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Craque NetoCraque Neto

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LG – 2o dia | Caderno 1 - Amarelo - Página 11
QUESTÃO 13
TEXTO I
“Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim”
Botequim
TEXTO II
O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração.
Terezinha
Os estudiosos da música popular brasileira não se cansam 
de caracterizar, nas composições de Chico Buarque de 
Hollanda, a frequente exposição da “alma feminina”. A 
galeria feminina de Chico conta com os mais variados tipos 
de mulher: a prostituta, a dona de casa, a moça ingênua, 
a	 mulher	 fatal.	 São	 figuras	 de	 mulheres	 construídas	 em	
um mosaico existencial que engloba o sonho, o heroísmo, 
a dedicação, a paixão, a inocência e, muitas vezes, o 
endurecimento que a vida lhes impõe.
Os	dois	fragmentos	acima	exemplificam	essa	face	da	obra	
do autor, sendo possível observar, neles, que
	 não	está	presente	a	figura	do	eu	lírico,	uma	vez	que	o	
emissor pertence ao sexo feminino.
 são, em função de sua temática, representativos do 
gênero dramático.
	 a	figura	feminina	assume	uma	posição	de	ascendência	
em relação ao homem.
	 há	a	figura	de	um	interlocutor	a	quem	se	dirige,	chorosa,	
a	figura	da	mulher.
 as mulheres revelam uma postura de passividade em 
relação	à	figura	do	homem.
QUESTÃO 14
Capítulo LXXIII / O contrarregra
O destino não é só dramaturgo, é também o seu próprio 
contrarregra, isto é, designa a entrada dos personagens 
em cena, dá-lhes as cartas e outros objetos, e executa 
dentro os sinais correspondentes ao diálogo, uma trovoada, 
um carro, um tiro. Quando eu era moço representou-se aí, 
em não sei que teatro, um drama que acabava pelo juízo 
final.	 O	 principal	 personagem	 era	 Asaverus,	 que	 no	 último	
quadro concluía um monólogo por esta exclamação: “Ouço 
a trombeta do arcanjo!” Não se ouviu trombeta nenhuma. 
Asaverus, envergonhado, repetiu a palavra, agora mais alto, 
para advertir o contrarregra, mas ainda nada. Então caminhou 
para o fundo, disfarçadamente trágico, mas efetivamente com 
o	fim	de	falar	ao	bastidor,	e	dizer	em	voz	surda:	“O	pisão!	o	
pisão! o pisão!” O público ouviu esta palavra e desatou a rir, 
até que, quando a trombeta soou deveras, e Asaverus bradou 
pela terceira vez que era a do arcanjo, um gaiato da plateia 
corrigiu cá de baixo: “Não, senhor, é o pistão do arcanjo!”
Assim se explicam a minha estada debaixo da janela 
de Capitu e a passagem de um cavaleiro, um dandy*, como 
então	 dizíamos.	 Montava	 um	 belo	 cavalo	 alazão,	 firme	
na sela, rédea na mão esquerda, a direita à cinta, botas 
de	 verniz,	 figura	 e	 postura	 esbeltas:	 a	 cara	 não	 me	 era	
desconhecida. (...)
Ora, o dandy do cavalo baio não passou como os 
outros;	era	a	trombeta	do	juízo	final	e	soou	a	tempo;	assim	
faz o Destino, que é o seu próprio contrarregra. O cavaleiro 
não se contentou de ir andando, mas voltou a cabeça para 
o nosso lado, o lado de Capitu e olhou para Capitu, e Capitu 
para ele; o cavalo andava, a cabeça do homem deixava-se 
ir voltando para trás. Tal foi o segundo dente de ciúme que 
me	mordeu.	A	rigor,	era	natural	admirar	as	belas	figuras;	mas	
aquele sujeito costumava passar ali, às tardes; morava no 
antigo Campo da Aclamação, e depois... e depois... Vão lá 
raciocinar com um coração de brasa, como era o meu! Nem 
disse	nada	a	Capitu;	saí	da	 rua	à	pressa,	enfiei	pelo	meu	
corredor, e, quando dei por mim, estava na sala de visitas.
ASSIS, Machado de. Dom Casmurro.
*dandy – homem que se preocupa exageradamente com a aparência 
física,	a	 linguagem	 refinada;	alguém	que	se	esforça	por	 imitar	os	
hábitos dos aristocratas.
Muito já se falou ou se escreveu sobre o romance Dom 
Casmurro e o triângulo amoroso entre Bentinho, Capitu 
e Escobar. Muitos críticos veem no livro, mais do que um 
romance	 de	 ficção,	 um	 verdadeiro	 “tratado”	 sobre	 como	
funciona a mente de quem se julga traído, capaz de enxergar 
o que não existe, porque mordido pelo “dente do ciúme”. 
Mas não são raros aqueles que buscam na obra indícios 
comprovadores de que a traição efetivamente se consumou.
Na passagem acima, confrontado o parágrafo inicial, 
eminentemente metafórico, com os elementos que 
constroem o último, pode-se concluir que o episódio narrado
 retirava qualquer possibilidade de os ciúmes do narrador 
virem a acentuar-se.
 provocou um sentimento de insegurança no narrador, 
até então inexistente.
	 ratificou	anterior	manifestação	de	ciúmes	por	parte	do	
narrador.
	 confirmou	 as	 suspeitas	 do	 narrador	 com	 relação	 ao	
comportamento de Capitu.
 revelava uma postura típica de Capitu a respeito dos 
homens em geral.

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