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Módulo 01 - Origem da Língua Portuguesa
Português - 1º Bimestre - 1ª Série - Ensino Médio
A “última flor do Lácio", assim chamada a língua portuguesa por Olavo Bilac, é umas das línguas neolatinas
— como a espanhola, a francesa, a italiana, entre outras — originadas da expansão do Império Romano.
Conforme esse império se expandia e conquistava novos territórios, seus soldados conviviam com a cultura
e o idioma locais, influenciando-os e sendo influenciados por eles. Desse encontro, surgiram novos idiomas
que, embora partissem de uma base em comum, foram dotados de suas próprias especificidades.
Com a difusão da cultura romana, o latim chegou à Península Ibérica durante os séculos III e II a.C. e
permaneceu após a queda do império de Roma, no século V d.C. A região que hoje compreende Portugal e
Espanha manteve-se latinizada, recebendo novas influências após as invasões de povos como os visigodos e
árabes, o que originou a língua hoje chamada de galego-português.
Apesar das discordâncias entre especialistas sobre quando exatamente houve a distinção oficial entre os dois
idiomas, pode-se assinalar a criação do reino de Portugal, por D. Afonso Henriques no século XII, como
ponto decisivo para que galego e português se estabelecessem como línguas distintas.
Após a expansão ultramarina de Portugal, o idioma espalhou-se pelo mundo. Atualmente, a maior parte de
seus falantes encontra-se fora da Europa, visto que o processo de colonização lusitana resultou em 10 países
com a língua portuguesa como a oficial, entre eles o Brasil, que, embora conserve muitas características do
português europeu, apresenta diferenças notáveis em diversos aspectos, semânticos, sintáticos e
morfológicos.
Em terras brasileiras, usou-se, a princípio, a língua geral, nheengatu, como língua franca, oriunda do tupi
antigo e utilizada entre colonos e indígenas. No entanto, com a intensificação do processo de colonização,
ela perdeu cada vez mais espaço para o português, até ser proibida por Marquês de Pombal, em 1758.
Hoje, a língua geral é considerada extinta, mas o nheengatu, falado em regiões de Brasil, Colômbia e
Venezuela, seria uma evolução natural dessa língua.
Ainda que o português tenha se estabelecido como língua oficial em território nacional, ele recebeu diversas
contribuições dos idiomas nativos, como sufixos (-guaçu, um aumentativo; -mirim, um diminutivo) e
vocábulos (abacaxi, caboclo, jacaré etc.).
Ao longo do Período Colonial e por boa parte do Imperial, o Tráfico Negreiro trouxe africanos ao Brasil,
como os bantus e os sudaneses. Ainda que marginalizados pela escravização, suas línguas, como
quimbundo, o quicongo e o umbundo, legaram uma série de influências ao português brasileiro, como, por
exemplo, as palavras moleque, cachaça e fubá.
Após a abertura dos portos nacionais, em 1808, e posterior chegada de imigrantes, por volta de 1880, a
influência de outros idiomas, como o italiano, foi sensível e acontece ainda hoje. Muitas modificações pelas
quais o português brasileiro passou fazem parte de um processo natural de transformação linguística, uma
vez que, como língua viva, é natural que receba contribuições e as absorva de acordo com a necessidade e
identificação de seus falantes.
Assim, sofrendo influências históricas, o sétimo idioma mais falado do mundo, a língua portuguesa, é a
língua oficial de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Macau, Goa, São Tomé e
Príncipe, Timor Leste, Guiné Equatorial e Cabo Verde.

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Uma Babel colonial
Desde o momento em que os portugueses puseram o pé (e a boca) na Terra Brasilis, eles depararam com
mais de 300 línguas indígenas. O idioma português travou uma luta de resistência e assimilação por três
séculos, enfrentando culturas, dialetos africanos e muitas línguas: francês, holandês, espanhol, latim,
inglês, italiano, tupinambá, nheengatu...
A evangelização de índios e negros, a política de imposição da língua portuguesa adotada pela Coroa e o
marquês de Pombal em 1758 e a integração ao mercado exportador são fatores decisivos para se
entender essa grande mistura que formou, e forma, a nossa língua, um dos elementos da unidade
nacional que só conseguiu se impor às vésperas da Independência, no século XIX.
De início, os portugueses encontraram aqui uma verdadeira Babel indígena. Na costa brasileira e na bacia
dos rios Paraná e Paraguai, os índios pertenciam ao tronco linguístico Tupi, que reúne os Guarani ao sul e
os Tupi na costa, que falavam o Tupinambá ou língua afins, mas não idênticas. Na região central do Brasil,
encontravam-se as línguas Macro-jê.
Eram tantas as línguas na bacia amazônica, que o célebre padre Antônio Vieira, em 1683, escrevia que
“houve quem chamou o rio das Amazonas rio Babel", o que lhe pareceu pouco “porque na Torre de Babel,
como diz São Jerônimo, houve somente setenta e duas línguas, e as que se falam no rio das Amazonas
são tantas e tão diversas, que se lhes não sabe o nome, nem o número". Do contato entre missionários,
índios Tupi missionados e aculturados, e não índios, surgiram as línguas gerais, ou seja, comuns a
diferentes grupos, tendo como base a língua do tronco Tupi – a língua geral paulista (ou do Sul) e a língua
geral amazônica. Ao final do século XVII, os jesuítas e missionários de outras ordens difundiram, na
Amazônia, o Tupinambá, falado pelos índios da região que vai do litoral do Maranhão até a foz do
Tocantins. O Tupinambá, sob a influência de outras línguas da área, e da ação dos caboclos, deu origem ao
nheengatu, a língua geral amazônica.
A litografia de Rugendas mostra a convivência, no início do século XIX, entre pessoas de origem
indígena, africana e europeia no Brasil, sugerindo um cenário de disputas entre diversas línguas durante
o processo de colonização. Crédito: Alamy/Fotoarena.
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E preservar aqui as línguas africanas não foi nada fácil: o colonizador português não deu trégua,
combatendo as línguas e evitando até a concentração de escravos de uma mesma etnia nos navios
negreiros e nas propriedades coloniais – uma tática para diminuir as resistências dos africanos e
descendentes à escravização. Essa política, a variedade de línguas e as hostilidades que os negros
trouxeram dificultaram a formação de núcleos solidários que garantissem a retenção do patrimônio
cultural africano, incluindo-se aí suas línguas. Só no campo da evangelização houve maior flexibilidade do
colonizador em relação às línguas africanas. O mesmo padre Antônio Vieira, em 1691, referindo-se à
Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro, afirmava que era preciso que os negros fossem catequizados em
suas línguas: “Sendo muito maior, sem comparação, o número dos negros que o dos índios, assim como
os índios são catequizados e doutrinados nas suas próprias línguas, assim os negros o são na sua." E
acrescentava que nos colégios dessas localidades havia “operários muito práticos" nas línguas africanas e
“várias escolas das mesmas línguas" no Brasil, tantas “quanto a variedade delas, e que os religiosos não
passavam a outros estudos [...] sem primeiro serem examinados e aprovados" na língua em questão.
Tanto que em 1697 foi impressa pela Companhia de Jesus uma Arte da Língua de Angola, feita pelo padre
Pedro Dias, do Colégio da Bahia.
Mas nem sempre os negros foram prisioneiros da diversidade linguística que os dividia e ao longo do
período colonial houve várias tentativas de construção de uma identidade comum entre os escravos: a
formação de quilombos, a realização de revoltas e a organização de batuques e calundus (rituais
semelhantes ao candomblé) são evidências disso. Em Minas Gerais, em algumas casas chefiadas por
mulheres, danças e batuques – proibidos então – tiveram guarida e as línguas africanas puderam emergir.
Algumas línguas europeias tiveram um domínio regional e de tempo restrito. O espanhol, em São Paulo,
durante a união das Coroas de Espanha e Portugal(1580 e 1640), e no Sul, acompanhando os confrontos
entre portugueses e espanhóis em torno da expansão territorial. Mais secundariamente o francês, no Rio
de Janeiro e no Maranhão, quando se tentou estabelecer as colônias da França Antártica (1555) e da
França Equinocial (1612), respectivamente. E o holandês, no Nordeste, em Pernambuco e Paraíba,
também no século XVII.
O português enfrentou outras línguas concorrentes nos campos do conhecimento, da religião e da
educação. O latim era a língua dos rituais e livros católicos: a missa, o breviário e os cantos eram em
latim, tendo os sacerdotes que pronunciá-lo com maestria. Os livros eram escritos em latim, a língua culta
por excelência, e o seu ensino ganhou destaque na educação. O latim enraizou-se no universo dos
letrados, servindo como modelo, ao lado do espanhol e do italiano, para a produção poética. O espanhol
era outra língua erudita. Poetas, como Gregório de Matos, escreviam em espanhol, muito valorizado nos
círculos da elite portuguesa de 1600. O padre Vieira, em 1692, em carta a Francisco Barreto, cônego e
tradutor de seus escritos, confessava o grande receio que tinha de que, na língua portuguesa, perdessem
a graça e energia da castelhana.
O inglês iniciou sua influência como língua culta em fins do século XVIII.
Mas como a língua portuguesa conseguiu se impor às outras? Os seus avanços variaram no tempo e no
espaço, a partir de alguns fatores. O primeiro deles foi a vinculação das economias regionais com o
mercado internacional e a consequente participação de portugueses e africanos: nas áreas em que houve
integração com o mercado externo e maior presença de portugueses e africanos, a difusão da língua
portuguesa se deu mais rapidamente. Como no Nordeste, exportador de açúcar desde meados do século
XVI, onde o português predominava no início de 1600. Já em São Paulo colonial, que permaneceu
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relativamente à margem da economia de exportação, com uma menor quantidade de africanos e usando
continuamente o braço escravo indígena, a língua geral difundiu-se por todas as camadas sociais,
mantendo-se dominante até metade de 1700. Em Minas Gerais, a eliminação dos povos e das línguas
indígenas foi intensa, em função do desenvolvimento urbano acentuado e da força da mineração no
conjunto da economia, assentada no uso do escravo africano. Só nas fronteiras das áreas de colonização
houve espaço para as línguas indígenas. Mas os paulistas que foram para Minas encarregaram-se de
disseminar, pelo menos no princípio, a língua geral do Sul, daí a origem indígena de uma série de nomes
geográficos em Minas Gerais, em Goiás e Mato Grosso.
A presença de missionários foi um segundo fator importante para a difusão da língua portuguesa, ou
melhor, para a sobrevivência das línguas indígenas. No litoral, os missionários contribuíram para a
preservação, divulgação e transformação do Tupinambá. Como imposição da própria evangelização, os
jesuítas estudaram o Tupinambá, traduziram cantigas sacras, produziram gramáticas – a de José de
Anchieta, em 1595, e a do padre Luis Figueira, em 1621. E em 1575, publicaram traduções do pai-nosso,
da ave-maria, do credo, e trabalharam coletivamente na elaboração de um catecismo, editado em 1618,
com o nome Catecismo na língua brasílica. José de Anchieta elaborou composições na língua Tupinambá e
em seus autos, encenados em várias partes do país, a língua brasílica era pronunciada ao lado do
português e do espanhol. Ao mesmo tempo, os jesuítas tornaram obrigatório o aprendizado da língua para
todos os irmãos da companhia. O padre Antônio Vieira, em 1672, registrava, por exemplo, saber “a língua
do Maranhão e a portuguesa", língua com as quais dizia servir à sua “pátria" e ao seu “príncipe". Na
primeira metade do século XVII, no território controlado pela Espanha, área sob a influência do Paraguai,
os missionários elaboraram duas gramáticas do Guarani, a de Alonso de Aragona, e a de Antônio Ruiz de
Montoya, que também publicou um catecismo e dois dicionários, Espanhol-Guarani e Guarani-Espanhol.
Em franco contraste com a visão dos missionários de valorizar as línguas brasílicas, no reinado de d. José
I, de quem foi ministro poderoso Sebastião José de Carvalho e Mello, conhecido pelo título de marquês de
Pombal (1750 a 1777), implantou-se uma política de imposição da língua portuguesa, surgindo assim o
terceiro fator de difusão do idioma português. Em 1770, Pombal ordenou aos mestres de língua latina que,
ao receberem seus alunos, os instruíssem previamente, por seis meses, na língua portuguesa, usando a
Gramatica portuguesa, composta por Antônio José dos Reis Lobato. E no Grão-Pará e Maranhão, área em
que a nova política de língua foi mais incisiva, procurou difundir o português para legitimar a posse da
terra e coibir o uso do nheengatu, temido como forma de os missionários controlarem os índios. Esta
política de imposição da língua portuguesa tinha um sentido claro de promover a dominação dos povos e a
obediência ao monarca. Segundo um documento oficial da época, “foi máxima inalteravalmente praticada
em todas as Nações, que conquistaram novos domínios, introduzir logo nos Povos conquistados o seu
próprio idioma, por ser indisputável, que este é um dos meios mais eficazes para desterrar dos Povos
rústicos a barbaridade dos seus antigos costumes".
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LUIZ CARLOS VILLALTA, paulista radicado em Minas Gerais, nasceu em 1962. É graduado, mestre e
doutor em história pela USP e leciona na Universidade Federal de Ouro Preto. Para o volume Cotidiano e
vida privada na América Portuguesa (Coleção História da Vida Privada no Brasil), escreveu o ensaio “O
que se fala e o que se lê: língua, instrução e leitura". Publicou, no Brasil e no exterior, estudos sobre livros
didáticos e paradidáticos de história, bem como sobre censura, bibliotecas e leitura no período colonial.
Exercícios Propostos
Texto para o teste 1.
No Brasil colonial, os portugueses procuravam ocupar e explorar os territórios descobertos, nos quais
viviam índios, que eles queriam cristianizar e usar como força de trabalho. Os missionários aprendiam os
idiomas dos nativos para catequizá-los nas suas próprias línguas. Ao longo do tempo, as línguas se
influenciaram. O resultado desse processo foi a formação de uma língua geral, desdobrada em duas
variedades: o abanheenga, ao sul, e o nheengatu, ao norte. Quase todos se comunicavam na língua geral,
sendo poucos aqueles que falavam apenas o português.
1. De acordo com o texto, a língua geral formou-se e consolidou-se no contexto histórico do Brasil-
Colônia. Portanto, a formação desse idioma e suas variedades foi condicionada
a) pelo interesse dos indígenas em aprender a religião dos portugueses.
b) pelo interesse dos portugueses em aprimorar o saber linguístico dos índios.
c) pela percepção dos indígenas de que as suas línguas precisavam aperfeiçoar-se.
d) pelo interesse unilateral dos indígenas em aprender uma nova língua com os portugueses.
e) pela distribuição espacial das línguas indígenas, que era anterior à chegada dos portugueses.
Texto para o teste 2.
HISTÓRIA DO CONTATO ENTRE LÍNGUAS NO BRASIL
No Brasil, o contato dos colonizadores portugueses com milhões de falantes de mais de mil línguas
autóctones e de cerca de duzentas línguas que vieram na boca de cerca de quatro milhões de africanos
trazidos para o país como escravos é, sem sombra de dúvida, o principal parâmetro histórico para a
contextualização das mudanças linguísticas que afetaram o português brasileiro. E processos como esses
não devem ser levados em conta apenas para a compreensão das diferenças entre as variedades
1
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linguísticas nacionais. O próprio mapeamento das variedades linguísticas contemporâneas do português
europeu e, sobretudo, do português brasileiro, tanto no planodiatópico quanto no plano diastrático ,
depende crucialmente de uma apurada compreensão do processo histórico de sua formação.
(LUCCCHESI, D.; BAXTER, A.; RIBEIRO, I. (orgs.).
O português afro-brasileiro. Salvador:
EdUFBA, 2009 – adaptado.)
Glossário:
Autóctone: nativo de uma região.
Diatópico: referente à variação de uma mesma língua no plano regional (país, estado, cidade etc.).
Diastrático: referente à variação de uma mesma língua em função das diversas classes sociais.
2. Do ponto de vista histórico, as mudanças linguísticas que afetaram o português do Brasil têm sua
origem no contato dos colonizadores com inúmeras línguas indígenas e africanas. Considerando as reflexões
apresentadas no texto, verifica-se que esse processo, iniciado no começo da colonização, teve como
resultado
a) a aceitação da escravidão, em que seres humanos foram reduzidos à condição de objeto por seus
senhores.
b) a constituição do patrimônio linguístico, uma vez que representa a identidade nacional do povo brasileiro.
c) o isolamento de um número enorme de índios durante todo o período da colonização.
d) a separação entre pessoas que desfrutavam bens e outras que não tinham acesso aos bens de consumo.
e) a supremacia dos colonizadores portugueses, que muito se empenharam para conquistar os indígenas.
Textos para o teste 3.
Texto I
ESTRATOS
Na passagem de uma língua para outra, algo sempre permanece, mesmo que não haja ninguém para se
lembrar desse algo. Pois um idioma retém em si mais memórias que os seus falantes e, como uma chapa
mineral marcada por camadas de uma história mais antiga do que aquela dos seres viventes,
inevitavelmente carrega em si a impressão das eras pelas quais passou. Se as “línguas são arquivos da
história", elas carecem de livros de registro e catálagos. Aquilo que contêm pode apenas ser consultado
em parte, fornecendo ao pesquisador menos os elementos de uma biografia do que um estudo geológico
de uma sedimentação realizada em um período sem começo ou sem fim definido.
(HELLER-ROAZEN, D. Ecolalias: sobre o esquecimento
das línguas. Campinas: Unicamp, 2010.)
Texto II
Na reflexão gramatical dos séculos XVI e XVII, a influência árabe aparece pontualmente, e se reveste
sobretudo de item bélico fundamental na atribuição de rudeza aos idiomas português e castelhano por
seus respectivos detratores. Parecer com o árabe, assim, é uma acusação de dessemelhança com o latim.
2 3
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(SOUZA, M. P. Linguística histórica. 
Campinas: Unicamp, 2006.)
3 . Relacionando-se as ideias dos textos a respeito da história e memória das línguas, quanto à
formação da língua portuguesa, constata-se que
a) a presença de elementos de outras línguas no português foi historicamente avaliada como um índice de
riqueza.
b) o estudioso da língua pode identificar com precisão os elementos deixados por outras línguas na
transformação da língua portuguesa.
c) o português é o resultado da influência de outras línguas no passado e carrega marcas delas em suas
múltiplas camadas.
d) o árabe e o latim estão na formação escolar e na memória dos falantes brasileiros.
e) a influência de outras línguas no português ocorreu de maneira uniforme ao longo da história.
Texto para o teste 4.
A expansão do português no Brasil, as variações regionais com suas possíveis explicações e as raízes das
inovações da linguagem estão emergindo por meio do trabalho de linguistas que estão desenterrando as
raízes do português brasileiro ao examinar cartas pessoais e administrativas, testamentos, relatos de
viagens, processos judiciais, cartas de leitores e anúncios de jornais desde o século XVI, coletados em
instituições como a Biblioteca Nacional e o Arquivo Público do Estado de São Paulo. No acervo de
documentos que servem para estudos sobre o português paulista está uma carta de 1807, escrita pelo
soldado Manoel Coelho, que teria seduzido a filha de um fazendeiro. Quando soube, o pai da moça,
enfurecido, forçou o rapaz a se casar com ela. O soldado, porém, bateu o pé: “Nem por bem, nem por
mar!", não se casaria. Um linguista pesquisador estranhou a citação, já que o fato se passava na Vila de
São Paulo, mas depois percebeu: “Ele quis dizer ‘nem por bem, nem por mal!’. O soldado escrevia como
falava. Não se sabe se casou com a filha do fazendeiro, mas deixou uma prova valiosa de como se falava
no início do século XIX."
(FIORAVANTI, C. Ora pois, uma língua bem brasileira.
Pesquisa Fapesp, n. 230, abr. 2015 – adaptado.)
4. O fato relatado evidencia que fenômenos presentes na fala podem aparecer em textos escritos.
Além disso, sugere que
a) os diferentes falares do português provêm de textos escritos.
b) o tipo de escrita usado pelo soldado era desprestigiado no século XIX.
c) os fenômenos de mudança da língua portuguesa são historicamente previsíveis.
d) as formas variantes do português brasileiro atual já figuravam no português antigo escrito.
e) as origens da norma-padrão do português brasileiro podem ser observadas em textos antigos.
Compare os textos I e II a seguir, que tratam de aspectos ligados a variedades da língua portuguesa no
mundo e no Brasil.
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Texto I
Acompanhando os navegadores, colonizadores e comerciantes portugueses em todas as suas incríveis
viagens, a partir do século XV, o português se transformou na língua de um império. Nesse processo,
entrou em contato – forçado, o mais das vezes; amigável, em alguns casos – com as mais diversas
línguas, passando por processos de variação e de mudança linguística. Assim, contar a história do
português do Brasil é mergulhar na sua história colonial e de país independente, já que as línguas não são
mecanismos desgarrados dos povos que as utilizam. Nesse cenário, são muitos os aspectos da estrutura
linguística que não só expressam a diferença entre Portugal e Brasil como também definem, no Brasil,
diferenças regionais e sociais.
(PAGOTTO, E. P. Línguas do Brasil. 
Disponível em: http://cienciaecultura.bvs.br
Acesso em 5 jul. 2009 – adaptado.)
Texto II
Barbarismo é vício que se comete na escritura de cada uma das partes da construção ou na pronunciação.
E em nenhuma parte da Terra se comete mais essa figura da pronunciação que nestes reinos, por causa
das muitas nações que trouxemos ao jugo do nosso serviço. Porque bem como os Gregos e Romanos
haviam por bárbaras todas as outras nações estranhas a eles, por não poderem formar sua linguagem,
assim nós podemos dizer que as nações de África, Guiné, Ásia, Brasil barbarizam quando querem imitar a
nossa.
(BARROS, J. Gramática da língua portuguesa.
Porto: Porto Editora, 1957 – adaptado.)
5. Os textos abordam o contato da língua portuguesa com outras línguas e processos de variação e
de mudança decorridos desse contato. Da comparação entre os textos, conclui-se que a posição de João de
Barros (Texto II), em relação aos usos sociais da linguagem, revela
a) atitude crítica do autor quanto à gramática que as nações a serviço de Portugal possuíam e, ao mesmo
tempo, de benevolência quanto ao conhecimento que os povos tinham de suas línguas.
b) atitude preconceituosa relativa a vícios culturais das nações sob domínio português, dado o interesse dos
falantes dessas línguas em copiar a língua do império, o que implicou a falência do idioma falado em
Portugal.
c) o desejo de conservar, em Portugal, as estruturas da variante padrão da língua grega – em oposição às
consideradas bárbaras –, em vista da necessidade de preservação do padrão de correção dessa língua à
época.
d) adesão à concepção de língua como entidade homogênea e invariável, e negação da ideia de que a língua
portuguesa pertence a outros povos.
e) atitude crítica, que se estende à própria língua portuguesa, por se tratar de sistema que não disporia de
elementos necessários para a plena inserção sociocultural de falantes não nativos do português.
Texto para o teste 6.
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Abrimos o Brasil a todo o mundo: mas queremos que o Brasil seja Brasil! Queremos conservar a nossa
raça, a nossa história, e, principalmente, a nossa língua, que é toda a nossa vida, o nosso sangue, a nossa
alma, a nossa religião.
(BILAC, O. Últimas conferências e discursos.
Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1927.)
6. Nesse trecho, Olavo Bilac manifesta seu engajamento na constituição da identidade nacional e
linguística, ressaltando a
a) transformação da cultura brasileira.
b) religiosidade do povo brasileiro.
c) abertura do Brasil para a democracia.
d) importância comercial do Brasil.
e) autorreferência do povo como brasileiro.
Texto para o teste 7.
As línguas silenciadas do Brasil
Para aprender a língua de seu povo, o professor Txaywa Pataxó, de 29 anos, precisou estudar os fatores
que, por diversas vezes, quase provocaram a extinção da língua patxôhã. Mergulhou na história do Brasil
e descobriu fatos violentos que dispersaram os pataxós, forçados a abandonar a própria língua para
escapar da perseguição. “Os pataxós se espalharam, principalmente, depois do Fogo de 1951. Queimaram
tudo e expulsaram a gente das nossas terras. Isso constrange o nosso povo até hoje", conta Txaywa,
estudante da Universidade Federal de Minas Gerais e professor na aldeia Barra Velha, região de Porto
Seguro (BA). Mais de quatro décadas depois, membros da etnia retornaram ao antigo local e iniciaram um
movimento de recuperação da língua patxôhã. Os filhos de Sameary Pataxó já são fluentes — e ela, que
se mudou quando já era adulta para a aldeia, tenta aprender um pouco com eles. “É a nossa identidade.
Você diz quem você é por meio da sua língua", afirma a professora de ensino fundamental sobre a
importância de restaurar a língua dos pataxós. O patxôhã está entre as línguas indígenas faladas no Brasil:
o IBGE estimou 274 línguas no último censo. A publicação Povos indígenas no Brasil 2011/2016, do
Instituto Socioambiental, calcula 160. Antes da chegada dos portugueses, elas totalizavam mais de mil.
Disponível em: https://brasil.elpais.com.
Acesso em: 11 jun. 2019 (adaptado).
7. (2022) – movimento de recuperação da língua patxôhã assume um caráter identitário peculiar
na medida em que
a) denuncia o processo de perseguição histórica sofrida pelos povos indígenas.
b) conjuga o ato de resistência étnica à preservação da memória cultural.
c) associa a preservação linguística ao campo da pesquisa acadêmica.
d) estimula o retorno de povos indígenas a suas terras de origem.
e) aumenta o número de línguas indígenas faladas no Brasil.
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Gabarito
1. RESOLUÇÃO:
As duas variedades (nheengatu e abanheenga) da língua geral, adotada pelos índios depois da chegada dos
portugueses, resultaram da distribuição das comunidades pelo norte e pelo sul do território brasileiro,
respectivamente.
Resposta: E
2. RESOLUÇÃO:
Trata-se de uma questão de interpretação de texto e somente uma leitura atenciosa bastaria para a
resposta correta. O texto se refere ao papel das línguas africanas e indígenas na formação do português
brasileiro. Assim, podemos depreender que a mistura de línguas no Brasil contribuiu para a formação da
língua nacional e, assim, tem um papel na constituição de uma identidade nacional.
Resposta: B
3. RESOLUÇÃO:
O texto I afirma que as palavras carregam em si “mais memórias que os seus falantes", apontando para a
construção histórica dos sentidos dos vocábulos. O texto II exemplifica esse processo ao citar o caráter
ofensivo dado à influência do árabe, nos séculos XVI e XVII, pois “parecer com o árabe, assim, é uma
acusação de dessemelhança com o latim."
Resposta: C
4. RESOLUÇÃO:
Na carta de 1807, citada no texto, escrita por um soldado, há um trecho em que ele diz “nem por bem, nem
mar". Nele, percebe-se a troca de “l" por “r" (mar por mal), fenômeno bastante comum ainda hoje em
variantes do português usado no Brasil.
Resposta: D
5. RESOLUÇÃO:
A visão preconceituosa de João de Barros, compreensível e talvez inevitável na época, considera a língua
portuguesa como propriedade dos portugueses e como entidade homogênea, pois rejeita suas variantes.
Resposta: D
6. RESOLUÇÃO:
O autor manifesta seu engajamento na constituição da identidade nacional e linguística do povo brasileiro.
Resposta: E
7. RESOLUÇÃO:
A recuperação da língua patxôhã, extinta em razão de um processo histórico de perseguições, de violências
e de movimentos de dispersão, é uma forma de resgatar a identidade do povo pataxó, por meio da
resistência étnica e da preservação da memória cultural: “Você diz quem você é por meio da sua língua".
Resposta: B
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Professor: Ana Carolina de Souza Ferreira
Aula: Origem da Língua Portuguesa
Professor: Leonardo Gonçalves de Lima
Aula: Origem da Língua Portuguesa - Exercícios
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