiro de 
1500, os primeiros contatos com os índios, 
possivelmente os Palicur, lhe permitiram desvendar o 
nome original predominante na região: Costa Palicúria. 
Historicamente esse parece ser o primeiro nome 
de nossa costa. Esses índios de língua aruaque, hoje 
habitando o Oiapoque, guardam com seus ancestrais 
um verdadeiro acervo histórico narrativo que 
futuramente poderá ser desvendado, com relação à 
presença do homem pré-pinzônico no Amapá. Apesar 
do relato oral, e como protagonista principal, o povo 
palicur tem muita coisa a passar para nós que apenas 
iniciamos essa peregrinação histórico-cultural 
Em sua breve passagem pelo Amapá, Pinzón 
teria dado ao rio o seu próprio nome, o que mais tarde 
criaria controvérsias sobre a definição de nossas 
fronteiras com a Guiana Francesa. 
Assim (e ressalvadas as controvérsias) a presença 
de Pinzón no Oiapoque foi o ponto inicial da própria 
presença européia na nossa história. Várias 
informações mais tarde, sobre a localização exata do 
rio, vieram a criar, já no final do século XIX, a célebre 
questão do Contestado. 
A "descoberta do Amapá" por Pinzón mereceu-
lhe, dos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de 
Castela, a possa da Costa Palicúria. Por razões de 
distância geográfica ou mesmo pela falta de exatidão 
do local, Pinzón não chegou a tomar posse da terra, 
vindo a falecer numa pequena ilha do Caribe 
(Marguerita), após exaustivas buscas pelo rio que havia 
navegado pela primeira vez. 
VAMOS PRATICAR UM POUCO 
43 – o Amapa, inicialmente, pertencia a qual 
nação de acordo com o tratado de Tordesilhas? 
44 – que fatos reforçam a duvida de que o 
Amapa deveria pertencer à espanha? 
45 – um desafio: pesquise por que a espanha não 
demonstrou interesse pelas terras amapaenses 
46 – pesquise o que determinava o tratado de 
Tordesilhas 
 
COLONOS PLANTADORES DE ARROZ: a 
rizicultura no delta do Amazonas 
Portugal enfrentava, na segunda metade do 
século XVIII, uma crise de abastecimento cerealífero. 
Para aliviar esse déficit econômico, tentou 
implementar, no delta amazônico, um celeiro agrícola 
baseado na rizicultura. Os lavradores de Macapá e 
Maranhão receberam sementes de arroz ―carolina‖, 
proveniente de Carolina do Sul. No Grão Pará, 
sobretudo em Macapá, essa rizicultura aparece de 
forma mais acabada por um prazo de trinta anos. 
Alguns administradores de Macapá e Mazagão 
incentivaram mais a agricultura mesmo que esses 
núcleos funcionassem como reserva militar e 
salvaguarda da fronteira. A entrada de uma família de 
colonos dependia da decisão da administração e cada 
uma devia colocar à disposição seus escravos para os 
trabalhos na fortificação, construção que durou mais de 
Colégio Militar Antônio Messias - Prof. Msc. Rosinai Amanajás. 
45 
 
dez anos e centralizou recursos financeiros, mão de 
obra indígena e as atenções do governo. 
Macapá como contraposição do domínio francês 
necessitava transformar-se numa possessão próspera. 
Apesar de seu caráter militar, o projeto necessitava 
apresentar uma faceta agrícola para concorrer com os 
planos de colonização da guiana francesa. Portanto, a 
ambivalência dos núcleos de povoamento no Cabo 
Norte eram: a defesa militar e a faceta agrícola. 
Neste período do conjunto de povoações 
estabelecidas, Macapá foi a vila mais próspera. De 
maneira geral, ocorreu a falência da rizicultura devido à 
falta de recursos e investimentos, ao descaso português, 
também quase falido. 
 
FAZENDO VOCE APRENDE MAIS 
47- o que é rizicultura? 
48 – que promessas os colonos das regiões 
colonizadas pelos portugueses recebiam como 
atrativo para se instalarem nos povoados no delta do 
amazonas? 
49 – por que a fundação de Macapa e Mazagao 
precisava concorrer com os planos franceses? 
50 – a rizicultura foi um fracasso ou um 
sucesso? Por que? 
 
 
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