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<p>Produção de Material</p><p>Didático e Recursos</p><p>Educacionais</p><p>1</p><p>Direitos Autorais</p><p>Responsável pelo Conteúdo:</p><p>Prof. Dr. Reinaldo Zychan de Moraes</p><p>Revisão Textual:</p><p>Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>4</p><p>Introdução</p><p>Muito embora se reconheça a existência de formas anteriores de proteção, foi so-</p><p>mente no Século XV, com a invenção da imprensa (ou da tipografia), pelo alemão Jo-</p><p>hannes Gutenberg, é que a questão dos direitos autorais passou a ter maior relevância.</p><p>Figura 1</p><p>Fonte: Getty Images</p><p>Antes dessa invenção, a divulgação das obras</p><p>intelectuais era realizada, especialmente, por</p><p>meio de manuscritos confeccionados pelo pró-</p><p>prio autor ou por alguém que, sob as ordens</p><p>dele, realizava essa demorada atividade. O tra-</p><p>balho era bastante rústico e de pouca produtivi-</p><p>dade, o que limitava substancialmente a possi-</p><p>bilidade de serem criados diversos exemplares.</p><p>Um grande marco para que essa situação se</p><p>modificasse foi a criação da imprensa (ou tipo-</p><p>grafia) por Gutenberg, pois com ela se iniciou</p><p>um período de rápida expansão da produção e</p><p>distribuição de obras literárias, em razão da gran-</p><p>de rapidez como elas passaram a ser produzidas.</p><p>A modificação da forma de reprodução da</p><p>obra, contudo, não trouxe maiores benefícios</p><p>para o seu autor, que é mantido à margem da</p><p>proteção normativa; porém, inicia-se uma cres-</p><p>cente preocupação com a proteção dos edito-</p><p>res dessas obras.</p><p>Figura 2</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Exceção feita a pequenos e localizados avanços, os direitos de autores de criações</p><p>intelectuais somente passam a contar com uma proteção normativa mais efetiva no</p><p>final do Século XIX, com duas importantes Convenções Internacionais:</p><p>• A Convenção de Paris, de 1883, que tratava da proteção das criações com aplica-</p><p>ção industrial;</p><p>• A Convenção de Berna, de 1886, que, especificamente, tratava dos direitos autorais.</p><p>A Convenção de Berna, que ainda se encontra em vigor, é o principal instrumento</p><p>internacional de proteção dos direitos autorais em obras literárias, artísticas e científicas,</p><p>servindo de base para a Legislação de muitos países, inclusive o nosso, que aderiu a esse</p><p>Tratado em 1922.</p><p>Outro importante instrumento internacional de proteção dos direitos autorais é a Con-</p><p>venção Universal de Genebra, de 1952.</p><p>As Convenções de Berna e de Genebra sofreram algumas revisões, ditadas, em espe-</p><p>cial, pela necessidade de adequação às evoluções tecnológicas, sendo que, atualmente:</p><p>• A Convenção de Berna é administrada pela Organização Mundial da Propriedade</p><p>Intelectual (WIPO – World Intellectual Property Organization);</p><p>• Já a Convenção Universal de Genebra é administrada pela UNESCO.</p><p>Para saber mais sobre as Convenções de Berna, veja o GUIA da CONVENÇÃO DE BERNA rela-</p><p>tiva à Protecção das Obras Literárias e Artísticas no link: https://goo.gl/fuMFdF</p><p>Acesse também:</p><p>WIPO - World Intellectual Property Organizacional - https://goo.gl/fLz0YU</p><p>UNESCO - https://goo.gl/UcVY9G</p><p>Em nosso país, apesar de algumas normas esparsas anteriores, somente com a Lei</p><p>n.º 5.988/73 foi implementada uma Lei verdadeiramente vocacionada a regular os di-</p><p>versos aspectos do direito autoral.</p><p>A Lei de 19731 acabou por ser substituída por nossa atual Lei de Direitos Autorais, Lei</p><p>n.º 9.610/98 – LDA.</p><p>Além da Lei dos Direitos Autorais, também precisam ser citadas as seguintes:</p><p>• Lei n.º 9.609/98: trata da proteção da Propriedade Intelectual de Programa de</p><p>Computadores;</p><p>• Lei n.º 6.533/78: regulamentação das profissões de artistas e de técnico em espetá-</p><p>culos de diversões.</p><p>1 Ainda estão em vigor as disposições da Lei n.º 5.988/73, que trata de alguns temas específicos, tais como o registro</p><p>de obras intelectuais.</p><p>Obra derivada é a que, constituindo cria-</p><p>ção intelectual nova, resulta da transfor-</p><p>mação de obra originária – Art. 5º, inciso</p><p>VIII, alínea “g”, da LDA.</p><p>Direitos Autorais</p><p>5</p><p>Exceção feita a pequenos e localizados avanços, os direitos de autores de criações</p><p>intelectuais somente passam a contar com uma proteção normativa mais efetiva no</p><p>final do Século XIX, com duas importantes Convenções Internacionais:</p><p>• A Convenção de Paris, de 1883, que tratava da proteção das criações com aplica-</p><p>ção industrial;</p><p>• A Convenção de Berna, de 1886, que, especificamente, tratava dos direitos autorais.</p><p>A Convenção de Berna, que ainda se encontra em vigor, é o principal instrumento</p><p>internacional de proteção dos direitos autorais em obras literárias, artísticas e científicas,</p><p>servindo de base para a Legislação de muitos países, inclusive o nosso, que aderiu a esse</p><p>Tratado em 1922.</p><p>Outro importante instrumento internacional de proteção dos direitos autorais é a Con-</p><p>venção Universal de Genebra, de 1952.</p><p>As Convenções de Berna e de Genebra sofreram algumas revisões, ditadas, em espe-</p><p>cial, pela necessidade de adequação às evoluções tecnológicas, sendo que, atualmente:</p><p>• A Convenção de Berna é administrada pela Organização Mundial da Propriedade</p><p>Intelectual (WIPO – World Intellectual Property Organization);</p><p>• Já a Convenção Universal de Genebra é administrada pela UNESCO.</p><p>Para saber mais sobre as Convenções de Berna, veja o GUIA da CONVENÇÃO DE BERNA rela-</p><p>tiva à Protecção das Obras Literárias e Artísticas no link: https://goo.gl/fuMFdF</p><p>Acesse também:</p><p>WIPO - World Intellectual Property Organizacional - https://goo.gl/fLz0YU</p><p>UNESCO - https://goo.gl/UcVY9G</p><p>Em nosso país, apesar de algumas normas esparsas anteriores, somente com a Lei</p><p>n.º 5.988/73 foi implementada uma Lei verdadeiramente vocacionada a regular os di-</p><p>versos aspectos do direito autoral.</p><p>A Lei de 19731 acabou por ser substituída por nossa atual Lei de Direitos Autorais, Lei</p><p>n.º 9.610/98 – LDA.</p><p>Além da Lei dos Direitos Autorais, também precisam ser citadas as seguintes:</p><p>• Lei n.º 9.609/98: trata da proteção da Propriedade Intelectual de Programa de</p><p>Computadores;</p><p>• Lei n.º 6.533/78: regulamentação das profissões de artistas e de técnico em espetá-</p><p>culos de diversões.</p><p>1 Ainda estão em vigor as disposições da Lei n.º 5.988/73, que trata de alguns temas específicos, tais como o registro</p><p>de obras intelectuais.</p><p>Obra derivada é a que, constituindo cria-</p><p>ção intelectual nova, resulta da transfor-</p><p>mação de obra originária – Art. 5º, inciso</p><p>VIII, alínea “g”, da LDA.</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>6</p><p>Em nossa Constituição Federal as disposições sobre o assunto são as seguintes:</p><p>Constituição Federal</p><p>Art. 5º [...]</p><p>XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publi-</p><p>cação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo</p><p>tempo que a lei fixar;</p><p>XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:</p><p>a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à repro-</p><p>dução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas;</p><p>b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras</p><p>que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às</p><p>respectivas representações sindicais e associativas;</p><p>Direitos sobre Criações do Intelecto</p><p>Quando falamos em direitos originados de criações do intelecto, necessariamente,</p><p>precisamos fazer uma distinção da forma como se dá a proteção dessas obras, conside-</p><p>rando qual é a destinação que a elas é dada:</p><p>• Obras destinadas à solução de problemas que envolvam o campo técnico são pro-</p><p>tegidas pela Lei da Propriedade Industrial – Lei n.º 9.279/96. Aqui temos como</p><p>principal forma de proteção a concessão de patentes;</p><p>• Obras destinadas ao campo estético, com a criação do belo – em especial, aquelas</p><p>de valor literário, artístico e científico, são protegidas pela Lei dos Direitos Autorais</p><p>– Lei n.º 9.610/98.</p><p>• Outro elemento que distingue a proteção desses direitos imateriais ocorre em rela-</p><p>ção à necessidade de registro das criações, pois:</p><p>• Nos direitos autorais, o registro é sempre facultativo; assim, os direitos do autor</p><p>nascem com a criação de sua obra;</p><p>• Na propriedade industrial é sempre necessário o registro da criação para que haja</p><p>a atribuição da titularidade sobre ele.</p><p>Lei n.º 9.279/96</p><p>Art. 6º</p><p>e distribuídos.</p><p>Ao realizar a sua filiação em uma dessas Associações, o titular desses direitos transferirá</p><p>a ela poderes para realizar a autorização de uso, a fiscalização e a cobrança de direitos re-</p><p>lacionados à comunicação pública em locais de frequência coletiva.</p><p>Essas associações, por meio do ECAD, estabelecem a forma de mensuração e os</p><p>valores que devem ser pagos pelos responsáveis pela comunicação em locais de frequ-</p><p>ência coletiva.</p><p>Dessa forma, por exemplo, antes da realização de um show com músicas ao vivo, o</p><p>responsável pelo espetáculo ou o responsável pelo local em que ele ocorrerá deverá pro-</p><p>curar o ECAD para:</p><p>• Solicitar a autorização para a comunicação pública das obras musicais, sendo que elas</p><p>devem ser listadas com seus elementos identificadores (em especial os seus autores);</p><p>• Realizar o pagamento de direitos autorais de execução pública dessas obras.</p><p>Os valores arrecadados pelo ECAD, conforme o exemplo acima ou mediante outras</p><p>formas de cobrança, são destinados às associações de gestão coletiva musical que, poste-</p><p>riormente, repassa-os aos titulares dos direitos patrimoniais das obras executadas.</p><p>Deve ser destacado que o ECAD realiza o acompanhamento de diversas formas de</p><p>comunicação pública, buscando fiscalizar a utilização de obras musicais e de realizar a</p><p>cobrança quando não há o espontâneo pagamento pelo responsável, sendo que, dentre</p><p>essas formas de acompanhamento, podem ser destacados:</p><p>• Comparecimento de fiscais dessa Entidade em locais de frequência coletiva em que</p><p>há a execução de obras musicais;</p><p>• Ações judiciais de cobrança desses direitos;</p><p>• Acordos com rádios e redes de televisão para o recolhimento de valores relativos</p><p>à execução pública de obras musicais, as quais são estatisticamente mensuradas.</p><p>Direitos Autorais</p><p>39</p><p>Material Complementar</p><p>Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:</p><p>Sites</p><p>ECAD</p><p>https://goo.gl/MVgt6w</p><p>Leitura</p><p>Constituição Federal</p><p>https://goo.gl/zaRrL</p><p>Lei dos Direitos Autorais</p><p>https://goo.gl/4T5no</p><p>Lei da Propriedade Industrial</p><p>https://goo.gl/vRmbW</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>40</p><p>Referências</p><p>ABRÃO, E. Y. Comentários à Lei de Direitos Autorais e Conexos. Rio de Janeiro:</p><p>Lúmen Júris, 2017.</p><p>BITTAR, C. A. Direito de Autor. 6.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015.</p><p>GAGLIANO, P. S.; PAMPLONA FILHO, R. Novo Curso de Direito Civil: Parte Geral.</p><p>16.ed. São Paulo: Saraiva, 2014.</p><p>LISBOA, R. S. Manual de Direito Civil: direitos reais e direitos intelectuais. 4.ed. São Paulo:</p><p>Saraiva, 2009.</p><p>PARANAGUÁ, P. Direitos autorais. São Paulo: FGV Jurídica, 2009.</p><p>Direitos Autorais</p><p>Ao autor de invenção ou modelo de utilidade será assegurado</p><p>o direito de obter a patente que lhe garanta a propriedade, nas condi-</p><p>ções estabelecidas nesta Lei.</p><p>[...]</p><p>Direitos Autorais</p><p>7</p><p>Conteúdo dos Direitos Autorais</p><p>Além dos elementos caracterizadores dos direitos autorais anteriormente vistos, pre-</p><p>cisamos destacar mais alguns:</p><p>• Os direitos autorais são caracterizados pela LDA como direitos móveis (Artigo 3º).</p><p>• Os direitos autorais se subdividem em direitos morais e direitos patrimoniais;</p><p>• Segundo a LDA, os direitos autorais englobam os direitos do autor e os direitos co-</p><p>nexos (Artigo 1º).</p><p>Os direitos conexos, como veremos mais à frente, abrangem os direitos dos artistas</p><p>intérpretes e executantes, dos produtores fonográficos e das empresas de radiodifusão.</p><p>Obras Protegidas pela</p><p>Lei dos Direitos Autorais</p><p>Em seu Artigo 7º, a LDA apresenta uma relação de obras que ela protege.</p><p>Lei n.º 9.610/98</p><p>Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qual-</p><p>quer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se</p><p>invente no futuro, tais como:</p><p>I - os textos de obras literárias, artísticas ou científicas;</p><p>II - as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma na-</p><p>tureza;</p><p>III - as obras dramáticas e dramático-musicais;</p><p>IV - as obras coreográficas e pantomímicas, cuja execução cênica se</p><p>fixe por escrito ou por outra qualquer forma;</p><p>V - as composições musicais, tenham ou não letra;</p><p>VI - as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinemato-</p><p>gráficas;</p><p>VII - as obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo aná-</p><p>logo ao da fotografia;</p><p>VIII - as obras de desenho, pintura, gravura, escultura, litografia e arte</p><p>cinética;</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>8</p><p>IX - as ilustrações, cartas geográficas e outras obras da mesma natureza;</p><p>X - os projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia,</p><p>engenharia, topografia, arquitetura, paisagismo, cenografia e ciência;</p><p>XI - as adaptações, traduções e outras transformações de obras origi-</p><p>nais, apresentadas como criação intelectual nova;</p><p>XII - os programas de computador;</p><p>XIII - as coletâneas ou compilações, antologias, enciclopédias, dicioná-</p><p>rios, bases de dados e outras obras, que, por sua seleção, organização</p><p>ou disposição de seu conteúdo, constituam uma criação intelectual.</p><p>Sobre o conteúdo desse Artigo, é necessário apresentar algumas observações:</p><p>• Essa relação é meramente exemplificativa, o que pode ser facilmente constatado com</p><p>a inserção da expressão “tais como”, nesse Artigo. É certo que isso não poderia ser di-</p><p>ferente, pois temos de ter em mente que a Lei dos Direitos Autorais foi editada quando</p><p>a Internet (na forma como a conhecemos hoje em dia) ainda era algo muito recente.</p><p>Assim, essa norma não contempla, expressamente, muitos dos produtos da criação</p><p>surgidos nos últimos anos; contudo, isso não lhes retira proteção;</p><p>• Mesmo uma obra derivada, como as traduções, é objeto de proteção;</p><p>• A LDA não protege a ideia em si, mas sim, as obras intelectuais que foram apre-</p><p>sentadas por qualquer meio ou “fixadas em qualquer suporte, tangível ou intan-</p><p>gível, conhecido ou que se invente no futuro”. Esse suporte é o meio pela qual a</p><p>ideia é apresentada, reproduzida, vista etc. É o caso de uma música que é gravada</p><p>em um suporte tangível (em um CD, em uma partitura, por exemplo) ou intangível</p><p>(que é transformada em um arquivo digital em um serviço de streaming, por exem-</p><p>plo). Obras que não foram fixadas ou apresentadas não são objeto de proteção;</p><p>• No caso das obras mencionadas no Inciso XIII do Artigo 7º há duas formas de</p><p>proteção:</p><p>• A proteção de quem criou os textos da coletânea, os textos da compilação, os poemas</p><p>da antologia etc.;</p><p>• A proteção dada a quem, com critérios próprios, estabeleceu uma original organi-</p><p>zação a esses elementos, sem que com isso tenha qualquer direito sobre os textos,</p><p>poemas etc., ou seja, o que se protege é a organização que foi dada.</p><p>Proteção dos Títulos de Obras</p><p>Quando a LDA protege a obra intelectual, isso também abrange o seu título.</p><p>Lei n.º 9.610/98</p><p>Art. 10. A proteção à obra intelectual abrange o seu título, se original</p><p>e inconfundível com o de obra do mesmo gênero, divulgada anterior-</p><p>mente por outro autor.</p><p>Direitos Autorais</p><p>9</p><p>Parágrafo único. O título de publicações periódicas, inclusive jornais,</p><p>é protegido até um ano após a saída do seu último número, salvo se</p><p>forem anuais, caso em que esse prazo se elevará a dois anos.</p><p>Essa proteção, contudo, somente limita que outra obra do mesmo gênero tenha o</p><p>mesmo título. Assim, é plenamente possível que haja:</p><p>• um romance denominado “A Primavera”;</p><p>• que não se confunde com um poema denominado “A Primavera”.</p><p>Elementos não Protegidos pela</p><p>Lei dos Direitos Autorais</p><p>Para melhorar a compreensão sobre o que é protegido pela Lei dos Direitos Autorais,</p><p>ela apresenta, em seu Artigo 8º, uma relação do que não é abrangido pelos seus preceitos.</p><p>Lei n.º 9.610/98</p><p>Art. 8º Não são objeto de proteção como direitos autorais de que trata</p><p>esta Lei:</p><p>I - as ideias, procedimentos normativos, sistemas, métodos, projetos</p><p>ou conceitos matemáticos como tais;</p><p>II - os esquemas, planos ou regras para realizar atos mentais, jogos ou</p><p>negócios;</p><p>III - os formulários em branco para serem preenchidos por qualquer</p><p>tipo de informação, científica ou não, e suas instruções;</p><p>IV - os textos de tratados ou convenções, leis, decretos, regulamentos,</p><p>decisões judiciais e demais atos oficiais;</p><p>V - as informações de uso comum tais como calendários, agendas, ca-</p><p>dastros ou legendas;</p><p>VI - os nomes e títulos isolados;</p><p>VII - o aproveitamento industrial ou comercial das idéias contidas nas</p><p>obras.</p><p>Observe que, novamente, há menção às ideias.</p><p>Quantos filmes e livros não tratam de ideias do tipo:</p><p>• O bem sempre vence o mal;</p><p>• Alguém, injustamente, é condenado por algo que não fez, perde sua família e seus bens e,</p><p>ao final, retorna e se vinga dos responsáveis por sua tragédia e recupera as pessoas que ama</p><p>e sua fortuna;</p><p>• Um amor impossível afasta pessoas apaixonadas e, após alguns anos, elas se reencontram</p><p>e, mesmo com suas atuais diferenças e problemas, elas acabam juntas.</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>10</p><p>Essas são algumas ideias que servem de suporte para muitas obras, sendo que nin-</p><p>guém pode alegar ser o verdadeiro dono delas.</p><p>A proteção, contudo, estabelece-se sobre a forma como elas são desenvolvidas em</p><p>várias obras que as tem como pano de fundo.</p><p>Registro de Obras Intelectuais</p><p>O Registro de obras de conteúdo artístico não é uma condição para que seja atribu-</p><p>ída a autoria para alguém.</p><p>Figura 3</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Lei n.º 9.610/98</p><p>Art. 18. A proteção aos direitos de que trata esta Lei independe de registro.</p><p>Embora não seja obrigatório, o Registro é uma providência recomendável, particular-</p><p>mente para que, no futuro, haja maior facilidade para comprovar a autoria, especialmente,</p><p>em processos judiciais nos quais essa questão seja tratada.</p><p>Esse registro pode ocorrer de diversas formas, como, por exemplo, o registro da letra</p><p>de uma música no Cartório de Registro de Documentos. Com isso, o autor poderá com-</p><p>provar que, antes que ela fosse exibida para gravadoras e cantores que tinham interesse</p><p>em gravá-la, ela já existia e que ele é o seu verdadeiro autor.</p><p>A Lei de Direitos Autorais remete essa questão para um pequeno trecho da Lei anterior</p><p>(Lei n.º 5.988/73), que ainda está em vigor.</p><p>Lei n.º 9.610/98</p><p>Art. 19. É facultado ao autor registrar a sua obra no órgão público</p><p>definido no caput e no § 1º do art. 17 da Lei nº 5.988, de 14 de</p><p>dezembro de 1973.</p><p>Art. 20. Para os serviços de registro previstos nesta Lei será cobrada</p><p>retribuição, cujo valor e processo de recolhimento serão estabelecidos</p><p>por ato do titular do órgão da administração pública federal a que esti-</p><p>ver vinculado o registro das obras intelectuais.</p><p>Direitos Autorais</p><p>11</p><p>Art. 21. Os serviços de registro de que trata esta Lei serão organizados</p><p>conforme preceitua</p><p>o § 2º do art. 17 da Lei nº 5.988, de 14 de de-</p><p>zembro de 1973.</p><p>Os referidos dispositivos da Lei de 1973 são os seguintes:</p><p>Lei n.º 5.988/73</p><p>Art. 17. Para segurança de seus direitos, o autor da obra intelectual</p><p>poderá registrá-Ia, conforme sua natureza, na Biblioteca Nacional, na</p><p>Escola de Música, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal</p><p>do Rio de Janeiro, no Instituto Nacional do Cinema, ou no Conselho</p><p>Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia.</p><p>§ 1º Se a obra for de natureza que comporte registro em mais de</p><p>um desses órgãos, deverá ser registrada naquele com que tiver maior</p><p>afinidade.</p><p>§ 2º O Poder Executivo, mediante Decreto, poderá, a qualquer tempo,</p><p>reorganizar os serviços de registro, conferindo a outros Órgãos as atribui-</p><p>ções a que se refere este Artigo.</p><p>Dessa forma, o Registro também poderá ocorrer nos seguintes locais:</p><p>• Biblioteca Nacional;</p><p>• Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro;</p><p>• Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro;</p><p>• Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia.</p><p>Sobre o registro de obras audiovisuais, ele poderá ocorrer na ANCINE – Agência Na-</p><p>cional do Cinema.</p><p>Dentre os locais onde poderá ocorrer o registro dessas obras, vale destacar a Biblioteca</p><p>Nacional, que dispõe de várias informações em seu site na Internet:</p><p>https://goo.gl/s8x24Q</p><p>Autoria de Obras Intelectuais</p><p>O principal destinatário dos direitos emanados pela Lei dos Direitos Autorais – LDA é</p><p>o autor. Assim, é importante estabelecer quem pode receber essa titulação.</p><p>Autoria</p><p>Em primeiro lugar, autoria de obra literária, artística ou científica é sempre atribuída a</p><p>uma pessoa física; contudo, em certas circunstâncias, parte dos direitos sobre a obra pode</p><p>ser transferido para outras pessoas físicas ou jurídicas.</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>12</p><p>O autor desse tipo de obra (literária, artística ou científica) poderá se identificar:</p><p>Usando qualquer</p><p>outro sinal</p><p>convencional.</p><p>Usando um</p><p>pseudônimo;</p><p>Usando seu nome civil,</p><p>completo ou abreviado</p><p>até por suas iniciais;</p><p>Quando não é utilizado o nome completo, é importante que aquele que utiliza as</p><p>outras formas de identificação se apresente com sendo o autor. Nesse sentido, observe</p><p>o conteúdo do Artigo 13 da LDA.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 13. Considera-se autor da obra intelectual, não havendo prova em</p><p>contrário, aquele que, por uma das modalidades de identificação refe-</p><p>ridas no Artigo anterior, tiver, em conformidade com o uso, indicada</p><p>ou anunciada essa qualidade na sua utilização.</p><p>A autoria da obra atribui direitos morais e patrimoniais ao seu titular, sendo que esses</p><p>são os principais elementos de proteção estipulados pela LDA.</p><p>Autoria de Obras Derivadas</p><p>No caso das obras caídas em domínio público há uma importante disposição sobre</p><p>obras derivadas delas.</p><p>Obra derivada é a que, constituindo criação intelectual nova, resulta da transformação de</p><p>obra originária – Art. 5º, inciso VIII, alínea “g”, da LDA.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 14. É titular de direitos de autor quem adapta, traduz, arranja ou</p><p>orquestra obra caída no domínio público, não podendo opor-se a outra</p><p>adaptação, arranjo, orquestração ou tradução, salvo se for cópia da sua.</p><p>Como pode ser observado, aquele que, baseado em uma obra caída em domínio público,</p><p>realiza a obra derivada, ou seja, quem adapta, traduz, arranja ou orquestra uma obra originá-</p><p>ria tem direitos autorais relativos ao seu trabalho; contudo:</p><p>• Isso não significa que ele terá direitos de qualquer tipo sobre a obra original;</p><p>• Ele não pode se opor a que outrem realize uma nova adaptação, tradução, arranjo</p><p>ou orquestração, salvo se ficar comprovado que ocorreu uma cópia de seu trabalho.</p><p>Direitos Autorais</p><p>13</p><p>Coautoria</p><p>Nas obras que possuem mais de um autor, ou seja, nas obras em coautoria, receberão</p><p>essa titulação aqueles que se identificarem como tal com seus nomes, pseudônimos ou</p><p>sinal convencional.</p><p>Obra em coautoria é aquela criada em comum, por dois ou mais autores (Art. 5º, inciso VIII,</p><p>alínea “a”, da LDA).</p><p>Não se consideram, contudo, coautores da obra aqueles que, simplesmente, auxilia-</p><p>ram o autor na produção da obra literária, artística ou científica, revendo-a, atualizando-</p><p>-a, bem como fiscalizando ou dirigindo sua edição ou apresentação por qualquer meio.</p><p>No caso de obras audiovisuais e de desenhos animados, devem ser observadas as</p><p>disposições do Artigo 16 da LDA.</p><p>Lei dos Direitos Autorais</p><p>Art. 16. São co-autores da obra audiovisual o autor do assunto ou argu-</p><p>mento literário, musical ou lítero-musical e o diretor.</p><p>Parágrafo único. Consideram-se co-autores de desenhos animados os</p><p>que criam os desenhos utilizados na obra audiovisual.</p><p>Os coautores exercem em conjunto os direitos patrimoniais e morais sobre a obra.</p><p>Há situações em que uma obra é realizada em coautoria; contudo, é possível identi-</p><p>ficar a contribuição individual de cada um dos participantes. Isso ocorre, por exemplo,</p><p>na criação de um livro composto por diversos Artigos escritos cada um por um autor di-</p><p>ferente, sendo que cada desses Artigos está em uma parte distinta e delimitada da obra.</p><p>Para situações como essas, estipula a LDA que:</p><p>• Cada um dos coautores, de forma facultativa, poderá exercer seus direitos de autor</p><p>sobre essa parte delimitada da obra original;</p><p>• Essa utilização individualizada, contudo, não pode acarretar prejuízo à exploração</p><p>da obra comum.</p><p>Participações Individuais em Obras Coletivas</p><p>Nas obras coletivas, deve ser sempre assegurada a proteção aos direitos de cada um</p><p>dos seus participantes. Essa proteção, além de prevista na LDA, também tem apoio no</p><p>Artigo 5º, inciso XXVIII, alínea a, da Constituição Federal.</p><p>Obra coletiva é aquela criada por iniciativa, organização e responsabilidade de uma pessoa</p><p>física ou jurídica, que a publica sob seu nome ou marca e que é constituída pela participa-</p><p>ção de diferentes autores, cujas contribuições se fundem numa criação autônoma (Art. 5º,</p><p>inciso VIII, alínea h, da LDA).</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>14</p><p>Dessa forma, além de ter direito a uma remuneração (que deve ser objeto de específi-</p><p>ca contratação), todos os participantes possuem sobre ela direitos morais, sendo que um</p><p>deles é o de proibir que se indique ou anuncie seu nome na obra coletiva.</p><p>A titularidade dos direitos patrimoniais sobre a obra é do seu organizador.</p><p>Nesse tipo de obra, o Contrato com o organizador deve especificar a contribuição de</p><p>cada um dos participantes, o prazo para entrega ou realização, e a remuneração, além de</p><p>outras condições.</p><p>Observe que as prescrições sobre obra coletiva não se confundem com obra em</p><p>coautoria.</p><p>Por fim, um exemplo de obra coletiva é a criação de uma telenovela, pois, além de es-</p><p>critor principal (que estabelece a linha do trabalho), há um grupo de outros que se dedicam</p><p>à construção do roteiro de núcleos específicos de atores que possuem maior interação</p><p>durante o seu desenrolar da obra.</p><p>Direitos Conexos</p><p>Conforme deixa claro o Artigo 1º da LDA, faz-se necessário que haja diferenciação</p><p>entre os direitos autorais, os direitos do autor e os direitos conexos.</p><p>Lei dos Direitos Autorais</p><p>Art. 1º Esta Lei regula os direitos autorais, entendendo-se sob esta deno-</p><p>minação os direitos de autor e os que lhes são conexos.</p><p>Direitos</p><p>Autorais</p><p>Direitos do Autor</p><p>Direitos Conexos</p><p>Art. 1º LDA</p><p>Figura 4</p><p>Dessa forma, a expressão direitos autorais possui duas espécies distintas: os direi-</p><p>tos do autor e os direitos conexos, sendo que essas duas formas não se confundem.</p><p>Encerrado o processo inicial de criação da obra por seu autor e com a sua exibição ou fixa-</p><p>ção, podem nascer direitos para outros titulares, os quais são denominados direitos conexos.</p><p>Os titulares desses direitos são agrupados em três categorias:</p><p>• Os direitos dos artistas intérpretes (cantores) e executantes (músicos);</p><p>• Os direitos dos produtores musicais;</p><p>• Os direitos das Empresas de Radiodifusão.</p><p>Direitos Autorais</p><p>15</p><p>Deve ser observado que o exercício desses direitos conexos não afeta</p><p>ou restringe os</p><p>direitos do autor.</p><p>Direitos Conexos dos Artistas Intérpretes ou Executantes</p><p>O s artistas intérprete ou executantes têm direitos conexos em relação à interpretação</p><p>ou à execução que deram a uma obra.</p><p>Observe o exemplo a seguir e note que há duas situações bem diferentes:</p><p>• O compositor de uma música tem direitos de autor sobre ela (direitos morais e</p><p>patrimoniais);</p><p>• Os artistas que participaram da interpretação ou execução dela também possuem</p><p>direitos, não sobre a autoria, mas em relação à interpretação ou à execução da obra.</p><p>Os direitos conexos básicos aplicáveis aos artistas estão no Artigo 90 da LDA.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 90. Tem o artista intérprete ou executante o direito exclusivo de,</p><p>a título oneroso ou gratuito, autorizar ou proibir:</p><p>I - a fixação de suas interpretações ou execuções;</p><p>II - a reprodução, a execução pública e a locação das suas interpreta-</p><p>ções ou execuções fixadas;</p><p>III - a radiodifusão das suas interpretações ou execuções, fixadas ou não;</p><p>IV - a colocação à disposição do público de suas interpretações ou</p><p>execuções, de maneira que qualquer pessoa a elas possa ter acesso,</p><p>no tempo e no lugar que individualmente escolherem;</p><p>V - qualquer outra modalidade de utilização de suas interpretações ou</p><p>execuções.</p><p>Quando na interpretação ou na execução participarem vários artistas, seus direitos</p><p>serão exercidos pelo diretor do conjunto.</p><p>A proteção dos direitos conexos dos artistas intérpretes ou executantes estende-se à repro-</p><p>dução da voz e da imagem, quando associadas às suas atuações. É o que ocorre, por exemplo,</p><p>com os chamados videoclipes.</p><p>O s intérpretes possuem direitos morais de integridade e paternidade de suas interpre-</p><p>tações, mesmo que haja a cessão dos direitos patrimoniais.</p><p>Direitos Conexos dos Produtores Fonográficos</p><p>O produtor de fonogramas (fixação da música ou música e letra em um suporte) tem</p><p>o direito exclusivo de, a título oneroso ou gratuito, autorizar ou proibir:</p><p>• A sua reprodução direta ou indireta, total ou parcial;</p><p>• A distribuição por meio da venda ou locação de exemplares da reprodução;</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>16</p><p>• A comunicação ao público por meio da execução pública, inclusive pela radiodifusão;</p><p>• Quaisquer outras modalidades de utilização.</p><p>O produtor fonográfico tem direito de receber valores em razão da execução pública de</p><p>músicas, sendo que esse valor é repartido com os artistas e suas respectivas associações.</p><p>Direitos Conexos das Empresas de Radiodifusão</p><p>A elas cabe o direito exclusivo de autorizar ou proibir a retransmissão, fixação e</p><p>reprodução de seus programas.</p><p>As Empresas de Televisão também podem autorizar, ou não, que seus programas</p><p>sejam utilizados em locais de frequência coletiva, sem prejuízo dos direitos dos titulares</p><p>de bens intelectuais incluídos na programação.</p><p>Quando a Legislação se refere às Empresas de Radiodifusão ela se refere, em especial, às</p><p>Empresas de Rádio e Televisão.</p><p>Prazo de Duração dos Direitos Conexos</p><p>O prazo de duração dos direitos conexos é de 70 anos, contados a partir de 1º de</p><p>janeiro do ano subsequente:</p><p>• À fixação, para os fonogramas;</p><p>• À transmissão, para as emissões das Empresas de Radiodifusão;</p><p>• À execução e representação pública, para os demais casos.</p><p>Encerrado esse prazo, essas obras, transmissões e execuções caem em domínio público.</p><p>Direitos Morais do Autor</p><p>Os direitos morais do autor derivam de sua personalidade e de sua ligação com a sua</p><p>obra. Isso faz com que esses direitos tenham características bem próprias:</p><p>• Eles são eternos, ou seja, essa ligação do autor com a sua obra não está sujeita a ne-</p><p>nhum tipo de prazo de duração. Nem mesmo a sua morte altera essa ligação;</p><p>• Esse direito não se confunde com os efeitos patrimoniais de sua criação – esses, sim,</p><p>sujeitos a prazos de duração.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 27. Os direitos morais do autor são inalienáveis e irrenunciáveis.</p><p>Em razão dessas características, não possui qualquer validade um Contrato ou outra</p><p>forma de arranjo que transfira direitos morais a outra pessoa, exceção feita aos sucesso-</p><p>res do autor após a sua morte.</p><p>Direitos Autorais</p><p>17</p><p>Principais Espécies</p><p>Paternidade</p><p>Refere-se à autoria da obra, a qual pode, a qualquer tempo, ser reivindicada pelo seu</p><p>autor, pouco importando que ele tenha se identificado ou, inicialmente, seja anônimo.</p><p>Como consequência, quando da utilização ou exibição da obra, o autor deve ter seu</p><p>nome divulgado junto a ela.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 24. São direitos morais do autor:</p><p>I - o de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra;</p><p>II - o de ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou</p><p>anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra;</p><p>Nome</p><p>Significa que o nome da obra é dado pelo autor, sendo que ninguém pode modificá-lo.</p><p>Figura 5 – A Noite Estrelada</p><p>Fonte: pixabay.com</p><p>O quadro que você comprou</p><p>Você acabou de fazer a compra de um lindo quadro denominado “A Noite Estrelada”, de Vicent</p><p>van Gogh. Contudo, deseja alterar o seu nome e, como você é o novo proprietário, deseja atribuir</p><p>a você mesmo a autoria.</p><p>Considerando que van Gogh morreu em 1890, é possível realizar essas alterações?</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>18</p><p>Obviamente, essas alterações não são admitidas, pois elas afetam direitos morais do</p><p>autor da obra, sendo que eles são eternos, ou seja, nem mesmo o passar do tempo ou</p><p>a morte do autor afetam a aplicabilidade deles.</p><p>Integridade</p><p>Em razão desse direito, somente o autor pode escolher se sua obra será veiculada em</p><p>sua integridade ou com alterações que julgar necessárias.</p><p>Exclusividade</p><p>Cabe ao autor a escolha de realizar a divulgação de sua obra pessoalmente ou por meio</p><p>de outra pessoa que ele indicar.</p><p>Inédito</p><p>O fato de realizar a criação da obra não implica o dever do autor de realizar a sua</p><p>divulgação. Bem ao contrário, o autor pode resolver mantê-la inédita.</p><p>A isso chamamos de direito de inédito.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 24. São direitos morais do autor:</p><p>III - o de conservar a obra inédita;</p><p>Retirada de Circulação</p><p>Caracteriza-se pelo direito do autor de retirar de circulação a obra ou realizar a sus-</p><p>pensão dessa circulação (quando anteriormente autorizada), quando isso possa acarretar</p><p>qualquer forma de prejuízo à sua reputação e imagem.</p><p>Se essa sua conduta causar prejuízos a alguém, deverá o autor indenizá-lo.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 24. São direitos morais do autor:</p><p>VI - o de retirar de circulação a obra ou de suspender qualquer forma</p><p>de utilização já autorizada, quando a circulação ou utilização implica-</p><p>rem afronta à sua reputação e imagem;</p><p>Modificação</p><p>Somente o autor pode realizar a modificação de sua obra ou autorizar que ela ocorra.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 24. São direitos morais do autor:</p><p>IV - o de assegurar a integridade da obra, opondo-se a quaisquer mo-</p><p>dificações ou à prática de atos que, de qualquer forma, possam preju-</p><p>dicá-la ou atingi-lo, como autor, em sua reputação ou honra;</p><p>V - o de modificar a obra, antes ou depois de utilizada;</p><p>Direitos Autorais</p><p>19</p><p>Figura 6 – A Ponte de Vidro</p><p>Fonte: pixabay.com</p><p>Em 2016, foi inaugurada no Grand Canyon de Zhangjiajie, na China, uma imensa ponte de vidro, com</p><p>430 metro de extensão, sendo que sua instalação está a 300 metros de altura.</p><p>O arquiteto responsável pela obra foi o israelense Haim Dotan.</p><p>Sua inauguração foi precedida de uma série de testes, vez que, em 2015, outra ponte de vidro constru-</p><p>ída na China apresentou uma série de trincas que comprometeram sua segurança.</p><p>Maior ponte de vidro é reaberta na China - https://goo.gl/aSizio</p><p>Considerando as informações apresentadas nessa notícia e supondo que a ponte</p><p>venha a apresentar problemas estruturais que afetem a segurança dos usuários, poderí-</p><p>amos ter as seguintes situações:</p><p>• Qualquer alteração na estrutura da ponte somente pode ser realizada com autoriza-</p><p>ção do seu criador – no caso, o arquiteto Haim Dotan;</p><p>• Por outro lado, se as autoridades chinesas realizarem qualquer alteração na estrutu-</p><p>ra da ponte sem antes buscar a concordância do criador do projeto, ele poderá se</p><p>opor a essa modificação;</p><p>• Por fim, ele poderá realizar a modificação da obra, mesmo após ela ter sido conclu-</p><p>ída; contudo, deverá arcar com eventuais indenizações se o exercício do seu direito</p><p>causar prejuízos a outras pessoas.</p><p>Repúdio de Projeto Arquitetônico</p><p>Considerando o exemplo acima, vamos analisar o instituto do repúdio de projeto</p><p>arquitetônico.</p><p>Nessa linha, um arquiteto constata que um projeto seu foi alterado, sem a sua autori-</p><p>zação, durante a elaboração da obra ou após a finalização da construção.</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>20</p><p>Nesse caso, ele poderá repudiar a autoria do projeto. Assim, a obra não mais poderá</p><p>ser identificada como um projeto de sua autoria. Se após o repúdio isso ocorrer, ele</p><p>deverá ser indenizado pelo proprietário da obra.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 26. O autor poderá repudiar a autoria de projeto arquitetônico</p><p>alterado sem o seu consentimento durante a execução ou após a con-</p><p>clusão da construção.</p><p>Parágrafo único. O proprietário da construção responde pelos danos</p><p>que causar ao autor sempre que, após o repúdio, der como sendo</p><p>daquele a autoria do projeto repudiado.</p><p>Preservação da Memória da Obra</p><p>O autor pode ter acesso ao único exemplar de sua obra com o objetivo de reproduzi-</p><p>-la por qualquer processo compatível.</p><p>Tudo isso deve se dar de forma a trazer o menor empecilho possível ao detentor dos</p><p>direitos sobre a obra. Se no uso desse direito houver algum tipo de prejuízo para o atual</p><p>detentor, ele deverá ser indenizado.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 24. São direitos morais do autor:</p><p>VII - o de ter acesso a exemplar único e raro da obra, quando se en-</p><p>contre legitimamente em poder de outrem, para o fim de, por meio</p><p>de processo fotográfico ou assemelhado, ou audiovisual, preservar sua</p><p>memória, de forma que cause o menor inconveniente possível a seu</p><p>detentor, que, em todo caso, será indenizado de qualquer dano ou</p><p>prejuízo que lhe seja causado.</p><p>Defesa dos Direitos Morais em Relação</p><p>a Obras Caídas em Domínio Público</p><p>Durante a vida do autor, ele pode defender seus direitos morais sob suas obras, mes-</p><p>mo que ele não mais tenha todos os direitos patrimoniais sobre ela.</p><p>Com sua morte, os sucessores recebem vários direitos morais; assim, eles podem rea-</p><p>lizar a sua defesa.</p><p>Contudo, se a obra caiu em domínio público, essa defesa caberá ao Estado.</p><p>Defesa de Direitos Morais de Obra Audiovisual</p><p>É bastante comum que, em obras audiovisuais, haja muitas pessoas que participaram</p><p>na formação de seus diversos elementos criativos; contudo, a defesa dos direitos morais</p><p>cabe somente ao seu diretor.</p><p>Direitos Autorais</p><p>21</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 25. Cabe exclusivamente ao diretor o exercício dos direitos</p><p>morais sobre a obra audiovisual.</p><p>Direitos Patrimoniais do Autor</p><p>O autor não possui somente direitos morais sobre a sua obra, havendo também direi-</p><p>tos patrimoniais, sendo que esses podem acarretar o exclusivo direito de:</p><p>• Utilizar a sua obra;</p><p>• Fruir a sua obra, ou seja, de ter aproveitamentos econômicos dessa obra;</p><p>• Dispor de sua obra, ou seja, ele poderá vendê-la.</p><p>Em decorrência dessas características, estabelece o Artigo 29 da LDA uma série de</p><p>situações que dependem de prévia e expressa autorização do autor para que sua obra</p><p>seja utilizada.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 29. Depende de autorização prévia e expressa do autor a utiliza-</p><p>ção da obra, por quaisquer modalidades, tais como:</p><p>I - a reprodução parcial ou integral;</p><p>II - a edição;</p><p>III - a adaptação, o arranjo musical e quaisquer outras transformações;</p><p>IV - a tradução para qualquer idioma;</p><p>V - a inclusão em fonograma ou produção audiovisual;</p><p>VI - a distribuição, quando não intrínseca ao contrato firmado pelo</p><p>autor com terceiros para uso ou exploração da obra;</p><p>VII - a distribuição para oferta de obras ou produções mediante cabo,</p><p>fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao</p><p>usuário realizar a seleção da obra ou produção para percebê-la em um</p><p>tempo e lugar previamente determinados por quem formula a deman-</p><p>da, e nos casos em que o acesso às obras ou produções se faça por</p><p>qualquer sistema que importe em pagamento pelo usuário;</p><p>VIII - a utilização, direta ou indireta, da obra literária, artística ou cien-</p><p>tífica, mediante:</p><p>a) representação, recitação ou declamação;</p><p>b) execução musical;</p><p>c) emprego de alto-falante ou de sistemas análogos;</p><p>d) radiodifusão sonora ou televisiva;</p><p>e) captação de transmissão de radiodifusão em locais de frequência</p><p>coletiva;</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>22</p><p>f) sonorização ambiental;</p><p>g) a exibição audiovisual, cinematográfica ou por processo assemelhado;</p><p>h) emprego de satélites artificiais;</p><p>i) emprego de sistemas óticos, fios telefônicos ou não, cabos de qualquer</p><p>tipo e meios de comunicação similares que venham a ser adotados;</p><p>j) exposição de obras de artes plásticas e figurativas;</p><p>IX - a inclusão em base de dados, o armazenamento em computador, a</p><p>microfilmagem e as demais formas de arquivamento do gênero;</p><p>X - quaisquer outras modalidades de utilização existentes ou que ve-</p><p>nham a ser inventadas.</p><p>Esses direitos patrimoniais pertencem ao autor, sendo que aquele que adquire a obra ou</p><p>um exemplar dela não recebe os direitos patrimoniais do autor, salvo se houver expressa</p><p>menção a isso na contratação ou nos casos previstos na Lei.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 37. A aquisição do original de uma obra, ou de exemplar, não</p><p>confere ao adquirente qualquer dos direitos patrimoniais do autor, salvo</p><p>convenção em contrário entre as partes e os casos previstos nesta Lei.</p><p>Algumas Observações sobre os Direitos Patrimoniais</p><p>As formas de utilização mencionadas no Artigo 29 são meramente exemplificativas,</p><p>pois outras podem ser criadas – isso é bem claro ao analisarmos o inciso X desse Artigo;</p><p>A autorização dada pelo autor poderá ser onerosa ou gratuita;</p><p>O fato de alguém ter sido autorizado pelo autor para realizar uma determinada fina-</p><p>lidade não acarreta a extensão para outras formas de utilização – Nesse particular, deve</p><p>ser observado o disposto no Artigo 31 da LDA.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 31. As diversas modalidades de utilização de obras literárias, artís-</p><p>ticas ou científicas ou de fonogramas são independentes entre si, e a</p><p>autorização concedida pelo autor, ou pelo produtor, respectivamente,</p><p>não se estende a quaisquer das demais.</p><p>Obras em Coautoria</p><p>No caso das obras realizadas em coautoria, se ela for indivisível, nenhum dos coauto-</p><p>res, sob pena de responder por perdas e danos, poderá, sem consentimento dos demais,</p><p>autorizar a sua publicação.</p><p>Essa restrição, contudo, não se aplica no caso de ter sido organizada uma coleção</p><p>com as obras completas de um dos coautores.</p><p>Se houver alguma divergência dos coautores sobre a exploração da obra comum indi-</p><p>visível, eles decidirão a questão por maioria; contudo, é assegurado ao coautor dissidente</p><p>Direitos Autorais</p><p>23</p><p>o direito de não contribuir para as despesas de publicação, situação em que ele também</p><p>poderá vetar a inscrição de seu nome na obra; porém, não terá direito sobre os lucros</p><p>advindos da publicação.</p><p>A Lei também estabelece que cada coautor pode, individualmente, sem aquiescência</p><p>dos outros, registrar a obra e defender os próprios direitos contra terceiros.</p><p>Comentários e Anotações de Obras</p><p>É possível que alguém realize comentários ou anotações sobre uma obra de outro autor?</p><p>A resposta a essa questão envolve duas possibilidades:</p><p>• Se a obra estiver em domínio público, é possível realizar essa obra derivada; con-</p><p>tudo, deve haver sempre a expressa menção ao nome da obra original e o nome</p><p>do autor;</p><p>• Já se a obra não estiver em domínio público, a realização da obra derivada somente</p><p>poderá ocorrer com permissão do autor da obra originária.</p><p>Obra revista pelo autor</p><p>Como vimos, o autor tem o direito de realizar a revisão de uma obra sua, sendo que,</p><p>nessa situação, seus sucessores não podem reproduzir as versões anteriores.</p><p>Direitos Patrimoniais sobre Obra Anônima ou Pseudônima</p><p>Se uma obra for anônima ou se seu autor utilizou pseudônimo, os direitos patrimo-</p><p>niais sobre a obra caberão a quem realizar a sua publicação.</p><p>Contudo se, posteriormente, o autor se der a conhecer, ele assumirá o exercício dos</p><p>direitos patrimoniais, ressalvados os direitos adquiridos por terceiros.</p><p>Domínio público</p><p>Falar que uma obra caiu em domínio público significa que não há mais direitos pa-</p><p>trimoniais do autor ou de seus sucessores sobre ela; contudo, como vimos, os direitos</p><p>morais permanecem. Da mesma forma, se houve a transferência desses direitos para</p><p>outras pessoas (por qualquer forma admitida), elas também não mais terão essas prerro-</p><p>gativas sobre essa obra.</p><p>Em nosso país a regra básica sobre esse assunto é a seguinte:</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 41. Os direitos patrimoniais do autor perduram por setenta anos</p><p>contados de 1° de janeiro do ano subsequente ao de seu falecimento,</p><p>obedecida a ordem sucessória da lei civil.</p><p>[...]</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>24</p><p>Algumas situações particulares:</p><p>• Deve ser aplicada a regra geral para os casos de obras póstumas – aquelas publica-</p><p>das após a morte do autor;</p><p>• Tratando-se de uma obra literária, artística ou científica realizada em coautoria indivi-</p><p>sível, esse prazo será contato da morte do último dos coautores sobreviventes. Nessa</p><p>situação, se um dos coautores não deixar sucessores, o valor correspondente aos seus</p><p>direitos acrescerá ao dos sobreviventes;</p><p>• No caso de obras anônimas ou pseudônimas, o prazo de setenta anos de proteção</p><p>dos direitos patrimoniais será contado a partir de 1° de janeiro do ano imediatamente</p><p>posterior ao da primeira publicação. Naturalmente, se o autor, posteriormente, se der</p><p>a conhecer, deve ser seguida a regra geral;</p><p>• No caso de obras audiovisuais e fotográficas, o prazo de proteção de setenta anos</p><p>se inicia no dia 1° de janeiro do ano subsequente ao de sua divulgação.</p><p>• Além das situações acima mencionadas, pertencem ao domínio público as obras:</p><p>• De autores falecidos, que não tenham deixado sucessores;</p><p>• De autor desconhecido, ressalvada a proteção legal aos conhecimentos étnicos e</p><p>tradicionais.</p><p>Limitações aos Direitos Autorais</p><p>As limitações aos direitos autorais representam situações lícitas em que o uso da obra</p><p>pode ser realizado sem prévia autorização do autor ou o pagamento de valores.</p><p>Essas situações estão dispostas nos Artigos 46, 47 e 48 da LDA.</p><p>Reproduções Lícitas</p><p>Não se caracteriza como ilícita a reprodução:</p><p>De notícia ou de artigo informativo, publicado em jornais e revistas por outros veí-</p><p>culos desse mesmo tipo, desde que haja a menção do jornal ou revistas no qual ocorreu</p><p>a publicação inicial. Tratando-se de notícia ou artigo assinado, também é necessária a</p><p>informação do seu autor.</p><p>Também se entende que essa disposição é aplicável para sites da Internet que repro-</p><p>duzem notícias originalmente publicadas por outros portais de notícias:</p><p>Em jornais e revistas de discursos realizados em cerimônias e qualquer tipo de reu-</p><p>nião pública;</p><p>De obras literárias, artísticas ou científicas, por inteiro ou em partes, para uso ex-</p><p>clusivo de deficientes visuais, sempre que a reprodução, sem fins comerciais, seja feita</p><p>mediante o sistema Braille ou outro tipo de suporte para esses destinatários.</p><p>Direitos Autorais</p><p>25</p><p>Cópia privada</p><p>Neste caso, a Lei estabelece requisitos para que seja realizada uma cópia privada de</p><p>uma obra, sendo eles os seguintes:</p><p>• Somente é possível que essa cópia seja feita em um único exemplar;</p><p>• Somente podem ser copiados pequenos trechos;</p><p>• A cópia deve ser realizada pela própria pessoa que irá utilizá-la, sem que haja qual-</p><p>quer intenção de lucro.</p><p>Ao contrário do que muitos afirmam, não há um limite de 10% da obra, sendo que a</p><p>Lei somente menciona “pequenos trechos”.</p><p>Dessa forma, a venda de partes de livros ou qualquer outra forma de realização de có-</p><p>pias é sempre uma conduta contrária à Lei.</p><p>Citação de Trechos de Obras</p><p>Uma prática bastante comum e importante é a citação em livros, jornais, revistas ou</p><p>qualquer outro meio de comunicação de passagens de qualquer obra, sendo essa condu-</p><p>ta regular, desde que:</p><p>• Essa citação se faça para fins de estudo, crítica ou polêmica;</p><p>• Essa citação deve ser apenas de trechos, buscando atingir uma determinada finalidade;</p><p>• Deve haver uma clara indicação do nome do autor e a origem da obra.</p><p>Se observarmos os padrões de citação estipulados pela ABNT, em especial a NBR</p><p>10520, para trabalhos acadêmicos, esses requisitos são claramente alcançados.</p><p>Apanhado de lições em estabelecimentos de ensino</p><p>A transcrição de falas de um professor, de esquemas que apresentou para os seus alu-</p><p>nos, de trechos que ele ditou etc. pode ser reproduzida para os alunos do Estabelecimento</p><p>de Ensino; contudo, não é permitida a publicação integral ou parcial dessas aulas e lições,</p><p>exceto se autorizadas previamente pelo autor.</p><p>Demonstração de Obras para Clientes</p><p>de um Estabelecimento Comercial</p><p>É comum que em lojas (físicas e virtuais) haja a demonstração de obras literárias,</p><p>artísticas ou científicas, fonogramas ou a transmissão de Rádio e Televisão com a fina-</p><p>lidade de demonstrar produtos para clientes.</p><p>Esse tipo de situação, não acarreta qualquer forma de desrespeito de direitos autorais.</p><p>É o que acontece, por exemplo, com uma loja (física ou virtual) que se dedica à venda de</p><p>filmes em que um pequeno trecho é mostrado aos clientes e interessados.</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>26</p><p>Além disso, em lojas que fazem a venda de televisores, por exemplo, ligá-los na pro-</p><p>gramação de canais abertos para que haja a demonstração do produto não caracteriza o</p><p>dever de efetuar o pagamento pela exibição pública da programação.</p><p>Formas Específicas de Representação</p><p>Teatral ou Execução Musical</p><p>Em uma Escola de Música ou de Teatro são devidos direitos autorais para os autores</p><p>das obras representadas ou executadas pelos alunos, exclusivamente para fins didáticos?</p><p>A resposta somente pode ser não!</p><p>Essa é uma das limitações dos direitos autorais estabelecidas pela Lei, sendo que igual</p><p>regra se aplica a essas atividades realizadas no recesso familiar.</p><p>Uso de Obras Literárias, Artísticas ou Científicas em Processos</p><p>Havendo a necessidade de se utilizar uma obra literária, artística ou científica como pro-</p><p>va em um processo judicial ou administrativo, não haverá incidência de direitos autorais.</p><p>Reprodução Lícita de Obras</p><p>Constitui conduta lícita a reprodução, em quaisquer obras:</p><p>• De pequenos trechos de obras preexistentes, de</p><p>qualquer natureza;</p><p>• De obra plástica integral.</p><p>• Para que isso ocorra, contudo, é necessário que a</p><p>reprodução em si não seja o objetivo principal da</p><p>obra nova, bem como que não haja prejuízo:</p><p>• Para a exploração normal da obra reproduzida;</p><p>• Para os legítimos interesses dos autores.</p><p>Observe o desenho ao lado, de Marilyn Monroe. Ele</p><p>foi realizado com base em uma fotografia dessa famosa</p><p>atriz, sendo que, nesse caso, estão sendo cumpridos os</p><p>requisitos exigidos pela LDA para a reprodução da obra.</p><p>Paráfrases e Paródias</p><p>Não há restrição para a realização de paráfrases e paródias, desde que elas:</p><p>• Não sejam verdadeiras reproduções da obra originária;</p><p>• Não impliquem descrédito da obra originária.</p><p>Figura 7 – Marilyn Monroe</p><p>Fonte: pixabay.com</p><p>Direitos Autorais</p><p>27</p><p>Nas paráfrases, o que se busca é dar uma diferente interpretação a um trecho de</p><p>texto ou frase, de forma a torná-lo mais inteligível, ou então, dar uma nova perspectiva</p><p>à ideia anteriormente posta por um autor. O importante é que nela sempre há a preser-</p><p>vação da ideia original.</p><p>Já a paródia busca realizar a imitação de outra obra com a finalidade de lhe dar um</p><p>sentido jocoso.</p><p>Representação de obras em logradouros públicos</p><p>Figura 8 – Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Uma obra colocada de forma permanente em um logradouro público (tal como praças, ave-</p><p>nidas etc.) pode ser livremente representada por meio de pinturas, desenhos,</p><p>fotografias</p><p>ou outros procedimentos audiovisuais.</p><p>Nesse caso, não é necessário qualquer tipo de autorização do autor ou do Poder Pú-</p><p>blico para que isso ocorra.</p><p>É o caso, por exemplo, de um comercial que utiliza como imagem de fundo o Mo-</p><p>numento às Bandeiras, de Victor Brecheret, que está situado em uma praça localizada</p><p>em uma importante Avenida da capital paulista.</p><p>Observe que situação diferente ocorre, por exemplo, em um comercial que mostra</p><p>uma escultura colocada no jardim de uma residência. Nesse caso, faz-se necessário bus-</p><p>car autorização do autor da obra para que ela seja utilizada nessa criação.</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>28</p><p>Negócios Jurídicos Envolvendo</p><p>Direitos Autorais</p><p>Os negócios jurídicos que envolvem os direitos patrimoniais do autor podem se dar</p><p>de diversas formas, conforme estabelece a LDA.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 49. Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente trans-</p><p>feridos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou</p><p>singular, pessoalmente ou por meio de representantes com poderes</p><p>especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão ou por outros</p><p>meios admitidos em Direito [...]</p><p>Inicialmente, precisamos destacar alguns detalhes:</p><p>• A transferência pode se dar por ato do próprio autor ou dos seus sucessores;</p><p>• Nesses negócios jurídicos, o autor ou seus sucessores podem ser representados por</p><p>quem tenha recebido poderes para tanto;</p><p>• A parte que nesses negócios recebe os direitos patrimoniais do autor pode ser uma</p><p>pessoa física ou jurídica;</p><p>• Esse negócio pode ser firmado por meio de Contratos não escritos; contudo, há</p><p>situações em que, obrigatoriamente, exige-se que o Contrato seja realizado na for-</p><p>ma escrita;</p><p>• As disposições do Contrato sempre devem ser interpretadas de forma restritiva. Assim,</p><p>não há presunções que aumentem os poderes de quem realizou o negócio com o autor.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 4º Interpretam-se restritivamente os negócios jurídicos sobre os</p><p>direitos autorais.</p><p>Muito embora a Lei apresente outras possibilidades, as formas mais comuns desse</p><p>tipo de negócio jurídico são o Licenciamento e a Cessão de Direitos.</p><p>Também precisamos conhecer detalhes do Contrato de Edição.</p><p>Um detalhe deve ser destacado: se uma obra foi realizada em coautoria, será necessá-</p><p>ria a autorização de cada um dos coautores para que haja o licenciamento ou a cessão.</p><p>Se houver impasse, a questão deve ser resolvida por maioria da vontade dos coautores.</p><p>Licenciamento de Direitos Autorais</p><p>O licenciamento de direitos autorais se dá quando o autor autoriza alguém a utilizar a</p><p>sua criação. É o que ocorre, por exemplo, quando um compositor autoriza um cantor a</p><p>efetuar a gravação de uma de suas criações.</p><p>Direitos Autorais</p><p>29</p><p>Esse licenciamento pode ter prazo de duração, sendo que ele não precisa ser, neces-</p><p>sariamente, realizado de forma onerosa. Dessa forma, o compositor poderá não receber</p><p>nada por isso.</p><p>Também não há exigência de que esse negócio jurídico se realize de forma escrita</p><p>(Contrato escrito); contudo, é sempre recomendável que isso ocorra.</p><p>Por fim, necessariamente, deve ocorrer interpretação restritiva do que foi pactuado</p><p>– em razão do disposto no Artigo 4º da LDA. Dessa forma, se o compositor licenciou a</p><p>colocação da música em um novo CD de um cantor, não havendo cláusula específica,</p><p>a composição não poderá fazer parte de um DVD ou ser exibida em um show.</p><p>Cessão de Direitos Autorais</p><p>A cessão de direitos autorais é um negócio jurídico mais complexo, pois transfere, tem-</p><p>porária ou permanentemente, os direitos autorais patrimoniais para outra pessoa.</p><p>Em razão dessas características, há uma série de disposições que devem ser sempre</p><p>respeitadas:</p><p>• Essa cessão de direitos sobre uma obra pode ser total ou parcial. Dessa forma, to-</p><p>dos os direitos patrimoniais ou somente alguns deles podem ser transferidos;</p><p>• É inválida qualquer cláusula que transfira, ainda que temporariamente, direitos</p><p>autorais morais;</p><p>• Se o negócio envolver a transmissão total e definitiva dos direitos autorais patrimo-</p><p>niais, obrigatoriamente, essa circunstância deve ser expressamente mencionada no</p><p>Contrato escrito;</p><p>• Salvo se houver expressa menção no contrato, a cessão de direitos autorais patri-</p><p>moniais é válida unicamente para o país em que se firmou o Contrato;</p><p>• A cessão somente é válida para modalidades de utilização existentes à época em</p><p>que o negócio foi firmado. Dessa forma, não é válida para formas que, no futuro,</p><p>forem inventadas;</p><p>• Se no contrato não houver especificações quanto à modalidade de utilização, o esti-</p><p>pulado deve ser interpretado restritivamente, entendendo-se como limitada apenas</p><p>a uma que seja aquela indispensável ao cumprimento da pactuação;</p><p>• Somente se admite a cessão gratuita se houver expressa indicação dessa forma no</p><p>contrato. A ausência de cláusula específica acarreta a presunção de que a cessão é</p><p>onerosa – ou seja, envolve o pagamento de valores.</p><p>Como vimos, obras de valor estético não precisam ser registradas; contudo, se esse</p><p>registro existir, a cessão de direitos deve ser averbada à sua margem, mas, se o registro</p><p>inexiste, o Contrato poderá ser registrado em qualquer cartório de títulos e documentos.</p><p>Cessão de Direitos sobre Obras Futuras</p><p>Muitas vezes, alguém é contratado por uma Empresa para realizar a criação de obras</p><p>de valor estético, ou seja, para realizar obras futuras, sendo que, em geral, os direitos</p><p>autorais patrimoniais são cedidos para o contratante ou para o empregador.</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>30</p><p>Para essas situações, deve ser aplicado o Artigo 51 da LDA.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 51. A cessão dos direitos de autor sobre obras futuras abrangerá,</p><p>no máximo, o período de cinco anos.</p><p>Parágrafo único. O prazo será reduzido a cinco anos sempre que indetermi-</p><p>nado ou superior, diminuindo-se, na devida proporção, o preço estipulado.</p><p>Considerando essa disposição, temos o seguinte:</p><p>• Esse Contrato de Cessão tem prazo de validade máximo de cinco anos, podendo</p><p>ter prazo menor;</p><p>• Se a relação continuar após esse prazo, é recomendável que haja renovação desse</p><p>contrato;</p><p>• Se o contrato estipular prazo superior a cinco anos ou tiver prazo indeterminado,</p><p>ele deverá ser ajustado para esse prazo máximo permitido, com o ajuste proporcio-</p><p>nal dos valores recebidos.</p><p>Licenciamento e Cessão de Direitos Autorais</p><p>sobre Obras Anônimas e Pseudônimas</p><p>Se a obra for anônima ou pseudônima, os direitos patrimoniais do autor são exer-</p><p>cidos por quem a editar. Isso inclui, por exemplo, autorizar a realização de edições em</p><p>outros países.</p><p>Contudo se, posteriormente, o autor se identificar como tal, ele assumirá esses direitos,</p><p>mas, deve respeitar os direitos transferidos a terceiros</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 40. Tratando-se de obra anônima ou pseudônima, caberá a quem</p><p>publicá-la o exercício dos direitos patrimoniais do autor.</p><p>Parágrafo único. O autor que se der a conhecer assumirá o exercício dos</p><p>direitos patrimoniais, ressalvados os direitos adquiridos por terceiros.</p><p>Edição</p><p>Por meio do Contrato de Edição, o editor se obriga a reproduzir e a divulgar a obra</p><p>literária, artística ou científica, ficando autorizado, em caráter de exclusividade, a realizar</p><p>a publicação e a exploração da obra pelo prazo e nas condições pactuadas com o autor.</p><p>Necessariamente, cada exemplar editado deve apresentar os seguintes elementos de</p><p>identificação:</p><p>• O título da obra e seu autor;</p><p>• No caso de tradução, o título original e o nome do tradutor;</p><p>• O ano de publicação;</p><p>• O nome do editor ou marca que o identifica.</p><p>Direitos Autorais</p><p>31</p><p>Objeto do Contrato de Edição</p><p>O Contrato de Edição pode ter por objeto:</p><p>• Uma obra já pronta e acabada;</p><p>• Uma obra que já se iniciou, mas não foi finalizada;</p><p>• Uma obra que ainda não se iniciou.</p><p>Particularmente, nos casos de obras ainda não iniciadas, deve haver, ao menos, indi-</p><p>cações sobre alguns de seus elementos caracterizadores, para que o contrato seja mais</p><p>específico em relação ao seu objeto.</p><p>Seja como</p><p>for, se a obra não estiver finalizada quando do contrato, o autor se obriga</p><p>à sua feitura e o editor se empenha para que haja a publicação e a divulgação.</p><p>Falecimento de autor com obra inacabada</p><p>Nos casos em que a obra não está encerrada quando da realização do Contrato, pode</p><p>ocorrer que, antes da sua conclusão, ocorra o falecimento ou qualquer impedimento do</p><p>autor para finalizá-la – tal como no caso, por exemplo, de uma grave doença que impe-</p><p>ça, de forma definitiva, a continuidade do trabalho.</p><p>Nessas situações, o editor pode:</p><p>• Considerar encerrado o Contrato, mesmo que tenha sido entregue parte conside-</p><p>rável da obra;</p><p>• Se as características da obra permitirem, editar a parte concluída dela, mediante</p><p>pagamento ao autor ou seus sucessores do valor proporcional contratado;</p><p>• Mandar que outro a termine, desde que os sucessores consintam e que haja previ-</p><p>são no Contrato.</p><p>• É, contudo, vedado que a publicação ocorra de forma parcial, se:</p><p>• O autor manifestou a vontade de só publicar a obra por inteiro;</p><p>• Os sucessores não autorizarem a publicação parcial.</p><p>Quantidade de Exemplares e Retribuição do Autor</p><p>O Contrato deve estabelecer a quantidade de exemplares que serão confeccionados em</p><p>cada edição da obra, sendo que, havendo a omissão desse item, considera-se que a edição</p><p>possui três mil exemplares.</p><p>Sobre o valor da retribuição a que tem direito o autor, há várias possibilidades de</p><p>pactuação, podendo ser destacadas as seguintes:</p><p>• Não havendo a perspectiva de que a obra traga razoável e viável retorno em decor-</p><p>rência da venda dos exemplares, o Contrato poderá estipular que não haverá a retri-</p><p>buição ao autor, sendo também possível que se estabeleça que ele deverá contribuir</p><p>para cobrir os custos de edição;</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>32</p><p>• O autor poderá destinar os seus ganhos com a obra para pessoa certa ou entidade</p><p>que estipular no Contrato;</p><p>• Não estando a obra encerrada, é possível que o Contrato estipule formas de adianta-</p><p>mento dos valores devidos ao autor;</p><p>• O valor globalmente recebido pelo autor pode levar em consideração a quantida-</p><p>de de exemplares vendidos.</p><p>Se não houver estipulação da retribuição ao autor no Contrato, estabeleceu a Lei que:</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 57. O preço da retribuição será arbitrado, com base nos usos e</p><p>costumes, sempre que no contrato não a tiver estipulado expressa-</p><p>mente o autor.</p><p>Muito embora não haja previsão expressa no Contrato, é assegurado pela Lei de</p><p>Direitos Autorais o direito do autor de:</p><p>• Realizar o exame da escrituração do editor em relação aos elementos relacionados</p><p>à sua obra;</p><p>• Ser informado do estado de sua edição.</p><p>Se o Contrato estipular que a retribuição devida pelo editor ao autor tem como um de</p><p>seus elementos de cálculo valor vinculado à venda da obra, o editor deve prestar contas</p><p>mensalmente. Há, contudo, a possibilidade de que essa periodicidade seja pactuada de</p><p>forma diferente no Contrato.</p><p>Cabe ao editor a fixação do preço de venda dos exemplares; contudo, ele não pode</p><p>estabelecê-lo em patamar que causa claros embaraços à circulação da obra.</p><p>Entrega de Originais</p><p>Se a entrega dos originais pelo autor se realizar após a realização do Contrato, pode ocor-</p><p>rer que eles sejam recusados pelo editor, pois se encontram em desacordo com o pactuado</p><p>– é o que ocorre, por exemplo, se foi estipulado que a obra deveria abranger a análise de três</p><p>assuntos, mas somente dois deles foram objeto do trabalho.</p><p>Nessa situação, o editor deve realizar a recusa no prazo de trinta dias; caso contrário,</p><p>considera-se que houve a sua aceitação.</p><p>Realização da Edição</p><p>O Contrato pode estipular um prazo para que a edição seja realizada, sendo que, na</p><p>ausência de previsão específica, deve prevalecer o prazo fixado na Lei.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 62. A obra deverá ser editada em dois anos da celebração do</p><p>contrato, salvo prazo diverso estipulado em convenção.</p><p>[...]</p><p>Direitos Autorais</p><p>33</p><p>Se esses prazos não forem respeitados pelo editor, o Contrato é rescindido, sendo</p><p>que ele deverá responder pelos danos causados.</p><p>Há, contudo, a possibilidade de as partes concordarem com sua prorrogação, situação</p><p>em que deve ser aditado o Contrato, se ainda em vigor, ou realizada nova pactuação, se o</p><p>Contrato estiver encerrado.</p><p>O Contrato pode estabelecer que o editor terá o direito de realizar uma determinada</p><p>quantidade de edições da obra, situação em que o autor deverá respeitar a exclusividade</p><p>que decorre dessa espécie de pactuação; contudo, encerrada a quantidade contratada:</p><p>Pode ser realizada nova contratação – com consequente novo direito de exclusividade;</p><p>Pode o autor realizar Contrato com outro editor, situação em que se estabelece, em</p><p>favor deste último, o direito de exclusividade em relação às novas edições da obra.</p><p>Mas quando se considera que uma edição foi finalizada?</p><p>A resposta a essa questão é dada pelo seguinte dispositivo da Lei:</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 63 [...]</p><p>§ 2º Considera-se esgotada a edição quando restarem em estoque, em</p><p>poder do editor, exemplares em número inferior a dez por cento do</p><p>total da edição.</p><p>Considerando esses elementos, vamos supor que um determinado autor pactuou com</p><p>um editor a realização de três edições de um livro e que cada uma delas deveria ter</p><p>3.000 exemplares, sendo que:</p><p>• A primeira edição ocorreu no mesmo ano da contratação;</p><p>• A segunda edição ocorreu no ano seguinte;</p><p>• Dois anos após a segunda edição, foi realizada a terceira edição, sendo que desta</p><p>há ainda 200 exemplares que não foram vendidos.</p><p>Nesse caso, como restam menos de 10% da quantidade da última edição, poderá o au-</p><p>tor, se desejar, realizar nova contratação de edições posteriores, com o mesmo ou outro</p><p>editor. Deve-se observar que nesta situação inexiste direito de exclusividade do editor em</p><p>relação às posteriores edições da obra, salvo se ele realizar novo contrato com o autor.</p><p>Se, fora dessas situações, for realizada a circulação da obra enquanto estiver vigente</p><p>o Contrato de Edição, o editor pode exigir que sejam recolhidos os exemplares irregu-</p><p>larmente colocados no Mercado.</p><p>Pode ocorrer que, esgotada uma edição e tendo o editor direito de realizar outras,</p><p>este não demonstre interesse em dar prosseguimento com esse trabalho. Neste caso, o</p><p>autor poderá notificar o editor para que realize nova edição em prazo certo.</p><p>• Se este não a realizar:</p><p>• Perderá o direito de realizar futuramente nova edição;</p><p>• Responderá por eventuais danos causados ao autor.</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>34</p><p>Edições com Atualizações da Obra</p><p>A cada nova edição, o autor tem o direito de fazer as emendas e as alterações que</p><p>achar necessárias.</p><p>Por outro lado, o editor pode se opor à realização de alterações:</p><p>• Que sejam contrárias ao seu interesse;</p><p>• Que ofendam a sua reputação; ou</p><p>• Que causarem um aumento de sua responsabilidade.</p><p>Em relação à necessidade de atualização da obra, o editor pode considerar que essa</p><p>tarefa é imprescindível para que ocorra uma próxima edição.</p><p>Se isso ficar caracterizado:</p><p>• Caberá ao autor realizá-la;</p><p>• Se o autor se negar a realizar essa tarefa, o editor pode encarregar outra pessoa de</p><p>fazê-la, sendo essa situação mencionada na nova edição.</p><p>Utilização da Obra Fotográfica</p><p>O autor de uma obra fotográfica de valor estético tem direito a reproduzi-la (quantas</p><p>vezes desejar) e colocar os exemplares à venda, sem prejuízo de seus direitos de autor</p><p>sobre a sua obra.</p><p>Sempre que a fotografia for utilizada por quem não é o seu autor, deverá haver a</p><p>indicação do nome do seu autor.</p><p>A LDA estipula a vedação a qualquer forma de reprodução de obra fotográfica que</p><p>não esteja em absoluta consonância com o original; contudo, essa regra pode ser exce-</p><p>tuada se houver prévia autorização do autor.</p><p>Utilização de Fonograma</p><p>O Artigo 80 da LDA apresenta uma série de informações que devem estar presentes</p><p>em cada exemplar da reprodução de um fonograma.</p><p>Lei de Direito Autorais</p><p>Art. 80. Ao publicar o fonograma, o produtor mencionará em cada</p><p>exemplar:</p><p>I</p><p>- o título da obra incluída e seu autor;</p><p>II - o nome ou pseudônimo do intérprete;</p><p>III - o ano de publicação;</p><p>IV - o seu nome ou marca que o identifique.</p><p>Direitos Autorais</p><p>35</p><p>Utilização da Obra Audiovisual</p><p>Salvo se houver específica disposição em Contrato, a autorização do autor e do</p><p>intérprete de obra literária, artística ou científica para produção audiovisual implica o</p><p>consentimento para sua utilização econômica.</p><p>É o caso, por exemplo, do autor de um livro que autoriza a sua transformação em um</p><p>filme – essa autorização, salvo se houver cláusula contratual em contrário, permite que</p><p>ele seja exibido em circuito comercial.</p><p>A LDA estipula, no § 2º de seu Artigo 81, os elementos que devem estar presentes</p><p>em cada cópia:</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 81</p><p>§ 2º Em cada cópia da obra audiovisual, mencionará o produtor:</p><p>I - o título da obra audiovisual;</p><p>II - os nomes ou pseudônimos do diretor e dos demais co-autores;</p><p>III - o título da obra adaptada e seu autor, se for o caso;</p><p>IV - os artistas intérpretes;</p><p>V - o ano de publicação;</p><p>VI - o seu nome ou marca que o identifique.</p><p>VII - o nome dos dubladores.</p><p>O Contrato de Produção de Audiovisual deve especificar:</p><p>• A remuneração devida pelo produtor aos coautores da obra e aos artistas intérpre-</p><p>tes e executantes, bem como o tempo, o lugar e a forma de pagamento;</p><p>• O prazo de conclusão da obra;</p><p>• A responsabilidade do produtor para com os coautores, artistas intérpretes ou exe-</p><p>cutantes, no caso de coprodução.</p><p>É comum que, nesse tipo de Contrato, parte da remuneração devida aos coautores da</p><p>obra dependa dos rendimentos decorrentes de sua utilização econômica. Nesse caso, o</p><p>produtor deverá prestar contas semestralmente em relação a esses rendimentos; contudo,</p><p>o contrato pode firmar periodicidade diferente para a tomada dessas contas.</p><p>Nas produções audiovisuais, há uma importante particularidade em relação à execução</p><p>das composições que fazem parte de sua trilha sonora, pois os direitos autorais relativos a</p><p>elas devem ser pagos:</p><p>• Pelos responsáveis dos locais ou estabelecimentos nos quais ocorrer a exibição</p><p>pública;</p><p>• Pelas Emissoras de Televisão que transmitirem essas obras.</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>36</p><p>Comunicação ao Público</p><p>As representações e execuções públicas de obras teatrais, audiovisuais, composições</p><p>musicais ou lítero-musicais (aquelas que possuem letra e música) e fonogramas somente</p><p>podem ocorrer se houver a prévia e expressa autorização do autor ou daquele que detém</p><p>os direitos patrimoniais sobre ela, sendo que, em geral, essa autorização ocorre com o pa-</p><p>gamento de valores aos detentores de direitos patrimoniais sobre essas obras.</p><p>Essas formas de comunicação ao público, ou seja, as representações públicas e as</p><p>execuções públicas, possuem conceituação dada pela Lei.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 68 [...]</p><p>§ 1º Considera-se representação pública a utilização de obras teatrais</p><p>no gênero drama, tragédia, comédia, ópera, opereta, balé, pantomi-</p><p>mas e assemelhadas, musicadas ou não, mediante a participação de</p><p>artistas, remunerados ou não, em locais de frequência coletiva ou pela</p><p>radiodifusão, transmissão e exibição cinematográfica.</p><p>§ 2º Considera-se execução pública a utilização de composições mu-</p><p>sicais ou lítero-musicais, mediante a participação de artistas, remu-</p><p>nerados ou não, ou a utilização de fonogramas e obras audiovisuais,</p><p>em locais de frequência coletiva, por quaisquer processos, inclusive</p><p>a radiodifusão ou transmissão por qualquer modalidade, e a exibição</p><p>cinematográfica.</p><p>[...]</p><p>Se observarmos essas duas definições, vamos observar alguns elementos destacados:</p><p>A execução pública se refere a composições musicais ou lítero-musicais, ao vivo ou</p><p>alguma forma de reprodução ou transmissão de som ou de som e imagem;</p><p>Já as representações públicas se referem a obras teatrais, de dança etc., também ao</p><p>vivo, reproduzidas ou com transmissão de som e imagem;</p><p>Para receber essa conceituação, essas formas de comunicação devem ocorrer nos</p><p>chamados locais de frequência coletiva.</p><p>Dessa forma, para a perfeita compreensão do assunto, faz-se necessário conhecer</p><p>o conceito, extremamente detalhado, que é dado pela Lei para os chamados locais de</p><p>frequência coletiva.</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>Art. 68 [...]</p><p>§ 3º Consideram-se locais de frequência coletiva os teatros, cinemas,</p><p>salões de baile ou concertos, boates, bares, clubes ou associações de</p><p>qualquer natureza, lojas, estabelecimentos comerciais e industriais, es-</p><p>tádios, circos, feiras, restaurantes, hotéis, motéis, clínicas, hospitais,</p><p>órgãos públicos da administração direta ou indireta, fundacionais e</p><p>Direitos Autorais</p><p>37</p><p>estatais, meios de transporte de passageiros terrestre, marítimo, fluvial</p><p>ou aéreo, ou onde quer que se representem, executem ou transmitam</p><p>obras literárias, artísticas ou científicas.</p><p>Se realizarmos a junção desses conceitos, vamos chegar a uma série de constatações</p><p>sobre a aplicabilidade das normas sobre a comunicação ao público.</p><p>As formas de comunicação ao público, mencionadas pela LDA, abrangem muitas situações</p><p>que, em geral, são desconhecidas pelas pessoas em geral.</p><p>Assim, para que haja correta utilização de obras de caráter estético em locais de frequência</p><p>coletiva, é necessário que:</p><p>Haja prévia autorização do autor ou daquele que detém os direitos patrimoniais sobre ela;</p><p>Essas formas de comunicação pública de obras representam uma destacada fonte de re-</p><p>muneração pela criação, razão pela qual essas autorizações são, normalmente, realizadas</p><p>mediante pagamento por esse uso.</p><p>Quando você adquire músicas ou filmes gravados em qualquer tipo de suporte (por exem-</p><p>plo, DVD ou CD), há uma observação da Empresa produtora no seguinte sentido – que o</p><p>produto adquirido se destina exclusivamente à exibição privada, sendo vedada qualquer</p><p>outra forma de exibição ou comunicação pública.</p><p>Isso se deve ao fato de que esses produtos vendidos para o público em geral, não devem ser</p><p>utilizados em locais de frequência pública ou ser, de qualquer forma, exibidos, transmiti-</p><p>dos ou reproduzidos para pessoas que não sejam as adquirentes da cópia.</p><p>Portanto, aquele que o exibe em um local de frequência coletiva está desrespeitando os</p><p>direitos autorais.</p><p>Para realizar a fiscalização e verificar se a cobrança desses direitos autorais patrimo-</p><p>niais está sendo observada, os autores e os titulares desses direitos podem criar associa-</p><p>ções, sempre com o objetivo de facilitar esse árduo trabalho.</p><p>Escritório Central de Arrecadação</p><p>e Distribuição – ECAD</p><p>No caso de composições musicais e lítero-musicais, a fiscalização e a cobrança dos</p><p>direitos do autor e dos direitos conexos sobre essas obras são realizadas pelo ECAD –</p><p>Escritório Central de Arrecadação e Distribuição.</p><p>Trata-se de uma associação privada, composta por Associações de Gestão Coletiva mu-</p><p>sical, que representam os detentores desses direitos, sendo que sua criação e seu amparo</p><p>jurídico para seu trabalho se dá, em especial, pelo disposto no Artigo 99 da LDA.</p><p>A relação das associações pode ser vista no site - https://goo.gl/Q3Gc69</p><p>Direitos Autorais</p><p>UNIDADE</p><p>1</p><p>38</p><p>Lei de Direito Autorais</p><p>Art. 99. A arrecadação e distribuição dos direitos relativos à execução</p><p>pública de obras musicais e lítero-musicais e de fonogramas será feita</p><p>por meio das associações de gestão coletiva criadas para este fim por</p><p>seus titulares, as quais deverão unificar a cobrança em um único escri-</p><p>tório central para arrecadação e distribuição [...]</p><p>Atualmente, o ECAD é formado por sete associações que representam autores e</p><p>titulares de obras musicais e fonogramas.</p><p>Cada uma dessas Associações é composta por setores específicos. Assim, há associa-</p><p>ções de compositores, de artistas executores (músicos), de artistas intérpretes (cantores),</p><p>de produtores musicais etc. Nelas, cada um dos detentores de direitos realiza o cadastro</p><p>das obras que criou ou participou ou tem titularidade, sendo que esses elementos são a</p><p>base da fiscalização e da cobrança dos valores que serão arrecadados</p>