Asma e DPOC - Abordagem terapêutica
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Asma e DPOC - Abordagem terapêutica


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Transcrição Aula 4.3 \u2013 Asma e Doença Pulmonar 
Obstrutiva Crônica \u2013 Abordagem terapêutica 
 
O objetivo deste vídeo é apresentar a abordagem terapêutica da asma e da 
DPOC. 
 
Começamos com uma questão: Você conhece a base do 
tratamento da asma e da DPOC? 
 
O tratamento da asma é baseado em três tipos de abordagens que são as ações 
educativas, os cuidados ambientais e o tratamento farmacológico. 
A abordagem educativa deve ser realizada visando o autocuidado e autonomia 
do paciente. Os temas a serem abordados são o conhecimento sobre a asma, sobre o 
tratamento, mostrando a diferença entre tratamento de alívio e de manutenção, os 
potenciais efeitos colaterais, e o uso de dispositivos inalatórios. Além disso, o 
desenvolvimento de habilidades para o autocuidado como prevenção dos sintomas e 
crises. Também o conhecimento sobre os sinais que sugerem piora da asma; o controle 
e monitoramento da asma; como e quando procurar auxílio médico, aspectos 
psicossociais da doença, prática de atividade física, e melhoria na qualidade de vida. 
A abordagem ambiental deve ser realizada através da limpeza da residência 
para auxiliar no controle da exposição ao ácaro; Evitar atividades físicas ao ar livre, em 
especial nos dias frios; 
Evitar baixa umidade ou exposição em dias com muita poluição; 
Além disso, deve se evitar fumar e evitar ambientes com pessoas fumando; 
Algumas medicações podem induzir a asma como o AAS e outros AINES podem 
desencadear crises, assim como os betabloqueadores que podem exacerbar as crises; 
A Vacina anti-influenza deve ser realizada com periodicidade anual; 
A redução de peso em caso de pacientes obesos melhora os sintomas e a 
função pulmonar. 
O tratamento farmacológico da asma deve ser realizado de acordo com a 
classificação da gravidade. 
Deve-se utilizar a menor dose que possa controlar os sintomas. Após um 
período de três meses, pode-se tentar reduzir a dose da medicação anti-inflamatória 
em uso e reavaliar as condições clínicas e, eventualmente, espirométricas do paciente. 
Deve-se sempre dar preferência à via inalatória devido à menor absorção 
sistêmica, maior eficácia e menor taxa de efeitos colaterais. 
Em adultos, quando a gravidade for classificada como persistente leve, deve-se 
adicionar o corticoide inalatório em doses baixas (menos de 500 mcg/dia). Na asma 
persistente moderada devem ser adotadas doses moderadas (500-1.000 mcg/dia) ou 
altas (acima de 1.000 mcg/dia). A Relação Nacional dos Medicamentos Essenciais 
(2017) inclui as seguintes apresentações de beclometasona: 
- 200 mcg/dose (pó para inalação oral) 
- 200 mcg/dose (cápsula para inalação oral) 
- 250 mcg/dose (solução para inalação oral) 
- 400 mcg/dose (pó para inalação oral) 
- 400 mcg/dose (cápsula para inalação oral) 
Na asma persistente grave usar B2 de curta duração, mais corticoide inalatório 
em dose alta (>1000-2000 mcg) 3 ou 4 jatos de 12 em 12 horas, ou ainda adicionar B2 
agonista de longa duração. 
Avaliação de quando encaminhar para o especialista. 
O médico de família e as equipes das unidades de saúde devem acompanhar 
todos os pacientes com asma, incluindo aqueles persistentes graves e de difícil 
controle. 
Uma vez esgotadas as possibilidades do tratamento baseado nas etapas 
anteriores sem sucesso terapêutico, devem encaminhar o paciente ao centro de 
referência para acompanhamento conjunto. 
A abordagem terapêutica da DPOC é baseada nos princípios do tratamento de 
manutenção que são a redução dos fatores de risco, o monitoramento da doença e o 
manejo das exacerbações. 
A medida preventiva isolada mais eficiente e de melhor custo-efetividade para 
reduzir os fatores de risco para a DPOC é a cessação do tabagismo. 
Também contribui significativamente a redução na exposição pessoal à fumaça 
do tabaco, poeiras ocupacionais, poluentes domiciliares e ambientais porque são 
metas importantes para diminuir a progressão da DPOC. 
Como a DPOC é uma doença progressiva, o monitoramento clínico é 
necessário. 
Os pacientes no estádio III (grave) e IV (muito grave) deverão continuar o 
acompanhamento com as equipes da Atenção Primária à Saúde conjuntamente com 
especialistas de referência. 
Nesses serviços especializados o monitoramento é realizado por meio de outros 
exames complementares, como gasometria arterial, prova de função pulmonar com 
determinação dos volumes pulmonares, difusão pulmonar, exames de escarro, entre 
outros. 
O manejo da DPOC estável possui os seguintes princípios gerais: 
A educação em saúde tem importante papel na cessação do tabagismo. 
Broncodilatadores são os principais medicamentos para o controle sintomático 
da DPOC e podem ser prescritos para uso regular. Entre os BD, os mais importantes 
são os ß2-agonistas, anticolinérgicos e metilxantinas. Os BD de longa duração em uso 
regular são mais efetivos e convenientes que os de curta duração. 
O tratamento regular com corticoides inalatórios está indicado para pessoas 
com DPOC grave e muito grave (VEF1<50%), com exacerbações frequentes. 
O uso regular e contínuo de corticoide sistêmico deve ser evitado devido a uma 
relação risco-benefício desfavorável. 
A vacina anti-influenza reduz a morbimortalidade em pessoas com DPOC. 
A antipneumocócica é recomendada somente para aquelas acima de 65 anos 
ou abaixo dessa idade se VEF1<40% do previsto. 
Os pacientes com DPOC se beneficiam de programas de atividade física, tanto 
para aumentar a tolerância ao exercício quanto para melhorar os sintomas de fadiga e 
dispneia. 
A oxigenoterapia por longo período, mais de 15 horas ao dia, tem mostrado 
aumento na sobrevida de pessoas com algum grau de insuficiência respiratória. 
O tratamento não farmacológico inclui a educação em saúde, sendo temas para 
serem abordados: O que é a DPOC; Por que fazer exercícios; Como utilizar 
adequadamente os seus medicamentos; Reconhecimento precoce das exacerbações; 
Pacientes com DPOC devem realizar exercícios físicos regulares para os 
membros inferiores e membros superiores concomitantes com o tratamento 
farmacológico. 
Participar de programa de reabilitação pulmonar. 
Como 20 a 30% dos pacientes com DPOC têm peso abaixo do normal e 30 a 
40% deles têm peso acima do normal, são necessárias recomendações nutricionais a 
fim de aproximar do peso ideal. 
Orienta-se também que o paciente seja acompanhado por um psicólogo 
quando disponível, como por exemplo, na equipe multiprofissional do Nasf. 
A terapia com oxigênio domiciliar é uma intervenção efetiva em reduzir a 
mortalidade dos pacientes com DPOC grave (VEF1 < 30% do previsto), além de aliviar 
os sintomas decorrentes da insuficiência cardíaca direita. 
O tratamento da DPOC é baseado na classificação. 
Assim, Pacientes classificados com DPOC Leve ou grau 1 devem receber 
orientações para redução dos fatores de risco e adicionar B2 de curta-ação como o 
salbutamol 100 mcg a cada 4 ou 6 horas. 
Na DPOC moderada ou grau II adicionar B2 de longa-duração como o 
formoterol 6 a 12 mcg a cada 12 horas; ou anticolinérgicos como o brometo de 
ipratrópio spray 20 mcg a cada 6 ou 8 horas, e iniciar reabilitação pulmonar. 
Na DPOC grave ou grau 3 adicionar corticoide inalatório se exacerbações 
repetidas (1 a 2 no último ano após uso via oral de corticoide ou antibiótico). 
Na DPOC muito grave ou grau 4 adicionar oxigenioterapia e considerar cirurgia. 
A exacerbação na DPOC é definida como uma mudança súbita na característica 
da dispneia, tosse e/ou escarro que vai além das variações normais do paciente. De um 
modo geral os sintomas incluem aumento na dispneia, sibilância, aperto no peito, 
aumento na expectoração e na tosse, alteração da viscosidade e cor do escarro.