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Questões de múltipla escolha Disciplina: 536930 - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO Questão 1: Leia um trecho da notícia a seguir e analise as afirmativas. A Vai-Vai e a Acadêmicos do Tucuruvi não conseguiram se manter no Grupo Especial do Carnaval e desfilarão no Grupo de Acesso no ano que vem. A apuração das notas dos desfiles das escolas de São Paulo ocorreu hoje no Sambódromo do Anhembi. (...) Apesar de elogiada por suas alegorias e energia na avenida, a escola teve um mau desempenho no quesito comissão de frente, onde obteve duas notas 9,7. A escola também perdeu pontos no quesito fantasia. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/carnaval/2019/noticias/redacao/2019/03/05/vai-vai-e-tom-maior-sa o-rebaixadas-para-o-grupo-de-acesso-em-sao-paulo.htm?cmpid. Acesso em: 5 mar. 2019. I. O texto tem estrutura argumentativa, com uso de dados numéricos na defesa da tese. II. O conectivo “onde” está empregado corretamente, de acordo com a norma culta. III. A expressão “apesar de elogiada” pode ser substituída, sem alteração de sentido, por “embora tenha sido elogiada”. É correto o que se afirma somente em: A) I. B) II. C) III. D) I e II. E) II e III. Questão 2: Leia o fragmento do texto “Direito ao delírio”, de Eduardo Galeano. A publicidade manda consumir e a economia proíbe. As ordens de consumo, obrigatórias para todos, mas impossíveis para a maioria, são convites ao delito. Sobre as contradições de nosso tempo, as páginas policiais dos jornais ensinam mais do que as páginas de informação política e economia. Este mundo, que oferece o banquete a todos e fecha a porta no nariz de tantos, é ao mesmo tempo igualador de desigual: igualador nas ideias e nos costumes que impõe e desigual nas oportunidades que proporciona. Disponível em: https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Galeano-na-Carta-Maior/4/15005. Acesso em: 26 fev. 2020. Assinale a alternativa que expressa corretamente a ideia do trecho: A) As páginas policiais dos jornais têm mais qualidade do que as que abordam política ou economia porque a sociedade de hoje é marcada pelo crime e pelo descrédito nos governos. B) A globalização permite que todos tenham acesso ao banquete do consumo, embora haja desigualdades. C) A publicidade tem mais força que a lei e impõe o consumo; essa é a causa de todos os crimes praticados. D) A sociedade atual é marcada pela igualdade nas ideias e nos costumes, reforçados pela publicidade, e pela desigualdade socioeconômica, que impede o acesso de muitos a diversos bens e gera crimes. E) O acesso aos bens de consumo é oferecido a todos, mas é necessário mérito para ter um bom padrão de vida, o que não acontece para a maioria da população. Questão 3: Considere os períodos a seguir e assinale a alternativa correta. I. O chefe quis saber por que o funcionário estava atrasado. II. Se não fosse a chuva, ele não teria chego atrasado. III. Faziam dois meses que ele não se atrasava. A) Apenas o período I está de acordo com a norma culta. B) Apenas o período III está de acordo com a norma culta. C) Apenas os períodos II e III estão de acordo com a norma culta. D) Apenas os períodos I e III estão de acordo com a norma culta. E) Apenas os períodos I e II estão de acordo com a norma culta. Questão 4: Considere os quadrinhos. O humor dos quadrinhos é construído: A) Pelo uso de uma máquina de escrever no século XXI. B) Pela inadequação da linguagem e da estrutura textual em uma declaração de amor. C) Pelo simples fato de alguém fazer uma declaração de amor na pós-modernidade. D) Pelo teor burocrático e pelo nível coloquial de linguagem na declaração. E) Pela estrutura narrativa e pelo narrador em primeira pessoa. Questão 5: Leia o texto e a charge. Certas expressões populares se tornam de tal forma parte de nosso vocabulário e repertório que é como se sempre tivessem existido. Dor de cotovelo, chorar as pitangas, dar com os burros n’água, engolir um sapo ou salvo pelo gongo, tudo é dito como se fosse a coisa mais natural e normal do mundo. Mas se mesmo as palavras mais corriqueiras têm uma história e sua própria árvore etimológica, naturalmente que toda e qualquer expressão popular, das mais sábias e profundas às mais bestas e sem sentido, tem uma origem, ora curiosa e interessante, ora sombria e simbólica de um passado sinistro. Pois muitas das expressões que usamos no dia a dia e que hoje comunicam somente seu sentido funcional - aquilo que atualmente a frase “quer dizer” - são originárias de um vergonhoso e longo período da história do Brasil: a escravidão. Ainda que os sentidos originais tenham se diluído em algo trivial, essa origem permanece, como em toda palavra ou frase comum, feito um DNA marcando nossa própria história. O Brasil foi o país que mais recebeu escravos no mundo, e o último país independente do continente americano a abolir a escravidão. Conhecer o sentido original e a história de uma expressão é saber, afinal, o que é que estamos falando. Por isso esta seleção de expressões populares criadas durante o período da escravidão no Brasil - uma época que faz parte de nosso passado, mas que exerce ainda forte influência sobre nossa realidade atual. Tem caroço nesse angu A expressão, que significa que alguém estaria escondendo algo, tem sua origem em um truque realizado pelos escravos para melhor se alimentarem. Se geralmente o prato servido era composto exclusivamente de uma porção de angu de fubá, a escrava que lhes servia por vezes conseguia dar um jeito de esconder um pedaço de carne ou alguns torresmos embaixo do angu. A expressão nasceu do comentário de um ou outro escravo a respeito de certo prato que lhe parecesse suspeito. Para inglês ver Essa expressão tem sua origem na escravidão e também no mau hábito ainda atual brasileiro de aprovar leis que não “pegam” (que ninguém cumpre e nem é punido por isso). Em 1830, a Inglaterra exigiu que o Brasil criasse um esforço para acabar com o tráfico de escravos e impusesse enfim leis que coibissem tal prática. O Brasil acatou a exigência inglesa, mas as autoridades daqui sabiam que tal lei simplesmente não seria cumprida - eram leis existentes somente em um papel, “para inglês ver”. Bucho cheio ou encher o bucho Expressões mais comuns em Minas, eram usadas tanto pelos escravos quanto por seus exploradores, evidentemente que com outra conotação da que se usa hoje. Atualmente significam estar bem alimentado, de barriga cheia; na época, significavam a obrigação que os escravos que trabalhavam nas minas de ouro tinham de preencher com ouro um buraco na parede, conhecido como “bucho”, para só então receber sua tigela de comida. Meia-tigela A partir da expressão anterior, a história segue, dando origem à expressão “meia-tigela”, que significa algo sem valor, medíocre, desimportante. Quando o escravo não conseguia preencher o “bucho” da mina com ouro, ele só recebia metade de uma tigela de comida. Muitas vezes, o escravo que com frequência não conseguia alcançar essa “meta” ganhava esse apelido. Tais hábitos não eram, porém, restritos às minas, e a punição de retirar parte da comida era comum na maioria das obrigações dos escravos. Lavei a égua Por fim, a expressão “lavar a égua”, que quer dizer aproveitar, se dar bem, se redimir em algo, vem também da exploração do ouro, quando os escravos mais corajosos tentavam esconder algumas pepitas debaixo da crina do animal, ou esfregavam ouro em pó em sua pele. Depois pediam para lavar o animal e, com isso, recuperar o ouro escondido para, quem sabe, comprar sua própria liberdade. Os que eram descobertos, porém, poderiam ser açoitados até a morte. Disponível em: https://www.hypeness.com.br/2016/09/9-expressoes-populares-com-origens-ligadas-a-escra vidao-e-voce-nem-imaginava/. Acesso em: 26 fev. 2020. Adaptado. Disponível em: http://proximap.blogspot.com/2008/02/porque-me-ufano-de-ribeiro-ou-o-que-bom.html. Acesso em: 26 fev. 2020. Com base na leitura, analise as afirmativas. I. Na charge, a expressão “lavar a égua” não pode ser compreendida com o sentido explicado no texto. II. O texto mostra a origem escravocrata de expressões populares e atribui a alteração de sentido delas ao fim do racismo na sociedade brasileira. III. A charge é uma crítica a políticos que agem de forma antiética e se beneficiam financeiramente de obras públicas, como no caso da transposição do rio São Francisco. É correto o que se afirma somente em: A) I. B) II. C) III. D) I e III. E) II e III. Questão 6: Considere o post veiculado em rede social e analise as afirmativas. I. Infere-se que o interlocutor intencionava que “linda” fosse vocativo, mas a moça compreendeu como um predicativo seu. II. A falta de vírgula antes de “linda” na pergunta torna possível a interpretação da moça. III. Trata-se de uma conversa por meio de um aplicativo, marcada pelo uso do nível informal de linguagem. É correto o que se afirma em: A) I, II e III. B) I e II, apenas. C) II e III, apenas. D) I e III, apenas. E) III, apenas. Questão 7: Leia o texto e analise as afirmativas. O fim do trabalho? Thomaz Wood Jr. O trabalho é ideia milenar nem sempre muito apreciada. A Grécia antiga não o tinha em grande conta e o considerava um inimigo da virtude, a cercear os homens de suas mais nobres aptidões, as quais deveriam ser desenvolvidas na filosofia e na política. As sociedades industrializadas modernas, contrariamente aos gregos, celebram o trabalho como valor central, algo capaz de gerar riqueza e bem-estar, beneficiando o indivíduo e a sociedade. Algumas tendências em curso sinalizam o declínio dos empregos estáveis, de tempo integral. A crise econômica do fim dos anos 2000 e a presente recessão brasileira nos levam a relembrar o drama do desemprego. Quando cortam quadros ou encerram atividades, as empresas projetam uma sombra sobre as comunidades. A arrecadação diminui, o consumo cai, os serviços básicos são afetados, a coesão cultural é enfraquecida e multiplicam-se patologias sociais e dramas pessoais. Os últimos séculos foram marcados por reinvenções sucessivas do trabalho, da agricultura para a indústria e desta para os serviços. As transições foram traumáticas, mas cada estado final representou uma evolução em relação ao seu ponto de partida, com mais empregos e mais riqueza. As tendências atuais apontam, entretanto, para a criação de uma massa paralela de destituídos, sem emprego ou competências para subsistir em um mundo intensivo em tecnologia. Podemos identificar três grandes tendências. A primeira delas é a superação do trabalho pelo capital. Desde os anos 1980, as empresas investiram em reestruturações e em automação industrial, na busca de formas eficientes para organizar o trabalho e automatizar seus processos. O resultado foi o enxugamento dos quadros e uma perda progressiva do poder de barganha do trabalho diante do capital. A segunda tendência é o desaparecimento progressivo do trabalhador. Estatísticas norte-americanas indicam um aumento inexorável do porcentual de homens que não estão trabalhando ou procurando por trabalho. A terceira tendência relaciona-se ao avanço das tecnologias de informação e comunicação. Os impactos de mudanças tecnológicas podem demorar anos para se manifestar, mas, quando ocorrem, são contundentes. Vendedores, caixas, atendentes e funcionários de escritórios são os primeiros na linha de fogo. O trabalho preenche três funções sociais: é uma forma pela qual a economia produz bens, um meio de as pessoas garantirem seu sustento e uma atividade que provê sentido e propósito à vida das pessoas. O que ocorrerá se as tendências acima mencionadas se aprofundarem? A primeira função social parece cada vez menos dependente de trabalhadores. A economia poderá continuar produzindo bens, com menor número de empregos. Mas sem salários, quem irá consumi-los? A terceira função social poderá ser substituída, uma vez que há outras atividades passíveis de prover sentido e propósito para os indivíduos. Mas o que ocorrerá com a segunda função social? Como continuar a garantir o sustento sem uma oferta condizente de empregos? Muitas pessoas detestam sua profissão, seu emprego ou ambos. Porém perder o ganha- pão pode ser trágico. Nos países desenvolvidos, a infraestrutura madura e as redes de proteção social, aliadas a certa criatividade individual e doses crescentes de empreendedorismo, poderão tornar a vida na informalidade laboral passável, até recompensadora. Nos países em desenvolvimento, a transição poderá ser mais dura e trágica. Entretanto, o pessimismo necessário deve ser temperado com doses homeopáticas de otimismo. Trabalhos estáveis e de tempo integral talvez sejam vistos no futuro como peculiaridade de uma época. Os nostálgicos lamentarão seu desaparecimento. Outros celebrarão seu declínio como uma porta aberta ao cultivo das virtudes, como desejavam os antigos gregos. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/revista/860/o-fim-do-trabalho-5512.html. Acesso em: 3 ago. 2015. Adaptado. Com base na leitura, analise as afirmativas. I. Segundo o texto, as novas tecnologias melhoram a produção e a vida dos trabalhadores, que poderão se dedicar a outras atividades mais virtuosas. II. Depreende-se do texto que a virtude humana sempre esteve associada ao trabalho e à produtividade, uma vez que o trabalho enobrece e dignifica o homem. III. O texto tem estrutura narrativo-descritiva, pois tem como objetivo contar a história do trabalho ao longo da história. Assinale a alternativa correta: A) Apenas a afirmativa I é correta. B) Apenas a afirmativa III é correta. C) Apenas as afirmativas II e III são corretas. D) Nenhuma afirmativa é correta. E) Apenas as afirmativas I e II são corretas. Questão 8: Considere o texto e as afirmativas. I. Observa-se, no texto, o uso da função metalinguística da linguagem. PORQUE II. As palavras “papel” e desenhos” só devem ser compreendidas no seu sentido denotativo, literal. Assinale a alternativa correta: A) As asserções I e II são verdadeiras, e a II justifica a I. B) As asserções I e II são verdadeiras, e a II não justifica a I. C) A asserção I é verdadeira, e a II é falsa. D) A asserção I é falsa, e a II é verdadeira. E) As asserções I e II são falsas. Questão 9: Foi solicitada a um aluno a paráfrase do trecho a seguir, de um ensaio do professor e crítico literário Antonio Candido. Considere o texto original e a paráfrase feita pelo estudante e analise as afirmativas. Texto original A composição da obra literária (ANTONIO CANDIDO, 1965) Antes, procurava-se mostrar que o valor e o significado de uma obra dependiam de ela exprimir ou não certo aspecto da realidade, e que este aspecto constituía o que ela tinha de essencial. Depois, chegou-se à posição oposta, procurando-se mostrar que a matéria de uma obra é secundária, e que a sua importância deriva das operações formais postas em jogo, conferindo-lhe uma peculiaridade que a torna de fato independente de quaisquer condicionamentos, sobretudo social, considerado inoperante como elemento de compreensão. Hoje sabemos que a integridade da obra não permite adotar nenhuma dessas visões dissociadas; e que só a podemos entender fundindo texto e contexto numa interpretação dialeticamente íntegra, em que tanto o velho ponto de vista que explicava pelos fatores externos, quanto o outro, norteado pela convicção de que a estrutura é virtualmente independente,se combinam como momentos necessários do processo interpretativo. Sabemos, ainda, que o externo (no caso, o social) importa, não como causa, nem como significado, mas como elemento que desempenha um certo papel na constituição da estrutura, tornando-se, portanto, interno. Paráfrase feita pelo aluno Segundo Antonio Candido, o valor e o significado de uma obra depende do seu grau de realidade, pois os aspectos externos são incorporados pelo texto. Sem a compreensão dos fatores sociais, a obra é inoperante, embora mantenha integridade. No plano virtual do texto, a estrutura é independente e necessária ao processo interpretativo. I. A paráfrase expressa corretamente as ideias apresentadas no trecho, e o aluno preocupou-se adequadamente com a referência ao autor. II. O aluno procurou usar algumas palavras presentes no trecho, mas não soube compreender e expressar corretamente as ideias do autor. III. O aluno comete um erro de concordância verbal na primeira linha: o correto seria “dependem”. É correto o que se afirma somente em: A) I. B) II. C) III. D) I e III. E) II e III. Questão 10: Leia o texto e analise as afirmativas. I. Predomina no título a função referencial da linguagem. II. O título não é claro, pois permite compreender que mortos-vivos estão andando de patinete em Belo Horizonte. III. Há um erro ortográfico em “flagrados”. É correto o que se afirma em: A) I, II e III. B) II, apenas. C) II e III, apenas. D) I e II, apenas. E) I e III, apenas.