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• Código Civil ⟶ Lei Federal nº 10460 de 10 de janeiro de 2002 (código vigente). • Codificação: Surge da necessidade de unificar e uniformizar a legislação vigente em determinada matéria, simplificando o direito e facilitando o seu conhecimento, dando-lhe certeza e estabilidade. • A codificação na esfera do direito provado passou a ser a garantia das liberdades civis, assegurando a autonomia do individuo contra a ingerência do poder estatal. • Direito Civil: É o conjunto de princípios e normas que disciplinam as relações comuns de natureza privada; é o direito que regula a pessoa, na sua existência e atividades à família e o patrimônio. I. Relações Jurídicas e Sujeitos de Direito • Relação jurídica é o vínculo que o direito reconhece entre pessoas ou grupos, atribuindo-lhes poderes de deveres. Representa uma situação em que duas ou mais pessoas se encontram, a respeito de bens ou interesses jurídicos. • Situação jurídica de bilateralidade que se estabelece entre sujeitos, uns em posição de poder, e outros em correspondente posição de dever. Poderes e deveres estabelecidos pelo ordenamento jurídico para tutela de um interesse, entendendo-se como interesse a necessidade que alguém tem de bens materiais ou imateriais, o que se constitui em razão para agir. • Exemplo de relação jurídica a relação de consumo, entre consumidor e fornecedor, a relação matrimonial entre cônjuges, a relação de parentesco entre descendentes do mesmo ancestral, a relação locatícia entre locador e locatário. • Elemento subjetivo das relações jurídicas são os sujeitos de direito. • Sujeito de direito é quem participa da relação jurídica, sendo titular de direitos e deveres. São sujeitos de direito as pessoas naturais, isto é, seres Direito Privado direito privado DIREITO | 1º semestre SUJEITOS DE DIREITO – A PESSOA NATURAL humanos, e as pessoas jurídicas, grupos de pessoas ou de bens a quem o direito atribui titularidade jurídica. • A possibilidade de alguém participar de relações jurídicas decorre de uma qualidade inerente ao ser humano, o que torna titular de direitos e deveres. Essa qualidade chama-se de personalidade jurídica, e os que a tem, pessoas. • Pessoa é o ser humano ou entidade com personalidade, aptidão para a titularidade de direitos e deveres. Titularidade de um direito é a união do sujeito com esse direito. Não há sujeitos sem direitos, como não há direitos sem titular. • Se pessoa é ter possibilidade de ser sujeito de direitos, de relações jurídicas, como credor, devedor, pais, cônjuge etc. Obs.: os animais são desprovidos de personalidade, contudo, o direito os protege para garantir-lhes a sua função ecológica, evitar a extinção de espécies ou defendê-los da crueldade humana (artigo 225, inciso VII, da Constituição Federal). A UNESCO elaborou em 15/12/1978 a declaração dos direitos dos animais. Assim, os animais são objeto de proteção jurídica, na qualidade de seres vivos autônomos a que se reconhece sensibilidade psicofísica e reação à dor. II. A Personalidade • Pessoa natural ou física é o ser humano como sujeito de direitos e deveres. Sua teoria obedece a três princípios fundamentais: a) todo ser humano é pessoa, pelo simples fato de existir, e por isso, é capaz de direitos e deveres na ordem civil (artigo 1o, do Código Civil); b) todo tem a mesma personalidade na medida em que todos tem a mesma aptidão para a titularidade de relações jurídicas (artigo 5o da Constituição Federal); e c) a capacidade jurídica é irrenunciável. • A personalidade jurídica é um atributo essencial para ser sujeito de direito. Para a teoria geral do direito civil a personalidade é uma aptidão genérica para titula rizar direitos e contrair obrigações. • Início da personalidade jurídica da pessoa natural: o início da personalidade é marcado pelo nascimento com vida, conforme dicção do artigo 2o do Código Civil. • Nascituro é o ente já ́concebido, mas ainda não nascido (nascimento ainda é fato pendente, isto é, é aquele que foi concebido, mas que ainda não nasceu). Deixando de lado as discussões teóricas sobre o início da personalidade jurídica, é certo de que a segunda parte do artigo 2º do Código Civil expressamente “põe à salvo os seus direitos”. Assim, pode-se afirmar que na legislação em vigor o nascituro: a) É titular de direitos personalíssimos (como o direito à vida); b) Pode receber doação, conforme dispõe o artigo 542 do Código Civil: “A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita por seu representante legal”; c) Pode ser beneficiado por legado e herança (artigos 1.798, 1.799, inciso I, do Código Civil e artigo 650 do Código de Processo Civil); d) Pode ser-lhe nomeado curador para a defesa dos seus interesses (artigo 1.779 do Código Civil); e) Tem direito a alimentos. Obs.: O nascituro tem personalidade jurídica, ou, de outro modo, quando se inicia a personalidade humana, com a concepção ou com o nascimento? • Correntes doutrinarias ou teorias: Teoria Natalista - defende que a titularização de direitos e a personalidade jurídica são conceitos vinculados. Portanto, se o Código Civil não reconhece personalidade jurídica a quem ainda não nasceu, o nascituro também não CONCEITO DE PERSONALIDADE JURÍDICA PROTEÇÃO JURÍDICA DO NASCITURO pode ser titular de direitos. Ele teria apenas "mera expectativa de direitos", segundo essa corrente. Teoria da Personalidade Condicional - a personalidade tem início com a concepção, porém fica submetida a uma condição suspensiva (o nascimento com vida), assegurados, no entanto, desde a concepção, os direitos da personalidade, inclusive para assegurar o nascimento. Teoria Concepcionista - a personalidade jurídica se inicia com a concepção, muito embora alguns direitos só ́possam ser plenamente exercitáveis com o nascimento, como os decorrentes de herança, legado e doação. • Por capacidade de direito, também conhecida como capacidade de gozo ou capacidade de aquisição, pode ser entendida como a medida da intensidade da personalidade. Todo ente com personalidade jurídica possui também capacidade de direito, tendo em vista que não se nega ao individuo a qualidade para ser sujeito de direito. Personalidade e capacidade jurídica são as duas faces de uma mesma moeda. • A capacidade de fato, ao contrário da capacidade de direito possui estágios definidos no próprio Código Civil. • Ele distingue duas modalidades de incapacidade, a saber: a incapacidade em absoluta e a relativa. Trata-se de um divisor quantitativo de compreensão do individuo. • De acordo com o artigo 3º do Código Civil são considerados absolutamente incapazes: os menores de 16 anos. • Os demais incisos do artigo 3º foram revogados pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência) – Lei Federal no 13.146 de 2015: • Art. 2º: Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. • Art. 6º A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para: I - Casar-se e constituir união estável; II - Exercer direitos sexuais e reprodutivos; III - exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar; IV - Conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória; V - Exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e VI - Exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou adotando, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. • De acordo com o artigo 4º do Código Civil são considerados relativamente incapazes: a) Os maiores de16 e menores de 18 anos (artigo 4º, inciso I); b) Os ébrios habituais e os viciados em toxico (artigo 4º, inciso II); c) Aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade (artigo 4º, inciso III); e) Os pródigos (artigo 4º, inciso IV). - Emancipação ⤷ Trata-se de um uma hipótese de antecipação da aquisição da capacidade civil plena antes da idade legal. • Três são as formas de emancipação: a) Emancipação voluntaria – É aquela concedida por ato unilateral dos pais em pleno exercício do poder parental, ou um deles na falta do outro. b) Emancipação judicial – Realiza-se mediante uma sentença judicial, na hipótese de um menor posto sob tutela. Antes da sentença o tutor será, necessariamente, ouvido pelo magistrado (artigo 5o, paragrafo único, I, segunda parte do Código Civil). c) Emancipação legal – Ocorre em razão de situações descritas na lei. O artigo 5º do Código Civil nos traz as seguintes situações: 1. O casamento; 2. Exercício de emprego efetivo; 3. Colação de grau em curso de ensino superior; 4. Estabelecimento civil ou comercial, ou a existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor tenha economia própria. OBS: Idade mínima para casar: 16 anos – idade núbil. • Poder familiar previsto no artigo 1631 do Código Civil ⟶ perda ou suspensão do poder familiar (artigo 1635 do Código Civil) Graus de capacidade ⟶ artigo 3º do Código Civil (menores de 16 anos) ⤷ Artigo 4º do Código Civil – capacidade relativa (pessoas de 16 a 18 anos; ébrio habitual – uso constante de álcool; viciado em tóxicos; pródigo em decorrência de causa transitória ou permanente não pode expressar sua vontade) ⟶ com exceção das pessoas de 16 a 18 anos, os demais casos exigem interdição. ⟶ Artigo 5º do Código Civil – capacidade plena (pessoas de 18 anos ou mais, emancipados, deficiente com 2 apoiadores de decisão – artigo 1783A do Código Civil.) Índio Isolado: Não consiste a nossa legislação, pois vivem com regras e conceitos apropriados a eles. Mesmo assim a FUNAI se assegura de cuidados. Índio em vias integrados: Junto com os isolados, a FUNAI os tutela. Índio integrado: Absolutamente, os inclusos na sociedade se aplica no artigo 9º do estatuto do índio que gera uma grande crítica e vedação de práticas de costumes deles, pois ele não tem capacidade plena, apenas se tiver domínio do português e interação aos costumes da sociedade. • A existência da pessoa natural e a sua capacidade jurídica terminam com a morte. (Artigo 6º do Código Civil). • Prova-se a morte com a certidão de óbito (artigo 9º, inciso I, do Código Civil). Sem a qual não se faz sepultamento. O assento de óbito no Registro Civil fará referência ao momento, lugar e causa do falecimento, a qualificação do falecido e os filhos, herdeiros e bens (art. 80 da lei federal nº 6015 de 1973 – Lei de Registros Públicos). ESTATUTO DO ÍNDIO EXTINÇÃO DA CAPACIDADE JURÍDICA ⟶ A MORTE • Os efeitos jurídicos da morte manifestam-se nas relações jurídicas que o falecido era parte, extinguindo ou modificando-as, conforme sejam intransmissíveis ou transmissíveis. • O falecido não mais adquirir direitos, a não ser que a aquisição seja condicionada ao evento morte, como pode ocorrer com o seguro de vida não estipulado em favor de terceiros. • Prolongamento da personalidade após a morte da pessoa para proteger- lhe os respectivos direitos da personalidade e justificar a condenação à ofensa moral contra o morto. Procura-se assim garantir o seu direito à honra e reputação, agindo o respectivo cônjuge ou herdeiro em nome ou interesse do falecido. • A personalidade humana, existe, assim, antes do nascimento e projeta-se além da morte (testamento, respeito ao cadáver e a sepultura, autorização para autópsia e transplantes, proteção à memória do falecido contra injúria e difamação.) • Morte real (cadáver, materialidade): A morte real ocorre com a morte encefálica (art. 3º da Lei Federal nº 9434/1997) • Morte presumida: Ficção jurídica ⤷ Desaparecimento em risco (artigo 7º, inciso I do Código Civil). Necessária ação de justificação (artigo 88, paragrafo único da Lei Federal nº 6.015/1973, Lei de Registros Públicos). ⤷ Desaparecimento em campanha/guerra (artigo 7, inciso II do Código Civil). Necessária ação de justificação (artigo 88, paragrafo único da Lei Federal nº 6.015/1973, Lei de Registros Públicos) OBS: No caso da ação de justificação na morte presumida no desaparecimento por campanha/guerra, o prazo mínimo para propor a ação são 2 anos após o fim da guerra e o fim das buscas. Já na ação de justificação na morte presumida no desaparecimento em risco, não há prazo. (É possível ingressar com a ação no dia do desaparecimento.) Direito da Personalidade ou Direito Personalíssimos ⟶ são os direitos subjetivos que possuem como objeto os valores fundamentais do ser humano. • Características: intransmissíveis, irrenunciáveis, imprescritíveis, indisponíveis (em regra, pois há possibilidade de cessão), impenhoráveis, ilimitados (possibilidade de limitação pelo estado), absolutos e inexpropriaveis. OBS: direitos da personalidade também são conhecidos como direitos fundamentais (Direito Constitucional) e direito humano (Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948). • 3 grupos de direito da personalidade: Integridade Física: Direito à vida, direito à liberdade, direito ao corpo (corpo é o suporte físico da personalidade); Integridade Moral: Defesa dos valores, intimidade, vida privada sigilo e honra; Integridade Psíquica: Pensamento e expressão. Curadoria de bens: Nomeado curando do ausente (curatela). Preferencialmente o cônjuge, ascendente e descendentes (artigo 25 do Código Civil). OBS: No prazo de curadoria de bens haverá publicação no edital a cada 2 meses chamando o modo/ausente a se fazer presente (art. 745 do Código de Processo Civil). A curadoria de bens consiste em localizar, avaliar e inventariar os bens do falecido. • Ausência é a situação da pessoa que desaparece de seu domicílio sem deixar representante, provocando incerteza jurídica sobre a sua existência (artigo 22 do Código Civil). Trata-se do estado de fato em que uma pessoa desaparece de seu domicílio sem deixar qualquer notícia. • Juridicamente, é um instituto destinado a proteger os bens e os interesses da pessoa cuja existência é incerta, traduzindo a preocupação do Estado com o possível abandono desses bens, o que leva ao prejuízo de seus credores e do próprio Estado. Curadora de Bens Sucessão Provisória (art.26 do CC.) Sucessão Definitiva 1 ano 10 anos 20 anos AUSÊNCIA – SUCESSÃO PROVISÓRIA E DEFINITIVA (ART. 22 AO 39 DO C.C.) • Para que alguém seja considerado ausente é preciso que a) tenha desaparecido do seu domicílio; b) haja dúvida sobre sua existência; e c) haja sentença declaratória do juiz. Podemos resumir na seguinte formula: Não presença + falta de notícias + decisão judicial = AUSÊNCIA Primeira Fase: Curadoria dos bens do ausente • Medida judicial preventiva adotada com o fim de resguardar o patrimônio do ausente de qualquer forma de perecimento, deterioração ou dilapidação, nomeando uma pessoa, conforme a ordem estabelecida no artigo 25 do Código Civil, que o administrará por um período de até 1 (um) ano, quando o ausente poderá,́ então, retornar e entrar na posse de seus bens, ou, caso contrário, findo prazo poderão os interessados requerer a abertura da sucessão provisória. • Cabimento da declaração de ausência (artigos 22 e 23 do Código Civil): não houver o ausente deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens; ou deixando, este não queira ou não possa exercer ou continuar o mandato, ou seus poderes forem insuficientes (artigos 22 e 23 do Código Civil). • Nomeação do curador (artigos 22, 24 e 25 do Código Civil): diante de tais circunstâncias (artigos 22 e 23 do CódigoCivil), a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Publico, o juiz declarará a ausência e, em seguida, nomeará curador (artigo 22 do Código Civil) fixando os seus poderes e obrigações (artigo 24 do Código Civil). • Conforme o artigo 25 do Código Civil, em regra, é legitimo curador o cônjuge do ausente, desde que não esteja separado judicialmente ou de fato por mais de 2 (dois) anos antes da declaração da ausência. Na falta deste, caberá ́a curadoria aos pais ou descendentes, entre os quais os mais próximos precedem os mais remotos. Portanto, a ordem é pais, filhos, netos, bisnetos etc. Na falta destes, compete ao juiz a escolha do curador. Isso significa que, até então, o juiz está vinculado a nomear o curador de acordo com a ordem do artigo 25 do Código Civil. FASES DA AUSÊNCIA Segunda Fase: Sucessão Provisória • Momento (artigo 26 do Código Civil): decorrido 1 (um) ano da arrecadação dos bens do ausente, que foram entregues à administração do curador, nas hipóteses dos artigos 22 e 23 do Código Civil; ou depois de 3 (três) anos, caso tenha deixado representante ou procurador. • Interessados (artigo 27 do Código Civil): cônjuge não separado judicialmente (separado de fato independentemente do tempo); herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários; os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte; e os credores de obrigações vencidas e não pagas. Obs.: Herdeiros legítimos ou necessários (artigos 1.784 e 1.829 do Código Civil) – descendentes (filhos, netos e bisnetos); ascendentes (pais, avos e bisavós); cônjuge sobrevivente; colaterais (irmãos, sobrinhos e tios). • Herdeiros testamentários são aquelas pessoas estipuladas apenas com a criação do testamento, sendo assim esse testamento irá dispor a transmissão de obrigações e direitos que o herdeiro irá receber. • Herdeiros presumidos são os prováveis herdeiros de uma certa pessoa, se a ela sobrevier, por ser, por exemplo, seu parente mais próximo. • Reflexos da provisoriedade: posse dos bens do ausente pelos herdeiros, mediante garantia (penhor, hipoteca) da restituição de bens, exceto se ascendentes, descendentes e cônjuge, provada a qualidade de herdeiros (artigo 30 do Código Civil). Providência de cautela ante ao possível retorno do ausente. É dada pelos herdeiros, exceto se ascendentes, descendentes e cônjuge, os quais são herdeiros necessários, quando da imissão na posse dos bens arrecadados (imissão na posse = posse pela primeira vez de determinado bem). • Segundo o artigo 30, §1o, do Código Civil será́ excluído da sucessão provisória aquele que não puder prestar a garantia, salvo, conforme artigo 34 do Código Civil, se justificar a falta de meios, ocasião em que requererá a metade dos rendimentos do quinhão que lhe tocaria. • Alienação ou hipoteca dos bens imóveis somente através decisão judicial (artigo 31 do Código Civil). Conversão dos bens moveis em imóveis ou títulos da União, antes da partilha (artigo 29 do Código Civil); É feita pelo juiz quando julgar conveniente. • Só ́ poderão ser convertidos os bens moveis sujeitos a deterioração ou a extravio. Percebe-se, então, a finalidade de proteção. • Estipulação de prazo de 180 (cento e oitenta) dias para produção dos efeitos da sentença que determinar a abertura da sucessão provisória (art. 28, 1a parte, do Código Civil); Abertura do testamento, se houver, do inventario e partilha dos bens somente após o trânsito em julgado da sentença que determinou a abertura da sucessão provisória (artigo 28, 2a parte, do Código Civil). • Direitos dos herdeiros empossados (artigo 33 do Código Civil): ascendentes, descendentes ou cônjuges – frutos e rendimentos dos bens que lhes couberem; demais sucessores – metade destes, devendo prestar-lhes contas ao juiz anualmente. • Prova do falecimento do ausente (artigo 35 do Código Civil): considerar-se- á ́nessa data aberta a sucessão definitiva. • Retorno do ausente ou prova da sua existência (artigo 36 do Código Civil): cessa imediatamente as vantagens dos sucessores, os quais ficam obrigados a adotar medidas de cautela até a entrega dos bens ao dono. Terceira Fase: Sucessão Definitiva • (artigos 37 e 38 do Código Civil): depois de 10 (dez) anos do trânsito em julgado da sentença que concede a abertura da sucessão provisória, poderão os interessados requerer a abertura da sucessão definitiva e o levantamento das cauções prestadas (artigo 30 do Código Civil). A lei autoriza também a abertura da sucessão definitiva se os interessados provarem que o ausente tem 80 (oitenta) anos de idade e que perfazem 5 (cinco) anos do seu desaparecimento. Extingue também o matrimonio. • Percebe-se que o decurso de tempo, sem que se tenham notícias do ausente, bem como o critério da expectativa média do homem determinam uma presunção de morte, haja vista a sua maior probabilidade, autorizando, por consequência, a abertura da sucessão definitiva. Aliás, sempre é bom reforçar que este é o marco estabelecido pelo legislador para definir a morte presumida, objeto do estudo presente. • Retorno do ausente (artigo 39 do Código Civil); não se pode esquecer que, embora a declaração de morte presumida do ausente produza reflexos definitivos em algumas relações, como o fim do vínculo matrimonial, trata-se de uma mera presunção, o que importa dizer que sempre resta uma probabilidade de regresso do ausente ou de ser ele achado com vida, ainda que tenha se passado décadas da última notícia de seu paradeiro. • Efeitos diversos poderão ocorrer a depender da fase em que suceder o seu retorno: a) na fase de arrecadação dos bens – não há qualquer prejuízo ao seu patrimônio, continuando a gozar de todos os seus bens. b) já ́tiver aberta a sucessão provisória – provado ter sido o desaparecimento voluntario e injustificado, perderá o ausente para os sucessores provisórios sua parte nos frutos e rendimentos (artigo 33, paragrafo único, do Código Civil); caso contrário, de acordo com o artigo 36 do Código Civil, cessa imediatamente as vantagens dos sucessores, os quais ficam obrigados a adotar medidas de cautela até a entrega dos bens ao dono. c) em 10 (dez) anos após ter sido aberta a sucessão definitiva (artigo 39, caput. do Código Civil) – o ausente ou seus descendentes ou ascendentes receberão os bens existentes, no estado em que se acharem, bem como os bens que substituíram os anteriores (sub-rogados em seu lugar), ou o preço que os herdeiros e demais interessados receberam na alienação deles. d) se passados 10 (dez) anos da abertura da sucessão definitiva, não regressar o ausente e nenhum interessado não promover a sucessão definitiva, os bens passarão ao domínio do Município ou do DF, se neles estiverem localizados, ou da União, se situados em território federal. • A declaração de morte presumida, nos casos de desaparecimento de pessoas que se encontravam em perigo de vida ou em campanha militar (ou feito prisioneiro de guerra), segundo o artigo 7º, paragrafo único, do Código Civil, somente pode ser requerida “depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento”. Portanto, é essencial que o juiz fixe a data da morte presumida do desaparecido, conforme prova apresentada, pois gera inúmeras consequências, principalmente no campo sucessório. • Não se confunde a morte presumida com ausência. Na ausência, a presunção de morte só ́se dá quando da abertura da sucessão definitiva. MORTE PRESUMIDA X AUSÊNCIA • Comoriência é a presunção de morte simultânea de pessoas reciprocamente herdeiras (artigo 8º do Código Civil). • Quando duas ou mais pessoas, com direito sucessório recíproco, falecem na mesma ocasião, surge o problema de se estabelecer quem morreu primeiro para fins de vocação hereditária do artigo 1.829 do Código Civil. Diante da impossibilidade, pelas provas admitidas em direito e os meios especiais demedicina legal, estabelecer quem primeiro morreu, consideram-se as pessoas simultaneamente mortas, não havendo, consequentemente, transmissão de direitos entre si. • Exemplo 1: no mesmo acidente, morrem Joao e seu filho José (sem descendentes). Ambos serão reciprocamente herdeiros, conforme a ordem fixada no artigo 1.829 do Código Civil. Para evitar-se conflito de interesses entre outras pessoas, diretamente ligadas aos falecidos, por exemplo, seus cônjuges, estabelece a lei presunção de morte simultânea, não havendo, portanto, transmissão de direitos entre os falecidos. • Exemplo 2: João e Maria, casados entre si, sem descendentes ou ascendentes vivos. Falecem por ocasião do mesmo acidente. Pedro, primo de Joao, e Marcos, primo de Maria, concorrem à herança dos falecidos. Se a perícia atestar que João faleceu 10 minutos antes de Maria, a herança daquele, pela ordem de vocação legal, seria transferida para a sua esposa, e, posteriormente, após se agregar ao patrimônio dela, arrecadada por Marcos. A solução inversa ocorreria se Maria falecesse antes de João. Em caso de falecimento sem possibilidade de fixação do instante das mortes, firma a lei a presunção de óbito simultâneo, o que determinará a abertura de cadeias sucessórias distintas. Assim, nessa hipótese, não sendo os comorientes considerados sucessores entre si, não haverá́ transferência de bens entre eles, de maneira que Pedro e Marcos arrecadarão a meação pertencente a cada sucedido. • O instituto da comoriência baseia-se em uma presunção relativa (iuris tantum), passível de contestação e de prova por quem tiver legitimo interesse. Pode ocorrer que um sobrevivente declare ter visto, após o sinistro, uma das vítimas ainda com vida, ou que a natureza dos ferimentos de um permita estabelecer prioridade na morte como, por exemplo, se um morreu de traumatismo craniano e outro de hemorragia, decorrente de fratura exposta. Mas se não for possível estabelecer quem morreu primeiro, não se transmitirão direitos entre os falecidos. A importância da comoriência está, portanto, no COMORIÊNCIA seu efeito, que é a instramissibilidade de direitos entre os comorientes, como se entre eles não tivesse havido qualquer vínculo sucessório. • Sujeitos de Direito: não é exclusivo de pessoas naturais. • As Pessoas Jurídicas são como as pessoas naturais, pois, apresentam capacidade de adquirir direitos e contrair obrigações. • Fato Associativo: é um grupo de indivíduos que se associam para perseguir finalidades comuns. • Unidade: personalizar o grupo para que este possa atuar em nome próprio e tenha capacidade jurídica igual a de pessoas naturais. • Requisito: formação patrimonial – integralizar o capital social. • Regra: Autonomia Patrimonial. • Exceção: Desconsideração da personalidade Jurídica. • Conceito: Grupos humanos dotados de personalidade para realização de finalidades comuns | Conjunto de pessoas ou de bens, dotado de personalidade jurídica. Entidades ou organizações unitárias de pessoas ou de bens a que o direito atribui aptidão para a titularidade de relações jurídicas. • Caracterizam-se as pessoas jurídicas: a) por sua capacidade de direito e de fato, própria; b) pela existência de uma estrutura organizativa artificial; c) pelos objetivos comuns de seus membros; d) por um patrimônio próprio e independente do de seus membros e e) pela publicidade de sua constituição, isto é, o registro dos seus atos constitutivos nas repartições competentes. • No âmbito público, o modelo é o Estado como pessoa jurídica distinta dos cidadãos que o compõem, e cuja existência se deve à necessidade de valores coletivos, como a segurança, a justiça e o bem comum. • No âmbito privado, as pessoas jurídicas constituem-se de acordo com os objetivos específicos de seus membros. ⤷ Quando tais objetivos são de fins não lucrativos, de natureza ideal, temos as associações. ⤷ Se, porém, o objetivo visado é o lucro, o interesse pecuniário, constituem-se as sociedades, de natureza civil ou empresarial, conforme a atividade desenvolvida. A sociedade está por si mesma diretamente conectada à economia de mercado, visto que, por meio da personalidade jurídica, favorece-se a constituição do capital necessário à atividade empresarial, sem que o investidor fique pessoalmente sujeito aos riscos dessa atividade. ⤷ Tratando-se de uma entidade que se destine a garantir a permanência e a utilidade de um patrimônio afetado a determinado fim ideal, teremos uma terceira espécie, a fundação. • CC, Art. 40. As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado. • Direito Público (Interno e Internacional): a) Interno: Estado (Brasil). União, Estados, DF e Municípios. Além das autarquias e instituições para realizar fins públicos. Ex: Institutos de assistência social, de previdência social, de disciplina de atividades econômicas, estabelecimentos de crédito popular, universidades. CC, Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I - a União; II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III - os Municípios; IV - as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei no 11.107, de 2005); V - as demais entidades de caráter público criadas por lei. Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste Código. CLASSIFICAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS CC, Art. 43. As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo. b) Externo: Estados estrangeiros (países estrangeiros) CC, Art. 42. São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. É a área do direito que trata dos direitos particulares, ou seja, entre nas relações entre as partes suas vidas privadas. Tudo o que não é público. CC, Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I - as associações; II - as sociedades; III - as fundações; IV - as organizações religiosas; (Incluído pela Lei no 10.825, de 22.12.2003); V - os partidos políticos. (Incluído pela Lei no 10.825, de 22.12.2003). • Requisito: Devem surgir da iniciativa privada, mesmo que sejam constituídas para realização de interesse coletivo. obs: Condomínios, embora apresentem CNPJ não são considerados Pessoas Jurídicas. • As PJ de Direito Privado podem ser classificadas a partir da finalidade pela qual foram constituídas ou ainda pela vinculação entre as pessoas que a incorporam. • Quanto a Finalidade: a) Sociedades: proveito econômico comum dos sócios; b) Associação: fim (religioso, cultural, político, assistencial, esportivo); Times de Futebol: S.A. c) Fundação: propósito de atender interesses de caráter geral ou uma categoria particular de indivíduos. DIREITO PRIVADO • Quanto a Vinculação: a) Sociedades: obrigações recíprocas entre os sócios e diretores; b) Associação: sócios não tem relações recíprocas, não tem finalidade lucrativa e podem ser composta de outras pessoas jurídicas; c) Fundação: conjunto de bens (e não pessoas). • PJ podem ser divididas em: a) Corporações: 1) grupo de pessoas; 2) seus próprios membros que a administram; 3) patrimônio comum é de livre disposição do grupo. b) Instituições: 1) podem ser criadas por uma pessoa só; 2) interesses de certos destinatários que não administram nem dispõem do seu patrimônio. Ex: Fundações e cooperativas. • Poderão constituir uma sociedade duas ou mais pessoas que atuam com finalidade comum ou coloquem recursos com objetivo de partilhar o proveito resultante do seuempreendimento (seja pelo patrimônio ou pelo trabalho). Direito de Empresa: Livro II (Parte Especial CC). • Sociedades: simples, limitada (ou limitada unipessoais), anônima, Micro empreendedor individual (MEI)*. • Podem apresentar regime jurídico próprio (Lei das S.A. 6.404/1976), mas subsidiariamente aplica-se disposições aplicadas nas associações em casos de lacunas. INDEPENDENTEMENTE DA FORMA SOCIETÁRIA PARA A ENTRADA DE SÓCIO É IMPRESCINDÍVEL QUE ESTE OFEREÇA DINHEIRO, TRABALHO OU BENS. SOCIEDADES • SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO (SCP) – artigos 991 a 996 do Código Civil: devem apresentar CNPJ ainda que não tenham personalidade jurídica. • Profissional Liberal: sociedades não empresária. • Sociedades Uniprofissionais - SUPs: As sociedades uniprofissionais são aquelas cujos profissionais (sócios, empregados ou não) são habilitados ao exercício da mesma atividade e prestam serviços de forma pessoal, em nome da sociedade, assumindo responsabilidade pessoal, nos termos da legislação específica. Atividade fim das SUPs: Pessoalidade na prestação de serviço. • Requisitos: profissionais da mesma profissão e pessoalidade na prestação de serviços, independentemente da forma societária. Exemplos: Advogados, Médicos, Contabilistas etc. • FUNDAÇÕES: Conjunto patrimonial destinado para uma finalidade específica. Deve o Instituidor fazer uma doação especial (ato de dotação) de bens declarando a finalidade para qual eles se destinam. Seu ato constitutivo será um ESTATUTO aprovado pelo poder público. • Requisitos: a) patrimônio; b) finalidade específica. • CC, Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de: (Redação dada pela Lei no 13.151, de 2015) I – assistência social; (Incluído pela Lei no 13.151, de 2015) II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; (Incluído pela Lei no 13.151, de 2015) III – educação; (Incluído pela Lei no 13.151, de 2015) IV – saúde; (Incluído pela Lei no 13.151, de 2015) V – segurança alimentar e nutricional; (Incluído pela Lei no 13.151, de 2015) VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; (Incluído pela Lei no 13.151, de 2015) VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; (Incluído pela Lei no 13.151, de 2015) VIII – promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos; (Incluído pela Lei no 13.151, de 2015) IX – atividades religiosas; e (Incluído pela Lei no 13.151, de 2015). Podem Existir FUNDAÇÕES instituídas pelo Estado, portanto pessoas jurídicas de Direito Público. • Início da Existência das Pessoas Jurídicas: Ato Constitutivo: deve ser publicado e inscrito em registro público.Exigem forma escrita. • Associações: ESTATUTO SOCIAL – dispõe sobre: a) os órgãos da associação, normalmente são compostos de Assembleia Geral ou Conselho Deliberativo e Diretoria, b) Direitos e Deveres. As deliberações devem ser tomadas pela maioria. Poderes deliberativos não necessariamente vão ser tomados por votos numericamente. • Sociedades: CONTRATO SOCIAL – mecanismos mais simples e as deliberações são tomadas por meio de assembleias. Cargos de gestão normalmente são exercidos pelos diretores ou gerentes de acordo com o disposto no contrato social ou implícitos na função de gerência. • Sociedades Anônimas: ESTATUTO SOCIAL – organização própria conforme Lei. • Fundações: ESTATUTO SOCIAL – atividades e órgãos previstos expressamente, restringindo o poder deliberativo dos administradores. O funcionamento das fundações condiciona-se à possibilidade de sua manutenção, sob pena de extinção. • Desconsideração da Personalidade Jurídica: Teoria doutrinária chega no Brasil na década de 60 do século passado. Doutrinador empresarial Rubens Requião. • Objetivo: superar a autonomia patrimonial da pessoa jurídica quando esta for usada para consumação de abusos ou ilegalidades para fraudar credores. • Apenas em 1990, no CDC a teoria foi positivada pela primeira vez: Lei 8.078/90. Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. Outras positivações antes do CC 2002: Lei 8.884/94 (infrações contra a ordem econômica nacional) e Lei 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais). • Código Civil 2002: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei no 13.874, de 2019) § 1o Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Incluído pela Lei no 13.874, de 2019) § 2o Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei no 13.874, de 2019) I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; (Incluído pela Lei no 13.874, de 2019) II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei no 13.874, de 2019) III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. (Incluído pela Lei no 13.874, de 2019) § 3o O disposto no caput e nos §§ 1o e 2o deste artigo também se aplica à extensão das obrigações de sócios ou de administradores à pessoa jurídica. (Incluído pela Lei no 13.874, de 2019) § 4o A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei no 13.874, de 2019) § 5o Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei no 13.874, de 2019) Formas de Desconsideração: a) Direta: desconsidera a PJ para atacar o patrimônio do sócio; b) Indireta: desconsidera PJ para atacar outra PJ que pertence ao mesmo grupo econômico; c) Inversa: Desconsidera a personalidade do sócio (PF), que por dívidas pessoais oculta o patrimônio na sociedade. Comum no Direito de Família (pensão). Extinção da Personalidade Jurídica: Dissolução ou liquidação (judicial ou extrajudicial). • Dissolução consensual: ocorrência de um termo (prazo) ou pela deliberação da vontade dos sócios ou associados manifestada em ato colegiado. • Dissolução Irregular: quando não são observados os requisitos legais, causas que a pessoa física do sócio poderá ser responsabilizado. • Dissolução Regular: CC, Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. § 1o Far-se-á, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação de sua dissolução. § 2o As disposições para a liquidação das sociedadesaplicam-se, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado. • Distrato: consenso dos sócios. Outras causas como: a) consecução de um fim social, b) verificação de sua inexequibilidade, c) morte (dos sócios), d) insolvência, e) extinção do capital social. Ato de Dissolução: termo formal para o fim das Pessoas Jurídicas. CC, Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: [...] VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. 1) Dissolução convencional: da mesma forma que estas vão nascer de um ato de vontade, estas poderão ser dissolvidas por um ato de vontade. Votação deve atentar para o quórum previsto no Estatuto Social. Caso não haja unanimidade, a minoria poderá se opor à dissolução. 2) Dissolução Legal: decorrente de previsões legais. Quando o fim pela qual foi criada tiver fim, é realizado integralmente ou ainda quando é inexequível. (CF, art. 5o, XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado). 3) Dissolução Administrativa: quando praticam atos opostos ao seu fim, ou nocivos ao bem coletivo, a administração pública poderá cassar a autorização para o funcionamento. 4) Extinção Natural: morte dos membros da associação. • Fase de Liquidação: momento que apuram-se os haveres e pagamento de eventuais dívidas. Encerrada a fase de liquidação qualquer interessado promoverá o cancelamento do registro. • Destinação dos bens: • CC, Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos ASSOCIAÇÕES associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. Pode ainda serem destinados à entidades congêneres que sejam indicadas no Estatuto, ou em caso de omissão, a alguma entidade análoga existente. Formas de extinção: a) Decurso do prazo de sua existência (quando houver); b) Ministério Público (MP) ou qualquer interessado, inclusive a minoria dissidente promover judicialmente sua extinção quando a finalidade se tornar ilícita, inútil ou impossível. No entanto a decisão não poderá ser dos órgãos dirigentes tendo em vista sua função meramente administrativa, não podendo dispor de acervo que não é seu. c) Impossibilidade de manutenção por ausência de fins econômicos. • CC, Art. 63. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante. • CC, Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante. FUNDAÇÕES