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DIREITOS DAS COISAS PROF. GHISLAINE ALVES CURSO DE FÉRIAS Recapitulando... Efeitos da posse PERCEPÇÃO DE FRUTOS E PRODUTOS EFEITOS DA POSSE RESPONSAB. PERDA E DETERIORAÇÃO INDENIZAÇÃO POR BENFEITORIAS USUCAPIÃO Recapitulando Proteção da posse: Art. 1.210 do CC Legítima Defesa turbação Desforço imediato esbulho Recapitulando... DIREITOS REAIS COISA PRÓPRIA COISA ALHEIA GARANTIA À COISA GOZO/FRUIÇÃO Propriedade Penhor Hipoteca Anticrese Promessa de compra e venda Superfície, servidão, usufruto, uso, habitação, concessão para moradia e de uso, laje 4 Introdução Fundamento constitucional: Art. 5º [...] XXII - é garantido o direito de propriedade; XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; Introdução Fundamento legal: Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Introdução Fundamento legal: § 1 o O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas. Introdução Fundamento legal: § 2 o São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem. É preciso demonstrar o elemento subjetivo? Introdução Má redação do referido dispositivo Necessidade de interpretação sistemática Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. Desnecessidade de dolo ou culpa Ilicitude objetiva Introdução Propriedade e domínio Art. 39 Art. 98 Art. 481 Conclusão? Introdução Propriedade e domínio Art. 39 Art. 98 Art. 481 Conclusão? Para a visão moderna, tratam-se de palavras sinônimas Introdução Poderes inerentes à propriedade: Usar: é o direito de tirar do bem todos os seus proveitos (usar a propriedade de todas as formas previstas ou não vedadas em lei) Gozar: direito de perceber os frutos e produtos da coisa Introdução Poderes inerentes à propriedade: Dispor: Prerrogativa de transferir o bem, a qualquer título Reaver a coisa: direito que o proprietário tem de buscar o bem de quem injustamente a possua/detenha Introdução O direito de propriedade é: Complexo Absoluto Oponibilidade erga omnes Perpétuo Exclusivo Elástico* Introdução A propriedade é elástica porque suas faculdades poderão ser ‘destacadas’, de maneira a formar outros direitos (demais direitos reais) Introdução Extensão: Art. 1.229. A propriedade do solo abrange a do espaço aéreo e subsolo correspondentes, em altura e profundidade úteis ao seu exercício, não podendo o proprietário opor-se a atividades que sejam realizadas, por terceiros, a uma altura ou profundidade tais, que não tenha ele interesse legítimo em impedi-las. Introdução Extensão: Art. 1.230. A propriedade do solo não abrange as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. Classificação Quanto à extensão do direito do titular: Propriedade plena Propriedade limitada Classificação Quanto ao alcance temporal: Propriedade perpétua Propriedade resolúvel Condição (evento futuro e incerto) Termo (evento futuro e certo) Classificação Quanto à localização e destinação: Propriedade urbana Propriedade rural OBS: alcance finalístico Propriedade Fiduciária Conceito: Art. 1.361. Considera-se fiduciária a propriedade resolúvel de coisa móvel infungível que o devedor, com escopo de garantia, transfere ao credor. Propriedade Fiduciária Conceito: Fidúcia: confiança Propriedade resolúvel: o título aquisitivo (do bem móvel ou imóvel) está subordinado a uma condição resolutiva ou advento do termo. A propriedade deixa de ser plena, passando a ser limitada. Prop. Resolúvel (gênero) fiduciária (espécie) Propriedade Fiduciária OBS: Condição é o acontecimento futuro e incerto que subordina a eficácia jurídica de determinado negócio; Termo é o acontecimento futuro e certo que subordina o início ou término da eficácia jurídica de determinado ato negocial. Propriedade Fiduciária Conceito: Bem móvel infungível: são os bens móveis que não podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. Escopo de garantia: ofereço o bem em garantia do empréstimo feito. Propriedade Fiduciária Conceito: “A propriedade resolúvel, ou revogável, é a que, no próprio título da sua constituição, encerra o princípio que a tem de extinguir, realizada a condição resolutória, ou advindo o termo extintivo, seja por força de declaração da vontade, seja por força de lei” Clóvis Beviláqua Propriedade Fiduciária Conceito: “A propriedade resolúvel, ou revogável, é a que, no próprio título da sua constituição, encerra o princípio que a tem de extinguir, realizada a condição resolutória, ou advindo o termo extintivo, seja por força de declaração da vontade, seja por força de lei” Clóvis Beviláqua Propriedade Fiduciária Legislação: Código Civil Propriedade fiduciária em garantia de bens móveis Lei 9.514/1997 Alienação fiduciária em garantia de bens imóveis Art. 22. A alienação fiduciária regulada por esta Lei é o negócio jurídico pelo qual o devedor, ou fiduciante, com o escopo de garantia, contrata a transferência ao credor, ou fiduciário, da propriedade resolúvel de coisa imóvel. Propriedade Fiduciária Legislação: Código Civil Propriedade fiduciária em garantia de bens móveis Lei 9.514/1997 Alienação fiduciária em garantia de bens imóveis Art. 22. A alienação fiduciária regulada por esta Lei é o negócio jurídico pelo qual o devedor, ou fiduciante, com o escopo de garantia, contrata a transferência ao credor, ou fiduciário, da propriedade resolúvel de coisa imóvel. Alienação Fiduciária em Garantia Conceito: É um negócio jurídico (fato jurídico, humano e lícito, do qual as partes convergem a sua vontade para a formação de uma relação jurídica negocial). Há presença do sinalagma, que é o nexo de causalidade entre as prestações (contrato bilateral). É um escopo de garantia (propriedade fiduciária), é a transferência da propriedade em caráter fiduciário (é uma espécie de propriedade resolúvel, implementando-se a condição, aquela propriedade se extingue). Alienação Fiduciária em Garantia Ex: quero comprar um carro e não tenho o dinheiro todo para pagá-lo à vista. Posso contratar um financiamento junto a uma instituição financeira. Esta pagará ao vendedor, passando a ter a propriedade fiduciária, em caráter resolúvel, até que o devedor pague o valor financiado. Alienação Fiduciária em Garantia Qual a diferença da alienação fiduciária em garantia para o penhor, hipoteca e anticrese (direitos reais de garantia em coisa alheia)? Alienação Fiduciária em Garantia Qual a diferença da alienação fiduciária em garantia para o penhor, hipoteca e anticrese (direitos reais de garantia em coisa alheia)? Penhor, hipoteca e anticrese: o titular da garantia tem direito real na coisa alheia (o bem dado em garantia continua no patrimônio do devedor) Na AFG o devedor transmite a propriedade do bem garantidor da dívida, embora em caráter resolúvel. Alienação Fiduciária em Garantia Partes: Alienante: aquele que venda a coisa Devedor Fiduciante: aquele que aliena fiduciariamente a propriedade resolúvel do bem ao credor (permanece na posse direta) Credor fiduciário: a quem se transmite, em garantia, a propriedade resolúvel da coisa. Alienação Fiduciária em Garantia Características: Bilateral Oneroso Formal Comutativo Acessório visa à garantia de obrigaçõescontraídas em outro contrato (contato, compra e venda, empréstimo etc) Alienação Fiduciária em Garantia Características: Inalienabilidade do objeto: ao contituir a alienação fiduciária, o bem é afetado, saindo do mercado, para garantia do crédito; Indivisibilidade: o bem dado em garantia torna-se indivisível enquanto não quitada a dívida (art. 1421); Alienação Fiduciária em Garantia Características: Procedimento extrajudicial: sua operabilidade se dá na serventia de registro de imóveis; Desdobramento da posse (art. 1.361, §2º e art. 23, p. único da Lei 9514/97) Alienação Fiduciária em Garantia OBS: Cessão de direitos (art. 29 da Lei 9514/97) Art. 29. O fiduciante, com anuência expressa do fiduciário, poderá transmitir os direitos de que seja titular sobre o imóvel objeto da alienação fiduciária em garantia, assumindo o adquirente as respectivas obrigações. Alienação Fiduciária em Garantia OBS 2: Alienação Fiduciária x Leasing AF Transferência da propriedade em garantia (propriedade fiduciária) Leasing Espécie de arrendamento mercantil (aluguel), optando o ‘comprador’ por ficar com a coisa ao final Alienação Fiduciária em Garantia OBS 2: Alienação Fiduciária x Leasing AF Ação de Busca e Apreensão Leasing Ação de Reintegração de Posse (liminar) Alienação Fiduciária em Garantia CRLV com Alienação Fiduciária: Alienação Fiduciária em Garantia CRLV com Leasing: Alienação Fiduciária em Garantia Purgação da mora: Entendimento anterior: STJ/SÚMULA 284 - A PURGA DA MORA, NOS CONTRATOS DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA, SÓ É PERMITIDA QUANDO JÁ PAGOS PELO MENOS 40% (QUARENTA POR CENTO) DO VALOR FINANCIADO. Alienação Fiduciária em Garantia Atual entendimento (Lei 10.931/2004): ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. DECRETO-LEI N. 911/1969. ALTERAÇÃO INTRODUZIDA PELA LEI N.10.931/2004. PURGAÇÃO DA MORA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE PAGAMENTO DA INTEGRALIDADE DA DÍVIDA NO PRAZO DE 5 DIAS APÓS A EXECUÇÃO DA LIMINAR. 1. Para fins do art. 543-C do Código de Processo Civil: "Nos contratos firmados na vigência da Lei n. 10.931/2004, compete ao devedor, no prazo de 5 (cinco) dias após a execução da liminar na ação de busca e apreensão, pagar a integralidade da dívida - entendida esta como os valores apresentados e comprovados pelo credor na inicial -, sob pena de consolidação da propriedade do bem móvel objeto de alienação fiduciária". 2. Recurso especial provido. (REsp 1418593/MS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 14/05/2014, DJe 27/05/2014) Alienação Fiduciária em Garantia Vedação ao pacto comissório: Art. 1.364. Vencida a dívida, e não paga, fica o credor obrigado a vender, judicial ou extrajudicialmente, a coisa a terceiros, a aplicar o preço no pagamento de seu crédito e das despesas de cobrança, e a entregar o saldo, se houver, ao devedor. Art. 1.365. É nula a cláusula que autoriza o proprietário fiduciário a ficar com a coisa alienada em garantia, se a dívida não for paga no vencimento. Alienação Fiduciária em Garantia Procedimento de adimplência: Havendo o pagamento integral pelo devedor, é expedido um termo de quitação pelo credor em até 30 dias. Com o termo de quitação, faz-se a averbação na matrícula. Alienação Fiduciária em Garantia Procedimento de inadimplência: O credor faz o requerimento ao oficial de registro de imóveis informando o não pagamento no prazo (pode haver carência), anexando uma relação de valores que são devidos. Alienação Fiduciária em Garantia Procedimento de inadimplência: O Oficial de Registro manda notificar pessoalmente o devedor (pode ser feito com aviso de recebimento, por hora certa ou edital) Após a notificação: 15 dias para purgar a mora (pagar tudo) Alienação Fiduciária em Garantia Procedimento de inadimplência: Sem purgação, o Oficial de Registro certificará a mora (ex tunc) por averbação na matrícula, consolidando a propriedade em nome do credor. Alienação Fiduciária em Garantia Inicia-se a execução extrajudicial por hasta pública: 1 – intimação dos devedores 2 – primeiro praceamento (30 dias) – valor avaliação ou ITBI 3 – segundo praceamento (15 dias) – valor dívida Alienação Fiduciária em Garantia OBS: até a data do 2º leilão o devedor poderá adquirir o imóvel, com preferência sobre os demais pretendentes, mediante o pagamento da dívida e despesas (art. 27, §2-B). image1.png image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg