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Esta apostila detalha o instituto da Alienação Fiduciária, um dos mecanismos de 
garantia mais utilizados no mercado brasileiro para o financiamento de bens 
móveis e imóveis. 
 
Página 1: Conceito e Natureza Jurídica 
A alienação fiduciária é o negócio jurídico pelo qual o devedor (fiduciante), com o 
escopo de garantia, transmite ao credor (fiduciário) a propriedade resolúvel de um 
bem. 
1. Definição Estrutural 
Diferente da hipoteca ou do penhor, onde o bem apenas fica vinculado à dívida, na 
alienação fiduciária ocorre a transferência da propriedade ao credor. 
• Propriedade Resolúvel: É uma propriedade "temporária". Uma vez paga a 
dívida, a propriedade se extingue para o credor e retorna automaticamente 
ao devedor. 
• Posse Direta e Indireta: O devedor permanece com a posse direta (uso e 
gozo do bem), enquanto o credor detém a posse indireta e a propriedade 
formal. 
 
Página 2: Sujeitos e Objetos 
Para a validade do negócio, é necessário identificar claramente as partes e o bem 
envolvido. 
1. As Partes 
• Fiduciante (Devedor): Aquele que aliena o bem para garantir o pagamento 
de uma obrigação. 
• Fiduciário (Credor): Aquele que recebe a propriedade em garantia. 
Geralmente são instituições financeiras, mas a lei permite entre pessoas 
físicas ou jurídicas em geral. 
2. O Objeto 
• Bens Móveis Infungíveis: Veículos, máquinas, equipamentos (regidos pelo 
Decreto-Lei 911/69). 
• Bens Imóveis: Lotes, casas, apartamentos (regidos pela Lei 9.514/97). 
• Cessão Fiduciária de Títulos: Direitos creditórios e títulos de crédito. 
 
Página 3: Constituição e Registro 
A garantia só nasce juridicamente após o cumprimento de formalidades 
específicas. 
1. O Contrato 
Deve conter obrigatoriamente: 
• O valor do principal da dívida. 
• O prazo e as condições de reposição do empréstimo. 
• A taxa de juros e encargos. 
• A descrição precisa do bem objeto da alienação. 
• A cláusula de constituição da propriedade fiduciária. 
2. O Registro (Eficácia Erga Omnes) 
• Bens Móveis: Registro no Cartório de Títulos e Documentos do domicílio 
do devedor (ou no DETRAN, no caso de veículos). 
• Bens Imóveis: Registro na matrícula do imóvel no Cartório de Registro de 
Imóveis (CRI) competente. 
 
Página 4: Direitos e Deveres das Partes 
O equilíbrio da relação depende do cumprimento das obrigações contratuais e 
legais. 
1. Deveres do Fiduciante (Devedor) 
• Pagar as prestações nos prazos ajustados. 
• Conservar o bem em perfeito estado. 
• Pagar tributos e taxas incidentes sobre o bem (ex: IPTU, IPVA). 
• Permitir a fiscalização do bem pelo credor, se previsto em contrato. 
2. Direitos do Fiduciário (Credor) 
• Ter a propriedade do bem como garantia real. 
• Retomar a posse plena e vender o bem em caso de inadimplência. 
• Exigir o reforço da garantia se o bem se desvalorizar excessivamente. 
 
Página 5: A Inadimplência e a Consolidação 
Quando o devedor deixa de pagar, inicia-se o processo de execução da garantia. 
1. Mora e Purgação 
• O credor deve notificar o devedor para constituí-lo em mora. 
• Purgação da mora: O devedor tem um prazo (geralmente 15 dias após a 
notificação) para pagar as parcelas vencidas e encargos, "salvando" o 
contrato. 
2. Consolidação da Propriedade 
Se a mora não for purgada: 
• Imóveis: O oficial do Registro de Imóveis averba a consolidação da 
propriedade em nome do credor fiduciário, mediante o pagamento do 
imposto de transmissão (ITBI). 
• Móveis: O credor pode ingressar com ação de Busca e Apreensão. 
 
Página 6: O Leilão Extrajudicial 
Uma das grandes vantagens da alienação fiduciária para o credor é a celeridade 
da execução, que dispensa o processo judicial demorado. 
1. Primeiro e Segundo Leilões (Imóveis) 
• 1º Leilão: O bem é ofertado pelo valor da avaliação. 
• 2º Leilão: Caso não seja vendido no primeiro, ocorre em até 15 dias. O bem 
pode ser vendido pelo valor da dívida (mais custas e encargos), desde que 
não seja preço vil. 
2. Destino do Valor Arrecadado 
O valor obtido na venda serve para pagar a dívida. Se houver sobra (sobejo), deve 
ser entregue ao devedor. Se o valor não for suficiente no 2º leilão de imóveis, a 
dívida é considerada extinta, e o credor fica com o prejuízo remanescente. 
 
Página 7: Busca e Apreensão (Bens Móveis) 
Procedimento específico do Decreto-Lei 911/69 para veículos e máquinas. 
1. Liminar de Busca e Apreensão 
Comprovada a mora, o juiz concede liminar para apreender o bem. 
• Prazo de 5 dias: Após a execução da liminar, o devedor tem 5 dias para 
pagar a integralidade da dívida pendente (parcelas vencidas e vincendas) 
para ter o bem restituído livre de ônus. 
2. Defesa (Contestação) 
O devedor pode apresentar contestação em 15 dias, mas isso não impede a venda 
antecipada do bem pelo credor após os primeiros 5 dias da apreensão. 
 
Página 8: Vantagens e Comparativo Final 
Por que a alienação fiduciária domina o mercado de crédito atual? 
1. Comparativo com a Hipoteca 
Característica Hipoteca Alienação Fiduciária 
Propriedade Permanece com o devedor Transfere-se ao credor 
Execução Judicial (lenta) Extrajudicial (rápida) 
Risco do Credor Maior Menor 
Taxas de Juros Geralmente maiores Geralmente menores 
2. Conclusão 
A alienação fiduciária oferece maior segurança jurídica ao credor, o que permite a 
oferta de juros menores e prazos mais longos para o consumidor. No entanto, 
exige rigor absoluto do devedor, dado que a perda da posse e da propriedade 
ocorre de forma muito mais célere do que em outras garantias reais.

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