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DIREITO CONSTITUCIONAL II ORGANIZAÇÃO DOS PODERES A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado, quais sejam: ■ soberania; ■ finalidade; ■ povo; ■ território. FORMA DE GOVERNO, SISTEMA DE GOVERNO E FORMA DE ESTADO ■ forma de governo: República ou Monarquia; ■ sistema de governo: presidencialismo ou parlamentarismo; ■ Forma de Estado é o modo de exercício do poder político em função do território, sendo ele, Estado unitário ou Federação. Se existe unidade de poder sobre o território, pessoas e bens, tem-se Estado unitário.Se, ao contrário, o poder se reparte, se divide, é denominado Estado federal ou Federação de Estados”. O Brasil adotou a forma republicana de governo, o sistema presidencialista de governo e a forma federativa de Estado. CARACTERÍSTICAS DA FEDERAÇÃO NO BRASIL República Federativa do Brasil (art. 1.º, I, da CF/88). Conforme alertamos no item 4.7, dentro do conceito de supranacionalidade, hoje se fala em flexibilização da ideia clássica de soberania; - intervenção: diante de situações de crise, o processo interventivo surge como instrumento para assegurar o equilíbrio federativo e, assim, a manutenção da Federação; - auto-organização dos Estados-Membros: através da elaboração das Constituições Estaduais (vide art. 25 da CF/88); - órgão representativo dos Estados-Membros: no Brasil, de acordo com o art. 46, a representação dá-se através do Senado Federal; - guardião da Constituição: no Brasil, o STF; - repartição de receitas: assegura o equilíbrio entre os entes federativos (arts. 157 a 159). Fundamentos da República Federativa do Brasil O art. 1.º enumera, como fundamentos da República Federativa do Brasil: ■ soberania — fundamento da República Federativa do Brasil e não da União, enquanto ente federativo. A soberania é do conjunto formado pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios; ■ cidadania; ■ dignidade da pessoa humana; ■ valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa; ■ pluralismo político. Os objetivos fundamentais: ■ construir uma sociedade livre, justa e solidária; ■ garantir o desenvolvimento nacional; ■ erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; ■ promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Princípios que regem a República Federativa do Brasil nas relações internacionais ■ independência nacional; ■ prevalência dos direitos humanos; ■ autodeterminação dos povos; ■ não intervenção; ■ igualdade entre os Estados; ■ defesa da paz; ■ solução pacífica dos conflitos; ■ repúdio ao terrorismo e ao racismo; ■ cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; ■ concessão de asilo político. ORGANIZAÇÃO DO ESTADO: Elemento básico da constituição. Formas de estados: · Unitário · Federal - brasileiro · Confederação Entender a organização do estado é voltar para a famosa formas de governos. ex: sistema presidencialista, monarquia, república… Ainda entre as formas de estado existe o unitário, a confederação e o regime federalista. Isso serve para entender o estado sob a vigência da constituição de 1988. A partir da organização do estado que vamos entender o sistema de organização. Quando falamos de organização de estado falamos da centralização e descentralização do poder político. Existe a confederação que são diversos estados soberanos unidos. Quando tratamos de organização de estado, precisamos saber como esse estado funcionará, politicamente e administrativamente. O estado brasileiro, é caracterizado como estado federal, que funcionará através dos princípios da constituição. - Art. 1 está dizendo que somos uma república federativa, aonde existirá um agente que comanda, no caso, o presidente, no qual se torna responsável pelos seus atos, diferente da monarquia aonde o monarca é irresponsável pelos seus atos. O estado federal tem algumas marcas importantes: · o pacto federativo onde ocorre uma união indissolúvel, no qual não pode ocorrer o desmembramento. · Sua marca registrada é caracterizada pela descentralização do poder político, no qual significa que existe mais de uma pessoa jurídica que terá aptidão para autoadministrar, autogovernar e autolegislar. Ou seja, formação de entidades autônomas e mais de uma pessoa jurídica de direito público interno. Cada ente desse terá AUTONOMIA, mas não terá SOBERANIA. Isso significa que os entes soberanos vão agir autônomo, PORÉM, de acordo com a constituição. ESTADOS AUTÔNOMOS MAS NUNCA SOBERANOS. IMPORTANTE: O estado federal é a chamada pluralidade na unidade, isso porque temos um estado federal mas dentro deles há múltiplas pessoas jurídicas lá dentro, em que cada uma poderá influenciar na unidade, ou seja, na vontade geral. Quem representa esses entes são os SENADORES. Características gerais de um ente federativo: · Descentralização do poder político · Presença de mais de uma pessoa jurídica · Autonomia política · Exigência de uma constituição formal e escrita, ou seja, irá regular a autonomia dos entes · Exigência de um tribunal constitucional e do controle de constitucionalidade · O pacto federativo é indissolúvel · É vedada a secessão (desmembramento), caso algum estado queira se separar vão existir 3 instrumentos para restaurar o pacto, (EXCEÇÕES) são eles: a intervenção, o estado de defesa e o estado de sítio. · Participação das vontades parciais na manifestação da vontade geral. Quem irá controlar a interpretação da constituição é o supremo tribunal federal, é o controle de constitucionalidade é uma atividade de fiscalização da validade de leis e atos normativos da constituição. OBS: No estado unitário existe a centralização do poder aonde somente um comanda. E a confederação existe os estados soberanos. Portanto, o FEDERAL difere desses dois por foca da descentralização, que existem poderes que dividem, união(interesses nacionais, nesse caso representando os interesses da soberania, isso não significa que ela é soberana, portanto, pela regra da constituição, ainda sim são unidades autônomas), estado, município( interesses locais), Distrito Federal( interesses do distrito). Classificação do estado federal O Brasil é por segregação, centrífugo, cooperativo, · Quanto a formação: Dois tipos de estado federal, por agregação e por segregação. Agregação”de dentro pra fora” ( entidades autônomas que se reúnem formando um ente federativo) E por segregação “de dentro pra fora” ( existiam o unitário e depois houve a descentralização formando as entidades federativas) · Quanto a concentração do poder: Pode ser de dois tipos, o centrípeto ( de fora pra dentro) ou o centrífugo( de dentro pra fora). · Quanto à repartição de competências, existem o Dual e o Cooperativo. No sistema Dual, cada ente federativo tem sua atribuição e um ente federativo não pode intervir na atribuição do outro. O sistema cooperativo, por mais que seja cooperativo não irá ser eliminado o sistema dual, no sistema cooperativo existem competências que serão comuns a todos os entes federativos, por exemplo: zelar pela guarda da constituição, será competência de todos e ao somente da união. No caso, a cooperativa complementa a dual. · Quanto ao equacionamento das desigualdades: Podendo ser simétrico ou assimétrico. A forma simétrica quer dizer que os entes federativos recebem as mesmas atribuições, ou seja, são iguais. A forma assimétrica, significa que para diminuir as desigualdades sociais um ente vai receber mais atribuições do que outro, isso por exemplo é a repartição de receitas. Sistema brasileiro ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA ART. 18 DA CF/88 Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. VEDAÇÕES DO ART. 19 O art 19 esta caracterizado em direitos fundamentais. Sendo uma forma de integração e obediência aos direitos fundamentais. Atitudes que os entes não podem ter: Art. 19. É vedadoà União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II - Recusar fé aos documentos públicos III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si. (BRASIL, 1988). SISTEMA DE REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS Existem 2. A vertical e a horizontal. Na horizontal cada ente federativo terá sua competência exclusiva estabelecida pela constituição onde um não pode violar a do outro. A vertical é quando há uma participação cooperativa de um ente com outro. Existem também as chamadas competências: Materiais e legislativas. As competências materiais são quando os entes podem agir de acordo com o que é estabelecido na constituição, como também irão legislar sobre aquilo que a competência disser, eles têm autonomia, porém precisam de um equilíbrio e quem dará esse equilíbrio é a constituição. Exclusivas: são só é somente daqueles entes federativos Privativas: na competência privativa existe permissão de delegação de questões específicas mediante lei complementar, ou seja transferência de matéria. Nesse caso, o privativo não é sinônimo de exclusivo. Ex: art 22. Como a constituição brasileira repartiu essas competências? Segue-se duas lógicas. 1. A repartição de competências segue o princípio da predominância dos interesses. União: interesses nacionais, estado: estaduais, municípios: locais e Distrito Federal: distrito. 2. A constituição estabeleceu a seguinte lógica, ela enumerou as competências municipais e o que não for da união e do município, será dos outros, a chamada competência residual ou competência remanescente. Ou seja, regula-se a união, indica para os municípios e o que sobrar, fica para o estado. OBS: A União é governada pela constituição federal, o estado pela confederação estadual e os municípios e distrito pela lei orgânica. A lei orgânica obedece a c.e que obedece a constituição federal. ESTUDO DOS ENTES FEDERATIVOS 1- União ( arts. 20-24, cf/88 ) Demandas que envolvem a união serão pela justiça federal. · Considerações: POSIÇÃO DA UNIÃO A união é uma pessoa jurídica de interesse interno, representando a república federativa do Brasil. E irá tratar de interesses de soberania, responsável pelo comando do governo central e pelo exercício de competências que lhe foram enumeradas pela constituição, para assuntos de interesses nacionais. A união não é soberana, ela é autônoma, tratar de interesses soberania não confere a ela soberania, apenas que ela tratará do todo, portanto, a União não se confunde com a república federativa do Brasil. Ex: sistema monetário, correio, assuntos bélicos, Ministros… · Competência material exclusiva: Art. 21. Compete à união: Note-se que as matérias dispostas no art. 21 envolvem temas de repercussão internacional e relacionados às atividades administrativas, econômicas, financeiras e sociais, de interesse nacional. I - manter relações com estados estrangeiros e participar de organizações internacionais. II- Declarar a guerra e celebrar a paz III- Assegurar a defesa nacional IV- permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente. V- Decretar estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal. VI- Autorizar e fiscalizar a proteção e o comércio de materiais bélicos. VII- Administrar as reservas cambiais do país e fiscalizar as operações de natureza financeira, especialmente crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguro de previdência privada. VIII- Emitir moedas. IX- elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social. X - Manter o serviço postal e o correio nacional. […] · Competência material comum: Art. 23:trata da competência material conjunta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Cabe lembrar que as matérias incluídas nessa competência podem ser tratadas paralelamente por todas as entidades de federação, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem estar em âmbito nacional. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio público; II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência; (Vide ADPF 672) III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural; V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência; (Revogado) V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII - preservar as florestas, a fauna e a flora; VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar; IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico; (Vide ADPF 672) X - combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos; XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios; XII - estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito. Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) · Competência legislativa privativa: Art. 20. Compete privativamente à união legislar sobre: I- Direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho. II- Desapropriação III- Requisições civis e militares, em caso de iminente perigo em tempo de guerra. IV- água, energia, informática, telecomunicações e radiofundas. V- Serviço postal. VI- Sistema monetário e de medidas… […] · Competência legislativa concorrente. (Vertical) Envolve os Estados e o Distrito Federal, atuando conjuntamente sobre determinadas matérias, porém em níveis diferentes. Art. 24 Tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico. Produção e consumo, educação, criação dos juizados especiais, procedimentos de matérias processuais, proteção e defesa da saúde, proteção e integração das pessoas deficientes, proteção à infância e juventude. […] No âmbito de integração concorrente a competência da união limitar-se-á a estabelecer normas gerais, portanto se não estiver normas gerais, o estado exercerá a competência legislativa plena para exercer suas necessidades, com elas, deve seguir as normas. Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; (Vide Lei nº 13.874, de 2019) II - orçamento; III - juntas comerciais; IV - custas dos serviços forenses; V - produção e consumo; VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; IX - educação, cultura, ensino e desporto; (Revogado) IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência,tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas; XI - procedimentos em matéria processual; XII - previdência social, proteção e defesa da saúde; (Vide ADPF 672) XIII - assistência jurídica e Defensoria pública; XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência; XV - proteção à infância e à juventude; XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis. § 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. (Vide Lei nº 13.874, de 2019) § 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. (Vide Lei nº 13.874, de 2019) § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. (Vide Lei nº 13.874, de 2019) § 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. (Vide Lei nº 13.874, de 2019) · SEDE DA UNIÃO Brasília, sede do governo da união. Capital federal, que sedia o governo da União, os poderes da república e as representações diplomáticas de outros países e de onde partem as principais decisões que definem os destinos da nação. Vale salientar que o Distrito Federal não é a capital do País, e sim, somente Brasília que ocupa parte de seu território sendo também, sede do governo da repúblicas e sede do governo do Distrito Federal. · BENS DA UNIÃO: Art. 20. São bens da União: I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos; II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei; III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banham mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais; IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as áreas referidas no art. 26, II; (Revogado) IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 46, de 2005) V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; VI - o mar territorial; VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; VIII - os potenciais de energia hidráulica; IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo; X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. § 1º É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração. (Revogado) § 1º É assegurada, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 102, de 2019) (Produção de efeito) § 2º A faixa de até cento e cinqüenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei. 2- Estados (25-28) · CONSIDERAÇÕES: Os estados federados são as organizações políticas típicas da Federação pois sem eles não há verdadeira federação, aliás, a federação surgiu historicamente a partir da união dos Estados. · Estados federados Aqueles que são partes autônomas ou frações políticas que compõem o Estado Federado, esse, representa o todo, sendo o resultado da união dos Estados. · Posição Pessoas jurídicas de direito público interno com autonomia política e capacidade de auto-organização e autolegislação, de autogoverno e autoadministração, responsáveis pela condução dos governos regionais e pelo exercício das competências para tratar de assuntos de predominantemente interesses regionais. Portanto, em decorrência da sua capacidade de auto governação e autolegislação, os estados unem-se e regem-se pelas leis e constituições que adotaram observando os princípios da CF, em relação ao autogoverno elegem seus governadores e deputados e organizam a sua justiça e pela auto administração, cabem aos estados sua própria organização administrativa e de seus serviços públicos e servidores. · Competências Competência material exclusiva Compreende todas as matérias que não foram enumeradas para a União no art. 21, nem que sejam relacionadas a assuntos de interesses locais (interesse dos municípios), ou seja, tudo que não for de competência da União nem dos Municípios. A constituição atribuiu diretamente e de forma expressa uma competência exclusiva do estado, sendo ela explorar diretamente ou mediante concessão, os serviços locais de gás centralizado, na forma de lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação. Competência material comum Aquela do art. 23, em que os Estados poderão exercer ao lado da União e dos municípios. Competência Legislativa exclusiva Cabe a exclusão do mesmo jeito que a material exclusiva. Aqui também a constituição atribuiu aos estados as competências legislativas privativas. Sendo elas: art. 25 “Mediante a lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, que são blocos ou unidades administrativas de atuação, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para o fim de integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas comum.” e no art. 18 a Constituição atribuiu aos Estados para criar Municípios, nos termos all indicados. Competência legislativa concorrente Art. 24, exerce conjunto a união. · Bens Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União; II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros; III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União. 3- Municípios · CONSIDERAÇÕES De fato, é inegável a ampla autonomia que a atual carta magna concedeu aos municípios. Constitui parte da Federação. A autonomia municipal encontra-se garantida nos art. 29 e 30 da constituição federal. No art. 30, inciso I, afirma que compete ao município legislar sobre todos os assuntos de interesse local ( todos aqueles que o próprio município, por meio de sua própria lei, vier a entender de seu interesse. Resumindo, aqueles interesses que se encontram intimamente ligados à vida local de cada município.) · Municípios nas constituições anteriores É preciso ressaltar que nem sempre o município goza de autonomia necessária para poder ser considerado como ente integrante do pacto federativo. O município na constituição do império Nesse período, adotava-se uma forma de Estado Unitário, portanto o município nãoera uma entidade política autônoma. (1824). O estado era dividido em províncias e subdivididas em cidades e vilas. O Município na constituição de 1981 A constituição de 1981 foi a primeira a adotar a forma federativa do Estado, transformando as antigas províncias em estados federados.Ainda nessa fase, os municípios não desfrutavam de autonomia,com a reforma de 1926, a autonomia dos municípios ganhou força, porém com limitação à plenitude da autonomia dos estados. O Município na constituição de 1934 Nessa fase, a constituição assegurou a autonomia dos municípios, conferindo ao município o status de ente federado, e conferiu-lhes a competência para eleger seus prefeitos e vereadores, instituir seus impostos e taxas, arrecadar e aplicar as suas rendas e organizar os serviços de sua competência. O município na constituição de 1937 Nessa fase, houve um retrocesso e os municípios sofreram um golpe na sua autonomia, não podendo mais eleger seus governadores, passando a ser através da nomeação dos governadores do Estado. O Município na Constituição de 1946 Marcou o início da redemocratização dos estados, devolveu a autonomia dos municípios e ampliou a competência municipal de instituir impostos. O Município na Constituição de 1967 Limitou em certos aspectos a autonomia dos municípios, centralizou alguns temas referente aos municípios para o estado, tirando a sua autonomia suficiente para resolver seus próprios problemas. · Competências dos municípios na Constituição de 1988 .Competência legislativa A CF concedeu aos municípios a competência legislativa exclusiva ( Consiste na capacidade para legislar assuntos de interesse local, ou seja, interesse predominante do município) e suplementar (Consiste na capacidade de poder complementar a legislação federal e estadual no que couber). Competência material A CF confere uma competência exclusiva (aquela que consiste em tudo direta e imediatamente ao município) e comum( é aquela partilha com a União, Estados e Distrito Federal, em razão de certas matérias que são de interesse igual para todas as entidades federadas, ex: zelar pela guarda da constituição, , cuidar da saúde e assistência pública, proteger os documentos e obras históricas…). 4- DISTRITO FEDERAL · POSIÇÃO É pessoa jurídica de direito público interno com autonomia política, integrante da Federação Brasileira (Ao lado da União, dos Estados e dos Municípios), especialmente prevista pela constituição para sediar a capital do País e os poderes da república, à semelhança do que ocorre nos EUA e no México. É entidade da federação com capacidade de auto organização, autogoverno, autolegislação e autoadministração. Não se confunde com os Estados nem com os Municípios. Concentra as competências dos Estados e municípios. Contudo, não dispõem de competência material nem legislativa, pois estas submetem-se à União. 5- TERRITÓRIOS FEDERAIS (32-33) · NATUREZA: Não são entidades federadas, não gozam de autonomia política e por isso não compõem a federação, porém, integram a união. Em razão de integrarem a união, são dotados de organização administrativa e jurídica que lhes atribui a própria união, ostentando assim, a natureza de autarquias administrativas territoriais da união. Atualmente não há territórios federais, porém eles podem ser criados pela união, por meio de lei complementar. · ORGANIZAÇÃO São dirigidos por um Governador nomeado pelo Presidente da República após aprovação do senado, o qual não tem mandato fixo. Quando criados, será a lei que disporá da organização administrativa e judiciária dos territórios, que poderão ser divididos em Municípios. Observação geral 1. No âmbito da competência privativa da união o parágrafo único do art. 22 permite a delegação sobre questões específicas daquele dispositivo autorizando os estados por via de lei complementar. 2. A organização do estado brasileiro pressupõe uma organização e interdependência jurídica entre a constituição federal a constituição estadual e a lei orgânica. 3. O sistema de repartição de competências contemplam a cooperação entre os entes federativos bem como o tratamento individualizado conforme o sistema dual 4. Deve ser reforçada a importância do controle de constitucionalidade e da defesa da constituição pelo supremo tribunal federal. INTERVENÇÃO (ARTS 34 - 36, cf-88) Introdução: a intervenção sempre estará ligada com estado de defesa e estado de sítio. A intervenção é um instituto de exceção. A regra é a não intervenção, mas existirão situações em que a intervenção possa ocorrer, sendo a estadual ou a federal. Como será operacionalizada a intervenção? Será informado pelo art. 36. Conceito: conforme Dirley, a intervenção é um instituto que consiste na ingerência de uma entidade federada nos negócios jurídicos e políticos de outra entidade também federada, com a supressão temporária (ou seja, quando a situação voltar ao normal, volta-se a regra) da autonomia e por razões estritamente previstas na constituição federal. ■ Intervenção federal: União → nos Estados, Distrito Federal (hipóteses do art. 34) e nos Municípios localizados em território federal (hipótese do art. 35); ■ Intervenção estadual: Estados → em seus Municípios (art. 35). Hipóteses e tipos para a intervenção: Federal: Aquela realizada pela União nos Estados e no DF, como também nos municípios localizados em Território Federal. Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para: I - manter a integridade nacional; II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra; III - por termo a grave comprometimento da ordem pública; IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação; V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que: a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior; b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição dentro dos prazos estabelecidos em lei; VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial; VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais: a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático; b) direitos da pessoa humana; c) autonomia municipal; d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta. e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. (Alínea acrescida pela Emenda Constitucional no 14, de 1996 e com nova redação dada pela Emenda Constitucional. Espécies - ■ espontânea: nesse caso o Presidente da República age de ofício → art. 34, I, II, III e V; ■ provocada por solicitação: art. 34, IV, combinado com o art. 36, I, primeira parte → quando coação ou impedimento recaírem sobre o Poder Legislativo ou o Poder Executivo, impedindo o livre exercício dos aludidos Poderes nas unidades da Federação, a decretação da intervenção federal, pelo Presidente da República, dependerá de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder Executivo coacto ou impedido; ■ provocada por requisição: a) art. 34, IV, combinado com o art. 36, I, segunda parte → se a coação for exercida contra o poder judiciário, a decretação da intervenção federal dependerá de requisição do Supremo Tribunal Federal; b) art. 34, VI, segunda parte, combinado com o art. 36, II → no caso de desobediência a ordem ou decisão judicial, a decretação dependerá de requisição do STF, do STJ ou do TSE, de acordo com a matéria; Exemplo interessante de pedido de intervenção por descumprimento de decisão judicial seria aquele decorrente do não pagamento de precatórios e que vem sendo frustrado em razão de jurisprudência estabelecida pelo STF no sentido de haver necessidade de se tratar de descumprimento voluntário e intencional e haver recursos financeiros (cf. discussão no item 11.12.11 — plataforma). ■ provocada, dependendo de provimento de representação: a) art. 34, VII,combinado com o art. 36, III, primeira parte → no caso de ofensa aos princípios constitucionais sensíveis, previstos no art. 34, VII, da CF/88, a intervenção federal dependerá de provimento, pelo STF, de representação do Procurador-Geral da República (representação interventiva, conforme expusemos no capítulo sobre controle, item 6.7.5.2); b) art. 34, VI, primeira parte, combinado com o art. 36, III, segunda parte → para prover a execução de lei federal (pressupondo ter havido recusa à execução de lei federal), a intervenção dependerá de provimento de representação do procurador-Geral da República pelo STF (EC n. 45/2004) (trata-se, também, de representação interventiva, regulamentada pela Lei n. 12.562/2011 e com as explicitações nos itens 6.7.5.2.5 e 6.7.5.2.7 deste trabalho). Estadual: Na decretação estadual ela é feita no município pelo próprio governador sem precisar de autorização maior e encaminha à mesa para a assembleia legislativa. Aquela realizada pelo Estado em seus Municípios e só pode ocorrer nas seguintes hipóteses: Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território Federal, exceto quando: I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida fundada; II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei; III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino; (Revogado) III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000) IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial. Como se dará a constituição ? A intervenção será mediante decreto. No caso de violação (não será obrigado) do poder legislativo ou executivo, aquele poder violado solicitará à república para que decrete a intervenção. Se for a coação (será obrigado) contra o poder judiciário, será feito pelo supremo, ele não irá solicitar, ele irá fazer a requisição, irá decretar, se por acaso ele não fizer, será crime de irresponsabilidade o que gera o impeachment. Decreto de intervenção Art. 36. (Decreto de intervenção) A decretação da intervenção dependerá: I - no caso do art. 34, IV, de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder Executivo coacto ou impedido, ou de requisição do Supremo Tribunal Federal, se a coação for exercida contra o Poder Judiciário; II - no caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária, de requisição do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral; III - de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do Procurador-Geral da República, na hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à execução de lei federal. (Inciso com nova redação dada pela Emenda Constitucional no 45, de 2004) IV - (Inciso revogado pela Emenda Constitucional no 45, de 2004) § 1o O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do Congresso Nacional ou da Assembléia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas. § 2o Se não estiver funcionando o Congresso Nacional ou a Assembléia Legislativa, far-se-á convocação extraordinária, no mesmo prazo de vinte e quatro horas. § 3o Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, dispensada a apreciação pelo Congresso Nacional ou pela Assembléia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender a execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade. § 4o Cessados os motivos da intervenção, as autoridades afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo impedimento legal SEPARAÇÃO DOS PODERES ARISTÓTELES: As primeiras bases teóricas para a “tripartição de Poderes”. O pensador vislumbrava a existência de três funções distintas exercidas pelo poder soberano, quais sejam, · a função de editar normas gerais a serem observadas por todos, · a de aplicar as referidas normas ao caso concreto (administrando) · e a função de julgamento, dirimindo os conflitos oriundos da execução das normas gerais nos casos concretos. Acontece que Aristóteles, em decorrência do momento histórico de sua teorização, descrevia a concentração do exercício de tais funções na figura de uma única pessoa, o soberano, que detinha um poder “incontrastável de mando”. Dessa forma, Aristóteles contribuiu no sentido de identificar o exercício de três funções estatais distintas, apesar de exercidas por um único órgão. MONTESQUIEU:Muito tempo depois, a teoria de Aristóteles seria “aprimorada” pela visão precursora do Estado liberal burguês desenvolvida por Montesquieu em seu O espírito das leis. Partindo desse pressuposto aristotélico, o grande pensador francês inovou dizendo que tais funções estariam intimamente conectadas a três órgãos distintos, autônomos e independentes entre si. Cada função corresponderia a um órgão, não mais se concentrando nas mãos únicas do soberano. De acordo com essa teoria, cada Poder exercia uma função típica, inerente à sua natureza, atuando independente e autonomamente, não mais sendo permitido a um único órgão legislar, aplicar a lei e julgar, de modo unilateral, como se percebia no absolutismo. QUAL SERIA A FINALIDADE DA SEPARAÇÃO DOS PODERES? FUNÇÕES TÍPICAS E ATÍPICAS: - Funções típicas (predominantes), inerentes e ínsitas à sua natureza, cada órgão exerce. - Funções atípicas (de natureza típica dos outros dois órgãos). Finalmente, pedimos vênia para ressaltar a caracterização feita por José Afonso da Silva8 em relação às três funções (típicas) exercidas pelos Órgãos: ■ função legislativa: “consiste na edição de regras gerais, abstratas, impessoais e inovadoras da ordem jurídica, denominadas leis”; ■ função executiva: “resolve os problemas concretos e individualizados, de acordo com as leis; não se limita à simples execução das leis, como às vezes se diz; comporta prerrogativas, e nela entram todos os atos e fatos jurídicos que não tenham caráter geral e impessoal; por isso, é cabível dizer que a função executiva se distingue em função de governo, com atribuições políticas, colegislativas e de decisão, e função administrativa, com suas três missões básicas: intervenção, fomento e serviço público”; ■ função jurisdicional: “tem por objeto aplicar o direito aos casos concretos a fim de dirimir conflitos de interesse IMPROPRIEDADE DA EXPRESSÃO “TRIPARTIÇÃO DE PODERES” Depois de todo o visto, devemos apenas sistematizar a imprecisão do uso da expressão “tripartição de Poderes”. Isso porque o poder é uno, indivisível e indelegável. O poder não se triparte. O poder é um só, manifestando-se por meio de órgãos que exercem funções. Dessa maneira, temos: a) poder: uno, indivisível e indelegável, um atributo do Estado que emana do povo; b) função: “a função constitui, pois, um modo particular e caracterizado de o Estado manifestar a sua vontade”; c) órgão: “os órgãos são, em consequência, os instrumentos de que se vale o Estado para exercitar suas funções, descritas na Constituição, cuja eficácia é assegurada pelo Poder que a embasa”. A INDEPENDÊNCIA DOS PODERES E A INDELEGABILIDADE DE ATRIBUIÇÕES Ressaltamos serem os “Poderes” (órgãos) independentes entre si, cada qual atuando dentro de sua parcela de competência constitucionalmente estabelecida quando da manifestação do poder constituinte originário. Nesse sentido, as atribuições asseguradas não poderão ser delegadas de um Poder (órgão) a outro. Trata-se do princípio da indelegabilidade de atribuições. Um órgão só poderá exercer atribuições de outro, ou da natureza típica de outro, quando houver expressa previsão (e aí surgem as funções atípicas) e, diretamente, quando houver delegação por parte do poder constituinte originário, como ocorre, por exemplo, com as leis delegadasdo art. 68, cuja atribuição é delegada pelo Legislativo ao Executivo. PODER LEGISLATIVO · De acordo com a Constituição, ao Legislativo compete basicamente legislar e fiscalizar os atos do Executivo. No âmbito federal, o poder legislativo é exercido pelo Congresso Nacional - composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. ESTRUTURA DO PODER LEGISLATIVO FEDERAL A análise do Poder legislativo deve ser empreendida levando em conta a forma de estado introduzida no Brasil. No Brasil vigora o bicameralismo federativo, no âmbito federal. Ou seja, o Poder Legislativo no Brasil, em âmbito federal, é bicameral, isto é, composto por duas Casas: a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, a primeira constituída por representantes do povo e a segunda, por representantes dos Estados-Membros e do Distrito Federal, objetivando, assim, o nosso bicameralismo, que é do tipo federativo, como visto. ESTRUTURA DO PODER LEGISLATIVO ESTADUAL Ao contrário da estrutura do legislativo federal, é do tipo unicameral. ■ unicameralismo: o legislativo estadual é exercido pela Assembleia Legislativa, composta pelos Deputados Estaduais, também representantes do povo do Estado; ■ mandato: o mandato dos Deputados Estaduais será de 4 anos; ■ Outras regras: as regras da CF sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas serão aplicadas aos parlamentares estaduais (art. 27, § 1.º). Desta feita, o regime reservado aos parlamentares federais será o mesmo a ser observado pelos estaduais; ESTRUTURA DO PODER LEGISLATIVO MUNICIPAL ■ unicameralismo: o legislativo municipal é exercido pela Câmara Municipal (Câmara dos Vereadores), composta pelos Vereadores, representantes do povo do Município; ■ mandato: o mandato dos Vereadores será de 4 anos; ■ inviolabilidade ou imunidade material: os Vereadores são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município (art. 29, VIII, estudado mais adiante); ESTRUTURA DO PODER LEGISLATIVO DISTRITAL ■ unicameralismo: o legislativo distrital é exercido pela Câmara Legislativa (art. 32, caput), composta pelos Deputados Distritais, que representam o povo do distrito federal; ■ aplicação das características dos Estados: como determina o art. 32, § 3.º, aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art. 27, ou seja, todas as regras estabelecidas para os Estados valem para o distrito federal ESTRUTURA DO PODER LEGISLATIVO DOS TERRITÓRIOS FEDERAIS ■ regra geral: o art. 33, § 3.º, última parte, determina que a lei disporá sobre as eleições para a Câmara Territorial e sua competência deliberativa. Como não existem Territórios Federais (apesar de poderem vir a ser criados), ainda não foi regulamentado esse dispositivo constitucional. Cabe observar que, quando criados, de acordo com o art. 45, § 2.º, cada Território elegerá o número fixo de 4 Deputados Federais, para compor a Câmara dos Deputados do Congresso Nacional. PODER EXECUTIVO image1.png